Não é só no futebol que o Brasil tem a mania do “já ganhou”. Nesta eleição da cidade sede das Olimpíadas, os experts verde-amarelos davam como certa a vitória do Rio. Duas notícias diminuíram este ímpeto: a garantia da liberação de verba por parte do governo de Chicago, e a possível vinda do presidente norte-americano.
Fartura
Enquanto atletas de quase todas as modalidades olímpicas do Brasil enfrentam as piores condições de treinamentos possíveis, dinheiro é o que não falta para a defesa da candidatura do Rio’2016. Só para gastar esta semana aqui, a prefeitura do Rio liberou, sem licitação, R$ 3,5 milhões. De hoje a sexta a ordem é agitar Copenhague.
Mais fartura
Para este dia “D”, que será sexta feira, o governo federal já havia liberado R$ 53 milhões, a iniciativa privada, patrocínios estatais e o minerador Eike Batista entraram com R$ 37 milhões, e prefeitura e governo do Rio de Janeiro, mais R$ 8,6 milhões. O voto de um desses 160 delegados do COI vai representar um bom dinheiro.
Estas e outras notas estarão em minha coluna de amanhã, no jornal O Tempo, nas bancas!
Ontem caminhei quase o dia todo em Berlim. A cidade vive em permanente reforma e reconstrução. Em 2006, a região do centro histórico, dos grandes museus, do parlamento, do portão de Brandenburgo era outra, totalmente preparada para a Copa do Mundo e os eventos paralelos que a movimentam.
Havia arquibancadas com telões, os espaços reservados às “Fans Fest”, ruas e quarteirões fechados para que o público local e visitantes pudessem conviver bem, sem atropelos e preocupações.
Hoje, estes mesmos locais são quase que irreconhecíveis, já que com o fim da “maquiagem” a realidade voltou à tona. Mas, diferente de países pobres e subdesenvolvidos, a realidade aqui é tão bela ou até mais que a maquiagem. Os berlinenses estão restaurando antigas construções, demarcando ruínas, transformando tudo o que podem em museus e memoriais a céu aberto.
Uma cidade belíssima, bem servida por todo tipo de transporte público de qualidade, porém caminhar ou andar de bicicleta em suas ruas planas é facílimo e prazeroso, já que a sinalização não deixa ninguém se perder.
À noite fui a uma festa de apresentação de um novo motor para barcos da BMW, num enorme bar à beira de um lago, a uns cinco quilômetros do centro da capital alemã, com direito a fogos de artifício. A convite do gente boa Tobias Frey, jovem advogado alemão, amigo da minha sobrinha Bruna. Estudaram juntos na Universidade de Bolonha, em 2007.
Às 6h15 saí do hotel com destino à estação FriedriechStrass, para pegar o trem para Copenhague, que partiria às 7h13. Andei um quarteirão até a estação Charloteburg, onde pegaria uma “carona” até lá. Percurso que fiz ontem, com duração de nove minutos. Mas, não sabia que ele passaria às 6h24, e por um minuto, até subir as escadarias corretas, o perdi. Tive de pegar um taxi, pagar 15 euros, achando que cheguei com a devida antecedência à estação. No maior sossego, na certeza de estar no horário, fui a um balcão de informações saber onde era o portão 7. O gentil senhor pediu para ver meu bilhete e deu um riso maroto, dizendo: “Para Copenhague, você deve tomar o trem na estação Hauphtbanhof”.
Vixe! “Tô ferrado!”, pensei. Mas o mesmo senhor, imediatamente, me disse que era só subir as escadas, porque dentro de dois minutos passaria um trem que me deixaria na tal estação, que é a principal de Berlim, de onde partem os trens de longa distância.
Olhei o relógio, eram 6h57. Às 7 passou o trem, que me deixou às 7h03 na Hauphtbanhof. Às 7h10 eu estava dentro do trem, que partiu, como sempre no horário, às 7h13. Ufa!!!
Passado o sufoco, lembrei-me do Eugênio Sávio, um dos grandes fotógrafos do jornalismo brasileiro, meu companheiro de tantas coberturas, que infelizmente não está nessa. Ele sempre fica incomodado com a minha calma em relação a horários e a mania de chegar em cima da hora. Ano passado perdemos o trem de Pequim para Cheniang, durante as Olimpíadas. Calculei tudo certo, só que eu não contava com o engarrafamento monstro da capital chinesa naquele horário. Ainda bem que pegamos o trem seguinte, do meio dia. “Só” três horas de chá de estação em Pequim. Não levei uma porrada porque o Eugênio é da paz.
A viagem até Copenhague é agradável e dura quase oito horas. Saída de Berlim às 7h13, chegada a Hamburgo às 8h52, de lá sai às 9h28 com destino a Nikoebing, já na Dinamarca, chegando às 12h29. Nunca pensei que iria parar numa cidade com um nome esquisito desses. De lá o trem saiu às 12h47 e às 14h46, finalmente cheguei à Copenhague!
Num curto tempo em Hamburgo deu para dar uma volta perto da estação, enorme, quase do tamanho da principal de Berlim, que é muito maior por exemplo, que o nosso aeroporto de Confins. E tão confortável quanto, porém com bem mais opções de lojas, bares e restaurantes. Essas estações européias são danadas!
Na calçada um mendigo dormia tranquilamente, bem enrolado em cobertores, papéis e sacolas, para suportar os 12 graus de temperatura. Morador de rua não é privilégio brasileiro, apesar de que os daqui são quase sempre estrangeiros, mais do Leste europeu e África.
Hoje é dia de eleições parlamentares na Alemanha e Hamburgo parece ter mais cartazes e placas que em Berlim.
O eleitor vota duas vezes: uma no candidato da sua preferência e outra numa lista apresentada pelos partidos. São eleitos 299 de cada categoria, ou seja: um direto e outro da lista fechada. O partido da dona Angela Merkel, atual primeira-ministra, é o CDU, que está passando aperto, mas deve manter-se no poder.
Um outro partido famoso aqui é o FDP. No Brasil esta sigla tem outro significado e serve como referência de incontáveis políticos, né não!?
O trem passa em Lubeca. Lembram desse nome? O deputado goiano, Ronaldo Caiado, fez uma denúncia contra o PT certa vez, muitos anos atrás, e disse que apresentaria o “Dossiê Lubeca”, mas não apresentou nada.
Depois de Lubeca vem a divisa com a Dinamarca e o trem entra num “Ferry Boat”, um barco gigante que navega uma hora e alguns minutos, deixando-nos já na terra dos Wickings.
À exceção dos preços de tudo, a primeira impressão sobre Copenhague é a melhor possível. Castelos e prédios clássicos, enormes, avenidas largas, movimento intenso, multirracial, que faz lembrar muito Amesterdam. Aqui a moeda não é o Euro e sim a Coroa Dinamarquesa. Um euro vale 7,4 coroas. Um real vale 2,8 coroas, porém não se compra nada com uma coroa.
Se bobear dança mesmo! Essa é a descida da escadaria para pegar o trem para Copenhague. Responda rápido, você iria para a esquerda ou para a direita?