Arquivo de 11 de outubro de 2009

Jogo chato, com transmissão pior ainda

domingo, 11 de outubro de 2009

O estádio com quase vazio em La Paz mostrou o grau de importância de Brasil e Bolívia, pelas eliminatórias. As duas seleções com suas vidas resolvidas na competição: a nossa classificada por antecipação; a deles, vice lanterna, sem chances matemáticas de ir à Copa do Mundo de 2010. Um amistoso de luxo, onde o principal assunto enfocado foi a chatice da altitude e seus efeitos. Na Globo, Galvão Bueno diz que a zaga brasileira perdeu o tempo da bola por causa da altura da capital boliviana, no gol deles, logo de cara. Mudei de canal, mas na Band, o Luciano do Valle dizia que o Nilmar sentia “nitidamente” a altitude, apesar de jovem, porque “dá pra ver que está buscando ar”. Isso com menos de dez minutos de jogo. Tirei o som da TV e passei a ouvir o Milton Naves e o Maurílio Costa, que respeitam a inteligência de quem os ouve.

Quando comecei na minha vida de repórter esportivo, ficava irritado quando me diziam que eu pertencia a uma categoria que era responsável pelo processo de “imbecilização” do povo brasileiro. Com o passar dos anos, naturalmente, deixei de me irritar com quem diz isso. A irritação passou a ser quando ouço companheiros dando argumentos para que essa verdade se firme cada vez mais.

Dramatização

A maioria da imprensa prega que não deve haver jogos na altitude de La Paz. Nada a ver. É a mesma coisa que dizer que não se pode jogar num campo cuja lama esteja atrapalhando o desenvolvimento do jogo. Ora, ora, é o futebol e os ambientes onde ele é jogado. Tem gente que acha um absurdo, jogos às 10 horas em Ituiutaba, por causa do calor “desumano”.

Desculpas

Quando um time é melhor ou está melhor preparado, supera qualquer adversidade em campo, seja na altitude, no calor ou até as arbitragens ruins e suspeitas. O Cruzeiro campeão brasileiro foi muito prejudicado por árbitros em vários jogos em 2003, mas o time era tão bom que raramente alguém reclamava. Ganhou tudo que disputou naquele ano, com sobras.

O clássico é para quem tem coragem

domingo, 11 de outubro de 2009

Nos bancos

É jogo que costuma ser decidido por alguém que desequilibra dentro das quatro linhas ou no banco, onde o treinador que consegue enxergar melhor o jogo, se dá bem, com uma alteração técnica ou tática. O Cruzeiro não tem nada a perder e pode ir para o tudo ou nada. O Galo, se for medroso como foi contra o Botafogo, pode dar adeus às suas pretensões ao título.

Justiça

A falácia em torno do Atlético ficar com o vestiário do lado direito das cabines do Mineirão é ridícula e injustificada. O mando de campo é dele e fim de papo. Se é a primeira vez na história que isso vai ocorrer, é porque, até então, o Cruzeiro foi mais esperto na guerra de bastidores. O resto é conversa fiada.

Satisfação I

Que prazer rever o Matheus, que formou um dos melhores meio de campo que o América já teve. Eram Lúcio, Ludo e ele, no início dos anos 1980. Especialista na cobrança de faltas, era um maestro dentro de campo. Parou ainda jovem, aos 27, e foi cuidar da Engenharia, profissão que abraçou. Hoje, aos 48, é dono de quadras de futsal em Belo Horizonte, o Planeta Bola, e joga suas peladas.

Satisfação II

Na mesma roda onde revi o Matheus, conheci o Chicão, irmão mais novo do goleiro Fábio, que fez sucesso no Atlético, Cruzeiro, São Paulo e chegou à seleção brasileira, convocada para a Copa de 1966. Foi o Chicão quem me contou que o Fábio poderia ter entrado para a história como o primeiro goleiro a levar um gol no Mineirão, no famoso jogo de inauguração, entre a seleção mineira e o River Plate. Ele defendeu um pênalti batido pelo time argentino, antes do histórico gol marcado pelo Bugleaux para a seleção. Discreto, nunca disse que tocou um dedo na bola, e a imprensa sempre disse que a bola foi direto na trave.

Satisfação III

Ainda não tive o prazer de conhecer o Fábio pessoalmente, mas hoje ele é dono de restaurante no Retiro do Chalé, na região de Nova Lima, e vai completar 73 anos de idade, no dia 11 de novembro. Um nome dos mais importantes da grandeza do futebol mineiro, porém pouco lembrado por nós da imprensa, exatamente por causa da discrição que ele sempre adotou como forma de viver.

Este encontro que tive com tanta gente boa ligada ao futebol foi proporcionado pelo aniversário do empresário Rono Neves, atleticano, que está incomodado porque a filha Naara disse que é torcedora do América e ninguém a demove da idéia. Prova que o futebol é isso: um clube tem que conquistar títulos, quaisquer que sejam, para atrair principalmente crianças como a Naara.

Essas e outras notas, em minha coluna de amanhã, no Super Notícia, nas bancas!