Arquivo de 12 de dezembro de 2009

Até tu, padre?

sábado, 12 de dezembro de 2009

Antes que alguém diga que pertenço a alguma igreja contrária, vou logo dizendo que não pertenço a nenhuma, não frequento nenhuma, e também não tenho nada contra quem gosta de qualquer uma.

Todas elas têm coisas elogiáveis e abomináveis, como qualquer atividade onde esteja envolvida a mão humana, com as suas devidas incoerências, obviamente.

Pois não é que o famoso Padre Marcelo está apoiando (inclusive fazendo campanha), a liberação da cerveja nos estádios de São Paulo?

É o principal garoto propaganda do G4, entidade criada por São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Santos, patrocinada pela poderosa fábrica de cervejas Femsa, mexicana, dona da Kaiser, dentre outras, uma das principais concorrentes da Ambev no mundo.

E o Padre usa um argumento interessante: “a igreja condena é bebidas pesadas, cerveja é bebida leve”.

Ah ah ah…

Que beleza hein!?

E olhem que sou defensor da cerveja nos estádios, mas peraí!

Negar que a bebida potencializa atos de violência é querer tapar o sol com a peneira.

O que precisa haver é rigor na repressão e punição imediata e pesada a quem abusa.

Leiam reportagens nos próximos posts deste blog, onde transcrevo textos da Folha de S.Paulo de quinta feira, dia 10, sobre estes assuntos.

Clubes paulistas repetem Atlético e Cruzeiro, porém, formalmente

sábado, 12 de dezembro de 2009
O que Atlético e Cruzeiro fizeram recentemente em Minas, os quatro grandes de São Paulo repetiram lá, porém, criaram, formalmente, uma entidade para defender os interesses comuns a eles.

Aqui o acordo foi com BMG e Ricardo Eletro para as camisas em 2010, mas três meses atrás, a dupla já tinha acertado com a Ambev, que já está desenvolvendo campanhas de marketing com ambos, envolvendo a marca Brahma.

Esta reportagem, que fala da criação do G4 paulista, está no jornal Folha de S. Paulo, do dia 10, quinta passada:

“Grupo nasce para unificar contratos”

DA REPORTAGEM LOCAL

Os quatro grandes clubes de São Paulo se uniram para conseguir melhores contratos com novos patrocinadores.
O primeiro acordo foi anunciado ontem, com a Femsa, que vai produzir latas de cerveja e refrigerante com os escudos de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos.
A empresa vai pagar R$ 8 milhões ao G4 (R$ 2 milhões por clube) e mais royalties por quantidade de produtos vendidos.
Segundo José Carlos Peres, que representa o Santos no “conselho de gestores” do G4, o próximo objetivo do grupo é conseguir um melhor contrato de transmissão do Campeonato Paulista.
O atual, que termina em 2010, prevê cerca de R$ 7 milhões para cada clube. Peres acredita que é possível aumentar “muito” esse valor, mas não fixa um objetivo. “Quanto conseguir está bom”, comentou.
Ao longo do ano que vem, o grupo pretende atuar em conjunto para o combate à pirataria.
Marcelo Teixeira, presidente do Santos até a próxima terça e derrotado nas eleições da semana passada por Luis Alvaro de Oliveira, não esteve no evento. Foi representado pelo vice Norberto Moreira.
Juvenal Juvêncio, Andres Sanchez e Luiz Gonzaga Belluzzo assinaram a criação do G4. (CA E MF)

 

Polícia ironiza a incoerência do Padre

sábado, 12 de dezembro de 2009

Saiu na Folha de S. Paulo de quinta feira, dia 10, caderno de esportes:

Por patrocínio, clubes agora defendem cerveja

Para Padre Marcelo, problema “está nos destilados”

CAROLINA ARAÚJO
MARTÍN FERNANDEZ
DA REPORTAGEM LOCAL

O G4, grupo dos quatro grandes clubes paulistas -Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo-, defendeu ontem a liberação do consumo de bebidas alcoolicas em estádios.
Durante evento em que o G4 formalizou parceria com o Grupo Femsa, braço da Coca-Cola e da cerveja Kaiser no Brasil, o presidente do Corinthians, Andres Sanchez, declarou que “bebidas leves” deveriam ser vendidas durante as partidas.
“Acho um absurdo o cara ficar do lado de fora do estádio bebendo em uma barraquinha. Ele só faz isso porque sabe que vai ficar duas horas sem beber no estádio”, disse o cartola.
“Cerveja e champanhe, que são bebidas leves, deveriam ser liberadas nos jogos. As autoridades têm de pensar que, na nossa casa, quem manda somos nós”, emendou. E foi apoiado por executivos da Femsa.
Espécie de “garoto-propaganda” do G4, o padre Marcelo Rossi também defendeu a volta da cerveja aos estádios.
“As bebidas fermentadas são toleradas pela igreja. O problema está nos destilados”, declarou Rossi, que pediu a ajuda da imprensa para “promover a volta das famílias ao futebol”.
Em São Paulo, uma lei estadual de 1996 impede a venda de bebidas nos estádios do Estado. Em abril do ano passado, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, assinou um documento proibindo bebidas alcoólicas nas arenas de todo o país.
A Polícia Militar de São Paulo se mostrou contrária à posição do G4. O tenente-coronel Almir Ribeiro, responsável pela segurança nos estádios paulistas, disse que a proibição da venda de bebidas em estádios reduziu os casos de violência.
Paulo Castilho, promotor do Ministério Público de São Paulo que atua no combate à violência entre torcidas, mostrou-se extremamente irritado com a posição dos clubes e com o apoio do padre Marcelo Rossi.
“Desde quando um padre agora entende de violência em estádio?”, criticou Castilho. “Ele não sabe que o cara bebe cerveja no estádio e depois briga, volta dirigindo alcoolizado para casa e bate na mulher, nos filhos? Ele não sabe?”
Castilho também sustenta que os índices de violência caíram depois da proibição.

Vai piorar

sábado, 12 de dezembro de 2009

Dizia o saudoso Urbano Brochado Santiago, grande presidente do Minas Tênis Clube, que o futebol é uma das atividades mais organizadas do Brasil, e que era preciso cuidado em qualquer mexida, porque em nosso país é comum atrapalharem o que está funcionando bem. Principalmente quando entra o dedo de algum órgão público ou político.

Lembrei-me dele ao ler reportagem da Folha de S. Paulo de ontem, que fala das novas regras que entrarão em vigor na Justiça Desportiva a partir de janeiro de 2010.

Em resumo, ela vai seguir os ritos da nossa Justiça Comum, que todos sabemos, é um fracasso.

Certamente a impunidade vai aumentar, também no futebol.

A reportagem é a seguinte:

“Nova lei esportiva adota regras da Justiça comum”

Ao alterar código, governo copia procedimentos de tribunais cíveis e criminais

Suspensões a jogadores serão por partidas, e não por prazos, punições por vídeos terão restrições e norma antidoping será incorporada

RODRIGO MATTOS
DA REPORTAGEM LOCAL

O governo federal tornou os tribunais desportivos mais parecidos com a Justiça comum.
Foi a tônica das alterações no CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva), aprovadas ontem pelo Conselho Nacional do Esporte. A legislação rege procedimentos disciplinares nas competições esportivas.
Seu texto foi elaborado por uma comissão de juristas e, depois, ratificado pelo órgão do Ministério do Esporte.
O novo código adota a jurisprudência, o sorteio de processos pelos julgadores, a nomeação de procuradores-gerais pelo Executivo, a obrigatoriedade de carteira da OAB para advogados, as transações desportivas (troca de penas) e a flexibilização de punições.
Esse último item talvez tenha o maior efeito nas suspensões de jogadores de futebol.
Pelo novo código, as penas por agressão de atletas, em sua maioria, deixarão de ser por prazo para serem por jogos. Até hoje, julgadores evitavam dar punições desse tipo, pois o prazo mínimo era 120 dias.
Diego Souza, do Palmeiras, que deu rasteira em Domingos no Paulista, teve a acusação desqualificada de agressão para atitude antidesportiva. Foi suspenso por oito partidas.
Há uma exceção: caso agrida um colega e o deixe sem poder atuar, um jogador pode ser afastado enquanto a vítima estiver inativo por até seis meses.
Ainda foi criada a transação disciplinar desportiva, que permite acordos entre a Procuradoria e o acusado sobre punições. É inspirada na transação penal, da Justiça criminal.
Ao adotar a jurisprudência, o tribunal desportivo cria padrões para seus julgamentos. O pleno do STJD poderá estabelecer súmulas vinculantes, que obrigam tribunais inferiores a julgarem igual casos similares.
Também foi copiado o sorteio dos processos entre membros da comissão dos tribunais desportivos. Antes, era o presidente da corte quem determinava o relator de cada caso.
O procurador-geral passará a ser indicado em lista tríplice pela CBF. É o pleno do tribunal quem decide o escolhido.
E houve uma revisão das penas com uso de vídeos. Fora “notório equívoco”, o atleta não poderá ser julgado no tribunal se recebeu só cartão amarelo.
O tribunal pode julgar se o juiz não tiver visto o lance ou tiver dado o vermelho. O efeito suspensivo, espécie de habeas corpus, será automático com penas de mais de dois jogos.
Se essas mudanças fossem válidas no Brasileiro-2009, o volante Jean, do São Paulo, teria jogado contra o Botafogo, e Dagoberto, contra o Goiás.
Para casos de doping, valerão as regras da Wada (Agência Mundial Antidoping). Isso evita casos como o atacante Dodô, que foi poupado pelo STJD e, depois, punido pela agência.
Resumo: boa parte das regras rotineiras no mundo e no país chegam ao esporte brasileiro.