Arquivo de 4 de janeiro de 2010

O carrasco e a vítima

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Sou admirador do trabalho do Ruy Castro, mineiro de Caratinga, um dos maiores escritores do país, especializado em biografias, e trabalhos espetaculares, como sobre a vida do Nelson Rodrigues, Garrincha, Carmen Miranda, a Bossa Nova, e por aí vai.

Ele também tem um comentário às terças feiras pela manhã na Band News FM, onde bate um ótimo papo com o Ricardo Boechat sobre temas do cotidiano.

Escreve na Folha de S. Paulo, onde li este comentário, do dia 1o, muito interessante, sobre a homenagem ao uruguaio Gigghia, carrasco do Brasil em 1950.

Sem ser deselegante ele dá um cutucão, não no Gigghia, mas no tratamento dado pelos brasileiros a uma vítima daquele gol que nos tirou a Copa de 1950.

Confira:

“O carrasco e a vítima”

RIO DE JANEIRO

- Maracanã, 1950. Aos 20 minutos do 2º tempo, o ponta uruguaio Gigghia avançou pela direita, driblou o lateral Bigode e, diante do zagueiro Juvenal, que se deslocara para combatê-lo, cruzou para seu companheiro Schiaffino. Este recebeu livre no centro da área e fuzilou o goleiro Barbosa, empatando para o Uruguai. O 1×1 abalou os quase 200 mil torcedores, mas, com aquele resultado, o Brasil ainda seria campeão do mundo.
Aos 34 minutos, repete-se o lance. Só que, desta vez, Juvenal guarda sua posição para não deixar Schiaffino livre. Gigghia, então, em vez de cruzar, atira a gol e a bola penetra entre Barbosa e a trave -2×1, silêncio no Maracanã, Uruguai campeão.
Na terça-feira última, Gigghia, 83 anos, gravou seus pés em cimento para a Calçada da Fama do Maracanã. Já são 59 anos desde aquela tarde em que suas arrancadas pela ponta levaram tantos brasileiros ao desespero -e, desde então, o Brasil cansou de ganhar a Copa-, mas não sei de outro país ou povo que prestasse tal homenagem a seu carrasco. Nem Gigghia, em lágrimas, esperava por isso.
Em compensação, há dois meses, uma das vítimas daquela história, Juvenal, foi enterrado no cemitério de Camaçari, em Salvador, na presença de meia dúzia. Tinha 86 anos, dos quais os últimos foram muito tristes: pobre, quase esquecido, numa casinha de 10 m2, sem poder andar, com artrose nos joelhos e quadris, e ligado ao mundo apenas por um rádio.
Marcia Turvão, a bondade em pessoa, minha amiga e de Juvenal, tentou vestir seu caixão com uma bandeira do Brasil, do Flamengo ou do Bahia, cores que ele defendeu. Mas era véspera de feriado e, quando Marcia conseguiu achar uma bandeira e voltar ao cemitério, Juvenal já fora sepultado. Mais um desencontro do destino entre ele e Gigghia.

Desarmando espíritos

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Em casa encontro pilhas de jornais não lidos enquanto andei viajando nestes últimos dias. Fiz uma leitura dinâmica de todos e algumas notícias me chamaram a atenção, como esta que saiu na Folha de S. Paulo do dia 30 de dezembro: o maior carrasco da história do futebol brasileiro foi homenageado no palco da nossa “trágedia”, o Maracanã, em sua Calçada da Fama.

Gostaria da opinião dos senhores!

Quase 60 anos se passaram e o “algoz” está hoje com 83 anos de idade:

A notícia da Folha:

“Algoz de 1950 é homenageado no Maracanã” 

Quase seis décadas após calar o Maracanã, o ex-ponta-direita uruguaio Ghiggia voltou ao palco onde marcou o gol da vitória do Uruguai sobre o Brasil (2 a 1), feito que rendeu a seu país o título da Copa do Mundo de 1950.
Alcides Edgardo Ghiggia, 83, tornou-se o centésimo atleta a deixar a marca de seus pés na calçada da fama do estádio.
Com olhar atento, Ghiggia se disse “emocionado” e “apaixonado pelo Rio” ao entrar aplaudido na calçada da fama e tirar as meias com logotipos da Uefa para marcar seus pés. Foi com o direito, há 59 anos, que o uruguaio venceu o goleiro Barbosa aos 34min do segundo tempo e silenciou o Maracanã.
“Nunca pensei que seria homenageado no Maracanã. Estou muito emocionado. Meus sinceros agradecimentos ao público. Desejo muitas felicidades no Ano Novo. Viva o Brasil!”, disse Ghiggia, que, antes, tirou fotos com torcedores, inclusive remanescentes do Maracanazo.

De volta

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Com uma certa preguiça de recomeçar o batente, estou de volta depois de quase 10 dias sem fazer absolutamente nada ligado ao meu trabalho. Nem contato tive com noticiários de TV, rádio ou jornais.

Mas o futebol é parecido com as novelas: você fica um tempão sem ver nada, mas basta assistir um capítulo para saber de tudo que está acontecendo.

Numa rápida passagem pelos jornais e rádios Itatiaia e CBN hoje, já tomei conhecimento que nada mudou do dia 23 de dezembro para cá.

Agora vou pegar ânimo para ligar para companheiros, dirigentes e outras fontes para voltar ao ritmo normal, que só recomeça mesmo quando se iniciar o campeonato mineiro.