Arquivo de 26 de janeiro de 2010

Morre Gasperin, goleiro que defendeu o Cruzeiro

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Bicampeão brasileiro pelo Inter

Ex-jogador, que defendeu também o Grêmio e o Juventude, lutava contra um câncer de intestino desde 2005 

* Do portal clicRBS e GloboEsporte.com 

Morreu na manhã desta terça-feira, aos 57 anos, em Curitiba, o ex-goleiro Gasperin. Ele lutava contra um câncer de intestino desde 2005. O ex-jogador atuou pelo Grêmio e pelo Inter, onde participou das campanhas dos títulos brasileiros de 1976 e 1979, além do vice-campeonato da Libertadores em 1980. Seu corpo deve chegar a Vacaria no fim da tarde, para ser velado durante a noite e sepultado na manhã de quarta.

Gasperin estava dormindo no hospital quando morreu, por volta das 10h30m. Tinha um sorriso no rosto, como pede para lembrar o médico e amigo da família Rafael Santana, com o qual o ex-jogador fazia exames de imagem em Porto Alegre.

Era o fim de uma longa luta contra a doença. Quando o diagnóstico de câncer foi conhecido, no final de 2005, Gasperin recebeu a notícia: teria apenas seis meses de vida. Viveu mais de quatro anos, e havia conquistado até uma reversão no tumor. Em julho de 2009, por exemplo, participou normalmente da festa em homenagem aos cem anos do Gre-Nal, em Porto Alegre.

Porém, seu quadro de saúde piorou muito a partir de outubro de 2009. A última vez que esteve na capital gaúcha foi em setembro, para fazer os exames com Rafael Santana. Desde a semana passada, precisou ser levado ao hospital diversas vezes.

- Em nenhum momento ele se entregou. Nunca perdeu a lucidez. Ele dizia: ‘Estou tranquilo, esta batalha eu vou vencer’. Foi um recorde de persistência. Como fez na profissão, fez em vida. Foi um guerreiro – contou o médico.

Gasperin deixa mulher, Noemi, e três filhos, Carlos Eduardo, Thiago e Cândice Bróglio Gasperin.

Carreira

Gaúcho de Sarandi, Luiz Carlos Gasperin mudou-se ainda criança para Vacaria, onde começou a jogar no time amador Brasil. Passou pelos juniores do Grêmio, e anos mais tarde, em 1975, defendeu o time profissional do clube porto-alegrense. Depois de uma breve passagem pelo Juventude, parou no Inter, onde ficou de 1976 a 1981 e conquistou dois títulos gaúchos, dois brasileiros e foi vice-campeão da Copa Libertadores.

Depois de deixar o Inter, Gasperin ainda defendeu Cruzeiro, América-RJ, Botafogo-SP, e encerrou a carreira no Glória, de Vacaria, em 1989. No mesmo clube, começou a carreira de treinador. Como técnico, passou por vários clubes gaúchos, entre eles Caxias, Brasil de Pelotas, Santa Cruz e Esportivo. Treinou também times do interior de Santa Catarina e do Paraná, e era dono de uma papelaria em Curitiba.

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Bolívia como Le Gusta

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

* Belo texto da Laís Menini, no site www.guerreirodosgramados.com.br

Que Potosí está a 3967 metros de altitude todo mundo já ta careca de saber, mas parece que é aqui, em Belo Horizonte, que começa a faltar ar. Pelo menos para mim. Já fui acometida pela TPA* (tensão pré-altitude), cujos sintomas são tonturas, náuseas, borboletas voando no estômago, ansiedade e concentração zero para o trabalho.  E nem adianta procurar um médico, pois já que a nossa torcida é o dobro mais um, a maioria deles deve estar com o mesmo problema que eu.

Ler jornal, site, blog, nada disso adianta na hora de remediar esses sintomas que estão comigo há dias – e que só vão ser curados na madrugada do dia 28 de janeiro. Que, aliás, é meu aniversário, então me sinto no direito de pedir um presente a cada um dos jogadores, um presente especial: a vitória. É só assim que eu vou ficar um pouco mais tranquila e passarei meu aniversário de bom humor. (Olha a responsa, hein?!)

Tem gente que acha que um empate está bom, tem gente que acha que perder de um ou dois gols de diferença também é vantajoso, já que aqui, no nosso nível do mar – que Minas não tem -, a história é sempre a mesma: Bolívia não tem tradição e a lavada pode ser histórica. Mas outro sintoma da TPA é a teimosia e eu não me contento com nada menos que a vitória. Já me agarrei a todos os santos, patuás, talismãs que se pode imaginar e acredito muito que o Cara lá de cima vai ouvir meu pedido. Bom, se não ouvir o meu, que pelo menos ouça o dos guerreiros, que estão 3967m mais perto Dele.

Ainda não sei onde vou assistir o jogo de amanhã mas uma coisa é certa: vai ser bem perto da área hospitalar, porque vou te dizer, via Galvão Bueno, que haja coração, amigo! É nessas horas que você vê se tem ou não problemas cardíacos ou propensão para desmaios e afins, porque Belo Horizonte sobe inteira 4 mil metros e sente junto com os guerreiros a pressão do ar rarefeito, a velocidade intensa da bola, a contagem regressiva para o fim do tormento que a Fifa insiste em fingir que não existe e o suspiro de alívio e superação que fica 105 minutos preso na garganta.

Quando se tem um objetivo na mão que não pode deixar escapar é como se o mundo inteiro virasse os olhos pra gente esperando, primeiramente, o fracasso. Daí vem a pressão da superação, de se ter vontade e fúria. O Cruzeiro entra nas competições favoritíssimo ao título pela sua qualidade técnica, raça e garra; mas não há pouca altitude que nos deixe em uma situação confortável na Bolívia. Não somos favoritos neste jogo porque contra as causas naturais não existe técnica; só vontade, vontade e vontade. Um exemplo é o Everest, pico mais alto do mundo. Todos que tentaram alcança-lo tinham obviamente técnica o suficiente para dar o primeiro passo rumo ao topo. Quantos conseguiram?

É por essas e outras que nossos guerreiros tem que ter uma coisa que eu não tenho nesse momento: tranquilidade. Estaremos lá com eles, na altitude desumana, suportando a pressão atmosférica, as tonturas, a falta de ar. Por aqui, vamos prender nossa respiração, rezando tudo o que temos e sabemos para que, por lá, os pulmões não falhem. A responsabilidade é gigante, mas com humildade a gente chega bacana no lugar que é nosso de direito.

Que os bolivianos se lembrem, hoje, amanhã e sempre, que a imagem do Cruzeiro resplandece na altitude que for. Afinal, o céu é o limite para os outros, para nós é nossa casa. E duvido que algum adversário consiga, um dia, escalar tão alto – pois, para isso, é necessário que se tenha sangue azul bombeando o coração guerreiro, que insiste em bater mais rápido que a velocidade da bola em 3967m de qualquer canto dessa Terra azul.

Vamos Cruzeiro querido, de tradição.
Jogue com raça, com o coração.
E me traga, suando bicas de amor à camisa, meu presente de aniversário. =)

* Se persistirem os sintomas, Adílson Batista deverá ser consultado!

http://www.guerreirodosgramados.com.br/colunistas-cruzeiro/lais-menini/2079-bolivia-como-le-gusta