Arquivo de 2 de maio de 2010

Marco do renascimento

domingo, 2 de maio de 2010

Este é o 40o título do Atlético no Campeonato Mineiro, e com um sabor especial para os atleticanos: é o marco do renascimento do clube, dilapidado por sucessivas administrações equivocadas. Em 2009 já fez um bom Brasileiro, foi vice estadual, porém com uma goleada vexatória para o Cruzeiro que provocou a queda do técnico Emerson Leão, até então o preferido da torcida.

Este ano a diretoria ousou e matou antigo sonho dos torcedores ao contratar Vanderlei Luxemburgo e sua comissão técnica. Graças à administração de austeridade, corte de gastos e ao superávit alcançado ano passado, mesmo sem patrocínio na camisa.

O time vem subindo de produção e começou justamente nos jogos decisivos, contra o Democrata-GV, Ipatinga, Sport Recife e Santos.

Devagar, Luxemburgo está devolvendo a auto estima alvinegra, dentro e fora de campo. É impressionante o que o Júnior, 37 anos, está jogando. Ninguém esquece, Marques, também 37, entrando aos 25 do primeiro tempo, no lugar do Renan Oliveira, 19, contra o Sport Recife, iniciando a arrancada da vitória contra o fechado time pernambucano. E o Ricardinho? Muitos já diziam que ele teria sido uma contratação fracassada. Com Luxemburgo, está começando a jogar o que se espera dele.

Mico

Como quase em todo ano a arbitragem foi o motivo de maior contestação do Campeonato e, de novo, os clubes optaram por apitadores de outro estado para dirigir as partidas finais. Hoje o experiente Paulo César de Oliveira, de São Paulo, foi pior que qualquer um do quadro da FMF. Aliás, dos grandes centros, Minas foi o único estado que não valorizou seus próprios árbitros.

 

Alternância

Se até 2008 o governador do estado e prefeito da Capital eram cruzeirenses, hoje os poderes executivo e legislativo deram as caras de preto e branco no Mineirão: Antônio Anastasia, Márcio Lacerda, a presidente da Câmara de Belo Horizonte, Luzia Ferreira, e o presidente da Assembléia, Alberto Pinto Coelho, participaram da festa atleticana, inclusive na premiação.

Copa

A Pampulha viveu ambiente de Copa do Mundo nas horas que antecederam Atlético 2 x 0 Ipatinga. Daqui quatro anos os mineiros sentirão isso, seja em qual jogo for. Até num “Honduras x Islândia”: automóveis decorados, buzinaços pelas avenidas, casas embandeiradas, clima de festa e confraternização. Que bom seria se o futebol fosse sempre assim.

Competência

O Ipatinga valorizou e muito a conquista atleticana. Um bom grupo de jogadores, ótimo treinador, e um presidente que peca em seus excessos verbais, mas trata-se de um dirigente competente. Itair Machado sabe montar times, mas é adepto da teoria da conspiração. Gosta de acusar a tudo e a todos e por causa dessa postura, perdeu apoios importantes até em Ipatinga.

* Essas e outras em minha coluna do O Tempo, nas bancas!

Clima de Copa do Mundo na saideira

domingo, 2 de maio de 2010

Daqui a exatamente um mês estarei embarcando para a África do Sul, e a chegada ao Mineirão ontem me fez lembrar o ambiente dos jogos das Copas do Mundo. Festa pura: bandeiras e faixas nos automóveis, nas casas, nas brincadeiras entre torcedores, buzinaços, tudo em harmonia.

Fato negativo é que duas pessoas se machucaram por causa dessa idiotice chamada foguete, soltos por idiotas que gostam dessa bobagem, quase em frente ao hall principal do estádio.

Festa

Os comentários nacionais é que Belo Horizonte está bem à frente das demais cidades-sedes em seus preparativos para 2014. E hoje parecia um ensaio geral, como se a Copa fosse daqui algumas semanas, aqui. A PM trabalhou bem, o tráfego fluia, e dentro do Mineirão era uma festa só, com direito a prefeito, governador, presidente da Câmara Municipal e presidente da Assembleia Legislativa, todos atleticanos, presentes.

O inaceitável

Vi cambistas atuando em todas as seis Copas que cobri, e este ano verei de novo, na África. Nunca acabarão, mas é preciso que tenham o trabalho dificultado. No início do segundo tempo ainda havia torcedores fora do Mineirão, com esperança de conseguirem um ingresso, e havia cadeiras vazias lá dentro. Claro que os estádios do mundo inteiro jamais comportarão todos os torcedores que querem ver seu time numa decisão, mas quando os cambistas teem libertadade para adquirir centenas de ingressos, revolta a todo mundo. O Atlético precisa limitar a compra do número de ingressos por pessoa.

O jogo

Gilson Kleina é muito bom de serviço. O Ipatinga não chegou à toa à final do Campeonato, mesmo tendo um time modesto em relação a Atlético e Cruzeiro. Armou a sua equipe esperando os erros do Atlético, que na cabeça dele, iria partir com tudo desde o início do jogo. Mas Vanderlei Luxemburgo mudou, de novo, a tática. O jogo ficou amarrado no meio, nervoso e os adversários se estudando.

A vitória

Muriqui é um jogador importantíssimo do Galo e tem mostrado isso. Mas é inacreditável a capacidade dele para errar gols. Só que ele compensa com algumas jogadas, como o cruzamento que fez para o Tardelli iniciar a sacramentação do título. O segundo gol foi um prêmio ao Marques e uma aula para os jovens atacantes de como aproveitar uma oportunidade única em uma decisão.

O passado

Não tem jeito de não lembrar do Celso Roth! Como ele pode ter tirado o Júnior do time ano passado, no momento mais importante do Campeonato Brasileiro, quando o time brigava pela título!? Outra do Roth, que mostra a diferença entre um técnico e outro: faltando 10 jogos para o fim do Brasileiro, ele fez um churrasco que ficou famoso. Só chamou os seus chegados, entre jogadores e comissão técnica. Foi o início da derrocada, com aqueles vexames seguidos que tiraram o Atlético da briga pelo título e da vaga para a Libertadores.

Para o jogo de ida com o Ipatinga, Vanderlei Luxemburgo mandou fretar dois aviões e despachou mais dois ônibus do Atlético levando todo mundo para lá. É grupo ou não é?

São os famosos “detalhes”, que fazem diferença!

A saudade

Toda vez que passo perto ou entro no Mineirão me emociono, tendo jogo ou não. Um grande pedaço da minha vida está ali, desde criança, quando meu irmão Gilmar, levou-me pela primeira vez, para ver um Atlético x Ceará. Depois tornei-me repórter, e o que conquistei como profissional, tem tudo a ver com o “Gigante da Pampulha”.

Quando entrei na área das tribunas e vi gramado e arquibancadas, quase chorei. A massa cantando “Vou Festejar”, samba clássico da voz da Beth Carvalho, hino número dois do Galo. Lembrei de duas saudosas e emblemáticas personalidades da nação alvinegra: Vilibaldo Alves, o maior narrador que ouvi, com quem tive a honra de trabalhar durante muitos anos, e Elias Kalil, o maior dirigente que vi no futebol.

* Essas e outras, amanhã, na coluna do Super Notícia, nas bancas!