O presidente do Cruzeiro publicou esta tarde no site do clube:
“Nota de esclarecimento”
O Cruzeiro Esporte Clube vem a público esclarecer a notícia veiculada, nesta quinta-feira, no jornal Estado de Minas, sobre a negociação envolvendo o zagueiro Luisão para o Benfica, de Portugal, em agosto de 2003.
Conforme divulgado na época, 100% dos direitos esportivos do jogador foram adquiridos pelo empresário uruguaio Juan Figger por US$ 2,5 milhões (dois milhões e meio de dólares), através do Central Espanhol Futebol Clube, do Uruguai, como comprova toda a documentação, em uma transação absolutamente normal, já que é sabido por todo mundo no futebol que nos acordos comerciais os investidores necessitam de clubes para federar seus atletas.
Posteriormente, o Central Espanhol, dentro da lei e através do empresário Juan Figger, negociou apenas 50% dos direitos de Luisão ao Benfica, por US$ 1,597 milhão (um milhão, quinhentos e noventa e sete mil dólares), continuando detentor dos outros 50%, em uma transação rotineira e comum no futebol.
Sobre a venda do volante Ramires ao Benfica, o Cruzeiro Esporte Clube informa que a negociação e a transferência desse jogador foram feitas diretamente com o clube português, conforme noticiado na época.
A diretoria do Cruzeiro Esporte Clube esclarece ainda que, apesar das autoridades policiais terem investigado cerca de 140 contratos de negociações envolvendo o clube nos últimos dez anos, não encontraram nenhuma irregularidade. Mesmo assim, pediu a quebra dos sigilos fiscais e bancários de diretores e do clube, sem também encontrar nada de anormal, o que demonstra a transparência de nossas administrações.
O Cruzeiro Esporte Clube estranha que toda a investigação tenha se baseado em “achismos” e denúncias anônimas por pessoas que, com certeza, nada entendem dos meandros do futebol e pior, não deram a oportunidade de defesa. A presidência garante que está tranqüila com relação aos absurdos dos fatos noticiados, sem que exista nada a temer, assim como lamenta que as autoridades policiais não tenham tido o cuidado de nos ouvir, o que levaria todos esses fatos a serem esclarecidos.
O presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella cancelou a coletiva que havia marcado para a tarde desta quinta-feira. Na ocasião, ele prestaria esclarecimentos sobre o inquérito aberto pela Polícia Federal, que trata de lavagem de dinheiro e evasão de divisas na venda do zagueiro Luisão. Zezé e seu irmão Alvimar foram indiciados pela PF.
Segundo a assessoria de imprensa do Cruzeiro, o motivo do cancelamento foi que o presidente da Raposa ainda estaria em São Paulo, onde acompanhou a eliminação do time da Libertadores, e não conseguiria chegar à Belo Horizonte a tempo.
A notícia do indiciamento do Zezé Perrela e do Alvimar pela Polícia Federal, por crime contra o sistema financeiro, quase abafou a derrota para o São Paulo ontem.
Antes que eu escrevesse sobre o assunto no blog, o torcedor do Cruzeiro, Emílio Melo Figueiredo, já havia transcrito a reportagem do Estado de Minas e do Supersportes na seção de comentários.
A reportagem do repórter Ezequiel Fagundes é a seguinte:
O deputado Zezé Perrella e seu irmão Alvimar Perrella foram indiciados por crime contra o sistema financeiro nacional em inquérito aberto pela Polícia Federal para investigar denúncia de enriquecimento ilícito. Como dirigentes do Cruzeiro, eles são acusados de lavagem de dinheiro e evasão de divisas na venda para o exterior do zagueiro Luisão, numa suposta negociação de fachada com um clube do Uruguai.
De acordo com o inquérito conclusivo da PF, em agosto de 2003, o jogador teve os direitos federativos negociados por US$ 2,5 milhões. Inicialmente, o destino dele seria o Central Espanhol Futebol Clube, time de pouca expressão de Montevidéu. Três dias depois, o clube uruguaio aceitou vendê-lo para o Benfica, de Portugal, por exatos US$ 1.597.791, 61, quase US$ 1 milhão a menos que o divulgado.
A PF sustenta que se trata de uma ponte comercial usada para ocultar recursos não declarados ao fisco. O relatório mostra que, para dificultar o rastreamento dos dólares, os valores ocultados na suposta negociação de fachada voltaram irregularmente para o Brasil e teriam sido pulverizados na contabilidade de empresas supostamente controladas pelos dirigentes cruzeirenses.
No início do mês, outro inquérito foi instaurado contra os Perrellas. Desta vez, para investigar a negociação do volante Ramires. Ele foi vendido ao Benfica por 7,5 milhões de euros, mas a PF tem fortes indícios de que também teve passagem relâmpago pelo time uruguaio.
Está na Folha de S. Paulo de ontem: os dirigentes do São Paulo fizeram trabalho de “prevenção” segundo a reportagem, de olho na fama de esperteza do Cruzeiro.
Leia o texto e imagine o árbitro Jorge Larrionda lendo a mesma coisa ontem, antes do jogo, em seu hotel na Capital paulista.
Como diz o filósofo Ísio Duflles: “não tem virgem em puteiro”
“Diretoria se arma contra erros de juiz”
DA REPORTAGEM LOCAL
Com a melhora das atuações do time, a cúpula são-paulina voltou suas preocupações para elementos extracampo que possam influenciar no jogo contra o Cruzeiro.
O principal temor é a arbitragem. Dirigentes do São Paulo ficaram atentos durante a semana para evitar eventuais prejuízos.
Primeiro, os cartolas do clube paulista entendem que o Cruzeiro é forte politicamente na Conmebol. E que os dirigentes mineiros costumam manobrar nas vésperas de decisões.
No ano passado, também nas quartas contra o Cruzeiro, o São Paulo avalia que houve uma arbitragem favorável aos rivais.
Só não reclamou porque a atuação ruim da equipe foi mais determinante para a desclassificação.
Segundo, os dirigentes são-paulinos não gostam do uruguaio Jorge Larrionda, que apitará a partida. É avaliado como um árbitro com histórico desfavorável contra o time.
Explica-se: era ele o juiz do primeiro jogo da final da Libertadores de 2006, contra o Internacional, no Morumbi. Na ocasião, o são-paulino Josué foi expulso de campo logo no início, após dar uma cotovelada em um rival.
Fora a preocupação com o juiz, o São Paulo tenta evitar distúrbios em seu ambiente e vigia atitudes do adversário mineiro.
A crise em relação a Washington, que está fora do jogo de hoje, foi controlada com conversas para minimizar a insatisfação.
O problema sobre seu futuro foi adiado para após a decisão da Libertadores.
Do outro lado, o São Paulo mostra descrença em relação à dúvida sobre a escalação do cruzeirense Kleber, que, machucado, seria testado antes do jogo.
“Acho que é isca. Ninguém é testado para um jogo desses. Vai jogar”, disse Ricardo Gomes. Favoritos, os são-paulinos adotam a cautela e a prevenção como regra. (RM)
A expulsão do Kléber com pouco mais de um minuto de jogo liquidou com as pretensões do Cruzeiro.
Na mexida com o braço no lance, o sangue que saiu do nariz do Richarlison deve ter assustado o árbitro uruguaio Jorge Larrionda que poderia ter dado um cartão amarelo, mas lascou um vermelho e complicou toda a situação.
Em condições normais já seria difícil fazer dois gols no São Paulo; com um a menos, danou tudo.
A ordem dos gols no Morumbi se inverteu, mas os autores foram os mesmos do Mineirão: dessa vez Hernanes o primeiro e Dagoberto o segundo.
O Cruzeiro fez o que pode. Correu muito e administrou na medida certa, sabendo que se abrisse além da conta poderia tomar mais gols.
Não há dúvida quanto aos méritos do São Paulo, que se arrumou nestes dois jogos e é forte candidato ao título.
Pela Copa do Brasil deu o previsto: o Santos passou por cima do Grêmio na Vila Belmiro e vai enfrentar o Vitória, que atropelou o Atlético Goianiense em Salvador.
Agora, as próximas fases dessas competições, só depois da Copa do Mundo.