Arquivo de 28 de junho de 2010

Holanda é mais perigosa

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Os torcedores chilenos ficaram muito desapontados quando perderam para a Espanha e ficaram em segundo no grupo, sendo obrigados a enfrentar o Brasil. São fregueses antigos e sabiam que a Copa estaria terminando ontem para eles.

Estão, surpreendentemente, em grande número na África do Sul, mas nem eles mesmos apostavam numa zebra. Em campo, o time dirigido pelo argentino Marcelo Bielsa resistiu bem, até os 34 do primeiro tempo.

A Holanda será uma adversária mais dura, porém, também não escapa da pecha de “cliente”. Nos Estados Unidos, em 1994, tinha um time muito mais competitivo que o atual, e o Brasil passou por ela nas quartas de final, 3 x 2, gol da vitória do lateral Branco. Na Copa seguinte, da França, novo confronto, aí pela semifinal, e novo triunfo brasileiro, dessa vez na decisão por pênaltis.

O time atual deles é pragmático; joga futebol feijão com arroz, perigoso.

A partir de amanhã o circo brasileiro começar a se transferir para Port Elizabeth, local de Brasil e Holanda sexta feira. São 1062 Km até lá. Assim como no Brasil a passagem aérea aqui é cara, devido à escassez de voos, tornando a viagem de carro mais viável. Ao contrário do nosso país, as estradas deles são exemplares.

Dia oito, o presidente Lula vem para o lançamento oficial da Copa de 2014 e certamente será lembrado desse problema.

Muito frio e mãos leves: os riscos do fim da Copa

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Fotos: Eugênio SávioCIMPRENSAELLIS2Fim de Copa é fogo!

Todo mundo recomendando muito cuidado com os equipamentos de trabalho.

Não é só aqui na África não! É toda Copa, na Europa inclusive.

Parece que entra em ação uma quadrilha especializada em roubar notebooks, máquinas fotográficas, celulares e tudo que encontra desacompanhado.

Por causa disso a fiscalização hoje está mais rigorosa, na entrada e na saída do estádio Ellis Park.

Um colega boliviano, fotógrafo do Jornal El Deber, de Santa Cruz de La Sierra, dançou em tudo, coitado. Inclusive nos documentos, dinheiro e passaporte.

Lembrei-me do Pedro Arthur Mateus, grande repórter do Hoje em Dia, cujo sonho era trabalhar neste jornal, que ele conheceu na cobertura da Copa América da Bolívia, em 1997.

A sala de imprensa do estádio está lotadíssima. Onde cabem 1500 trabalhando, tem agora mais de 3 mil. Parece uma lata de sardinha.

Dentro, a temperatura é agradável, controlada pelo ar condicionado. Lá fora e dentro do estádio, dizem que está beirando zero grau.

Durante o jogo baixa de zero. Na estreia, contra a Coreia do Norte, muita gente pipocou, e aos 20 do segundo tempo correu de volta para a sala de imprensa e terminou de ver o jogo por um dos telões à disposição aqui.

 

Nesta reta de chegada as seleções são eliminadas, voltam para casa, mas a maioria dos jornalistas que as cobria fica, e opta por cobrir as seleções candidatas mais fortes ao título, como Brasil e Argentina.

Vivemos assim, um pequeno inferno em dia de um jogo como esse, especialmente quando o estádio tem pouca capacidade para receber tantos jornalistas.

No Soccer City este problema não existe.

Mas está bom demais.

Tudo aqui corre muito melhor do que todos nós imaginávamos.

CIMPRENSAELLIS3

De Sabará para o mundo: menor emissora de TV do mundo vira assunto na África do Sul

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Com o Centro de Imprensa do estádio Ellis Park batendo recorde de presença de jornalistas hoje, aguardando Brasil x Chile, a nossa Sabará virou assunto e a todo instante um colega de outro Estado vem me perguntar sobre a TV Muro, de Sabará, que bateu recorde de audiência durante a Copa. Já estive lá em frente, tempos atrás, e o jornal Turismo de Minas fez reportagem sobre ela há mais tempo.

Virou notícia aqui porque a Folha de São Paulo publicou hoje em sua edição da internet uma ótima reportagem sobre essa iniciativa do Chiquinho Galvão.

Confira:

 

* Com show do intervalo caseiro, TV Muro exibe jogos do Brasil

CAROLINA LEAL
FELIPE LUCHETE
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE SABARÁ (MG)

 

A Copa da África rendeu mais um recorde para a “menor emissora do mundo”: o de maior audiência de sua história. Com equipe diminuta (5 pessoas), recursos escassos e transmissão limitada a um televisor empoleirado num muro da cidade mineira de Sabará, a TV Muro conseguiu reunir na calçada 25 telespectadores para acompanhar o jogo do Brasil contra a Costa do Marfim, no último dia 20.

O recorde anterior era de 20 pessoas, que pararam para ver um reality show involuntário: o dono da emissora esquecera a câmera ligada durante uma discussão entre sua irmã e seu cunhado.

A TV foi criada há 14 anos por um ex-servente da prefeitura, hoje funcionário do setor de comunicação: Francisco Dário dos Santos, 37. Durante a Copa, ele se transforma em Chiquinho Galvão, nos shows do intervalo que estreou neste ano. Ao seu lado, “Mamãe Bueno” –a mãe de Santos– ajuda nos comentários, transmitidos de dentro de casa para o televisor do muro e assistidos por quem sobe e desce a ladeira ao lado da igreja São Francisco.

 

Santos quer inovar mais ainda e fazer uma “transmissão volante”: planeja colocar um televisor em cima de um Chevete 1980. A ideia é exibir cada partida da seleção brasileira em um ponto diferente da cidade histórica de 120 mil habitantes.

Murojac

Na TV Muro, ninguém recebe salário. Os voluntários se dividem entre funções como cinegrafista, editor, figurinista e repórter. São eles que produzem o “Jornal Legal”, “Muro Repórter” e “A Hora da Janta”, entre outros programas.

As atrações são exibidas à noite, mas não têm horário nem periodicidade fixa. Os intervalos comerciais incluem anúncios de três estabelecimentos da cidade, que pagam R$ 20 por ano.

 

Quase nada foi comprado para equipar o “Murojac” –brincadeira com os estúdios da Rede Globo. O aparelho para transmissão ao vivo foi achado no lixo, o computador foi doado e o teleprompter –equipamento que mostra as falas do apresentador– funciona à base de uma manivela para girar o papel com o texto escrito à mão.

Para simular imagens áreas, Santos criou o “Murocop”. É uma miniatura de helicóptero feita com garrafas pet, que fica pregada num cabo de vassoura junto com uma câmera digital. Quando o cabo é erguido no ar, a câmera registra imagens do alto.

“Aqui nada é profissional, é tudo amador e cheio de gambiarra”, diz o idealizador da TV.

No ar

A Folha acompanhou as transmissões do primeiro jogo do Brasil, contra a Coreia do Norte, ao lado das 13 pessoas que pararam para ver a TV Muro na calçada. Na hora do intervalo, Chiquinho vai para o estúdio improvisado num quarto da casa, de onde faz os comentários do jogo ao lado de sua mãe, Maria da Piedade, 71. Lá fora, os torcedores acompanham a transmissão ao vivo, da sala para a rua, e um repórter interage com torcida e apresentadores.

 

“É gostoso porque reúne o pessoal. Aqui em Sabará, fora na TV, não tem onde se reunir para assistir ao jogo”, comentou Filipe Arlindo, 19.

Chiquinho promete fazer bolão entre os espectadores em todos os jogos. A primeira ganhadora foi uma adolescente, que levou um conjunto de canetinhas.

Com popularidade crescente, a emissora contabiliza mais de 900 assinaturas de visitantes, inclusive estrangeiros. Mas Chiquinho faz questão de reforçar o slogan: “TV Muro, cada vez menor”.

 

Diferentemente de emissoras “comuns”, a TV Muro, em Sabará (MG), não transmite sinal para a vizinhança.

A programação é exibida de forma caseira: em um televisor instalado no muro da casa da mãe de Francisco Dario dos Santos, o Chiquinho. Ele criou a emissora em 1996, quando era servente da prefeitura.

Quem caminha pela rua pode parar e assistir à TV –ao ar livre e sem lugar para sentar. Com o trabalho de voluntários, a emissora tem programação própria: “Jornal Legal”, “Muro Repórter”, “TV Murinho” e “A Hora da Janta”, entre outros.

* http://www1.folha.uol.com.br/esporte/755720-com-show-do-intervalo-caseiro-tv-muro-exibe-jogos-do-brasil.shtml