Arquivo de 24 de julho de 2010

Galo 2010 – Selegalo 1994: nada a ver!

sábado, 24 de julho de 2010

É normal que atleticanos e adversários façam referências à tristemente famosa “Selegalo” de 1994, para falar do atual momento alvinegro.

Os “galistas” têm pavor, os secadores torcem fervorosamente para que o resultado se repita agora.

Eu era repórter da cobertura diária naqueles tempos e a única semelhança que vejo é em relação à visibilidade proporcionada por jogadores famosos contratados.

No resto, absolutamente nada a ver.

A começar pelo treinador. Ao invés de ele indicar os contratados, ele é quem foi contratado para agradar a um jogador. A grande estrela da companhia, Renato Gaúcho foi quem indicou o amigo dele, Valdir Espinoza, para ser o “técnico”.

Indicou outro amigo, o centroavante Gaúcho, que vivia do nome feito no Flamengo, ao lado do mesmo Renato.

O departamento médico do Atlético vetou a contratação do lateral direito Luiz Carlos Winck, que tinha um problema crônico. A diretoria contratou assim mesmo.

Numa bela manhã, Renato Gaúcho chegou na Vila Olímpica, olhou no quadro que haveria treino em dois períodos. Pegou a esponja e simplesmente apagou a programação do treino previsto para a tarde. E ficou por isso mesmo!

A outra estrela da companhia era o hoje comentarista Neto, que ano passado, durante a Copa das Confederações, deu entrevista a mim, contando mais detalhes daqueles tempos. Inclusive pediu desculpas públicas à torcida do Atlético. Quem pesquisar neste mesmo blog, vai achar trechos da minha conversa com ele, cuja gravação foi passada na Rádio Alvorada FM, no programa Só Esportes, do Flávio Carvalho.

Neto conta que não conhece noite melhor que a de Belo Horizonte, graças àqueles tempos de “Selegalo”.

Durante as preleções, Espinoza fumava cinco cigarros, soltando fumaça na cara dos jogadores.

O filho dele era preparador físico do time.

A situação chegou ao ponto de ele comandar treino pelo telefone, direto do apartamento onde morava, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

O filho, chamado Rivelino, no meio do gramado, ouvindo as instruções do pai, pelo celular.

Não tinha como dar certo.

 

Neto, camisa 10 da Selegalo, hoje comentarista da Band, em foto ao lado de Luciano do Vale, na África do Sul em 2009Segundasfotos 094

A simples história de todo clube grande

sábado, 24 de julho de 2010

A pressão aumenta sobre qualquer time quando os maus resultados se sucedem. Mais ainda quando se trata de comissão técnica e jogadores famosos e caros.

É nessas horas que se vê quem é bom de serviço e quem é enganador, dentro e fora das quatro linhas. Os bons sabem controlar os nervos e põe o seu talento em prática. Os enganadores sucumbem.

Mas futebol é esporte coletivo e um depende do outro dentro de campo para as coisas funcionarem. Se alguma peça erra demais, o conjunto todo se complica.

Cabe ao treinador a tarefa de fazer essa sintonia fina e passar um pente fino para detectar quem é quem. Se o treinador não conseguir, cabe ao presidente do clube, comandante maior, “passar o rodo” e mudar tudo.

A história serve para qualquer clube grande, onde a pressão da torcida costuma ficar irresistível.diego-tardelli-comemora-gol-marcado-pelo-atletico-mg-contra-o-atletico-go-1279245719652_300x230

O Atlético está nessa e o jogo de hoje contra o Avaí é o início de um momento delicado, onde a obrigação de um resultado positivo começa a colocar todos no fio da navalha.

É difícil imaginar que essa fórmula não vá dar certo: um dos melhores treinadores do país, alguns dos melhores jogadores, pagamentos em dia, estrutura impecável, enfim…

Mas a bola precisa entrar no gol adversário. 

No Uol Esporte de hoje, Diego Tardelli fala alguma coisa neste sentido:

“Para Tardelli, trio com Diego Souza e Daniel Carvalho pode ajudar Atlético”

Do UOL Esporte

Em Belo Horizonte 

Apesar de o técnico Vanderlei Luxemburgo mostrar-se preocupado com a estreia de Daniel Carvalho pelo Atlético-MG, o atacante Diego Tardelli crê no bom entendimento do trio 3D (formado por ele, Daniel Carvalho e Diego Souza) diante do Avaí, neste sábado, ás 18h30 (de Brasília), em Florianópolis, pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro.

“A gente se conhece, a gente sabe o posicionamento de cada jogador, sabe da qualidade que tem o Diego (Souza), que tem o Daniel (Carvalho), as minhas características. Isso não vai atrapalhar muito. Pelo contrário. Isso pode ajudar porque são jogadores que chamam a responsabilidade, que a gente pode confiar neles também”, observou Tardelli.

Embora não tenha confirmado a escalação da equipe para este sábado, Luxemburgo acenou com a possibilidade de começar com Tardelli, Daniel Carvalho e Diego Souza, que atuarão juntos pela primeira vez. A preocupação do treinador é não deixar o time desequilibrado diante do Avaí.

Tardelli admitiu que uma sequência de jogos do trio ajudará no entrosamento dos atletas. Segundo atacante, o mais importante é o time se encaixar e melhorar no Brasileirão. O Atlético ocupa o penúltimo lugar na tabela e figura na zona de rebaixamento.

“Há tempo para a gente se entrosar, para formar o elenco que eu sempre venho falando, que nosso elenco é muito bom, é muito forte, só que ainda precisa ser provado, precisa ser jogado, precisa ser treinado durante a semana, para assim chegar ao final da temporada com o nosso objetivo”, afirmou o atacante.

Para o artilheiro atleticano, o time alvinegro precisa corrigir as falhas seguidas. “A gente vem desperdiçando chances, tomando gols bobos, falhando muito. Então é procurar ter a oportunidade para fazer, para matar o jogo, se fechar, porque meio a zero para a gente é muito importante”, disse Tardelli.

 

O estreante de hoje, Daniel Carvalho, em foto do site do GaloDANIEL

 

Espera-se mais de Diego Souza, que começa sua segunda partida como titular. Esta foto da GazetaPress foi na derrota para o InterSOUZA

* http://esporte.uol.com.br/futebol/campeonatos/brasileiro/serie-a/ultimas-noticias/2010/07/24/para-tardelli-trio-com-diego-souza-e-daniel-carvalho-pode-ajudar-atletico.jhtm

Mano Menezes fez estágio com Paulo Autuori no Cruzeiro

sábado, 24 de julho de 2010

Mano Menezes (do meio), em seus tempos de zagueiro no Guarani de Venâncio Aires. Curta carreira como jogador esforçado.mano-menezes-na-curta-carreira-de-zagueiro-do-guarani-1279937312578_615x300

O leitor Bertoldo gostaria de ver Zico como técnico da seleção e questiona se ele faz parte da turma do “ditador”. Não faz. Muito pelo contrário, porém, Mano Menezes é muito bom treinador e acredito que vai se dar bem no cargo. É sério e tem uma trajetória pessoal e profissional de sucesso. Um estrategista, visionário, dentro e fora de campo.

Desses que sabem a hora certa de fazer as coisas, e mudar radicalmente quando é preciso, conforme mostra este perfil publicado pelo Uol Esporte hoje:

“Amigos apontam Mano esforçado como jogador e competente como técnico”

Daniel Cassol

Em Passo do Sobrado (RS)

O convite para Mano Menezes assumir a seleção brasileira coloca no mapa uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul. Na região de colonização alemã, caracterizada pela produção de fumo e distante cerca de 130 quilômetros de Porto Alegre, a pacata Passo do Sobrado, de apenas 6,3 mil habitantes, agora é conhecida como a terra do possível novo treinador da seleção brasileira. 

Na modesta rodoviária da cidade, Janete Weber, amiga do treinador, confidencia que nem Mano esperava chegar à seleção pouco mais de dez anos depois de deixar o local para seguir a carreira de técnico de futebol. “Ele pensava que um dia ia ser convidado, mas não imaginava que seria tão rápido”, diz Janete. Na cidade, e na vizinha Venâncio Aires, onde Mano começou como técnico em 1997, ninguém tem dúvidas: ele está pronto para assumir a seleção.

“Eu acho que ele vai se dar muito bem. Ele entende de futebol, é um cara político e sabe muito bem lidar com as coisas”, opina Carlos Gilberto Preuss, professor de educação física de Mano na escola estadual Alexandrino de Alencar.

Além de professor, Preuss foi parceiro de Mano e craque no time do Esporte Clube Rosário, onde, incentivado pelo pai, o técnico da seleção deu seus primeiros passos como jogador de futebol. Na equipe amadora, Mano Menezes era um meio-campista duro e de pavio-curto.

“O professor nos pedia pelo amor de Deus que não tomássemos cartão. Mas não adiantava, em vinte minutos já tínhamos tomado o amarelo”, conta Inácio Dettenborn, amigo de infância e companheiro de Rosário. Jogador limitado tecnicamente, por vezes violento e irritadiço, Mano se destacava pela liderança em campo e pela inteligência.

As boas atuações do Rosário no início dos anos 1980 nos campeonatos da região o levaram ao Guarani de Venâncio, onde foi zagueiro e participou do Campeonato Estadual Amador de 1988, que deu direito ao clube participar da segunda divisão gaúcha. 

Dali, ficou apenas mais três anos atuando, mas sem prosperar. Ao ver um jogador recém-contratado chegando à cidade com a mudança que cabia em um carro, teria percebido que não havia muito futuro em ser jogador de futebol no interior do Rio Grande do Sul. Decidiu ser técnico. 

Começou como treinador das categorias de base do próprio Guarani. Depois de conquistar títulos, assumiu o time principal em 1997, rodou por alguns clubes gaúchos, fez um estágio com Paulo Autuori no Cruzeiro e chegou a primeira grande conquista aos cinco anos de carreira: o ‘Supercampeonato’ Gaúcho de 2002.

Naquele ano, Grêmio, Inter, Juventude e Caxias só entraram na segunda fase. A primeira parte da competição foi conquistada pelo Guarani. “No vestiário, é o melhor técnico de todos. É claro e objetivo no que quer dizer aos jogadores, e é justo, coloca em campo quem estiver bem”, conta o médico Paulo Abrahão, integrante da comissão técnica na época.

Mesmo no pequeno Guarani, Mano já demonstrava o perfil disciplinador e detalhista. Em uma decisão contra o São Gabriel, fez a equipe se hospedar em outra cidade, para fugir da pressão dos torcedores adversários. “Foi o primeiro a aparecer com um notebook. Sempre foi muito estudioso”, acrescenta Romeu Siebeneichler, supervisor do clube ao qual se dedica há 40 anos.

Na festa do título, Romeu realizou o “sonho” de andar em um caminhão de bombeiros. “Desde a entrada até o centro da cidade, não havia espaço pra mais ninguém”, lembra. Daquela equipe, fazia parte Bolívar, hoje capitão do Internacional. Na imprensa local, Mano foi tratado como herói. 

Mas o treinador ganhou notoriedade nacional ao levar o minúsculo XV de Novembro, da cidade de Campo Bom, à semifinal da Copa do Brasil de 2004. No ano seguinte, tirou o Grêmio da Série B, passando pela histórica “Batalha dos Aflitos”. Na sequência, foi campeão gaúcho e levou uma equipe não mais que mediana à final da Copa Libertadores em 2007.

Ironia do futebol, guarda como mágoa na carreira a demissão das categorias de base do Internacional. O passo mais importante até hoje foi assumir o Corinthians. “Ele sempre teve a perspectiva de crescer na carreira, mas não tão rápido assim”, diz a amiga Janete.

* http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2010/07/24/amigos-apontam-mano-esforcado-como-jogador-e-competente-como-tecnico.jhtm