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Sem Ricardo Teixeira e com a prosa entre a Dona Dilma e o sô Blatter, Copa de 2014 pode deslanchar | Blog do Chico Maia

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Sem Ricardo Teixeira e com a prosa entre a Dona Dilma e o sô Blatter, Copa de 2014 pode deslanchar

Os dois estão conversando neste momento em Brasília, aparando arestas e pondo pingos nos “is”.

A presidente vai dizer que o Brasil vai cumprir aquilo que foi combinado com o Lula em 2007; o presidente da FIFA vai agradecer e depois dar entrevistas dizendo que o nosso país organizará a “melhor Copa do Mundo de todos os tempos”.

Vão sorrir para as câmeras após o encontro e o circo continuará seguindo seu curso, como foi na África do Sul e em todos os mundiais; cada um com as suas características econômicas e sociais.

No site da Veja, detalhes dos pontos que estão dando gargalo, porém, o maior problema foi resolvido para que o diálogo fluísse: a renúncia do Ricardo Teixeira, que não descia na garganta de Dilma e Blatter:

DILMA

* “Copa do Mundo”

Por que Dilma e Blatter vão salvar a Copa de 2014 nesta 6ª

Para o Brasil e para a Fifa, a hipótese de fiasco é impensável. E o pragmatismo e o poder da presidente e do cartola são a chave para fazer o Mundial deslanchar

A Copa do Mundo no Brasil deve começar para valer na manhã desta sexta-feira, no Palácio do Planalto. O encontro entre a presidente Dilma Rousseff e o presidente da Fifa, Joseph Blatter (acompanhados de Pelé, do ministro Aldo Rebelo e do presidente da CBF, José Maria Marin) pode representar o começo do fim das trapalhadas que marcaram os primeiros cinco anos de preparativos para o Mundial de 2014. Dois dos maiores obstáculos para a resolução dos problemas já ficaram pelo caminho. O primeiro, o ex-ministro do Esporte, Orlando Silva, desprovido da habilidade política necessária para lidar com um assunto tão complexo, perdeu o cargo em decorrência da revelação, por VEJA, de seu envolvimento em um esquema de corrupção. O outro, Ricardo Teixeira, que Dilma e Blatter não queriam ver nem pintado de ouro, renunciou à presidência da CBF e do Comitê Organizador Local (COL) da Copa, também por suspeita de corrupção. Nos últimos meses, em função dos atritos provocados pela atuação desastrada de Orlando Silva e Teixeira nos bastidores, Dilma e Blatter custaram a se entender. Agora, porém, é diferente: faltam apenas dois anos para a Copa, e tanto o governo como a Fifa sabem que é hora de evitar uma catástrofe. Para sorte de ambos, tanto Dilma como Blatter têm o que é preciso para deslanchar os preparativos para 2014 – o poder necessário para tomar decisões, o pragmatismo para executá-las e a consciência de que um fiasco na Copa teria consequências mais graves do que se pode imaginar.

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A Fifa é a entidade internacional com mais filiados em todo o mundo – 208 associações nacionais, contra 193 países na ONU. Seu orçamento bilionário tem um ciclo peculiar: a cada quatro anos, em apenas um mês, os cofres da Fifa na Suíça são abastecidos com uma avalanche de dólares. A Copa do Mundo é um dos eventos mais lucrativos do planeta, e compõe a maior fatia da receita da Fifa. A entidade comanda a modalidade esportiva mais popular da Terra, mas é na Copa que ela têm sua grande chance de lucrar (os grandes campeonatos nacionais e continentais, por exemplo, são administrados por ligas de clubes ou confederações). A possibilidade de uma Copa ruim, portanto, provoca arrepios nos cartolas da Fifa – e mais ainda em Blatter. O suíço foi o responsável, como escudeiro do ex-presidente João Havelange, em transformar um torneio de futebol num espetáculo global com patrocínios e contratos bilionários. A Copa de 2014 será a última de sua gestão (promete deixar o cargo em 2015). Se o Mundial no Brasil for um fiasco, o suíço terá encerrado um carreira de décadas na Fifa numa nota profundamente negativa. Também pode correr o risco de ver algum opositor ganhar força para sucedê-lo. Por trás das cobranças mal-educadas de Jérôme Valcke e da pressão para que o Brasil aprove a Lei Geral da Copa nos termos desejados pela Fifa (leia mais abaixo) está justamente a convicção de que a Copa não pode fracassar de jeito nenhum. Blatter chegou ao país na noite de quinta-feira sabendo que tem uma chance preciosa de se acertar com Dilma na reunião desta sexta.

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Para a presidente, que nunca fez muita questão de esconder que desaprovava a permanência de Ricardo Teixeira no comando do futebol brasileiro, também parece ter chegado a hora de colocar a Copa nos trilhos. A realização do Mundial no país foi empreitada do antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, mas pode ser uma das grandes marcas do primeiro mandato da presidente. Dilma teme que escândalos de corrupção nas obras dos estádios ou em contratos com fornecedores da Copa manchem a imagem do Brasil e de seu governo no exterior – motivo pelo qual patrocinou a saída de Teixeira. A Copa do Mundo termina no dia 13 de julho de 2014 – ou seja, três meses antes da eleição presidencial, numa fase decisiva da briga pela sucessão. Uma Copa desastrosa pode servir de munição pesada para a oposição no duelo contra uma presidente que vem construindo seu legado sob as marcas da eficácia, do rigor, da capacidade administrativa. Pouco depois do desembarque de Blatter em Brasília, o cartola jantou com o ministro Aldo Rebelo, numa preliminar da reunião com Dilma. A conversa desta sexta-feira, portanto, já deve começar com discussões práticas sobre os próximos passos – Aldo já preparou o terreno para um entendimento entre o governo e a Fifa. A lista de assuntos a resolver é extensa, mas apenas um acordo é indispensável nesta sexta. Para salvar a Copa do Mundo no Brasil, Dilma Rousseff e Joseph Blatter precisam sair do encontro apenas com a roupa suja lavada e uma aliança pragmática firmada para descascar o abacaxi de 2014.

A Lei Geral da Copa é cercada de controvérsias. Veja o que está em jogo na discussão do texto

Bebidas alcoólicas nos estádios

Por que é um problema: Conforme o Estatuto do Torcedor, é proibido vender qualquer tipo de bebida alcoólica nos estádios. Incapaz de conter a violência das torcidas e de fiscalizar a venda de álcool a menores de idade, o Brasil teve de adotar uma proibição que não existe nos países desenvolvidos, onde apenas o consumo excessivo é alvo de punições nos grandes eventos esportivos.

Por que a Fifa não quer ceder: Uma dos principais patrocinadoras da Copa do Mundo é a marca de cerveja Budweiser, do grupo belga-brasileiro InBev. Parceira da Fifa nos Mundiais desde 1986, a cerveja americana paga cerca de 25 milhões de dólares por ano para ter sua marca ligada ao torneio. Por contrato, a Budweiser tem de ser a única cerveja à venda nos estádios da Copa.

O que pode acontecer: A Lei Geral da Copa deverá permitir temporariamente a venda de bebidas alcoólicas durante o torneio. Como as partidas da Copa são cercadas por um rigoroso esquema de segurança – e como boa parte do público será formado por torcedores de países em que o consumo de cerveja nos estádios é permitido -, o risco de que essa mudança provoque problemas é pequeno.

Meia-entrada a estudantes e idosos

Por que é um problema: Bandeira histórica da UNE, que já foi presidida por Orlando Silva, o direito a ingressos pela metade do preço para estudantes é garantido por uma lei federal. No caso dos maiores de 65 anos, o benefício é assegurado pelo Estatuto do Idoso. Nas Copas, porém, a Fifa costuma ter controle total sobre as entradas, desde seus preços até gratuidades e descontos.

Por que a Fifa não quer ceder: De acordo com cálculos feitos pela própria entidade, a venda de meia-entrada aos estudantes e idosos provocaria uma perda equivalente a 100 milhões de dólares durante a Copa de 2014. O preço médio de um ingresso de Mundial foi de 135 dólares nas duas últimas edições do torneio. Com a meia-entrada, esse valor médio poderia despencar para 70 dólares no Brasil.

O que pode acontecer: A Fifa já descartou a possibilidade de aumentar os preços dos outros ingressos para compensar as perdas com a meia-entrada, mas não abre mão da prerrogativa de definir os preços dos bilhetes. A saída mais provável é uma negociação que garanta algum tipo de desconto aos estudantes e idosos – nesse caso, a Lei Geral da Copa suspenderia a vigência da meia-entrada nos jogos do Mundial.

Combate e punição à pirataria

Por que é um problema: A má fama do Brasil no quesito proteção à propriedade intelectual fez com que a Fifa cobrasse penas mais rigorosas para quem piratear as marcas da Copa do Mundo e vender produtos não-oficiais. Hoje, o crime de pirataria é punido com um a três meses de prisão. A Fifa quer que os piratas peguem pena de no mínimo três meses e no máximo um ano de prisão.

Por que a Fifa não quer ceder: A venda de produtos licenciados e oficiais é uma das grandes fontes de receita da entidade durante a Copa. A venda de produtos pirateados é uma ameaça dupla para a Fifa – além de perder dinheiro por causa da concorrência ilegal, ela corre o risco de perder parceiros comerciais para as próximas edições. Por isso, a perseguição as piratas precisa ser impiedosa.

O que pode acontecer: Como a punição à pirataria está descrita no Código Penal, alterar as penas previstas para os falsificadores pode ser uma jogada controversa. A alternativa pode ser negociar uma estratégia mais rigorosa e eficaz de prevenção do uso irregular da marca da Copa. A Lei Geral da Copa poderá listar todos os tipos de produtos que não poderão trazer qualquer referência ao Mundial, mas sem alterar as penas em vigor no país.

Criação de tribunais de exceção

Por que é um problema: Um dos mais delicados temas da Lei Geral da Copa, a instalação de juizados especiais, varas, turmas ou câmaras especializadas para analisar casos ligados à Copa é, de fato, uma proposta que causa estranheza nos países que recebem o evento. Com esses dispositivos temporários, os julgamentos ocorreriam através de regras que fogem ao sistema comum da Justiça.

Por que a Fifa não quer ceder: Na essência dessa proposta está o desejo da Fifa de resolver rapidamente qualquer disputa relacionada à Copa. A entidade teme chegar ao fim do evento com processos não julgados, que correrão no ritmo dos tribunais locais. Na África do Sul, por exemplo, torcedoras holandesas que fizeram propaganda de uma cerveja concorrente da Budweiser foram detidas, julgadas e excluídas do evento.

O que pode acontecer: O governo terá de encontrar uma forma de cumprir as exigência sda Fifa sem ferir a segurança jurídica do país. Uma possível estratégia que já está sendo estudada: escalar a Advocacia Geral da União (AGU) para acompanhar a atuação dos tribunais – que terão apenas magistrados brasileiros – e, assim, garantir que os preceitos básicos da legislação local sejam seguidos.

* http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/por-que-dilma-e-blatter-vao-salvar-a-copa-do-mundo-de-2014


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