Arquivo de 18 de junho de 2012

É bom, dá retorno e vale a pena!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Que os caminhantes, moradores e comerciantes da Praça da Liberdade, Savassi, Santa Tereza, Alto das Mangabeiras, Belverdere, Centro e Pampulha não se assustem quando saírem bem cedo ou abrir as suas portas e depararem com verdadeiras hordas cambaleantes, dormindo ou simplesmente passando numa boa, meio sem destino.

Às vezes vão pedir alguma informação, nos mais diferentes idiomas; às vezes apenas cumprimentar ou nem isso.

Também podem estar entoando algum refrão, bastante barulhento, difícil de entender, mas sempre na paz. Serão os turistas torcedores de alguma seleção que estará em nossa capital ano que vem para a Copa das Confederações e em 2014 para o Mundial.

Quem, como eu, sai para caminhar em torno das seis da manhã, testemunha cenas desse tipo em cidades que abrigam grandes eventos, como a Eurocopa.

Quando os jogos são aos domingos a festa começa na sexta-feira e para a cidade. É puro carnaval, inclusive com grupos fantasiados e muitos instrumentos musicais, de todos os estilos. Para quem investe em ir a um acontecimento como este, a única palavra de ordem é: divertir.

A partir do meio dia os bares, restaurantes, shoppings e comércio em geral, melhor localizados e mais famosos, ficam lotados e rapidamente insuficientes, provocando o deslocamento rápido para outras regiões. O movimento dura enquanto os estabelecimentos estiverem abertos. A primeira boate que se abre lota em questão de minutos e o porteiro informa quais estão ou estarão disponíveis.

Quando o dia amanhece as muitas tribos se encontram ou cruzam pelas ruas, praças e bares remanescentes da noite ou os que estão se abrindo naquele instante.

Já estou imaginando que festas diárias, fantásticas, serão o Mercado Central, a Praça de Santa Tereza, com o “Rochedão” do Bolão e demais bares, já tradicionais em receber notívagos, que vão tomar a saideira e curtir a vida. Sim, porque a boa fama dos melhores lugares se espalha como rastilho de pólvora entre essa gente.

E haja táxis, ônibus, carona e seja lá o que for para levar estes milhares de convidados.

O idioma pouco importa. Com paciência, boa vontade e um sorriso, dá tudo certo e as pessoas se entendem. A Ucrânia é o melhor exemplo que estou tendo disso. Raros ucranianos falam algum idioma diferente, mas nenhum estrangeiro reclamou disso até agora.

Sábado o comércio lotado o dia todo, artesãos vendendo os seus produtos nas praças, artistas de todas espécies vendendo bem o seu peixe.

São U$ milhões em dinheiro novo, de fora, de todas as partes do mundo, passando a circular na economia formal e informal.

No primeiro hotel que procurei, o mesmo papo bem comum no comércio brasileiro: “custa 2 mil hryvnia, mas se for no dinheiro e sem nota fiscal há um desconto de 50%”. Com 1 real se compra 4 hryvnia.

Muitos torcedores dormem em barracas, nas praças, dentro de automóveis ou na casa da amiga que conheceu horas antes na noite.

No dia do jogo a farra continua até umas quatro horas antes do jogo, quando chega a hora de se misturar com os adversários e ir para o estádio. Sempre em festa, com raras exceções!

Depois da partida a farra continua, em menor intensidade, e na segunda-feira, lentamente o circo começa se deslocar até a próxima cidade onde haverá o jogo de interesse.

Depois da festa

NAPRACA2

Muitos torcedores, como estes dormem nos jardins dos parques, barracas, nas praças, dentro de automóveis ou na casa da amiga que conheceu horas antes na noite, no bar, na balada ou numa conversa informal.

NAPRACA1

Em Belo Horizonte não será diferente e a população precisa ter paciência, pois toda a cidade ganha.

Futebol, festas, lamentos e protestos

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Sob um calorão danado estou pegando a estrada agora de Lviv para Kiev; umas oito horas de viagem, cortando a Ucrânia de oeste para leste. Agora a temperatura é de 34 graus. E imaginar que no inverno chega perto dos 30 negativos!

O leitor Paulo Assis lembrou a virada do junior do América, 3 x 2 para cima do Boca Juniors, pela Libertadores da América da categoria. É o Coelho mantendo a sua tradição de excelente garimpeiro de talentos.

Lamentável a derrota do time para o Avaí pela Série B, assim como a do Galo para o São Paulo ontem. Pelo que li, o Bernard perdeu duas oportunidades de ouro. Menos mal que reconhece que não pode errar desse jeito e que precisa treinar mais finalizações, se quiser continuar crescendo na carreira.

O Cruzeiro pegou o ritmo Celso Roth e chegou à sua terceira vitória consecutiva no Brasileiro, ocupando a vice-liderança. O Roth arrumou a casa até antes do previsto.

Sobre a Eurocopa, às 7h30 do ensolarado início deste domingo em Lviv, alemães e dinamarqueses já disputavam quem bebia mais cerveja e cantava mais nos muitos bares do centro histórico dessa cidade fundada em 1256 e que tem hoje 800 mil habitantes.

Dominada pelos poloneses de 1340 a 1772, quando passou a ser austríaca, seus suntuosos prédios e o traçado fazem lembrar Viena, de quem se libertou em 1919, porém só em 1939 se tornou cidade da Ucrânia, dominada pelos nazistas e depois pelos soviéticos.

Este foi o terceiro e último jogo que ela recebeu no ótimo estádio, reformado para a Eurocopa, com capacidade para 30 mil pagantes. Faz lembrar o nosso Independência, que se tivesse aquela “ferradura” fechada ficaria quase idêntico. Além desse jogo, a Alemanha já havia vencido Portugal aqui na primeira rodada, 1 x 0; e Portugal venceu a própria Dinamarca por 3 x 2.

Mesmo com toda a bebedeira desde a madrugada, no centro da cidade, a caminho do estádio e durante o jogo, nenhum incidente entre “tedescos” e “daneses”. Cantavam juntos, ironizavam mutuamente os refrões mais famosos de cada um e até embarcaram nos mesmos ônibus até o estádio, apesar da organização destinar veículos especificados para cada torcida.

Estes últimos jogos da primeira fase, todos decisivos, acontecem no mesmo momento; 21h45 na Ucrânia; 20h45 na Polônia, por causa do fuso horário entre os dois países. A Uefa tomou este cuidado para evitar polêmicas, já que todos os jogos decidem que passará às quartas de final.

Podolski e Krohn-Dehli fizeram o 1 x 1 no primeiro tempo de Lviv, enquanto Van der Saar abria o marcador e Cristiano Ronaldo empatava para Portugal, em Kharkiv, também na Ucrânia.

A diferença de estrutura e contexto social entre Polônia e Ucrânia é gritante. Os poloneses estão anos à frente em tudo. A Ucrânia faz lembrar um país Sul-Americano, com suas estradas ruins; comunicações sofríveis, transportes públicos difíceis e as inevitáveis recomendações de “cuidado” o tempo todo. Batedores de carteira durante o dia e surtos de violência nas ruas à noite, provocado pelo álcool exagerado. Costumam abordar qualquer um para tirar satisfações, inclusive entre eles.

Estrangeiros são recomendados a nunca andar sozinhos à noite. A maioria absoluta das placas de sinalização, nomes de ruas e cardápios de restaurantes é apenas no idioma ucraniano e pouca gente fala qualquer outra língua.

Mas a vontade de ajudar e a simpatia de todos facilita tudo e no fim tudo se resolve da melhor forma.

A estrutura montada para quem veio ao país assistir ou trabalhar na Eurocopa é excelente.

Neste aspecto, igual à Polônia.

Poucos minutos depois de Cristiano Ronaldo dar a volta por cima, marcando o segundo dele e de Portugal contra a decepcionante Holanda, Bender fazia o segundo da Alemanha. A Dinamarca também volta para casa mais cedo.

Expectativa hoje em torno da Itália que precisa vencer a Irlanda e torcer para a Croácia perder para a Espanha.

Amanhã outra decisão que pode deixar mais um dono da festa fora. Depois da Polônia eliminada, a Ucrânia tem de vencer a Inglaterra para não fica no meio do caminho.

FREEYULIA1

Antes da vitória sobre a Dinamarca, torcedores alemães aderiram à campanha de milhares de ucranianos que fazem movimento exigindo a libertação da ex-primeira ministra do país, Yulia Tymoshenko, detida por motivos políticos e que estaria sendo perseguida pelo presidente Viktor Yanukovich.