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Enquanto estrangeiros ocupam espaços por aqui, o mineiro Carlos Alberto Silva foi o último brasileiro a fazer sucesso em um clube europeu, em 1993

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Carlos Alberto Silva morreu em janeiro deste ano, aos 77 anos. Trabalhou no Cruzeiro, Atlético, América, Seleção Brasileira e vários outros grandes clubes brasileiros.

A Folha de São Paulo pegou o gancho da fala do técnico do Botafogo e entrou no assunto hoje, lembrando que o saudoso Carlos Alberto Silva foi o último e raro brasileiro a se dar bem na Europa, e mesmo assim no futebol português, onde foi bicampeão nacional com o FC do Porto. Felipão foi bem na seleção deles, vice-campeã da Eurocopa’2008 e se deu mal depois no Chelsea, da Inglaterra.

* “Sem licença e prestígio, técnicos do Brasil estão fora da elite do futebol”

A queixa de Jair Ventura, técnico do Botafogo, após à contratação do colombiano Reinaldo Rueda pelo Flamengo reacendeu a discussão sobre a presença de estrangeiros no futebol nacional e a ausência de profissionais brasileiros em ligas do exterior.

Brasil e Inglaterra são os únicos países que não têm profissionais em ação na elite de Itália, França, Espanha, Alemanha, Uruguai e Argentina. As outras nações que já venceram a Copa do Mundo.

Parte do problema é que licenças emitidas pela CBF não são admitidas na Europa.

Desde o ano passado, a entidade brasileira pede a equiparação à Fifa.

Jair Ventura usou a chegada de Rueda para criticar a falta de reconhecimento dos brasileiros. Em seguida, disse que não tinha nada contra o colombiano.

“O treinador estrangeiro pode vir ao Brasil, mas ele tem que seguir as normas que teriam que existir no futebol brasileiro. Para eu ser técnico do Real Madrid e ser aceito, a CBF teve que enviar para o clube e para a federação espanhola o meu currículo e confirmar que eu era técnico no Brasil”, escreveu Vanderlei Luxemburgo, do Sport, em sua conta no Facebook.

O direcionamento da crítica ao colombiano incomodou outros profissionais do país.

“É ótimo que treinadores estrangeiros venham para o Brasil. Eles podem ver a dificuldade que é trabalhar aqui e os problemas que enfrentamos. Tanto isso é verdade que os profissionais do exterior que vieram tiveram dificuldade”, afirma Mano Menezes, do Cruzeiro.

Na próxima quarta (23), reunião de diretores de desenvolvimento das entidades continentais, na sede da Fifa, em Zurique, na Suíça, vai debater uma antiga reivindicação dos treinadores brasileiros: o reconhecimento das licenças de técnicos expedidas pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

“A classe precisa ter um reconhecimento para que o mercado se abra para os profissionais brasileiros que buscam a qualificação. É justo que aconteça”, defende Vagner Mancini, que começou a temporada como técnico da Chapecoense.

A falta de reconhecimento dos certificados da CBF na Europa atrapalha, mas não impede a contratação de técnicos brasileiros. O clube interessado pode pedir uma licença à federação nacional.

O último brasileiro a treinar uma equipe da elite do futebol mundial foi Luiz Felipe Scolari, no Chelsea, em 2008. Antes dele, Luxemburgo comandou o Real Madrid em 2005. Ambos foram demitidos.

“A troca de informações é aprendizado. [A presença de estrangeiros] Valoriza a nossa profissão”, diz Fábio Carille, do Corinthians.

Há ex-atletas brasileiros que fizeram cursos aprovados pela Uefa pensando em trabalhar no exterior, como os ex-zagueiros Antonio Carlos Zago e Roque Júnior.

Consideradas as oito ligas de países que já venceram o Mundial, ninguém tem tanto mercado como os argentinos. São sete profissionais na 1ª divisão de Inglaterra, Alemanha, Espanha, Itália, França, Uruguai ou Brasil.

Dos quatro técnicos estrangeiros na Espanha, três são argentinos. Diego Simeone é um dos nomes mais valorizados no futebol europeu.

Até a contratação de Neymar pelo Paris Saint-Germain, a maior novidade no Francês era a chegada do argentino Marcelo Bielsa ao Lille.

O último treinador brasileiro a fazer sucesso na Europa foi Carlos Alberto Silva, morto neste ano. Ele foi bicampeão português em 1992-1993 no Porto-POR.

CARO

A CBF vai tornar obrigatória a obtenção de licença para os treinadores que quiserem trabalhar em clubes da Série A do Brasileiro a partir de 2019. A Conmebol deve adotar a mesma regra em toda a América do Sul em 2021.

“A carga horária da licença da CBF é maior do que a oferecida pela Uefa”, diz Vagner Mancini.

Os cursos da CBF, do nível C ao Pro, exigem 800 horas de aulas. Para obter os três certificados da Uefa, são 678 horas.

Outra reivindicação dos técnicos brasileiros é o valor cobrado para as licenças. Para participar dos quatro cursos oferecidos pela CBF, o interessado tem de investir R$ 40 mil.

“É elitizado. Muita gente tem dificuldade para fazê-los por causa do valor. É caro”, afirma Dorival Júnior, técnico do São Paulo.

http://www1.folha.uol.com.br/esporte/2017/08/1910534-sem-vagas-no-exterior-tecnicos-brasileiros-pedem-reconhecimento.shtml


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Comentários:
16
  • Jorge moreira disse:

    O Luxa acrescentou oque no Real Madri, nada,nada, agora corporativismo barato é coisa de treinadores decadentes. é a mesma coisa de dizer que o futebol Brasileiro continua sendo o melhor do mundo, com estes jogadores medianos, o futebol Brasileiro foi o melhor do mundo quando das gerações, do Pelé, Garrincha, Nilton Santos Djama Santos( o melhor lateral direito que eu vi jogar quem foi aos jogos da inauguração do Mineirão e viram o jogo Palmeiras e seleção do Uruguay sabe)Zito,Didi,Gilmar goleiro , Tostão,Zico, Falcão,Luizinho,Júnior, Eder,alguem teria duvidas de que estes jogadores ficariam de fora de qualquer time da atualidade? desculpem ao meu modo de ver estes jogadores jogariam em qualquer time Brasileiro e até mesmo nos grandes times do Mundo, só escrevi o nome de alguns porque a memoria deste veteranos não esta me permitindo lembrar de outros tantos jogadores que eu vi jogar, estava me esquecendo do maior camisa 9 que eu vi o ETERNO REINALDO, se o Neymidia foi vendido por este absurdo que dizem imaginem quanto custaria o passe do REI

  • Regi.Galo/BH disse:

    Que coisa estranha é essa…
    Intolerância no Rio Grande do Sul é crime inafiançável; intolerância no Rio de Janeiro é “tamo junto”???

    É brincadeira esses TJD e CBF.
    Abraço!

  • Tonho ( Mineiro ) disse:

    o problema Chico e que os treinadores de fora nada estão acrescentando para nosso futebol, e tudo o mesmo feijão com arroz que ja conhecemos, todos tem medo de inovar !!

  • J.B.CRUZ disse:

    Com o advento da Nova Republica ( de Sarney para cá); privatizaram a Alegria; o Entretenimento e o Lazer..Futebol e Carnaval,duas das maiores festas populares, foram as mais visadas, com a Ganância dos Aproveitadores e Exploradores de Plantão…Elaboração de Leis,códigos,Portaria…Novos Impostos, Taxas, Inscrições, tudo na base da contribuição..Antes; jogadores ”aposentava-se da bola no gramado” , mas, começava como técnicos nas categorias de base, até chegar ao Profissional, sem preciso de concursos,escolinhas de futebol e afins..
    Na época de carnaval era costume, cada bairro ter seus blocos caricatos, quem gostava da festa,fantasiava-se a seu modo e caia na folia..Hoje demarca-se espaço ,cobra-se Alvarás, licença para desfilar na Avenida ou transitar pelas ruas do bairro..
    O politicamente correto, acabou com as Amizades, cerceou os costumes; a LIBERDADE DE IR E VIR;
    proibiu as gozações; e a intolerância se faz presente em todos os setores da Vida..
    Antes os dias não eram assim !!..
    Mas o BRASIL Já passou por diversas crises e VAI sair dessa também…
    DEUS É BRASILEIRO….
    O BRASIL É UM PAÍS LAICO, MAS DE TODAS AS RELIGIÕES !!

    ,

  • Julio bh disse:

    #volta alex

  • Alisson Sol disse:

    Reserva de mercado baseada em licenças é quase que o símbolo da mentalidade burocrática. Toda vez que vejo qualquer grupinho querendo uma reserva “por licença”, sou por princípio contra. E isto em todas as área, até mesmo na área médica. Na realidade do Brasil, e do mundo, há muito mais gente se auto-medicando ou tendo consulta com o dono da farmácia do que tendo acesso a um médico com a devida formação para diagnóstico do mal que afeta a pessoa (além dos equipamentos, e aí é outra estória).

    O Brasil tentou durante anos ter a “reserva de mercado” na área de Informática. Olha no que deu. Cadê a “indústria nacional”? E imagine se a área de Informática ficasse restrita aos “formados na área”. Iria até hoje estar baseada em cartões perfurados.

    Se os técnicos brasileiros estudam tanto, aprenderam o que? E mesmo a nível mundial: é quase impossível saber quem vai vencer. Há supercomputadores nos EUA tentando planejar as jogadas no futebol americano, e antecipar os resultados. Tem resultados quase idênticos a uma moeda, ou um “polvo” prevendo os resultados dos jogos. E sem falar que as técnicas mudam o tempo todo. Outro dia li o original do livro que no Brasil tem o nome de A pirâmide intertida. Claramente, treinador de futebol realmente é um belo economista: explica perfeitamente o que ocorreu no jogo passado. Mas prever o jogo futuro, aí é que é difícil…

  • José Eduardo Barata disse:

    Trabalhou também no Nacional do Carmo , aliás , onde
    começou sua carreira .
    Muitos jogadores do Viajantes , hoje Clube Recreativo ,
    que teve um dos maiores times de futebol de salão do
    estado de todos os tempos , foram atletas dele lá .
    Só uma questão de registro ….

    • Helio Antonio Corrêa disse:

      Fui treinado por ele no NACIONAL DO CARMO.
      O campo era em frente , onde hoje é o BH.shopping.
      De lá ele foi para a CALDENSE.

    • Helio Antonio Corrêa disse:

      JOSE EDUARDO BARATA
      E como registro também.
      Vc. se lembra, quando la em Portugal a classe dos dentistas não queriam reconhecer os profissionais brasileiros, e estavam ameaçando deportá-los para o Brasil e o Carlos Alberto Silva se levantou dizendo , se os brasileiros não são bem vindos eu também sou um deles e me sinto igual. Ameaçando voltar e neste momento ele era ídolo no Porto? Com esta atitude fez com a sociedade portuguesa repensasse todo aquele movimento, que nada mais era que uma reserva de mercado.
      Mas que teve na voz firme do nosso Carlos Alberto o freio necessário para a situação.
      Poucos se lembram do episódio, mas ele foi importante no momento.

  • Richard Dias disse:

    “Deixo um Teco Teco para assumir um Boeing”. Assim disse Carlos Alberto Silva ao largar o trabalho no Cruzeiro, p/ assumir o Palmeiras.

  • Renato - 7 Lagoas disse:

    Um dos grandes problemas do treinador brasileiro é a língua. O Carlos Alberto se deu bem porque precisava só do português. O Felipão, idem na Seleção de Portugal. Os caras querem treinar lá fora, mas não sabem inglês e espanhol. Aí, fica impossível. Esta é uma grande barreira.