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Acidentes aparentemente simples que mudam vidas e nos fazem pensar | Blog do Chico Maia

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Acidentes aparentemente simples que mudam vidas e nos fazem pensar

Laís Souza (esquerda) em foto do portal Terra

Acidentes aparentemente simples costumam mudar de forma dramática a história das pessoas. Quando são atletas e famosas proporcionam um choque especial e faz com que todos nós pensemos na vida e em tudo o que nos cerca. Resta torcer para que se recuperem e que retomem as suas vidas da melhor forma.

Dia 29 próximo se completarão cinco anos do acidente do ex-piloto Michael Schumacher, que fazia um passeio de esqui em uma montanha nos Alpes franceses. Ficou em coma induzido e até hoje a condição dele é um mistério já que a família não se pronuncia a respeito.

No dia 27 de janeiro de 2019 serão cinco anos de tragédia semelhante com a brasileira Laís Souza, ex-ginasta, que se chocou contra uma árvore em Salt Lake City/EUA, também praticando esqui. Teve lesão grave na terceira vértebra da coluna, que a deixou tetraplégica. A Folha de S. Paulo fez uma entrevista com ela em que conta sobre  o seu dia a dia e os planos para o futuro:

* “Sem pensar no esporte, Laís Souza planeja filho e velhice tranqüila”

Quase cinco anos após acidente e preocupada com dinheiro, ex-ginasta sonha em ter filho

Alex Sabino – Vila Velha/ES

Laís Souza, 29, carrega no corpo as marcas dos anos como atleta. No tornozelo direito está a tatuagem com arcos olímpicos e referências aos Jogos de Atenas (2004), Pequim (2008) e Londres (2012). Ela participou dos dois primeiros e foi cortada do último após fratura na mão. Um pouco acima, no joelho, a grande cicatriz é uma lembrança das 12 cirurgias no local. Foram 17 no total durante a vida de ginasta.

Sentada em sua cadeira de rodas, vigiada o tempo todo pelo cuidador, que chama carinhosamente de “Baiano” ou “Nêgo”, Laís afirma estar feliz como nunca esteve nos últimos quatro anos.

“Estou me encontrando, pensando em formar minha família. Estou mais mulher. Estou sabendo o que é mais a vida porque me criei em uma casca de ovo, fechadinha ali nos treinos. Da ginástica fui para o esqui e continuei no mundo do esporte. Agora comecei [outra vida]”, afirma a ex-ginasta, em entrevista à Folha na última terça (9).

“Nêgo, tira o cabelo do meu rosto”, ela pede durante a conversa, ao lado da piscina do prédio para onde se mudou neste ano, em Vila Velha, no Espírito Santo. Venta muito.

É um processo de aceitação. De não se frustrar mais pela sensação de que as mãos estão gesticulando, quando na verdade estão apenas pousadas, imóveis, sobre as pernas.

Quase cinco anos após o acidente que a deixou tetraplégica, Laís ainda tem mentalidade de atleta. Nas duas horas de fisioterapia que realiza duas ou três vezes por semana, gosta de fazer os exercícios tentando imitar os movimentos que fazia no tempo em que era integrante da seleção brasileira.

ortho walk, aparelho desenvolvido para ela em Ribeirão Preto (sua cidade natal), a deixa em pé e ajuda nas sessões de fisioterapia. Também a faz se sentir bem. “É gostosa a sensação de ficar em pé, ficar na minha altura, olhar nos olhos das pessoas. Isso é muito bacana, dá uma liberdade muito legal”, confirma, em um dos momentos em que sorri.O tom de voz é baixo e o olhar parece desconfiado em alguns momentos. Mas os tempos de chorar se foram. Nos primeiros 12 meses após o acidente, ela lembra ter “chorado rios” e perguntado a Deus muitas vezes por que aquilo havia acontecido.

Laís sofreu lesão na terceira vértebra da coluna cervical em janeiro de 2014, quando treinava em Utah, nos EUA. Buscava vaga no esqui aéreo para os Jogos Olímpicos de Inverno, que aconteceriam naquele ano em Sochi, na Rússia.

Em alta velocidade, se chocou com uma árvore. A vértebra, além de quebrar, sofreu deslocamento e comprimiu as outras. A lesão medular foi total e comprometeu as funções motoras. Ela perdeu os movimentos, a sensibilidade e o controle de todos os órgãos abaixo do pescoço.

Laís não tem problema em falar daquele dia porque se lembra muito pouco do que aconteceu. Esquiava rápido e virou a cabeça para passar uma mensagem a Josi Santos,  companheira de ginástica que também treinava no esqui.

“Jô, vem de lado e vem devagar”, gritou para a amiga. Quando olhou para frente houve o choque, mas se lembra apenas de tudo ficar preto. Acordou no hospital, onde teve muita febre e diarreia. “Meu organismo entrou em pane”.

Ela chegou a pesquisar sobre esportes paraolímpicos. Como forma de escapar, queria entrar em algum deles com afinco. Interessou-se pelo esqui adaptado. Carregou esse pensamento por alguns anos, até que resolveu se afastar.

“No começo pensei: vou entrar de cabeça, vou me adaptar a algum esporte que me faça voltar àquele mundo. Mas hoje, depois de muito tempo de cadeira [de rodas], do acidente, cai a ficha de muitas coisas. Da minha situação, da minha vida e da minha renda também. Eu não sei se vou voltar para o esporte”, admite.

As preocupações de Laís são mais práticas. A maior é como estarão as finanças na velhice. A mais imediata é ser feliz.

Em nome desta última, deixou São Paulo para morar em Vila Velha, de frente para o mar. Usa aliança na mão direita e vive com quem chama de “minha mulher”. Não quer dizer o nome porque não crê que isso seja da conta de ninguém, a não ser delas.

Há três anos, Laís revelou ser homossexual, embora tenha vivido relações heterossexuais no passado.

Agora consegue ir à beira da praia de vez em quando, passeia quase todas as tardes e desfruta de qualidade de vida que seria impossível obter em São Paulo. Também é mais barato morar em Vila Velha.“A mudança ainda está acontecendo. Vou devagar para que possa pegar as rédeas da minha vida com a melhor qualidade possível, encarando como mulher mesmo. Já tinha pensamento de ter família, filho. Acho que foi bom essa alavancada para mim”, afirma.

Laís Souza busca começar uma família. Já tem a esposa, o cachorro Skank e o gato Baguera. Falta um filho.

“Quero muito, muito, muito. Não sei se minha saúde vai aguentar isso, mas quero muito, muito, muito. Ainda tenho uma família pequena, cachorro, gato… [Eles são] só um treinamento”, completa.

A conversa vai e volta, mas sempre retorna para as preocupações financeiras que possui. As situações mais banais custam dinheiro para Laís. O material necessário para urinar, por exemplo, tem de ser comprado por valor de R$ 10 a R$ 12 e é descartável.

A ex-ginasta tem renda de uma aposentadoria especial aprovada pelo governo federal em janeiro de 2015, no teto máximo permitido, R$ 5,6 mil.

Patrocinada pela Universidade Estácio de Sá, também faz palestras corporativas. Gostaria, mas não consegue atender à demanda por causa das restrições físicas.

O voo pode fazer com que tenha problemas de pressão arterial. Há uma série de cuidados que precisam ser tomados em viagens. Ela não pode se sentar ou deitar em qualquer lugar. A poltrona ou cama deve ter a densidade correta ou pode causar uma fissura.

Os eventos são marcados na medida do possível porque ela gosta da experiência e são fonte importante de renda. Não agora, mas para o futuro.

“Hoje faço palestras. Sou jovem, estou com cabelo bonitinho, não tenho rugas. Tenho disposição. Aí eu penso que lá na frente vou estar mais velha, não estarei tão disposta, terei mais problemas de saúde. Como vou me manter? Tudo o que tento fazer hoje é poupar dinheiro com a melhor qualidade de vida possível para que lá na frente eu ainda tenha [recursos]”, explica.

Laís vive a contradição de ter a pressa de ser feliz, mas a contínua preocupação sobre dinheiro e futuro. Ela mostra a cadeira de rodas, que já viu dias melhores. Foi comprada logo após o acidente por R$ 23 mil. O ideal seria trocá-la, mas no momento não é possível.

“Tento viver meus  29 anos, mas com certeza fico preocupada . Venho adotando [o pensamento] de que tenho de cuidar da minha vida e ser feliz nesse caminho”, conclui. O caminho é construir família em Vila Velha.

O esporte foi sua vida por muitos anos, mas hoje ela tem outras prioridades.https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2018/10/sem-pensar-no-esporte-lais-souza-planeja-filho-e-velhice-tranquila.shtml


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Comentários:
6
  • Marcão de Varginha disse:

    Enquanto há àqueles/as que desistem de tudo tão facilmente, Laís dá aula de vida..força, Laís!

  • Rafael disse:

    Absurdo terem deixado essa moça ir tentar fazer salto de esqui sem nunca ter esquiado na neve antes na vida. Vivi 7 anos no Canadá, aprendi a esquiar na neve lá e o mais recomendado é ter aulas com professores, que são já profissionais do esporte ou esquiadores bem experientes. E se começa na parte mais baixa da montanha, em área geralmente reservada para crianças. É o caminho mais natural e seguro. Mas não, a irresponsabilidade de quem a chamou para fazer a modalidade e dela própria geraram essa tragédia. E outro absurdo é o governo brasileiro custear tudo depois – coisa aprovada pela Dilma. Ou seja, todos os cidadãos pagando a conta da irresponsabilidade de alguns.

  • Silvio T disse:

    Eu só aceitaria essa conversa do Atlético renovar com Leonardo Silva se fosse por mais seis meses para que ele disputasse essa porcaria de campeonato estadual e mais uma ou duas partidas da série A, como homenagem e despedida. Qualquer coisa além disso eu tomaria como mais um desatino de uma diretoria amadora e mais uma ofensa à uma das maiores torcidas das Américas. Mas quando se trata dos “jestores” do galo, com seus bolsos cada vez mais cheios de grana, independente de resultados no campo, pode-se esperar qualquer desatino. A fanática torcida paga as contas mesmo, né?

    • humberto disse:

      Concordo plenamente com vc. já basta o pastor com mais 2 anos de contrato, assim a torcida do galo não aguenta. Precisa contratar um novo treinador de goleiros, pois ao que parece o atual é fraco ou cego, por exemplo no jogo contra o botafogo o Victor bateu todas as reposições de bola pra fora, é um absurdo.

  • Julio Cesar disse:

    Impressionante. De repente se ver numa situação tão dramatica. Uma forma seria as federações fazerem seguro prevendo estas situações. Que seja co-participativo. Mas com valor significativo.
    Desconheço sua situação financeira mas ela ja disse que preocupa. Que tal lançar nas redes sociais #ForçaLais para doação de valores. Mas uma campanha forte. Afinal representou o país como ginasta. Verdadeiramente atleta. E todos sabem a dificuldade do atletismo no Brasil.
    Quem patrocinava era CEF ? Interessante ministro do esporte se manifestar. As loterias tambem poderiam excepcionalmente destinar valores para estas situações.
    No mais buscar força espiritual. E quem sabe narrar sua historia, escrever um livro. Afinal lhe resta fisicamente a força das palavras.

  • Valmar Azevêdo disse:

    Não é fácil, mas Deus dê força a todos que passam por estes percalços na vida.
    Mas Chico, começando a temporada de ti ti ti; o São Paulo que já tem vários volantes, tenta de todo jeito levar Arão do Fla para o Morumbi. O Palmeiras que já tem um bom elenco, busca Artur, Zé Rafael, Rafael Veiga e tenta repatriar R, Goulart. Para o meio contam com B. Henrique, Moisés (que saiu de Minas), Scarpa, Lucas Lima, Guerra e tá chegando mais. O Flamengo que já tem dois ótimos camisa 10, Diego e o Éverton, tenta trazer Rodriguinho. Todos vão atrás de jogadores não tão velhos, mas que já produziram alguma coisa e tem mercado. Espero que o Galo arrume time pra essas péssimas contratações que fez e contrate atletas para ser titular, chega de promessas. Espero também que o Marques não faça bobagens como o anterior.