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O que esperar dessa Copa da França, da discussão sobre igualdade de direitos das mulheres

Considerada “fenômeno” do futebol feminino, a norueguesa Ada Hegerberg (em foto do site do Lyon), aguardou resposta até a chegada da Copa, se a premiação da seleção das mulheres seria igualada à dos homens.

A Noruega tem uma das três mais fortes seleções femininas do mundo. Como a resposta foi negativa ela se recusou a disputar o Mundial da França, em protesto. Ada é a detentora da Bola de Ouro, prêmio da revista “France Football”, autora de três gols na última final da Liga dos Campeões, que deu o título ao Lyon. Ausência mais lamentada nessa Copa.

Além do sucesso de público e mídia mundial, esta Copa feminina da França está servindo de palanque para manifestações pela igualdade e ascensão das mulheres no futebol e outras atividades profissionais e sociais. Certamente os efeitos não serão imediatos, mas o simples debate levantado serve como semente para conseqüências positivas no futuro.

Antes da abertura, em sete de junho, a mídia francesa estava dividida quanto à saída da seleção feminina do país, do famoso Centro de Treinamento Clairefontaine em Paris, para dar lugar à seleção masculina, atual campeã do mundo, que estaria se preparando para jogos das Eliminatórias da Eurocopa2020, contra Andorra e Albânia. As feministas protestaram, dizendo que aquilo era uma ofensa. Porém, aquela mudança já estava programada há tempos e a FIFA soltou comunicado oficial informando que os locais de treinos e hospedagem das 24 seleções participantes da Copa, eram determinados por ela, a partir daquela data. A concentração programada para a seleção feminina francesa era um resort, definido desde o fim de 2018.

Na comemoração do gol contra a Austrália, Marta, que é embaixadora global da ONU Mulheres, mostrou a chuteira com o símbolo pela igualdade profissional com os homens. Bem antes do começo da Copa, também as jogadoras dos Estados Unidos (maiores favoritas ao título) entraram na justiça contra a Federação norte-americana de futebol, exigindo igualdade salarial e condições trabalhistas idênticas à da seleção masculina do país.

Com estádios quase todos lotados, cobertura da imprensa e audiência recorde nas TVs de todo o mundo, essas discussões e protestos provocam o debate em todos os países, até nos mais radicais, por causa das tradições e religiosidade, como árabes e asiáticos. Inevitavelmente progressos e conquistas das mulheres virão na sequência dessa Copa, no devido tempo, em cada região do planeta.


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Comentários:
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  • mauricio disse:

    Futebol feminino é patético, chute fraco frangos não tem a mesma dinámica que o masculino tanto que as profissionais da seleção australiana fizeram um amistoso com os moleques da sub-15 tomaram de 7×0.Igual no futebol americano feminino tiveram que apelar para atrair público jogando quase semi-nua.

  • TONICO disse:

    Não concordo com este tipo de protesto. O foco não tem que ser o quanto o outro ganha, mas o quanto eu produzo. Vamos cruzar os braços aqui no Brasil e exigir um salário médio nas empresas de 3.700,00 dólares mensais (algo em torno de R$ 14.277,93), com jornada semanal de 30 horas, como acontece na Noruega. Ou então de 4.600,00 dólares (algo em torno de R$ 17.800,00), pagando 23% de imposto médio, como acontece nos Estados Unidos. Nossa realidade é a mesma deles? Não é por aí… Esta “vitimização”, este “auto-sexismo”, não engrandecem na minha opinião. Pratiquem um futebol (jogo, técnica, física, transmissão) voltado para o universo feminino, vendam produtos no mundo inteiro gerando mais receita que o futebol masculino e terão, certamente, vencimentos maiores que os homens. Mas façam isto por Lei de Mercado e não por imposição.