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De capitão do Venda Nova e torneiro mecânico a treinador de ponta: a bela história do Enderson Moreira, agora comandando o Cruzeiro

O novo treinador em foto/montagem do www.cruzeiro.com.br/noticia

Obrigado ao Samuel Venâncio, da Itatiaia, que resgatou reportagem que fiz com o Enderson Moreira, cinco anos atrás, para o jornal Sete Dias e postada aqui no blog. Tinha sido demitido pelo  Santos e estava sendo especulado para dirigir o Atlético, mas já estava acertado com o Atlético-PR.

Na época ele dizia que não acreditava que algum dia fosse contratado pelo Galo ou pelo Cruzeiro, que não davam oportunidades para treinadores e nem diretores executivos mineiros, e lamentava. Também vivo lamentando isso, mas felizmente a realidade está mudando. Hoje, não só Galo e Raposa têm executivos de Minas, mas o América também (Paulo Bracks), e o Coelho é o mais estável dos três.

Acredito no sucesso do Enderson na Toca da Raposa por motivos simples. Vai trabalhar com o Ricardo Drubsky, com quem tem grande sintonia, há décadas, e fizeram sucesso no América, reconduzindo o clube à Série A em 2017. Enderson tem personalidade e não vai aceitar interferência externa em seu trabalho, principalmente para “vender jogadores”, como declarou o antecessor dele, Adilson Batista, que admitiu que fazia este papel na Toca da Raposa. É um estudioso do futebol e acredita no trabalho das categorias de base.

Conheça mais sobre a vida do novo técnico do Cruzeiro, dentro e fora de campo, nessa reportagem lembrada pelo Samuel Venâncio:

* De Capitão e Torneiro Mecânico a técnico de ponta

Enderson Moreira com a esposa Rosângela, em seu refúgio na cidade de Fortuna de Minas

No dia seis de março o jornal Folha de S. Paulo publicava: “…Mesmo com o Santos na liderança do Campeonato Paulista e com cinco vitórias em sete jogos, o clube anunciou nesta quinta-feira (5) a demissão do técnico Enderson Moreira, que estava no clube desde setembro de 2014…”.

Nada que abalasse a este mineiro, nascido por força do destino na capital de São Paulo, há 43 anos. Acostumado às dificuldades naturais enfrentadas por quem quer vencer no futebol, ele só lamentou o fato de ter de interromper um trabalho vitorioso, cujos melhores resultados seriam colhidos durante o Campeonato Brasileiro. Enquanto aguardava convite para dar sequência à carreira, Enderson Moreira curtia a família na cidade de suas origens, onde ele tem uma bela casa e de onde nunca se afastou: Fortuna de Minas, a 98 Km de Beagá (35 Km de Sete Lagoas), terra do seu pai, Romário de Melo Moreira, falecido há 15 anos. A mãe, D. Maria Alves também é do interior mineiro: Capitólio, a 279 Km da Capital, no lago de Furnas.

Por razões profissionais, no dia 28 de setembro de 1971, seu Romário e D. Maria moravam em São Paulo quando ele nasceu, mas três meses depois todos estavam de volta a Minas. Em Beagá foram morar no Bairro Venda Nova onde a vizinhança se tornou parte da família e onde ele se casou, com a vizinha Rosângela, namorada desde criança, filha dos padrinhos dele, seu Manoel e D. Ilda Tolentino. Este ano, Enderson e Rosa completam 20 anos de casados, já curtindo o sucesso dos filhos, Bruna, 18, aprovada em 1º lugar no vestibular de Psicologia da UFMG, e Rafael, 17, que faz Curso Técnico em Administração no Sebrae/MG.

Durante a entrevista que fiz com o Enderson me lembrei do slogan de campanha do gaúcho Leonel de Moura Brizola: “Quem conhece o Brizola, vota no Brizola!”. Terminada a conversa saí convencido de que esta frase se aplica a ele, e certamente serei mais um torcedor dos times que ele dirigir. Trata-se de um batalhador desde criança, daqueles que assim como milhões de jovens brasileiros sonham ser jogador de futebol e, quando vê que não vai dar, descobre uma atividade ligada ao mundo da bola. Ele é mais um exemplo da importância do esporte, possivelmente o maior fator de inclusão social em países como o nosso. Pena que os governantes brasileiros nunca pensem assim.

Aos 18 anos passou no vestibular de Educação Física da UFMG e montou uma escolinha de futsal

Enderson Moreira começou a vida no futebol defendendo o Venda Nova, onde era volante. Como demonstrava espírito de liderança foi nomeado Capitão do time pelo treinador Ricardo Drubsky. Ele nunca imaginaria que ali estava o embrião do futuro treinador, já que, anos depois foi trabalhar como preparador físico e depois auxiliar do Drubsky, em times de base e profissionais. Do Venda Nova foi jogar no Santa Tereza, onde foi colega do meia Cleisson, que jogou no Cruzeiro, Atlético e Flamengo. Mas, orientado pelo pai, preocupado com o futuro dele, Enderson fez ao mesmo tempo, cursos técnicos no Senai. Formou-se como Fresador e Torneio Mecânico.

Aos 18 anos passou no concorridíssimo vestibular de Educação Física da UFMG e ao mesmo tempo montou uma escolinha de futsal no Bairro Venda Nova, que lhe ajudava a custear os estudos. Aos 19 deu os primeiros passos como treinador, comandando o time de futsal do Colégio Magnum, incentivado pelo diretor da escola, Professor José Alonso. No futebol a primeira oportunidade surgiu no América, onde o seu ex-treinador Ricardo Drubsky comandava o time júnior e estava precisando de um preparador físico. Recém formado, foi indicado ao Ricardo Drubsky pelo Nival de Sá, presidente do Venda Nova quando eles trabalharam juntos lá em 1986.

A partir daí foram vários títulos conquistados e o crescimento profissional de ambos. De cara, vice-campeão da Taça BH pelo América, perdendo o título para o Cruzeiro. No ano seguinte, o troco: Campeão da Copa São Paulo pelo Coelho, sobre o Cruzeiro. Também no América trabalhou com o técnico Chico Formiga, como auxiliar da preparação física. Chegou a trabalhar com Toninho Cerezo, que jogou no Coelho, sob o comando do Ricardo Drubsky em 1996.

Em 1998 iniciou a trajetória como treinador, assumindo o Proesp/7 de Setembro, projeto universitário do professor Jurandy Gama Filho. Em 1999 comandou o juvenil B do América que tinha parceria com o Santa Tereza. Em 2000 o juvenil principal do América. Se 2001 a 2004 ele se afastou dos clubes tradicionais para cuidar de um projeto de futebol escolar do Colégio Magnum. Em 2004 Ricardo Drubsky assumiu o comando da base do Atlético e o levou para dirigir o juvenil, conquistando pela primeira vez o Torneio de Gradisca, na Itália, vencendo a Juventus de Turim na final por 3 a 0. No ano seguinte nova final entre eles em Gradisca e dessa vez vitória dos italianos. Mesma época em que Marcelo Oliveira comandava o júnior do Galo.

Em 2006 Ricardo Drubsky foi para o Cruzeiro e o levou como auxiliar do juvenil. No mesmo ano Drubsky assumiu a base cruzeirense e o promoveu a técnico do júnior. Foi vice-campeão mineiro, perdendo o título para o Galo, comandado pelo Marcelo.

2007 foi um ano especial para Enderson Moreira: comandou o Cruzeiro na conquista do título da Copa São Paulo; foi vice no mesmo ano da Taça BH e Campeão Brasileiro sub-20, quando alguns jogadores se destacaram: Guilherme, hoje no Atlético; Maicon, zagueiro do FC do Porto; o meia Bernardo e o atacante Jonhatan.

Em 2008 foi auxiliar do Ricardo Drubsky na disputa da Série A do Brasileiro pelo Ipatinga e assumiu o comando no mesmo ano. Foi substituído por Marcelo Oliveira no Tigre em 2009, quando assumiu o sub-20 do América. Mesmo cargo que ocupou no mesmo ano no Atlético-PR. Em 2010 comandou o time sub-23 do Internacional, onde se destacava Oscar, hoje Chelsea. Em 2011 ganhou mais visibilidade nacional ao substituir Muricy Ramalho e comandar interinamente o Fluminense até que Abel Braga assumisse. Comandou a reação do Flu na Libertadores da América, conseguindo a improvável classificação na primeira fase, mas eliminado pelo Libertad do Paraguai nas oitavas.

Em 2011 Enderson conseguiu entrar para o time dos principais treinadores do país graças ao trabalho feito no Goiás. Conseguiu evitar a queda para a Série C e montou o time que seria campeão da B em 2012 e chegar em 6º lugar em 2013. Em 2012 comandou jogadores que depois se destacaram no Cruzeiro como Egydio e Ricardo Goulart. Foi bi-campeão goiano; chegou à semifinal da Copa do Brasil, ano em que eliminou o Atlético no Independência.

Em 2014 fez ótimo trabalho no Grêmio, até ser eliminado da Libertadores da América pelo San Lorenzo, na cobrança de pênaltis.

Luiz Fernando Flores, ex-meia do Cruzeiro é o seu auxiliar permanente. Enderson se inspirou em dois treinadores com quem trabalhou e em dois que se tornaram mitos no futebol brasileiro, mas com quem não chegou a trabalhar: Fernando, seu comandante no Santa Tereza, que hoje é instrutor da Escolinha Zico no Buritis; e Ricardo Drubsky, grande incentivador que se tornou amigo; mais Telê Santana e Ênio Andrade.

http://blog.chicomaia.com.br/2015/03/16/de-capitao-do-venda-nova-a-treinador-de-ponta-a-bela-historia-do-enderson-moreira-de-volta-ao-atletico-pr/#more-35863


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Comentários:
4
  • Zé Carlos disse:

    Que pena… queria que o adilson ficasse uns cinco anos… tava fazendo excelente trabalho…

  • Roberto Fonseca disse:

    Ue a raposinha virou filial do America?

  • Walter Gallo disse:

    “Contratamos um treinador com perfil de série B” A intenção é ficar pra sempre na “A2”? Ou não cair para série C? O zerim está espirocado, é? Seria por causa de 08 “presidentes” mandando ao mesmo tempo. Aliás, quando o Ministério Público vai vir e esclarecer a roubalheira que houve por lá? Ou encontraram muita sujeita que implica muita gente de “boa”. Benecy Queiroz, é um exemplo de lenda viva. Em qualquer empresa que trabalhei, se levantasse dúvidas sobre a honestidade delas e falta de lisura nas suas práticas industriais ou comerciais, sem provas. Seria demitido sumariamente. No Zerim, não. O velhinho, está lá todo serelepe. Deve também de saber de coisas…..