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De repórter esportivo a fenômeno de audiência como Tieta Presley

Reportagem publicada no jornal Sete Dias, “Retrato em Branco & Preto”: repórter Rodrigo Rocha (esq.) e Willy Fritz Gonser, durante a transmissão de Caldense 1 x 4 Atlético, em Poços de Caldas, pelo Campeonato Mineiro de 1995/Rádio Itatiaia.

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Rodrigo é um talento da comunicação. Nascido em Sete Lagoas, filho do saudoso Tonico “Boa Fala”, também comunicador. Começou na Rádio Cultura, 1988, onde foi redator, apresentador, plantonista, e repórter. Queria mesmo é ser locutor esportivo, mas diz que nunca teve essa oportunidade lá. Assim como muitos, que tentam essa profissão, ele conta que trabalhou dois anos “sem receber um centavo, pois eu queria aprender a profissão”.

O talento de Rodrigo foi notado pela recém inaugurada Rádio Eldorado, também de Sete Lagoas. Os chefes de esporte da nova emissora, João Carlos Oliveira e João Senna, o contrataram para ser o segundo narrador (o João era o primeiro), “com a carteira assinada, recendo salários e tudo”, conta.

Em 1994, foi ouvido pelo hoje saudoso Januário Carneiro, dono da Rádio Itatiaia, durante um Democrata Jacaré x Seleção da Copa Itatiaia, no antigo Estádio José Duarte de Paiva. Recebeu o convite do próprio Januário, para trabalhar na maior emissora de Minas. Lá, Rodrigo cobriu a Federação Mineira de Futebol, foi repórter volante e cobria os clubes, quando os titulares estavam de folga: Roberto Abras no Galo, Waldir Barbosa no Cruzeiro e Mauro Neto no América. O chefe de esportes era o Osvaldo Faria, por quem ele é grato até hoje: “me ajudou muito”, diz.

Em 1998, Rodrigo deu uma guinada na carreira. Trocou a Itatiaia pela ExtraFM e foi trabalhar com o Dudu no programa Grafite, fazendo imitações e humor. O público gostou e pouco tempo depois ele ganhou o próprio programa, com a personagem “Tieta Presley”, imitando uma travesti, que se tornou fenômeno de audiência. O sucesso foi tão grande que virou tese, apresentada pela professora Nair Prata, Doutora em Lingüística (UFMG), titular do Curso de Comunicação da UFOP de Ouro Preto, no IV Encontro dos Núcleos de Pesquisa da Intercom em Porto Alegre em 2004. 

Mais um tempo e surgiu a oportunidade de ir São Paulo, onde trabalhou como músico durante um ano. Voltou para Belo Horizonte, para trabalhar na Rádio LiberdadeFM, onde ficou por 10 anos. Depois, foi para a BH FM (Sistema Globo), onde ficou sete anos, mas lá teve uma experiência triste, como ele mesmo conta: “Saí da BH porque sofri uma injúria racial, lá dentro, em 2015 e tento me recuperar desse trauma até hoje. Voltei para a LiberdadeFM em 2015 e fiquei por lá até o início da pandemia, em março deste ano, quando a direção resolveu dispensar vários funcionários e eu fui no meio”.

Atualmente, Rodrigo/Tieta está aguardando novo convite para dar sequência à carreira. Enquanto isso, faz trabalhos temporários, como narrador esportivo (no site a LBV), na equipe do Afonso Alberto, e também na rádio Transamérica FM, na equipe do Flávio Anselmo.

Rodrigo é casado, tem um filho, Igor, de 14 anos, e este ano passou por uma enorme dor, ao perder a mãe. Seu pai, Tonico “Boa Fala”, morreu em 2012.

Rodrigo Rocha como Tieta Presley, entre Lady Darley (esq.) e Cláudia Gandra, no programa Turma do Manhã Legal, na Rádio Liberdade FM.

Rodrigo, na Liberdade FM


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Comentários:
4
  • Luiz Ibirité disse:

    Parabéns pela homenagem a ele, eu ja ouvi varias vezes e nao sabia da historia de vida, bacana de mais sua iniciativa, quando “sobrar” tempo, conte nos mais sobre os bastidores dessa turma, vlw Chico!

  • Raws disse:

    Além de muito bacana a força que você dá para o profissional, Chico, é muito bom também sabermos dessas nuances.
    A vida é uma roda gigante para todos. Desse quando nascemos subimos nessa roda e não sabemos em qual posição ela demorará mais. Merecimento? Escolhas? Destino? Vai saber?…
    Não querendo polemizar e nem ser chato, mas se o referido fosse “Tieta Presley” por opção sexual, na atualidade teria muito mais oportunidades.
    Não falo por homofobia e sim por uma certeza de que forçam a barra demais.

  • Geraldo Lopes disse:

    Desejo sorte e sucessos ao profissional da imprensa citado no texto, embora o que me traz ao blog é um insistente beneficiamento das arbitragens aos times do eixo. Sem querer desmerecer o trabalho do Diniz e até acho que o São Paulo é merecedor de sua colocação e que o Galo tropeçou em seus próprios erros, mas foi um absurdo no jogo Grêmio X São Paulo, ainda no 1º tempo a zaga são paulina cometeu faltas passíveis de expulsão , inclusive com opinião de comentaristas da Band e a arbitragem fingiu que não viu. No jogo América x Palmeiras, o lateral direito do América recebeu um Amarelo por falta branda, enquanto um defensor do Palmeiras matou um jogada claramente e passou despercebido. Ainda bem que Lisca não viu o pisão do Marcos Rocha por duas vezes sob a linha lateral do campo, inclusive na jogada do gol palmeirense.

    • Juliano Salvador disse:

      Pior de tudo é que na última rodada do Brasileirão, o Bragantino provou à cbf que o gol do Palmeiras foi irregular com o Gabriel menino recebendo a bola em impedimento. A cbf respondeu que há um ponto cego no VAR e que ela não podia fazer nada. Este “ponto cego” tem símbolo, cor e camisa!