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Pela nota da Anvisa, Conmebol, CBF e AFA tentaram “jeitinho” e se deram mal. Falta explicar agora situação de jogadores do Corinthians e Flamengo

Malu Gaspar, no portal O Globo, nota oficial da Anvisa e reportagem do Globoesporte.com de ontem, mostram que cartolagem achou que funcionaria o “jeitinho” brasileiro.  

O futebol sempre viveu num mundo paralelo no Brasil, onde as leis que servem para todas as instituições e cidadãos “comuns”, não o atinge. Nesta palhaçada de Brasil x Argentina, os fatos estão indicando que a cartolagem fez um acordão para os jogadores argentinos atuassem e os protocolos de saúde fossem solenemente atropelados. A nota que a Anvisa soltou  depois da confusão conta o passo a passo das artimanhas dos dirigentes. Uma reportagem do Globoesporte.com de ontem mostra que realmente a cartolagem da Conmebol, CBF e AFA, foram alertados e advertidos, que o pau ia cantar, caso os jogadores fossem para o Itaquerão.

Agora só falta a Avisa explicar porque os jogadores Willian, contratado pelo Corinthians, e Andreas Pereira, pelo Flamengo, vieram igualmente da Inglaterra, entraram no Brasil e não precisaram passar pelos mesmos protocolos.

Veja a nota da Anvisa e a reportagem do Globoesporte.com:

* “Desde a tarde deste sábado (4/9), a Anvisa, em reunião ocorrida com a participação de representantes da CONMEBOL, CBF e da delegação argentina recomendou a quarentena dos quatro jogadores argentinos, ante a confirmação de que os jogadores prestaram informações falsas e descumpriram, inequivocamente, a Portaria Interministerial nº 655, de 2021, a qual estabelece que viajantes estrangeiros que tenham passagem, nos últimos 14 dias, pelo Reino Unido, África do Sul, Irlanda do Norte e Índia, estão impedidos de ingressar no Brasil.

Neste domingo, pela manhã, a Anvisa acionou a Polícia Federal a fim de que as providências no âmbito da autoridade policial fossem adotadas de imediato.

No exercício de sua missão legal, a Anvisa perseguiu, desde o primeiro momento, o cumprimento à legislação brasileira, que, nesse caso, se restringia à segregação dos quatro jogadores envolvidos e a adoção das medidas sanitárias correspondentes.

Desde o instante em que tomou conhecimento da situação irregular dos jogadores – no mesmo dia da chegada da delegação – a Anvisa comunicou o fato às autoridades brasileiras em saúde, por meio do CIEVS – o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde.

Por força dessa comunicação, ainda na tarde do sábado, ocorreu a reunião já referida envolvendo o Ministério da Saúde, secretaria estadual de saúde de São Paulo, representantes da CONMEBOL, CBF e da delegação argentina. Nessa reunião, a Anvisa, em conjunto com a autoridade de saúde local, determinou, no curso da reunião, a quarentena dos jogadores.

Cabe esclarecer que os jogadores entraram no Brasil às 8h do dia 3/9, prestando informações falsas. Neste mesmo dia, a Anvisa identificou que as informações eram falsas e ainda na noite do dia 3/9, a Anvisa notificou o CIEVS, atualizou as autoridades de Saúde (Ministério da Saúde e a Secretaria de Saúde de São Paulo).

No dia 4/9, às 17h, foi realizada a reunião com as instituições envolvidas, na qual a Anvisa e autoridade saúde de São Paulo informaram a contingência de quarentena. No entanto, mesmo depois da reunião e da comunicação das autoridades, os jogadores participaram de treinamento na noite do sábado.

Na manhã deste domingo, a Anvisa notificou a Polícia Federal, e até a hora do início do jogo envidou esforços, com apoio policial, para fazer cumprir a medida de quarentena imposta aos jogadores, sua segregação imediata e condução ao recinto aeroportuário. As tentativas foram frustradas, desde a saída da delegação do hotel, e mesmo em tempo considerável antes do início do jogo, quando a Anvisa teve sua atuação protelada já nas instalações da arena de Itaquera.

A ação da Anvisa, em síntese, se limitou a buscar o cumprimento das leis brasileiras, o que se limitaria à segregação dos jogadores e as suas respectivas autuações.

A decisão de interromper o jogo nunca esteve, nesse caso, na alçada de atuação da Agência. Contudo, a escalação de jogadores que descumpriram as leis brasileiras e as normas sanitárias do país, e ainda que prestaram informações falsas às autoridades, essa assim, sim, exigiu a atuação da Agência de estado, a tempo e a modo. “

Twitter da Conmebol registrou o início do jogo e depois se calou sobre o “el clásico sudamericano!”

* Conmebol e CBF interferem para garantir quatro jogadores argentinos contra o Brasil

Presidente da Conmebol e dirigentes brasileiros se comunicam com Governo Federal para garantir realização da partida. Apesar de questionário preenchido incorretamente por jogadores da Argentina

Os quatro jogadores da Argentina ameaçados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de deportação vão para o jogo. A Conmebol e a CBF entraram em contato com Governo Federal para administrar a situação.

O protocolo de Covid-19 teve aceite de todos países que participam das competições da Conmebol – como Libertadores, Sul-Americana e, claro, Eliminatórias. Apesar da falha no preenchimento do questionário dos atletas – que não comunicaram passagem pela Inglaterra -, o caso foi contornado. O presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, participou das negociações para garantir o jogo.

Em posicionamento oficial, a Anvisa reiterou que os quatro jogadores vão descumprir as normas sanitárias brasileiras se jogarem.

O goleiro Emiliano Martinez, os meia Emiliano Buendia e Giovani Lo Celso e o zagueiro Cristian Romero, que atuam na Inglaterra, vão para a partida e embarcaram no ônibus.

Apesar disso, os quatro jogadores argentinos vão separados da delegação para o aeroporto assim que acabar o jogo para deixarem o país. Pelo acordo da AFA com os times ingleses, eles já teriam que retornar para o Reino Unido depois do segundo jogo. Apesar disso, o técnico Lionel Scaloni disse que eles jogariam também a terceira partida.”

https://ge.globo.com/futebol/copa-do-mundo/eliminatorias-america-do-sul/noticia/conmebol-e-cbf-interferem-para-garantir-quatro-jogadores-argentinos-em-campo-contra-o-brasil.ghtml


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Comentários:
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  • Germano Brás disse:

    A situação envolvendo o jogo de ontem e os outros atletas do Corinthians e Flamengo é o que mais me intriga. Desde o início da pandemia o que é proibido para uns é facilitado a outros. Houve festa de posse no STJ Mineiro, carnavais, BBBs, eleições, aglomerações em bancos, pancadões rolando solto pelo país, festas rave clandestinas, cabarés às escondidas, a volta do futebol, o transporte público sempre aglomerado. Vai explicar isso!

  • Julio Cesar disse:

    Após o jornalista dizer que havia acordo entre Conmebol, CBF e “autoridade do governo brasileiro”, Galvão Bueno exigiu a divulgação dos nomes de quem estava envolvido.
    Parece ter levado um puxão de orelha porque imediatamente transferiu a responsabilidade para os argentinos (“típico deles” foi o que ele disse ) Me lembrei do cala a boca Galvão. No que foi acompanhado pelo Júnior .
    Mas o inquilino do planalto “representante máximo” é o primeiro a dar exemplo desrespeitando normas sanitárias do país!
    Logo o tal acordo envolvendo a “autoridade brasileira” é muito plausível.
    E Neymar aparecido se nem capitão era mesmo porque o assunto não era mais futebol.

  • Fred disse:

    Na verdade, se há o protocolo de quarentena pra quem entrou no Brasil vindo da Inglaterra, e os quatro jogadores argentinos se juntaram à delegação, talvez contaminando uns aos outros, TODA A DELEGAÇÃO argentina deveria cumprir a quarentena! E a partida sumariamente cancelada, com a delegação argentina retornando pro seu país ainda na sexta.

    Como isso não ocorreu, e os jogadores hermanos chegaram a entrar em campo, confraternizar com os brasileiros e etc., a própria delegação brasileira deveria agora entrar em quarentena.

    Qualquer decisão menos rígida que isso é assumir que os tais protocolos na verdade são “conversa pra boi dormir”. Mas é óbvio que isso não vai acontecer, visto que entre os próprios jogadores brasileiros a CBF descumpriu a quarentena.