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Ainda bem que o árbitro agredido não está falando em perdão ao marginal que o agrediu: “…Espero que pague pelo que fez, que não jogue mais futebol…”

Foto de reportagem do Estadão/SP de quarta-feira, 8 de outubro de 2021

No Brasil é comum agredidos ou familiares de vítimas assassinadas dar entrevistas dizendo que perdoam seus agressores e assassinos. O que só serve para aliviar a barra dos marginais e incentivar a outros possíveis crimes dessa natureza.

Quando vi a cena desse William Ribeiro chutando a cabeça do árbitro gaúcho Rodrigo Crivellaro, a primeira reação foi de absoluta revolta, de vontade de ver o agressor pagando de forma semelhante. E imaginei que, como ocorre normalmente, dias após o agredido fosse entrevistado numa cama de hospital pela maior rede de TV do país, dizendo que perdoava o “fdp”.

Ledo engano. O apitador não quer conversa e quer que o sujeito que quase o matou ou o aleijou pague pelo crime que cometeu. Tomara. O histórico desse marginal não é coisa de gente que mereça compaixão.

Vale a pena ler a entrevista que ele deu ao jornal O Lance!

* “- Não tenho vontade nenhuma de falar com ele. Espero que pague pelo que fez, que não jogue mais futebol, uma pessoa assim não dá para chamar de atleta. Com todos os antecedentes criminais que ele tinha é impossível que uma pessoa assim jogue futebol. Tem que pagar por tudo que fez – afirmou”.

Ao L!, árbitro agredido durante jogo no RS desabafa: ‘Foi um ato covarde, mas agradeço por estar vivo’ – Convidado do ‘LANCE! na Jogada’, Rodrigo Crivellaro fala sobre meia Willian Ribeiro, que o derrubou e o deixou desacordado após chute na nuca: ‘Espero que pague pelo que fez’

O misto de alívio e indignação marcam o árbitro Rodrigo Crivellaro dias após a agressão que sofreu durante o jogo entre Guarani-VA e São Paulo-RG.  Ao “LANCE! na Jogada”, o juiz contou o que sente cada vez que recorda o turbilhão que aconteceu após ser agredido com um soco e um chute na nuca pelo meia da equipe rio-grandense, Willian Ribeiro.

– Sempre vem um filme na cabeça. Foi um ato tão covarde, mas tenho que agradecer por estar vivo, “bem” entre aspas, pois podia ser muito pior. É pensar no futuro, confiar que vai ficar tudo bem, vai ficar tudo certo – disse.

Crivellaro, que está com um colar cervical, falou sobre a possibilidade de ser submetido a uma cirurgia para corrigir a sua lesão na vértebra C6. Além disto, o árbitro tem um corte na boca.

– Tem possibilidade sim. Farei um novo raio-X semana que vem para saber se precisarei. Espero que não, que tenha melhorado, senão terei de passar pela cirurgia. A cirurgia é simples, mas todas têm um risco. Rezo todos os dias para que consiga a recuperação naturalmente – declarou e, em seguida, contou como vem sendo seu tratamento:

– No acompanhamento médico eu tenho falado com o traumatologista 24 horas por dia, tomando antiinflamatório… Aparentemente ficarei por um bom tempo com este colar durante o dia inteiro para não mexer na cervical. Volta e meia sinto dor, seja quando fico muito tempo sentado, deitado ou de pé – complementou. Rodrigo Crivellaro contou como teve de mudar sua rotina devido à agressão que sofreu em campo.

– Tenho de me adaptar a ficar em casa o tempo todo. Sou um cara superativo, trabalho como personal trainer, academia, estou sempre dando aula. Agora tenho que parar geral. Isso me afeta também financeiramente, pois não posso me deslocar. Vamos ver nos próximos dias como ficarão as coisas, pois as contas não param – disse.

O árbitro falou sobre as partidas que conduz no futebol gaúcho. E desabafou sobre o que passou no jogo em Venâncio Aires.

– São jogos geralmente difíceis de administrar, bem “pegados”. Futebol gaúcho é bem disputado, mas isso não justifica nada do que aconteceu, não pode acontecer jamais no futebol. Espero que isso não aconteça com mais ninguém – e ressaltou:

– Até hoje não sei o motivo dessa agressão que sofri! – completou.

Rodrigo Crivellaro foi categórico ao ser perguntado se tinha vontade de falar com o jogador Willian Ribeiro após o episódio. O meia chegou a ser preso em flagrante por tentativa de homicídio, mas hoje está em liberdade provisória.

– Não tenho vontade nenhuma de falar com ele. Espero que pague pelo que fez, que não jogue mais futebol, uma pessoa assim não dá para chamar de atleta. Com todos os antecedentes criminais que ele tinha é impossível que uma pessoa assim jogue futebol. Tem que pagar por tudo que fez – afirmou.

Willian, que rodou por clubes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraíba e Mato Grosso, possui outros três registros policiais: em 2009, 2015 e 2021 (dois por lesão corporal e um por vias de fato). O mais recente havia ocorrido quando agrediu um torcedor do São Paulo-RG que criticava o técnico China Balbino.

ADVOGADO DE WILLIAN RIBEIRO DEIXA O CASO

O jogador Willian Ribeiro não quer se manifestar sobre os desdobramentos do episódio. O advogado José Felipe Lucca saiu do caso dois dias após emitir nota que dizia que o meia “não teve intenção de matar o árbitro”. Caberá a outro advogado ficar responsável por fazer a defesa do jogador no processo.

O delegado Vinícius Assunção, da Delegacia de Pronto-Atendimento de Venâncio Aires, apontou que três testemunhas foram ouvidas e relataram o “histórico agressivo” de Willian Ribeiro. A informação original foi divulgada do UOL e confirmada pelo LANCE!. Procurado, o presidente do São Paulo de Rio Grande, Deivid Pereira, não foi localizado.

https://www.lance.com.br/futebol-nacional/arbitro-agredido-durante-jogo-desabafa-nao-desejo-que-isso.html

Estadão de 8/10/21


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Comentários:
16
  • Juca da Floresta disse:

    Sugiro para quem está falando em perdão rever o lance ou se colocar no lugar do árbitro.

    • Luiz disse:

      Juca ,eu falei e continuo não campactuando com a ideia de revide porque acho que o revide diminui quem foi lesionado.. O cara foi covarde da mesma forma que Pelé quebrou a perna de Procópio, que o Márcio, atleta do Bangu quebrou o Zico, que o Neca quebrou o Ângelo de maneiras igualmente covardes em entradas premeditadas e desleais. Esse cara tem que pagar pelo que fez, diferente do Pelé que saiu ileso da situação e ninguém falou mais nada e que foi um crime tão brutal quanto o do jogador em questão Tenho certeza que esse camarada e todos esses que eu citei já estão presos ao remorso pelo resto da vida. Perdoar é um gesto nobre, de grandeza e próprio de quem é forte. Desculpa, mas penso assim. Abraços

      • Juca da Floresta disse:

        Luiz,
        Pelé, Márcio e Neca eram atletas de futebol que usaram de violência contra colegas em campo em jogadas. Nenhum deles deu um soco no adversário e depois um chute na nuca com o jogador caído e desacordado. Me desculpe, mas sua comparação é totalmente desarrazoada.

        • Luiz disse:

          Juca, posso estar totalmente equivocado em meu pensamento e nos exemplos que citei. Estou falando de perdão, tema central que o Chico colocou. O jogador foi um crápula, covarde, desleal e deve pagar com a pena máxima possível. Quando citei o perdão, quis dizer que faze-lo é um ato de altíssima nobreza e dignidade e que poucos o fazem. Me admira muito, negativamente, o pensamento de vingança, de ódio, de justiça com as próprias mãos que grande parte das pessoas tem no coração. Um erro não justifica o outro, pelo contrário, isso só aumenta o ódio e iguala-se a vítima ao criminoso. Ou será que o juiz gostaria de dar chutes na cabeça do atleta? Pensamento medieval!

          • Juca da Floresta disse:

            Luiz, não sou franciscano, nesse caso se eu fosse a vítima jamais perdoaria o agressor. O fato é lesão corporal dolosa gravíssima que poderia ocasionar a morte ou paraplegia. Uns 12 anos de cadeia iria fazer esse valentão pensar mais antes de agredir novamente, além de servir pedagogicamente para outros jogadores. Tem que ser banido do esporte e proibido de frequentar estádio de futebol para o resto da vida.

  • Juca da Floresta disse:

    Para reflexão dos participantes do Blog, Chico: No caso em questão o agressor é negro e a vítima branca. Já imaginaram se fosse o contrário, já teríamos 5000 Ongs, ONU, OAB, CNBB e centenas de políticos falando do racismo estrutural no esporte e no país. Fora o imbecil do comentarista “ex-viciado” que colocou a culpa no presidente da república.

  • Alisson Sol disse:

    Acho que não se pode perder de vista a grande mensagem que o Chico está repetindo: Sem punição, não há porque a história não se repetir.

    Pessoalmente, eu mesmo já cometei um erro de ficar “P” da vida com um adversário que me pegou pelas costas e o juiz não viu. Ok: na próxima jogada, dei o mesmo chute na perna pelas costas. O juiz viu e me expulsou e peguei o gancho de duas partidas na liga. Nunca mais revidei. Aprendi que era melhor reverter a energia para o jogo do que revidar. Mas, talvez sem a punição, tivesse continuado a pensar que revidar vale a pena.

  • Marlon Caldeira Brant disse:

    Chico, bom dia. Concordo com alguns pontos, esse tal jogador deveria estar preso por tentativa de homicídio, com 25 anos de reclusão e ponto final. Não foi isto que fizeram com o Bruno e olha que nem acharam o corpo. Então, essa sujeito tem que ser preso, condenado, passar boa parte da vida dele vendo o sol nascer quadrado. Mas quanto a perdoar, temos que perdoar e seguir perdoando, pois perdão é algo que vem de Deus e se não conseguimos perdoar aos que nos ofendem, como queremos que Deus nos perdoe? O arbitro deve perdoar sim, mas a justiça tem que ser feita e ele ser condenado, jamais voltar a jogar bola e pagar pelo seu crime.

  • Luiz disse:

    Chico, entendo perfeitamente a sua revolta como a de todos. Não concordo absolutamente com o ato praticado pelo atleta. O jogador deverá sim pagar a punição que for, de preferencia que seja exemplar. Ponto!
    Agora negar o perdão e ainda compactuar com isso, desculpe meu caro amigo, devo discordar de você.
    Perdoar é um dos ensinamentos mais sublimes que Cristo ensinou! Jesus, já na cruz não só suplicou a Deus “-Pai perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”, como fez o soldado enxergar após ser perfurado com a lança.
    Então, perdoar é para os grandes de espírito. Qualquer ato de revide só diminui a razão de quem sofreu a agressão. Se a justiça dos homens for falha, a justiça divina dará conta. Espero que o agressor e o envolvido encontrem a paz e que esse episódio faça com que as pessoas pensem melhor. A vida tá muito difícil e requer tolerância, urbanidade, respeito e amor ao próximo.

  • Horacio disse:

    É, no futebol nunca houve respeito pelo adversário, por palpites diferentes ou mesmo pelos resultados em campo!! O mineirão foi depredado diversas vezes. Foram identificados os responsáveis? Tem alguém na cadeia? Alguém pagou pelo prejuízo? Passaram um paninho? Isto não é impunidade?

    O problema é quando o sujeito se acha um cidadão de bem, portanto acima da lei, e que pode fazer a merda que quiser. Pior é que sempre acha que na porrada resolve tudo.

    Estamos colecionando resultados desta mentalidade, este aí é apenas mais um. De cabeça quente, achando que não pagará pelo que fizer, a chance do cara se ferrar e ferrar a vida do outro é muito grande. E aí vem o moralismo de quem prega exatamente isto. O futebol é só o retrato do que ocorre na sociedade.

  • Julio Cesar disse:

    Tem um órgão no sistema que protege vagabundo: procuradoria geral da República e presidência da câmara dos deputados.
    Superintendente da polícia federal no distrito federal foi trocado também..Ora, faça o favor.

  • Raws disse:

    Um ser “humano” que chuta a cabeça de um alguém e indefeso, não merece o convívio com seus semelhantes. No mínimo ele tem de ficar internado para tratamento psiquiátrico. Assim como um ex jogador que tentou relacionar o fato as eleições de 2018. Os dois devem ser tratados por muito tempo.

  • Juca da Floresta disse:

    Bom dia Chico,

    Concordo plenamente com você. “O histórico desse marginal não é coisa de gente que mereça compaixão.” Esse William deveria estar preso. Aqui no Brasil, terra onde partidos corruptos protegem bandidos, inventaram uma tal de audiência de custódia, que serve para o juiz perguntar para o pilantra preso se a polícia tratou o vagabundo bem no ato da prisão. Esse sujeito tem currículo de vagabundo. Nunca vai pagar o que merece pela agressão, os parentes da vítima deveriam dar uma surra nesse marginal.