Blog do Chico Maia

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O melhor e o pior da Copa, em campo e fora, na visão do Fernando Rocha

Uma Copa inclusiva, em que crianças, jovens, adultos e mais velhos, puderam participar de tudo. Nos estádios e nas fan-fest, como foi o caso deste senhor que me chamou a atenção de forma especial, em Moscou. Num ambiente teoricamente para jovens, lá estava ele com a sua bengala, sozinho, todo animado e tomando várias cervejas, feliz da vida. Ele e incontáveis outros mais velhos e portadores de alguma dificuldade de mobilização.

A coluna desta terça-feira, do Fernando Rocha, no Diário do Aço, de Ipatinga:

* “Allez les Bleus”

Vai Azul! A França é bicampeã mundial, ao derrotar na final mais improvável das últimas Copas,  a Croácia, por 4 x 2.

Embora tenha feito a metade de seus gols através da chamada “bola parada”, ou seja, lances originados de cobranças de faltas, escanteios ou pênaltis, a conquista deste Mundial na Rússia pelos franceses foi justa e  não merece qualquer tipo de contestação.

Nesta que foi a Copa do Mundo mais globalizada que se viu até hoje, todas as equipes jogaram praticamente iguais no esquema tático, prevalecendo muita marcação, abriu-se mão da posse de bola para explorar contra-ataques,  sem que surgisse um grande time, uma grande seleção, muito menos um craque fora da curva, a serem lembrados para sempre.

Foi também a Copa do VAR, o árbitro de vídeo, que teve segundo a Fifa uma média de acertos nos pênaltis de 99,32%. Precisa ser ainda mais aperfeiçoado, a meu juízo no sentido de abranger um número maior de lances da partida, diminuindo a interpretação dos assopradores de apito, o que sempre gera erros graves, injustiças e contestações.

O VAR não irá resolver todas as dúvidas nos lances difíceis ou polêmicos, mas certamente irá reduzí-los a índices toleráveis, o que torna sua utilização irreversível depois da experiência positiva nesta Copa da Rússia.

Quem não o aceita até hoje, desconfiando que ainda possa ser manipulado, terá que digerir esta nova ferramenta, que veio para ficar iniciando uma nova era no futebol.

Mais eficiente

O jogo decisivo vencido pelos franceses por 4 x 2 teve um começo eletrizante da Croácia, dando a impressão de que iria e sair na frente do marcador, mas quem abriu o placar foi a   equipe de Griezmann, eleito o melhor da partida, após cruzamento dele mesmo, em falta inexistente marcada pelo péssimo apitador argentino, Nestor Pitana, que resvalou na cabeça do croata Mandzukic e entrou no ângulo.

De tanto insistir a Croácia empatou com Perisic, mas logo em seguida a França, cirúrgica, com um time mais qualificado técnicamente, fez 2 x 1 através de um penalti marcado pelo VAR, e confirmado pelo inseguro juizinho Pitana

No segundo tempo se destacaram o jovem de 19 anos, eleito o craque revelação, Mbappé, e Pogba, que jogaram muita bola nos primeiros 20 minutos, levando a eficiente França ao 4 x 2 que lhe valeu o título.

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·                   Uma cena ficará para sempre registrada como uma das marcas  desta Copa do Mundo: a premiação debaixo de muita chuva, que deixou literalmente ensopados os presidentes da FIFA, Rússia, Croácia e França, mostrando que o futebol é capaz de proezas como esta, unindo representantes com pensamentos políticos  opostos.

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·                   Logo que a chuva desabou sobre o Estádio Lujniki, um puxa-saco de plantão abriu um guarda-chuva sobre a cabeça do presidente russo, Vladimir Putin. Mas o feitiço virou contra o feiticeiro, pois o que poderia ser um sinal de eficiência, repercutiu como gafe e descortesia. Enquanto Putin ficava enxuto imune à chuva, ao seu lado outros três presidentes eram mostrados ao mundo pela TV  completamente encharcados.

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·                   Foi hilária e até grotesca a cena do presidente da Fifa, Gianni Infantino,   claramente incomodado com a água que caía do guarda-chuva de Putin sobre sua careca. Até que os aspones russos providenciaram  a proteção para as demais autoridades já era tarde. Todos já estavam molhados e as reações sobre a cena viralizaram na internet, de uma maneira mais negativa possível para o presidente Putin.

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·                   Talvez esta tenha sido a melhor cobertura jornalística de uma Copa do Mundo feita pela Rede Globo. A decepção ficou por conta do narrador Milton Leite do Sportv, que ignorou completamente a participação surpreendente de Ronaldinho Gaúcho, um dos pontos altos da cerimônia de encerramento do Mundial. Além disso, suas narrações foram fracas, sem vibração e com as mesmas piadinhas sem graça. Marcelo Barreto e André Rizek brilharam na apresentação do “Seleção Sportv”,  apresentado de um estúdio com visão espetacular da Praça Vermelha, em Moscou, ao lado de convidados como Muricy Ramalho, Cuca, Petkovic, Roger Flores, entre outros.

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·                    Na cobertura do rádio parabéns à Vanguarda, que fez dobradinha com a Bandeirantes/AM/São Paulo, o que nos deu a chance e o privilégio de ouvir nos jogos do Brasil, a voz de um dos maiores narradores do rádio brasileiro de todos os tempos, o inigualável José Silvério, que completou a 11ª cobertura de uma Copa do Mundo, recorde nacional absoluto entre os profissionais da latinha.

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·                   Vêm ai o “1º Encontro de Futsal” do Vale do Aço, que visa resgatar a história desse esporte que fez grande sucesso na região, sobretudo nas décadas de 80/90. A confraternização será dia 29/07, domingo, no Cariru Tênis Clube, a partir de 11 horas. Oportunidade para um reencontro histórico entre boleiros do futsal, imprensa, empresários e patrocinadores. Maiores informações com Cosme Mattos(031-999885201/985206958) ou Paulo Henrique Galego (031-987317981).  (Fecha o pano!)

Por Fernando Rocha – Diário do Aço – Ipatinga


“A natureza fez a final da Copa do Mundo parecer Campeonato Amador de qualquer cidadezinha do Brasil”

A coluna do Marcos Caldeira, d’O Trem Itabirano:

*“OS GALOS AZUIS, DONOS DO MUNDO, DEVOLVERAM A CADA HOMEM O CAMPO DO CAVEIRINHA DE NOSSA INFÂNCIA”

(E a chuva cuspiu no poder, o poder falho, efêmero, que não pode)

A natureza fez a final da Copa do Mundo parecer Campeonato Amador de qualquer cidadezinha do Brasil – Bom Jesus do Amparo, por exemplo, ou Conceição do Mato Dentro. A chuva entrou em campo na hora da premiação, humilhou o cerimonial da Fifa, encharcou presidentes e provocou escorregões. Os jogadores da campeã França se atiraram no gramado, sujando a roupa de terra e adesivando na pele pedaços de papel dourado e fragmentos de grama. Linda festa. A gloriosa aquaplanagem dos galos azuis.

Parecia uma pelada, uma pelada maravilhosa, uma pelada de sonho. Qual menino nunca rolou num campo ensopado, clamando ao céu por mais água ainda? Ontem em Moscou, os atletas franceses fizeram o milagre de devolver a cada homem o campinho do Caveirinha de nossa infância, o campinho do Xurupita de nossa meninice, o campinho da Beira-Linha da criança que todos fomos, o campinho que jaz sob um prédio enorme ou avenida, mas que permanece intacto, com seus morrinhos e traves tortas, em nossa memória.

Nem com todo o dinheiro que circula na Europa neste momento, somado à disciplina de marcha do exército norte-coreano, a Fifa conseguiria organizar aquele maravilhoso espetáculo visto no estádio Luzhniki. Aquilo só é possível de graça e espontaneamente. “Chove chuva / Chove sem parar…”

O líquido divino caía nos fios de sol dos cabelos da bonitona presidente da Croácia, Kolinda Grabar-Kitarović, e cachoeirava pelo pescoço, infiltrando nos por dentro de sua alvirrubra blusa quadriculada, levando para a Rússia a poesia da música de Barreirito, que formou com Creone e Mangabinha o Trio Parada Dura: “No portão da sua casa / Enquanto a gente namorava / a chuva se aproximava / sem a gente perceber. E os pingos que caíam / o seu corpo foi molhando / No corpo a roupa colando / E aos poucos me mostrando / O que eu tanto queria ver”.

Mas a chuva que refresca e fertiliza também sabe ser severa, e cuspiu no poder do homem, o poder falho, o poder efêmero, o poder que não pode. Pingos espancaram a cabeça do presidente Vladimir Putin, ensoparam sua testa, escorreram por seu nariz, salivaram em seu queixo, inundaram sua nuca e desceram pelas costas, para mostrar quem manda no mundo, para deixar claro que a maior lei ali era a da gravidade. Toda água que cai na terra procura um rego para escoar…

Concluo esta série de textos sobre o mundial com um abraço a todos que tiveram a paciência de lê-los, com um agradecimento aos colegas que os republicaram Brasil afora, com uma homenagem aos criadores de piadas futebolísticas infames (até 2022, vão se Qatar) e reiterando o que escrevi na véspera da abertura da copa: futebol sempre, mas sem alheamento político.

Por falar nisso, juízo, Brasil: eleição em outubro. Cuidado com a truculência do militar defensor de torturadores. É melhor já ir se acostumando? Não, é melhor já rir desse tirano. Talvez a pessoa não tenha saudade da ditadura, como anda dizendo por aí, mas de um tempo em que era mais jovem.

O TREM ITABIRANO

PS – Assim que enviei, sábado, o texto intitulado “Decidido: minha TV ficará desligada na final da Copa do Mundo”, me ocorreu uma frase elucidativa de um contexto. Apressei-me para incluí-la, mas fui derrotado pela velocidade da tecnologia. Em alguns veículos, saiu com, noutros sem. Uniformizo agora o parágrafo, informando que nO TREM impresso a minha falha será corrigida. Ei-lo:

Vai pra lá, volta pra cá, comuniquei à família que nossa televisão será desligada na hora de Croácia x França. Assim, ficarei em paz com minha consciência cívica. Foi aí que Aninha surgiu na sala, vinda do quarto dela, onde penteava sua nova boneca: “O mais repulsivo dos covardes é aquele que, em tempos sombrios, opta pela neutralidade”. Essa santinha do pau oco oculta textos de filosofia e de ciência política na barriga da Barbie, só pode”.

Por Marcos Caldeira.


Viva a França! Viva a Rússia! Viva o futebol!

Uma Copa do Mundo fantástica.

Dentro e fora do campo.

Venceu a melhor seleção.

Os russos deram um show de organização e receptividade. Sensacional!


Final da Copa e a própria Copa: nenhuma virgem no puteiro!

Coluna do Marcos Caldeira, d’O TREM ITABIRANO:

* ESTÁ DECIDIDO: MINHA TELEVISÃO FICARÁ DESLIGADA NA FINAL DA COPA DO MUNDO

(Torcer para a França: mas e as obras pilhadas do Louvre?

Querer bem à Croácia: mas e a apologia ao nazismo?)

A França tem Paris, Rodin e Michel de Montaigne e ainda quer triunfar no futebol. Nem pensar, torcerei para a Croácia, firmei assim que os quadriculados alvirrubros dos Balcãs derrotaram a Inglaterra e se garantiram na final da Copa do Mundo.

No dia seguinte li no “Estadão” que torcedores croatas fizeram a saudação nazista no estádio, durante a semifinal, e virei a folha, com um grito na janela: allez les bleus.

“Pergunte aos argelinos se a França é assim tão libertária, ouvirá casos de perseguições e torturas”, ouvi um professor de história franco-argelina na televisão e voltei a torcer para a seleção do goleiro Danijel Subasic, apesar do segundo esse de seu nome ostentar em cima um acento circunflexo de ponta-cabeça, estranheza para a qual meu teclado nem está preparado.

Abri meu Yahoo e recebi de jornalista italiano, correspondente no Irã, “link” para um site de Oslo, na Noruega, informando que o meio-campista Luka Modric foi acusado de cometer perjúrio num acordo financeiro entre ele e Zdravko Mamic, ex-diretor do clube Dínamo Zagreb investigado por fraude fiscal. Irritei-me e, por 48 minutos, voltei a virar francês desde criancinha, condição que descartei logo porque entrou no meu Whats’App, mandada por membro da tribo K’llooo ga kri, no sul da Etiópia, notícia de que o mesmo Modric acusado de mentir à Justiça de seu país doa parte do salário que recebe no Real Madrid para comprar pernas mecânicas doadas a crianças mutiladas em guerra. Depois dessa, só posso ser Croácia, pus fé.

Amigo meu radicado na holandesa Bourtange, porém, me mandou seis vídeos mostrando croatas gozando o Brasil pela desclassificação nas quartas de final. Parodiavam “Garota de Ipanema” e rolavam no chão, mencionando jocosamente nosso camisa 10, com tamanha arrogância que jurei a partir daquele instante empreender grande empenho espiritual para Kyllian Mbappé enfiar quatro gols na final e comemorá-los com dancinha irritante, ao lado de Paul Pogba e Samuel Umtiti. Fui dormir muito francês.

Bateu insônia, liguei o “tablet” para distrair e li texto publicado no Facebook por um monge no alto da montanha Pico de Adão, no Sri Lanka: “A presidente da Croácia, Kolinda Grabar-Kitarović, viajou para a Rússia com dinheiro do próprio bolso”. Gente da política viajando sem atolar a mão na grana do contribuinte? Dado tão impressionante para um brasileiro que só me restou querer bem a esse povo no último jogo do mundial. Agora é sério, não viro mais a casaca, chega, tudo tem limite.

Pensei que seria assim, mas voltei a gritar “avante, azuis” após me emocionar ao ver o Jornal Nacional contar que o volante N’Golo Kanté, quando menino, recolhia lixo nas ruas de Paris. Reiterei o incentivo sonoro ao me lembrar de dois franceses que empreenderam em Itabira: Raoul de Caux, que veio, viu e fez vinho; e Sarah Pauline Charlotte Marie Gayetti, que mudou o nome para Madre Maria de Jesus e fundou o Colégio Nossa Senhora das Dores, educandário que até outro dia tinha o colonizado hábito de tocar a Marselhesa – escutava do meu quintal, quando morei na Penha: “Allons enfants de la Patrie / Le jour de gloire est arrivé!”

“Torcerá para a França mesmo sabendo que o Louvre tem em seu acervo peças originárias de pilhagens da época de Napoleão Bonaparte?”, gritou um anjinho em meu ombro, trajando camisa assemelhada a tabuleiro de damas. “Mas após o cujo se lascar na batalha ali perto de Waterloo, parte das obras foi devolvida aos países”, argumentei, e ouvi: “Você disse bem: parte, não toda. O Egito, por exemplo, nada recuperou. Você, Marcos, como jornalista, tem obrigação de saber que os nazistas se inspiraram nesse militar francês para também saquear obras de arte em países dominados”. Quando abri a boca para novamente confrontá-lo, o diabo do anjinho apelou e me convenceu a canalizar toda energia à seleção dele. “Esqueceu, Marcos, que há galos azuis na camisa da França?” Heréticos galos azuis, nem Francisco de Goya imaginou tamanho horror. Galos azuis, a maior tragédia depois do dilúvio. Fui dormir muito croata.

Situação alterada radicalmente depois que vi, pelo Instagram, na hora do café da manhã, fotografia postada em Kobe, no Japão, de um muro de prédio público pichado em Zagrebe: “Proteja a Floresta Amazônica: queime um brasileiro”. Aí, já sabe, né? Não que eu seja muito influenciável…

Lyon aumentou o preço do pão – viva a Croácia. Em Zadar taxista foi espancado por jovens ultranacionalistas – avante, França. O treinador Zlatko Dalic não quis salário para comandar a seleção – vamos, Croácia. Em Rijeka, berço do lateral-direito Sime Vrsaljko, tremulam bandeiras de cunho racistas – dá-lhe, França. Casa em Montpellier, vi pelo Google Earth, exibe faixa fazendo pilhéria com a matriz africana da seleção de Didier Deschamps – vai, Croácia. Telão em Sibenik mostrou jogadores croatas cantando Bojná Cavoglave, música da banda Thompson, acusada de fazer apologia à organização paramilitar fascista Ustasha, atuante na Segunda Guerra Mundial…

Vai pra lá, volta pra cá, comuniquei à família que nossa televisão será desligada na hora de Croácia x França. Assim, ficarei em paz com minha consciência cívica. Foi aí que Aninha surgiu na sala, vinda do quarto dela, onde penteava sua nova boneca: “O mais repulsivo dos covardes é aquele que, em tempos sombrios, opta pela neutralidade”.

Desconectei todos os plugues, tirei o relógio e fui caminhar, começando a sentir arrependimento por ter torcido para Neymar Júnior, Philippe Coutinho e Gabriel Jesus. Brasil, um dos últimos países que aboliram a escravidão.

Por Marcos Caldeira, d’O TREM ITABIRANO


Roqueiros do mundo, uni-vos! Homenagem a quem gosta do rock!

Neste dia mundial do rock, a todos os grandes artistas do gênero e às senhoras e senhores do blog que curtem.

Na imagem símbolo dos Rolling Stones (sugerida pelo via twitter) e nesta música e show, emblemáticos, ao vivo do Scorpions em Moscou:

Wind Of Change – Scorpions (live in Moscow – With Lyrics)

https://www.youtube.com/watch?v=L4PhDfOthY4


O VAR, o efeito “manada dominante” e a omissão de setores importantes da imprensa nacional

Polêmicas da arbitragem nunca vão acabar no futebol. Nesta foto do Globoesporte.com, o argentino Nestor Pitana, que apitará a final da Copa. Em 2013 ele expulsou Richarlyson no primeiro jogo da final da Libertadores, em Assunção, aos 44 do segundo tempo. Depois disso o Olímpia fez 2 a 0, o que fez muita gente pensar que o título estava perdido. Polêmicas da arbitragem nunca vão acabar no futebol.

***

Meus prezados e prezadas do blog, convido a vocês a uma discussão importante e gostaria de saber o que pensam sobre a bola da vez do futebol mundial: o Árbitro de Vídeo, que foi destaque da Copa da Rússia, tanto quanto os jogadores que mais sobressaíram, as ótimas seleções semifinalistas e o retorno da Inglaterra à prateleira de cima do futebol mundial.

Parece que veio pra ficar. Demorei pra concluir o que penso, exatamente para avaliar prós e contras, depois de uma experiência prática da novidade, consistente, como foi na Copa. Estou há décadas no futebol, como profissional da comunicação, que tem a obrigação de prestar muita atenção em tudo que envolve o mundo da bola. Conclui que, da forma que está implementado, o VAR é apenas mais um mecanismo propício à fabricação de resultados de acordo com os interesses dos eventuais donos do poder, do tal “sistema”. VAR para julgar “interpretação” é o fim da picada. Fosse apenas para esclarecer dúvidas visuais, claras, vá lá, mas dessa forma, resultados de jogos continuarão a ser decididos de forma estranha, muitas vezes em gabinetes e subterrâneos do futebol.

Um dos mais brilhantes advogados do país, Lásaro Cândido da Cunha, mineiro de Patos de Minas, escreveu um artigo no dia três de julho, que vale a pena ser lido. Ajudou-me na minha conclusão sobre o assunto:

* A instantaneidade das comunicações e os reflexos nos debates nacionais no Brasil atual

Por Lásaro Cândido da Cunha

A expansão do sistema de comunicação dos dias atuais, incrementado pela penetração das redes sociais, têm provocado efeitos diretos na atuação nos programas de debates televisivos e radiofônicos, fenômeno que ocorre inclusive em decisões até do Supremo Tribunal Federal – STF.

Com raras exceções, programas jornalísticos de opinião e esportivos, passam a trilhar consensos em interpretações pré-constituídas e acríticas relativamente a aspectos factuais do futebol, da política e até em julgamentos realizados pela Suprema Corte do país.

Nesse cenário, se o time ganha (apenas num exemplo básico), a regra universal é dar eloquência aos esquemas táticos, estratégias e destaque aos jogadores, num efeito manada dominante e arrasador.

Nesses ingredientes, novidades que transformam o torcedor num pretenso detentor do controle do espetáculo, como o VAR, por exemplo, ganha ares de supremacia incontestável, devendo por essa razão ser replicado localmente e de imediato em todos os campeonatos, sendo “irrelevantes” os procedimentos e custos dessa implantação.

Essa voz acrítica não considera que o VAR adotado na Copa do mundo tenha utilizado de pelo menos cinco árbitros para cada partida, além dos assistentes técnicos. Além valer-se de infraestrutura dos padrões impostos para a competição global.

Pouco importa para os formadores em massa da onda de utilização imediata do VAR os custos, quem os assume, os protocolos pertinentes e os modelos de transparência que seriam adequados para o funcionamento da nova tecnologia.

Não ocorrem a essa massa de apoio da nova tecnologia o fato de ser controlado por pessoas não identificadas pelos clubes ou pelo grande público, além dos clubes não terem acesso aos registros dos diálogos para eventual impugnação dos procedimentos.

Tudo isso, sem contar que diversas praças da prática do futebol no Brasil teriam que ser adaptadas para a operação do sistema, elevando assim os custos atuais das partidas de futebol, agregando assim custo para rateio e potencial elevação dos valores dos ingressos, já muito caros para o padrão da economia brasileira.

Todavia, como houve pré-julgamento favorável da maioria pelo uso acrítico da nova tecnologia, principalmente nas redes sociais, então a imprensa em geral, especialmente rádio e TV, sequer ousa lançar luz ou questionar essa “unanimidade”.

Aliás, esse mesmo fenômeno de assumir posição midiática para “atender” aos anseios “populares”, já fez “escola”, chegando inclusive em julgamentos do STF, transmitidos pela TV.

Nesses julgamentos, não tem sido incomum ministros “fundamentarem” seus votos em conceitos abstratos, com utilização de “decisões-espetáculo”, fazendo alusões a justiçamentos e palavras de ordem, em linguagem deliberadamente direcionada ao grande público, que via de regra não tem conhecimento dos pressupostos e das consequências que daí emergem em efeito cadeia em todos os tribunais e juízes pelo país.

Com efeito, em julgamentos televisionados do STF, são comuns ministros promoverem arroubos de eloquência retórica em defesa de “valores coletivos”, chegando inclusive a afrontar direitos e garantias fundamentais, surfando especialmente na onda de um direito penal cada vez mais agressivo, mesmo sabendo que essa fúria punitivista, via de regra, tem potencial para inevitavelmente alcançar as populações mais pobres e vulneráveis da sociedade.

Não é sem razão que o Brasil já ocupa a 3ª população carcerária no mundo, já composta especialmente por excluídos do sistema econômico e social. Sem contar que mais de 40% dos presos estão recolhidos provisoriamente (sem condenação final), além da maioria dessas prisões serem equiparadas a masmorras da Idade Média.

De todo esse momento histórico brasileiro, a mídia impressa ainda ocupa importante papel social de reflexão, escapando um pouco desses “consensos” midiáticos produzidos por essas novas ondas, obtidos especialmente em redes sociais que retroalimentam os atores de debates jornalísticos e desportivos, refletindo incrivelmente até em julgamentos do STF.

Por Lásaro Cândido da Cunha

***

Vale lembrar que atualmente o Lásaro é vice-presidente do Atlético. Foi ele que, na “Era Alexandre Kalil” (junto com outros grandes advogados), tirou o Atlético do atoleiro jurídico no qual o clube vivia historicamente.


Adidas veste a maioria das seleções, mas filé da final ficou com a Nike

A alemã Adidas patrocina 12 das 32 seleções da Copa da Rússia e a Umbro, que pertence a ela veste uma. Mas a Nike, na cola, com 10 seleções, ri por último e é parceira da França e Croácia, que fazem a grande final do domingo. De quebra, de uma delas sairá o melhor jogador da competição.

O francês Kylian Mbappé . . .

ou o croata Modric, em fotos da FIFA.com/Getty Image.

  1. Rússia (Adidas)
  2. Brasil (Nike)
  3. Irã (Adidas)
  4. Japão (Adidas)
  5. México (Adidas)
  6. Bélgica (Adidas)
  7. Coreia do Sul (Nike)
  8. Arábia Saudita (Nike)
  9. Alemanha (Adidas)
  10. Inglaterra (Nike)
  11. Espanha (Adidas)
  12. Nigéria (Nike)
  13. Costa Rica (New Ballance)
  14. Polônia (Nike)
  15. Egito (Adidas)
  16. Islândia (Errea)
  17. Sérvia (Puma)
  18. França (Nike)
  19. Portugal (Nike)
  20. Argentina (Adidas)
  21. Colômbia (Adidas)
  22. Uruguai (Puma)
  23. Panamá (New Ballance)
  24. Senegal (Puma)
  25. Marrocos (Adidas)
  26. Tunísia (Uhlsport)
  27. Suíça (Puma)
  28. Croácia (Nike)
  29. Suécia (Adidas)
  30. Dinamarca (Hummel)
  31. Austrália (Nike)
  32. Peru (Umbro)

A montagem e desmontagem do caro circo de patrocinadores da Copa

Quatro dias antes da abertura da Copa a principal via de acesso aos portões das autoridades e imprensa no estádio Luzhniki estava desse jeito, com a montagem dos gigantescos stands dos patrocinadores locais do Comitê Organizador.

Quem via pensava: será que vai dar tempo? Mas 24 horas antes, estava tudo pronto e funcionando, inclusive a loja de souvenir com produtos da Rússia 2018.

A estatal Gazprom (a “Petrobras” da Rússia), maior fornecedora de gás do mundo.

Wanda, parece nome de “puteiro”, mas é um conglomerado chinês, dos maiores grupos empresariais do mundo, com empreendimentos imobiliários, redes de lojas, hotéis de luxo e a maior cadeia de cinemas do mundo, detém 6% das telas de filmes comerciais na China, e em torno de 13% nos Estados Unidos.

A Coca-Cola foi o primeiro grande patrocinador a se unir à FIFA, no Brasil, na Copa de 1950, quando nem existia esta fórmula de patrocínio nas competições esportivas.


Para milhões de fumantes, milhares de “fumódromos” e lixeiras para quem gosta

Fuma-se muito na Rússia e assim como em quase todo o mundo a prática é proibida em ambientes fechados.

Para quebrar o galho dos fumantes inveterados há muitos “fumódromos” espalhados pelas cidades, em especial Moscou, como este, ao lado do Hotel Radisson.

Nos pontos de ônibus e praças, lixeiras forradas com areia, como essa, são disponibilizadas aos milhões de homens, mulheres e adolescentes fumantes.


Minas Gerais na Rússia: as traves da Copa são feitas com minério de Itabira. E como dói!

A coluna do Marcos Caldeira, d’O Trem Itabirano: 

*”(A Eurocopa do Mundo vista do meu sofá)”

A TRAVE DA COPA É FEITA DE MINÉRIO, DIZ VALE.

VOU ALÉM: HÁ UM PEDACINHO DE ITABIRA NÃO SÓ

NA RÚSSIA, MAS EM CADA CIDADE DO MUNDO

Recebi da empresa Vale um vídeo institucional no qual lembra a presença de produtos trabalhados pela companhia nos estádios da Copa do Mundo, construídos com estruturas metálicas, e, sobretudo, na parte que mais gera emoção no futebol: as traves. Para ficar em torno do próprio umbigo, a mineradora economizou na análise. Dá para escavar um pouco mais o assunto e dizer que há pedacinhos de Itabira não apenas nos estádios da copa, mas em praticamente todas as cidades do mundo. O minério extraído no solo itabirano há 76 anos se transforma em utilidades para povos de todos os países: pregos, tesouras, camas hospitalares, talheres, ferragens de prédios, peças de automóveis, de computadores e de navios, alfinetes, armas e outras dezenas de milhares de produtos fabricados com ferro. No extinto bar Cinédia, os mais ébrios lembravam, ufanisticamente, que há pedaços de Itabira até na Lua, em restos de foguetes lá deixados por astronautas. Impossível mencionar essa grandeza sem evocar a épica dívida social e ambiental da Vale com Itabira, sua cidade-berço. Mineração é atividade destruidora demais, estraçalha tudo. Polui violentamente o ar, jogando veneno nos pulmões de todos; causa assoreamento de córregos; esgarça culturas ao apagar bairros inteiros em desocupações de áreas a minerar ou perto de minas em atividade; provoca migração desordenada, criando favelização e pressionando os serviços públicos; esteriliza solos; cria risco de catástrofes épicas, como a que desgraçou Mariana, aquela avant-première do apocalipse vista em 2016; estupra a paisagem, prejudicando a autoestima de um povo; suga a água mais fácil, obrigando o município a captar o líquido em lugares mais difíceis, o que encarece o produto ao consumidor, entre outros problemas graves e gravíssimos. Então, é melhor não minerar, perder os empregos, deixar a população sem os benefícios da atividade e fazer traves de pau? Claro que não! Não se defende a paralisação do setor, mas que os municípios minerados sejam recompensados com justiça. Estudos do Banco Mundial e da Comissão Econômica para a América Latina são unânimes neste ponto: a tributação sobre a mineração no Brasil é muito baixa, se comparada com a de outros países. Na Austrália, o royaltie do minério é de 7%; no Canadá, 9%. No Brasil, era de 2% sobre o faturamento líquido e só este ano passou para 3,5% sobre a arrecadação bruta.

CROÁCIA: OS QUADRICULADOS ALVIRRUBROS

QUEREM ENTRAR PARA O CLUBE DOS OITO (mais…)


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