Blog do Chico Maia

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Ecos do passado: Califórnia, Copa dos Estados Unidos’1994, com a repórter que informou em primeira mão que Ronaldo não era mais do Cruzeiro

O mestre Rogério Perez entre Orlando Augusto (esquerda), eu e a Fabíola Colares, em Pasadena, dois dias antes da final da Copa, em que o Brasil sagrou-se tetra-campeão, vencendo a Itália nos pênaltis.

Viajando, mexendo em velhos arquivos de antigos “pen-drive” encontrei essa foto. Que prazer e que aprendizado, de jornalismo e da vida, eu tive com esses aí. Felizmente, todos bem de saúde, curtindo a vida da melhor forma. Com a mudança de direção da Rede Minas, Orlando passou  comando do Meio de Campo (programa dos domingos à noite) e, grande baterista que é, continua com as suas bandas de MPB e Rock, fazendo shows em Belo Horizonte e interior.

Fabíola foi a jornalista que informou em primeiríssima mão, durante a Copa dos Estados Unidos, que Ronaldo estava vendido pelo Cruzeiro ao PSV da Holanda, revelando inclusive os valores. O então presidente César Masci a chamou de mentirosa, “ondeira” e a proibiu de entrar na Toca da Raposa. Terminada a Copa, Ronaldo se apresentou ao time holandês. Não retornou a Belo Horizonte nem para buscar as roupas. Ela mudou-se para Fortaleza, onde continua jornalista e atuando também no comércio.

Rogério Perez quer saber só de viver a vida da melhor forma, visitando os amigos, comendo e bebendo o que gosta nos bares que sempre frequentou e dando aulas informais sobre futebol e obviamente jornalismo, nas rodas de conversa.


Pela TV, sucesso a Vadão, Marta e cia., em Le Havres contra as donas da casa

Nos sites de apostas está dando França com 71%, empate 19% e Brasil 10% com a rola rolando, domingo, a partir das 16 horas, horário brasileiro, no Stade Océane em Le Havre, que tem capacidade para 25 mil pessoas e é utilizado pelo time do mesmo nome da cidade, que disputa a segunda divisão da Franca. Assistirei pela TV, já que estou retornando a Belo Horizonte. A nossa troca de ideias sobre a Copa feminina passa a ser de Minas, com fotos, informações e comentários sobre o dia a dia vivido em Paris, Lyon, Grenoble e outras cidades por onde passei nas duas últimas semanas. Ótimas experiências.

Como nessas estradas de Paris a Grenoble: 570 Km, dois pedágios salgados, totalizando 43 euros (R$ 198)…

… mas altamente compensatórios, por excelentes pistas de rolamento, sinalização, segurança…

… comunicações…

… ótimos postos de abastecimento e lojas de conveniência.

E visual de castelos (como este, de Chateauneuf, na rodovia A6, a 188 Km d Lyon) e outros atrativos pelo caminho.


Considerada “azarã”, seleção feminina do Brasil vai pegar a França; EUA e Alemanha são as maiores favoritas ao título

Falar de Copa do Mundo de futebol feminino me proporciona mais um ganho cultural. Alguém sabe me dizer o feminino de azarão? Pois é! Sem tempo para consultar meus mestres em nosso tão maltratado idioma (Marcos Barbosa, Waldemar Carabina, Dona Celina e Dona Valeriana), chutei no título do post “azarã”, com quase 100% de chances de ter errado, mas… texto que segue!

De acordo com todas as previsões, uma conquista da seleção brasileira seria “zebra”, porém, possível. Pela ordem, Estados Unidos, Alemanha, Noruega e França são as maiores favoritas.

Chegar às oitavas já foi uma conquista brasileira na Copa feminina. Vai pegar a França, anfitriã e embalada pela torcida e pelo bom time que tem. Passar às quartas de final seria uma glória e teria a favorita seleção dos Estados Unidos ou a Espanha (também correndo por fora), pela frente.

Depois do fim da terceira rodada da primeira fase, os próximos confrontos serão, em horário do Brasil:

sábado, Alemanha x Nigéria em Grenoble, 12h30.
Em Nice, 16 horas, Noruega x Austrália.

No domingo, 12h30, Inglaterra x Camarões em Valenciennes.

Às 16, Brasil x França, em Le Havre.

Segunda-feira, 13 horas, Espanha x EUA em Reims; às 16, Suécia x Canadá em Paris.

Na terça-feira, Itália x China, 13 horas em Montpellier; às 16, Holanda x Japão em Rennes.


Quando países como Brasil e Argentina estão com seleções ruins e inconfiáveis o problema está no comando do time

“Así juega la Selección Argentina, Messi llevando la pelota, ocho futbolistas paraguayos cerca y escalonados para impedirle accionar. Un argentino 25 metros a la derecha y otro a unos 15 arreglándose las medias.” 

A frase é do Jorge Barraza‏, grande jornalista e escritor argentino, também aflito com a situação de Messi, que tem que carregar sozinho o piano dos “hermanos”, que assim como o Brasil está com um time irreconhecível, inconfiável, apesar de grandes jogadores à disposição dos respectivos treinadores. É inacreditável e inaceitável ver uma seleção dessas na quarta posição em seu grupo, correndo risco de não passar da primeira fase de uma Copa América de baixíssimo nível técnico. Quando países de tradição de qualidade no futebol não têm seleções competitivas, seguramente que o problema é o comando ruim, incompetente para a função. Na Argentina este aspirante Lionel Scaloni não está sabendo aproveitar a oportunidade de ouro que está tendo. No Brasil, Tite parece ter sido atraído pelo “canto da sereia”, saiu do feijão com arroz e personalidade firme que o consagraram, para inventar taticamente e fazer convocações difíceis de explicar. Uns “velhos” que não terão condiçõeS físicas de jogar a próxima Copa e uns desconhecidos de futebol duvidoso para estar numa seleção brasileira. Voltando a Jorge Barraza, sabe tudo do futebol sul-americano e vale a pena segui-lo. O endereço do twitter é este: @JorgeBarraza


Na Copa América as dificuldades de sempre no acesso aos estádios, na Copa feminina na França, tranquilidade absoluta

O Boulevard Périphérique (anel rodoviário de Paris), passa debaixo do Parque dos Príncipes e tem 35 Km de extensão.

Lendo sobre os problemas de sempre do acesso dos torcedores aos estádios onde está sendo jogada a Copa América, bate de novo aquela frustração de ter consciência que no Brasil sempre foi assim, até para jogos com pouco público. Trânsito péssimo, filas demoradas e confusão para se entrar no estádio. Exatamente o contrário do que ocorre na Copa feminina na França.

Quando você desce do trem do metrô já bate o olho na ótima sinalização que te guiará até os portões de entrada.

Como o complexo de quadras de Roland Garros é vizinho do Parque dos Príncipes, a sinalização é mais detalhada ainda. Dentro e principalmente fora das três estações de metrô que atendem a estes destinos.

Do outro lado da rua e arredores, bares funcionam normalmente,

Lado a lado a imponência e o belo visual do estádio de futebol e o ginásio poliesportivo, como se fosse o Mineirão e o Mineirinho, porém mais próximos, separados apenas por uma rua.

Único defeito que observei é que os dois telões internos são bem pequenos para o tamanho do estádio

… quase imperceptíveis.


Raça feminina argentina entrou em campo contra a Escócia e saiu de um 3 x 0 para 3 x 3 em 20 minutos

Fotos FIFA

Que belo jogo entre Argentina e Escócia pelo Grupo D da Copa feminina da França, no Parque dos Príncipes. Bem dentro das características de raça e determinação portenhas as argentinas perdiam de 3 a 0 e as escocesas achando que a fatura já estava liquidada, com festa e ironia da torcida nas arquibancadas. Isso até os 28 minutos do segundo tempo, quando saiu o primeiro gol argentino. Aos 33 o segundo e aos 46 a árbitra acionada pelo VAR deu um pênalti para a Argentina, que desperdiçou, mas o VAR alertou que a goleira escocesa se adiantou para fazer a defesa. Nova cobrança e o terceiro gol argentino, para a euforia geral do país e a remota esperança de se classificar como terceiro no grupo, com apenas dois pontos. Remota, mas possível.

As escocesas se acomodaram  com os 3 a 0 e não conseguiram segurar a reação argentina


Copa feminina da França tem sido boa “matéria prima” para o jornal Charlie Hebdo

On va en bouffer pendant on móis: “Nós vamos comer durante um mês”

O jornal Charlie Hebdo não afinou e não mudou a linha editorial depois do terrível atentado que sofreu em janeiro de 2015, que resultou na morte de 12 pessoas. Continua crítico e gozador a tudo que lhe dá vontade e se mantém em alta na venda de bancas de Paris e nas maiores cidades da França.

Claro que não perderia a oportunidade de tirar sarro da Copa do Mundo feminina, como nessa capa (da foto que ilustra este post), e no debate sobre os protestos de jogadoras que defendem a igualdade salarial com os homens.

E nessa charge, onde ironiza a norueguesa Ada Hegerberg, que boicotou a Copa, em protesto, exigindo paridade salarial. O jornal até concorda que o salarial seja igual a de um Ribery, mas quer que o futebol dela seja o mesmo do Franck Ribéry.

Aliás, sobre estes protestos reivindicatórios, duas opiniões manifestadas, no blog e no facebook/chicomaiablog:

João Bosco , de Governador Valadares, no facebook:

* “Gente sem preconceitos, mais futebol não é coisa pra mulher,é um esporte muito complicado ,e também acho que esses jogadores masculinos não vai arrumar nada em qualquer competição .”

***

Tonico Dias, no blog:

* “Não concordo com este tipo de protesto. O foco não tem que ser o quanto o outro ganha, mas o quanto eu produzo. Vamos cruzar os braços aqui no Brasil e exigir um salário médio nas empresas de 3.700,00 dólares mensais (algo em torno de R$ 14.277,93), com jornada semanal de 30 horas, como acontece na Noruega. Ou então de 4.600,00 dólares (algo em torno de R$ 17.800,00), pagando 23% de imposto médio, como acontece nos Estados Unidos. Nossa realidade é a mesma deles? Não é por aí… Esta “vitimização”, este “auto-sexismo”, não engrandecem na minha opinião. Pratiquem um futebol (jogo, técnica, física, transmissão) voltado para o universo feminino, vendam produtos no mundo inteiro gerando mais receita que o futebol masculino e terão, certamente, vencimentos maiores que os homens. Mas façam isto por Lei de Mercado e não por imposição.”


A decadência do nosso futebol, dentro e fora de campo

Filho e auxiliar do Tite, durante o empate com a Venezuela.

Copa América no país. Dentro das quatro linhas a seleção da CBF ganhou com dificuldades da Bolívia e empatou sem gols com a Venezuela. As duas piores seleções da América do Sul. O conceituado jornalista e escritor argentino, Jorge Barraza‏, twittou depois do 0 a 0 de ontem: @JorgeBarraza “Los más indignados con el VAR son los hinchas de los equipos que durante 80 años se robaron decenas de campeonatos. Para los otros es una bendición. Hoy el árbitro, sin VAR, hubiese validado los 2 goles de Brasil, pero la cabina lo fiscaliza, no puede hacer cualquier cosa.”

Não sei se durante 80 anos, mas, dos anos 1980 para cá, lembro-me de muitos jogos em que a seleção brasileira foi ajudada pelas arbitragens. A mais escandalosa foi pelas oitavas de final da Copa do Japão/Coréia2002, contra a Bélgica. Em 17 de junho eu estava lá no Wing Stadium de Kobe/Japão e vi o árbitro jamaicano Peter Prendergast anulando gol de cabeça do Wilmots, sob o argumento de ele cometera falta no zagueiro Roque Junior. Só o jamaicano enxergou essa falta. Se houvesse VAR o gol teria sido validado. Uma vergonha. O time belga mandava no jogo e a partida estava zero a zero.

Fora de campo, fatos sintomáticos que mostram porque não evoluimos, começando pela falta de renovação de quem manda em nosso futebol. Os chefões que mandavam na época dos 7 a 1 da Alemanha foram afastados oficialmente do poder pelo FBI e pela justiça brasileira, mas escolheram seus sucessores, que estão lá.

O país criou até leis anti-nepotismo, que são dribladas nos poderes públicos. No futebol, que é privado, mas que também é público, o bom senso deveria prevalecer e os exemplos deveriam vir de cima. Aí leio o jornalista gaúcho Marcos Bertoncello: @mbertoncello: “Repórter: “Você não acha antiético ter seu filho como auxiliar na Seleção? É um bom exemplo para a sociedade brasileira?” Tite: “Tenho muito orgulho da capacidade do Matheus. Ele tem condições para a posição na qual está. E foi campeão brasileiro no Corinthians comigo.”

Fica a pergunta: para quê isso Tite? Desgaste desnecessário para os dois e para a seleção. Ele poderia estar seguindo o caminho dele em qualquer grande clube, já que é competente, e até chegar à seleção pelo próprio trabalho, em outro momento. Mas…

Pra concluir, o ex-goleiro e atual treinador da Venezuela, reclamou da organização brasileira da Copa América, começando pelo gramado, como fez o técnico da Argentina semana passada e disse mais: “Quando vamos para uma Copa no Brasil, imaginamos o melhor cenário possível, mas fomos surpreendidos. A estrutura logística e de hotéis não está à altura de uma Copa América, muito menos no Brasil. É uma crítica construtiva.”

Continuamos mal, e há espaço para piorar mais.


A seleção brasileira foi entrega total neste 1 a 0 sobre a Itália, em sua melhor exibição na Copa

A melhor em campo dessa vez foi Debinha, que abriu a defesa italiana com a sua movimentação e obrigou a goleira italiana a fazer belas defesas. Sofreu o pênalti que garantiu à Marta marcar seu 17º gol em Copas e entrar para a história como a maior artilheira da competição, em suas oito edições.

Sem dúvida que este grupo C foi o mais equilibrado do Mundial: três seleções com seis pontos, muitos gols e a classificação da terceira colocada

Nas condições ruins de preparação e com o descrédito em que entrou na Copa, a classificação para as oitavas de final já é um grande feito. O que vier daqui pra frente é lucro.


O que esperar dessa Copa da França, da discussão sobre igualdade de direitos das mulheres

Considerada “fenômeno” do futebol feminino, a norueguesa Ada Hegerberg (em foto do site do Lyon), aguardou resposta até a chegada da Copa, se a premiação da seleção das mulheres seria igualada à dos homens.

A Noruega tem uma das três mais fortes seleções femininas do mundo. Como a resposta foi negativa ela se recusou a disputar o Mundial da França, em protesto. Ada é a detentora da Bola de Ouro, prêmio da revista “France Football”, autora de três gols na última final da Liga dos Campeões, que deu o título ao Lyon. Ausência mais lamentada nessa Copa.

Além do sucesso de público e mídia mundial, esta Copa feminina da França está servindo de palanque para manifestações pela igualdade e ascensão das mulheres no futebol e outras atividades profissionais e sociais. Certamente os efeitos não serão imediatos, mas o simples debate levantado serve como semente para conseqüências positivas no futuro.

Antes da abertura, em sete de junho, a mídia francesa estava dividida quanto à saída da seleção feminina do país, do famoso Centro de Treinamento Clairefontaine em Paris, para dar lugar à seleção masculina, atual campeã do mundo, que estaria se preparando para jogos das Eliminatórias da Eurocopa2020, contra Andorra e Albânia. As feministas protestaram, dizendo que aquilo era uma ofensa. Porém, aquela mudança já estava programada há tempos e a FIFA soltou comunicado oficial informando que os locais de treinos e hospedagem das 24 seleções participantes da Copa, eram determinados por ela, a partir daquela data. A concentração programada para a seleção feminina francesa era um resort, definido desde o fim de 2018.

Na comemoração do gol contra a Austrália, Marta, que é embaixadora global da ONU Mulheres, mostrou a chuteira com o símbolo pela igualdade profissional com os homens. Bem antes do começo da Copa, também as jogadoras dos Estados Unidos (maiores favoritas ao título) entraram na justiça contra a Federação norte-americana de futebol, exigindo igualdade salarial e condições trabalhistas idênticas à da seleção masculina do país.

Com estádios quase todos lotados, cobertura da imprensa e audiência recorde nas TVs de todo o mundo, essas discussões e protestos provocam o debate em todos os países, até nos mais radicais, por causa das tradições e religiosidade, como árabes e asiáticos. Inevitavelmente progressos e conquistas das mulheres virão na sequência dessa Copa, no devido tempo, em cada região do planeta.


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