Blog do Chico Maia

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Destaque para Guga, Jair e Leo Silva na vitória do Galo em Poços; árbitro também se destacou, negativamente

O jogo foi até bom, apesar da transmissão horrorosa da TV, que no intervalo, em vez de mostrar os melhores momentos, pôs no ar aquela figura esquisita do “diretor geral” do Flamengo, chamado de CEO pela imprensa. Conversa mole danada, que além de tudo, não permitiu perguntas dos repórteres lá presentes. Então pergunto aqui: quem deveria estar preso neste momento pela morte dos 10 garotos, queimados ou intoxicados, no Ninho do Urubu? Ele ou o presidente Rodolfo Landin? Que aliás, era quem deveria estar diante dos jornalistas se explicando.

Voltando ao 1 a 0 do Galo, Levir Culpi teve o bom senso de por o time B em campo, que deu conta do recado. Aquele time C que perdeu para o Tombense é um filet para qualquer adversário. Com o gol do Leonardo Silva logo aos cinco minutos a Caldense partiu pra cima e esbarrou numa boa marcação do sistema defensivo, começando pelo Jair, melhor do Galo até ser expulso, no segundo tempo. Tinha tomado um cartão amarelo, injusto (diga-se), no primeiro tempo. Aliás, o Igor Junio Benevenuto (Troféu Guará do apito 2018) não estava numa tarde feliz. Deixou o Jean, da Caldense, bater à vontade, até que o técnico Zezito o tirasse do jogo, prevendo uma expulsão iminente. E quando a Caldense estava com um a mais, apertando o Galo, expulsou sem amarelo prévio o melhor jogador do time, Carlinhos, por uma entrada dura no Maidana.

Valeu também para ver outra grande atuação do Guga e do goleiro Clayton.


Assim como nos casos da Vale e Samarco, será que ninguém será preso pelas mortes no Flamengo?

Imagem: veja.abril.com.br/brasil/quem-sao-as-vitimas-do-incendio-no-ct-do-flamengo/

Por falta de alvará, CT do Fla foi multado 30 vezes e lacrado por prefeitura – Alojamento no centro de treinamento pegou fogo; 10 pessoas morreram”

Essa manchete, que está em quase todos os jornais, portais e demais veículos de imprensa do país, já diz tudo quanto a responsabilidades, crimes, prevaricações  e omissões cometidos nesta situação que teve 10 mortos como consequência.

E imaginar que o Bandeira de Mello, presidente do Flamengo até o fim de 2018 era destacado por toda a imprensa como um grande gestor. Sim! Economista, administrador, conhece tudo de números, “choque de gestão”, corte de gastos, aumento de faturamento. Arrumou as finanças, se esqueceu que o clube é constituído por seres humanos e que jogador de futebol é o maior patrimônio, principalmente os da base, que são o futuro, de onde saem muitos que vão garantir a alegria de milhões de torcedores e também fortunas aos cofres do clube.

Bandeira modernizou e ampliou o Ninho do Urubu, tornando-o um dos melhores do país, onde foram instalados os jogadores profissionais. Os rapazes da base ficaram no antigo e seriam transferidos para o novo quando ficasse pronto. Seriam!

Ouvi o Eduardo Costa dizer na Itatiaia que a atual diretoria da Vale, tão logo assumiu, cortou 44% dos gastos com segurança. Pra sobrar mais dinheiro pra mandar para os acionistas e aumentar os bônus da própria diretoria. Pois é! Para determinado tipo de executivo só o lucro e a soberba interessam. Gente e seres vivos em geral são detalhes, acessórios.

A atual diretoria assumiu no dia 19 de dezembro de 2018. O presidente eleito Rodolfo Landim foi aliado do antecessor até agosto de 2015, quando houve um racha político e Bandeira de Melo exonerou a sua diretoria todo o grupo ligado a ele e que o ajudou a se eleger em 2013 e comandar o clube até então. (mais…)


São Paulo levou mais cartolas e cornetas do que jogadores para assistir a derrota na Argentina pela Libertadores

Guinãzu, 40 anos de idade, carrasco do São Paulo na Libertadores de 2010, jogando pelo Internacional, voltou a se destacar contra o time paulista na vitória de 2 a 0, quarta-feira.

Fala-se muito que o futebol está cada vez mais caro e é verdade. Porém, o elevado custo não é por causa apenas do que deveria ser, que é a qualidade do espetáculo, a qualidade dos atletas e demais profissionais envolvidos. A cartolagem e cornetas inúteis aumentam em muito, desnecessariamente estes valores.
A imprensa raramente entra neste importante tipo de assunto. O torcedor da maioria dos grandes e médios clubes nem sonha que além das mordomias para cartolas e cornetas, há funcionários, aspones demais empregados, com ótimos salários em todos os muitos departamentos inventados para abrigar apadrinhados das cúpulas. É o jogo político, que garante a quase perpetuação de muita gente no poder dos clubes, federações e CBF. E o torcedor banca tudo.
Essa reportagem da Folha de S. Paulo e Globoesporte.com foi publicada antes da derrota do São Paulo 2 a 0 para o Talleres, em Córdoba, em que o veterano Pablo Guiñazú, mostrou a velha garra e foi muito importante para a vitória:

* “São Paulo leva mais conselheiros que jogadores para partida na Argentina – Presidente do clube convidou cerca de 25 conselheiros para viagem do time”
O presidente do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, convidou cerca de 25 conselheiros do clube para a viagem a Córdoba, na Argentina, onde o time perdeu nesta quarta-feira (6) para o Talleres, por 2 a 0, pela segunda fase da Libertadores. As informações são do site globoesporte.com.
O número de conselheiros no voo é próximo ao de jogadores relacionados para a partida. No total, 22 atletas estavam no voo para a Argentina. (mais…)


Até quando? Enquanto vivermos no Brasil

Hoje bem cedo toda a mídia falava de remoção de famílias em Barão de Cocais, sob risco de rompimento de mais uma barragem, também da Vale; outra em Itatiaiuçú, da Arcellor Mital, devido a risco semelhante. Na semana em que foram soltos os detidos envolvidos na explosão de Brumadinho, E nenhum diretor da Vale, nem da Samarco, preso!

Escrevi este artigo ontem:

Os antigos manuais de redação das escolas de jornalismo recomendavam que fossem evitados jargões e frases feitas. Pois, até nisso Minas e o Brasil regrediram. Está na moda, jornalistas de rádio, jornal, televisão e internet perguntar: “Até quando?”, para manifestar espanto, repúdio ou indignação. Mas, usam tanto, que estão banalizando, mais ainda, este surrado jargão. Mais um crime da Vale, mais escândalos envolvendo os legislativos e executivos, mais suspeição e omissão do judiciário, mais impunidade, mais violência, mais tragédias, etecetera, etecetera e etecetera…

A imprensa deveria é mudar o foco e em vez de ficar perguntando “até quando” a cada acontecimento negativo, esmiuçar o que faz com que o Brasil seja sempre assim. Parece que está em nosso DNA, desde a chegada das caravelas de Pedro Álvares Cabral. O compadrio, o jogo de empurra, a transferência de responsabilidades, a cumplicidade tácita entre quem se encontra no comando dos poderes formais e informais, em todas as esferas e instâncias. Os veículos de comunicação incluídos.

Em 28 de novembro de 2016, quando caiu o avião da Chapecoense causando a morte de 71 pessoas o jornalista Milton Neves disse que “solidariedade tem prazo de validade”, prevendo que depois que passasse aquela comoção nacional a imprensa e o mundo deixariam o assunto esfriar e a vida seguiria sem que os responsáveis fossem responsabilizados. As famílias das vítimas ficariam com a sua dor, prejuízos materiais e a frustração por serem incluídas em mais uma estatística da falta de justiça no Brasil. O crime que resultou em 242 mortos na Boate Kiss, em Santa Maria-RS, no dia 27 de janeiro de 2013 foi relembrado na época, também sem nenhum (ir) responsável punido. Dois anos depois viria o rompimento da barragem da Samarco/Vale, de Bento Rodrigues, em Mariana, 5 de novembro de 2015. “Apenas” 19 mortos, o Rio Doce, afluentes e incontáveis animais, até o mar, no Espírito Santo. Agora, passadas duas semanas do maior dos crimes, em Brumadinho, que poderá resultar em torno de 300 mortos, a comoção geral começa a dissipar e a sensação de outra vergonhosa impunidade começa a tomar conta. Soltaram os bagres detidos como bodes expiatórios, nem o presidente da Vale e nenhum diretor preso. E começou a embromação na justiça para (não) indenizar as milhares de vítimas.


Parecia jogo de campeonato mineiro de um nível superior, e o Galo desperdiçou

Era a chance de voltar com uma boa vantagem de Montevidéu. Adversário fraco, sem pressão da torcida local, muito pelo contrário (parecia haver mais atleticanos que uruguaios nas arquibancadas) e gramado muito bom.

O grande problema do time continua sendo o sistema defensivo, já que o ataque continua fazendo gols. No primeiro empate do Danúbio a defesa foi recuando até permitir que os uruguaios chegassem dentro da pequena área, na cara do Vitor. No segundo, uma antiga falha de posicionamento da zaga. Mesmo grandalhões, Rever e Igor Rabello permitiram a cabeçada que tirou o que seria uma vitória animadora nessa arrancada da Libertadores.

O jogo da volta será aquela dureza, com a qual a torcida está acostumada, e os gritos de “eu acredito”. Mas, também acredito!


Mesmo morando há dois anos em Belo Horizonte Thiago Neves ainda não conhece Minas nem os mineiros

Último segundo/IG/Twitter

Thiago Neves chegou a Belo Horizonte no dia 16 de janeiro de 2017 para trabalhar e morar na capital mineira. Neste tempo ainda não conheceu Minas e nem os mineiros. Se algum dia na vida ele passar por algum infortúnio profissional, e ou, pessoal, certamente terá o apoio, a solidariedade e acima de tudo o respeito de todos nós, independentemente do time para o qual torcemos, e da cidade brasileira ou do mundo em que ele estiver morando.

A sandice que ele escreveu em rede social hoje foi repudiada em todo o país. Pediu desculpas e virou manchete como essa do jornal O Lance:

* LANCE!

“Thiago Neves pede desculpas por postagem sobre Brumadinho”

“Galera, peço sinceras desculpas pela infelicidade do último story que fiz. Na intenção de brincar com o rival, não percebi naquele momento que estava excedendo os limites e que isso poderia chatear tanta gente. Quando tudo aconteceu, nos sensibilizamos imensamente com a tragédia e buscamos todas as formas de ajudar p/ minimizar os danos irreparáveis, causados em Brumadinho. Hoje errei, e fica aqui meu pedido de perdão pela postagem de mau gosto.”


Patrocinense segurou o América e manteve invencibilidade em casa

Nas redes sociais o América comemora o 0 a 0 em Patrocínio. “Ponto importante fora de casa. Seguimos na liderança e em busca da evolução!”. Não vi o jogo. Com calor intenso e a força do Patrocinense em casa, onde não perde há 21 jogos, pode até ser, mas a luta pelo primeiro lugar se acirra com o Cruzeiro, com o mesmo numero de pontos e o Galo logo atrás. Pelo que ouvi do Leo Figueiredo, na Itatiaia, Matheusinho e Marcelo Toscano, os mais decisivos do time não estavam inspirados hoje.


Torcida do Cruzeiro escolhe Orejuela como melhor em campo; estreantes também foram bem no filet contra o Villa

Foto: 

Com calor de murchar folha de zinco em Nova Lima a ordem era jogar para o gasto contra o lanterna do campeonato. E assim foi feito. O Cruzeiro fez os gols quando quis, em domínio absoluto da partida do princípio ao fim. Rodriguinho e Dodô estrearam bem, mas na enquete promovida pelo twitter do Cruzeiro o lateral Orejuela está disparado na frente como melhor em campo, depois de 3.694 votos. Gostei também do que jogou o Rafinha, mas o colombiano merece estes votos. Joga muito realmente. A votação continua:

Cruzeiro Esporte Clube‏ @Cruzeiro

Agora é a hora da Nação Azul escolher o melhor jogador em campo no jogo de hoje:18% Fred

11% Rafinha

44% Orejuela

27% Marquinhos Gabriel


Conhecendo mais sobre o artilheiro Guará, que virou troféu de honraria aos melhores de todos os anos

Da esquerda para a direita o ex-craque e depois técnico Said Paulo Arges, Quirino, Guará e Kafunga em 1939

Déa Januzzi é um dos grandes nomes do jornalismo brasileiro e filha de um dos maiores mitos do nosso futebol, o “Guará”, quarto maior artilheiro da história do Atlético, apesar da curta carreira, abreviada por um traumatismo craniano em jogo contra o Cruzeiro.

Na coluna dela de hoje, na contracapa do caderno Bem Viver, do Estado de Minas, ela presenteia aos leitores com ótimas histórias sobre Guará e o drama vivido por ele e família após o acidente dentro do gramado do Estádio Antônio Carlos, onde hoje é o Diamond Mall. Histórias aliadas ao texto saboroso que ela tem, o que torna a leitura imperdível.

Tive o privilégio de ser amigo do irmão dela, o saudoso Luiz Carlos Januzzi, nesta foto à esquerda do Emanuel Carneiro (da Itatiaia) e do jornalista Rogério Perez (na época editor do Hoje em Dia), na entrega do Troféu Guará em 1995, ainda quando era realizada no auditório da CDL, na Avenida João Pinheiro. Luiz foi um ótimo jogador do Democrata de Sete Lagoas, onde morou durante a maior parte da vida, até morrer em maio de 2014.

* “PERIGO LOURO”

(Déa Januzzi – Estado de Minas)

Motivos para comemorar e relembrar em 2019: 100 anos de nascimento, 40 de morte, 56 de Troféu Guará, 80 da cabeçada fatal que tirou o ídolo dos gramados

Um homem de hábitos simples, com a mania de fechar portas e janelas duas, três vezes. De conferir chaves e trancas.

Um homem que só andava a pé ou de ônibus. Nunca teve carro. Nunca aceitou carona. Nem dos genros. Preferia caminhar, como se quisesse conferir a sua popularidade. Apertava a mão de um, acenava para um conhecido, abraçava um amigo. Conversava com todos, sem discriminação ou preconceito.

Um homem singular, que ouvia os jogos do Clube Atlético Mineiro no mais profundo silêncio. Não se manifestava, mesmo se o time de sua devoção estivesse ganhando ou perdendo. Não gritava gol. Nem xingava. Mas o rádio em cima da geladeira denunciava uma paixão antiga pelo Atlético. Não perdia uma partida. Identificava-se com alguns jogadores em especial. Mas era comedido nas palavras e nos elogios.

Preferia a voz dos locutores de rádio, o meio de comunicação de massa que o consagrou. Na televisão, só a imagem do jogo, do gramado, das redes tremendo na hora do gol. O rádio era a testemunha de seus dias de glória.

Nunca acumulou fortuna. Recusou até um terreno no Bairro de Lourdes, que o Atlético pagara de luvas. Filho do italiano Miguel Januzzi e da espanhola Rosa Otero Januzzi, que andava sempre de coque e de xale, Guaracy Januzzi veio de Ubá, na Zona da Mata, ainda menino, para jogar no Clube Atlético Mineiro. Seu apelido em família era Guara, sem acento, mas assim que chegou a Belo Horizonte, a imprensa mineira, ainda vítima de muitos erros gráficos, acentuou sem querer o nome daquele que seria um dos quatro maiores artilheiros do Atlético de todos os tempos: Guará.

Nasci muitos anos depois daquele trágico 4 de junho de 1939, quando Atlético e Palestra Itália – hoje Cruzeiro – se enfrentavam pela segunda rodada do campeonato da cidade. Um dia que marcaria o fim de uma carreira brilhante, o dia em que a estrela do centroavante Guará se apagou – e ele teve que se afastar, definitivamente, dos campos de futebol.

Mas, antes de contar sobre a cabeçada fatal, preciso urgentemente dizer que convivi com o homem Guaracy Januzzi, meu pai, que tinha a aura dos ídolos imortais, masque lutou muito para criar os cinco filhos – Vera, Luiz Carlos, Rosina, Déa e Kátia. Tentou de tudo depois daquele trágico acidente. Vendeu tabletes de doce de leite Virgínia, bilhetes de loteria, fez Livro de Ouro, escreveu cartas a Pelé, lançou Vida de glórias e sacrifícios, em parceria com o jornalista Antônio Tibúrcio Henriques. Relançou o mesmo livro, na década de 1960, com o nome Cabeçada fatal. Jogou na Loteria Esportiva, mas quando fazia os 13 pontos distribuía o dinheiro antes de chegar em casa. Dava um fogão de presente para um vizinho, uma dentadura para um fã, comprava brinquedos e doces para a escadinha de meninos que morava no barracão vizinho à nossa casa, no Bairro Sagrada Família.

Convivi durante 26 anos com um homem especial. Fui conhecendo o ídolo aos poucos, quando ele me levava junto nas solenidades do Troféu Guará, promovido pela Rádio Itatiaia, para premiar os melhores do futebol mineiro. Eu ouvia, orgulhosa, o discurso de Januário Carneiro, presidente da emissora (já falecido) – atualmente comandada por seu irmão, Emanuel Carneiro – falar de um menino louro que chegou ao Atlético para construir sonhos. Para dar gols e alegria aos atleticanos. Goleador, ele foi responsável pelo grito da torcida     “Guará Guará Guaraaaaaaaaaaá”, hoje substituído por Galooooooooô!

Do signo de Capricórnio, o menino louro, de olhos verdes, era “os próprios gols do Atlético”. O apelido Perigo Louro surgiu daquele jovem franzino, cujos passes e dribles mágicos iam invariavelmente parar nas redes. Ele fez 168 gols pelo Clube Atlético Mineiro, marca até hoje só superada por Reinaldo, Dario e Mário de Castro.

Mas a “fama teve inveja de Guará”, escreve Ary Barroso, conterrâneo do ídolo, no prefácio do livro Cabeçada fatal. Aos 10 minutos de partida, naquele 4 de junho de 1939, o centroavante Guará e o zagueiro Caieira, do Palestra Itália, correram em direção à bola. Os dois saltaram juntos, mas não acertaram a bola. Chocaram cabeça com cabeça. O jogo parou para atendimento médico aos dois jogadores, que caíram atordoados no gramado. Caieira, mesmo tonto pelo choque, conseguiu se levantar, mas Guará foi retirado do campo inconsciente. Aos 24 anos, Guará era o jogador mais bem pago do futebol mineiro: 18 contos de luvas e 800 mil réis por mês. Havia chegado a Belo Horizonte em 23 de setembro de 1933, do Aimorés, de Ubá, com o seu irmão Jésus e o meia Nicola.

Todos pensavam que Guará tinha sofrido uma ligeira contusão sem maiores consequências. Mas não. Ele permaneceu 1h10min desmaiado no ambulatório do antigo Estádio Antônio Carlos e foi levado para o Pronto Socorro às seis da tarde. Seu pai, Miguel, chorava, mas Guará continuava desmaiado. A conselho médico, foi transferido, no dia seguinte, para o Hospital São José, onde os fãs faziam fila, rezavam. Centenas de pessoas faziam plantão na porta do hospital, à espera de um milagre. Queriam o ídolo de volta.

Vítima de traumatismo craniano, Guará nunca mais conseguiu jogar, apesar das muitas tentativas. Ele não era mais o mesmo. Tinha medo de pisar no gramado.

Mas o homem que cantava tangos de Carlos Gardel ao telefone para a sua amada, de nome Amélia, sobreviveu aos caprichos da fama. Conviveu com os percalços da vida, soube driblar as dificuldades e amarguras. Tocou a bola pra frente. O ídolo virou pai, avô, cidadão do bem, que ensinou aos filhos e netos conceitos de generosidade, solidariedade e respeito.

Dividia os seus dias como marido de Amélia, sua companheira por 46 anos, com os cinco filhos, os seis netos e o trabalho na Câmara Municipal de BH.

Conversei muito com o meu pai, cujo nome conseguia abrir portas e corações apaixonados. Eu sabia que era “filha de Guará”, um ídolo do Atlético que permanece no inconsciente da torcida até os dias de hoje, apesar de não existir televisão naquele tempo.

Guará, meu pai, partiu muito tempo depois, em 18 de novembro de 1978, deixando para os filhos, netos e a torcida atleticana uma história digna dos contos de fada. Uma herança de respeito pelos adversários, da magia do futebol-arte, de profissionalismo. Essa é a história de um “astro que parou de brilhar no velho engaste azul do firmamento, mas onde vive e viverá a saudade”, como sentenciou Ary Barroso. (mais…)


Galo fez treino de luxo e estreantes foram bem na estréia, com destaque para o lateral Guga

Tá, foi contra o paupérrimo Guarani de Divinópolis, mas quando um time grande não está bem montado e bem dirigido costuma empatar e até perder para adversários desse nível ou inferior. Ressalva feita, dá pra dizer que o Atlético de 2019 está prometendo muito mais que o do ano passado. Os novatos agradaram à torcida, especialmente o lateral Guga, que foi muito bem durante todo o jogo, além de ter ganhado a simpatia da torcida. Vinícius não apareceu tanto, mas taticamente, segundo o Levir Culpi, cumpriu o papel determinado com perfeição. O Bolt, além do gol, se movimentou muito, confundiu a defesa do Guarani.

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