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América do Sul imita Europa e confirma final única da Libertadores e Sulamericana

A Conmebol deveria se preocupar é com a distância que o futebol europeu está tomando do nosso em termos de qualidade do futebol praticado e conquistas da Copa do Mundo. Ao invés disso resolve copiar a UEFA anunciando que em 2019 a final da Libertadores será em partida única, em Santiago, e a Copa Sulamericana em Lima.

O que mais me chamou a atenção na nota-lorota publicada no site oficial da entidade é que nem consta o nome do Mineirão entre os estádios candidatos a receber um desses jogos.

Vamos ver no que vai dar. A maioria dos jornalistas considera uma má idéia. Quero ver a primeira experiência pra ter certeza. O Alexandre Simoes‏ @oalexsimoes , do Hoje em Dia pensa o seguinte: “E aos poucos a @CONMEBOL vai matando o seu maior produto, a @Libertadores . Nível técnico baixo com um monte de clubes (fase preliminar parece campeonato amador). Agora essa final ridícula em jogo único.”

A nota-lorota da Conmebol:

“Histórica decisión: Final Única de la Libertadores 2019 en Santiago y Final Única de la Sudamericana 2019 en Lima”

Luque, Paraguay – 14 de agosto de 2018. – En reunión de Consejo en el día de hoy se tomaron dos decisiones históricas: Santiago de Chile acogerá la Final Única de la CONMEBOL Libertadores 2019 y la disputa de la final de la CONMEBOL Sudamericana 2019 en un partido único, cuya ciudad sede será Lima, Perú.

La elección de ambas sedes de estas grandes fiestas del fútbol sudamericano se efectuó tras el estudio riguroso de criterios, mecanismos, procesos de selección, teniendo en cuenta parámetros relacionados con: la organización, logística, seguridad, tecnología, aspectos políticos, sociales, medioambientales y legales, alojamiento, movilidad y asuntos comerciales como la transmisión televisiva y comercialización de estos grandes eventos.

Fueron tres las ciudades que postularon para albergar la gran final por la Gloria Eterna del 2019, Montevideo (Uruguay), Lima (Perú) y Santiago de Chile (Chile). Montevideo desistió de su candidatura. Las mismas fueron visitadas para la inspección de la infraestructura general por parte de representantes de la CONMEBOL y FC Diez, consorcio conformado por IMG & Perform que brinda servicios de consultoría y comercialización de derechos de mercadeo deportivo, y con una larga experiencia en diversas áreas como organización de eventos, operación, seguridad y marketing.

Las inspecciones duraron dos días y medio en cada ciudad. Fueron visitados los estadios, locales de entrenamiento, hoteles, aeropuertos, locales para fan zone/área de exhibición pública, entre otros. Las revisiones y evaluaciones resultaron en un informe detallado con las recomendaciones del equipo de trabajo presentado ante el Consejo de la CONMEBOL, que fue sometido a votación, dando como resultado la selección de la ciudad de Santiago de Chile.

Con la decisión del Consejo de que la CONMEBOL Sudamericana también será disputada en una Final Única en el 2019, se definió que la sede será la ciudad de Lima, Perú.

“Estas decisiones obedecen al objetivo estratégico de potenciar el desarrollo deportivo del fútbol sudamericano mediante mayores recursos, más inversión y mejores estándares en todo nivel. Además de generar más ingresos para reinvertir en desarrollo deportivo, las Finales Únicas serán una gran oportunidad, para que Sudamérica, dé un gran salto en infraestructura deportiva, organización de eventos, controles de seguridad, comodidad y atención en los estadios, y en la promoción regional y mundial de nuestros torneos, clubes y jugadores. Las Finales Únicas de la CONMEBOL Libertadores y de la Sudamericana serán eventos que nos inspirarán a todos los sudamericanos a Creer en Grande”, señaló al respecto el presidente Alejandro Domínguez.

El presidente de la Federación de Fútbol de Chile, Arturo Salah, indicó que “el desarrollo de nuestro fútbol va unido a los grandes eventos. Es una apuesta que hemos realizado siempre, y hoy la redoblamos ante esta Final Única de la CONMEBOL Libertadores 2019, por la historia que une al Estadio Nacional con el torneo y por esa capacidad organizativa que queremos seguir demostrando para recibir como sabemos a todos los visitantes del continente.”

El presidente de la Federación Peruana de Fútbol, Edwin Oviedo, señaló que “es un alto honor está histórica decisión del Consejo de la CONMEBOL por elegir a la ciudad de Lima como sede de la primera Final Única de la CONMEBOL Sudamericana 2019. La FPF estará a la altura de tan importante evento del fútbol sudamericano y mundial. Se trata de un nuevo respaldo a una gestión profesional y transparente en favor del fútbol peruano, tras la histórica clasificación de la selección de Perú al Mundial Rusia 2018, luego de 36 años de ausencia en la máxima competición futbolística.”

Las Finales Únicas serán más que un partido, serán un gran evento deportivo, cultural y turístico que traerán grandes beneficios para el fútbol sudamericano, sus clubes y sus aficionados.

CONMEBOL.com


Antes tarde do que mais tarde: homenagem ao Mauro Neto, que se foi em 26 de julho

Numa quarta-feira, dia 28 de maio, o Atlético vencia a primeira partida da final do Brasileiro de 1980, no Mineirão, gol do Reinaldo aos quatro minutos do segundo tempo, diante de 90.028 pagantes. No dia seguinte fui mandado para o Rio, cobrir o Flamengo até o segundo jogo, no domingo seguinte, 1º de junho, no Maracanã, que receberia inacreditáveis 154.355 pagantes.

No aeroporto do Galeão um senhor com um largo sorriso me aguardava no desembarque:

__ Bem vindo à Cidade Maravilhosa garoto!

Era o Elísio Mauro Neto, repórter já famoso no rádio esportivo brasileiro, que me aguardava. Entramos em um Fiat-147, com a inscrição na porta: Rádio Capital – Rio. A partir dali ele era meu “tutor”, já que cobria o Flamengo e estava incumbido de levar o colega da rádio coirmã de Minas Gerais para o hotel e aos treinos na Gávea.

Mineiro de Poços de Caldas, Mauro Neto fez fama no rádio mineiro, em São Paulo e passava pela sua experiência carioca. Sempre gentil com todo mundo, dos porteiros ao presidente Márcio Braga, todos o recebiam de braços abertos no Flamengo e por onde passava no Rio.

Aquela final monopolizou as atenções do Brasil. Eram dois times fantásticos. O placar que o Galo fez no Mineirão era magro e não espelhou o que foi a partida. O árbitro Romulado Arpi Filho era conhecido como “coluna do meio”, por causa da maioria dos jogos que dirigia terminar empatados. Amarrava demais o andamento da partida, marcando faltas ao mínimo choque. Mas o Atlético era um time ofensivo em qualquer estádio e com Palhinha, Reinaldo e Éder, mais Cerezo “imarcável”, o otimismo em retornar campeão para Belo Horizonte era grande. Principalmente porque Zico tinha poucas chances de jogar. Tomara tanta pancada na competição que uma das pernas estava aos frangalhos. Fazia tratamento no Rio, sumido, para ficar sob cuidados médicos intensivos até na hora do segundo jogo, incomunicável. Na Gávea, nem pensar. Eram muitos os chutes dos colegas sobre em qual clínica ou hospital ele estaria “escondido”.

Depois do treino da sexta-feira à tarde, Mauro Neto ocupou o banco do passageiro do Fiat-147 e mandou o motorista tocar pra rádio. Eu, lá trás. Alguns quarteirões depois da Gávea o carro parou num sinal ao lado de um ônibus coletivo que tinha como destino a Barra da Tijuca. Da janela um rapaz gritou:

__ E aí “seu” Mauro? Tem carona aí?

Perguntei quem era o Mauro respondeu que era o “Serginho”, um dos massagistas do Flamengo.

Uai, num ônibus indo pra Barra? Emendei outra pergunta, já com o carro em movimento e o ônibus também:

__ Onde o Zico mora?

__ Na Barra!

Ora, ora, o massagista desceu no primeiro ponto seguinte e ganhou a carona.

Papo vai, papo vem, o danado do Serginho não falava onde estava indo de jeito nenhum; nem fazer o quê. Uma hora depois mandou parar o carro em frente a um conjunto de prédios de três andares numa área nobre da Barra da Tijuca. Agradeceu, desceu correndo e subiu pelas escadas. As portarias não eram fortalezas como hoje. Fui atrás e disse ao porteiro que o Serginho tinha esquecido a carteira no carro. No terceiro andar do prédio, estava a cobertura, calorão danado, porta aberta e lá estava o Zico. Sentado, vendo TV, perna esticada, fazendo tratamento com um outro massagista do Flamengo. Não dei nem tempo pra ele pensar que fosse um ladrão e já fui me apresentando. Ele franziu a testa, olhou pro assustado Serginho e falou alto:

__ Porra Serginho, você trouxe a imprensa, e ainda por cima de Belo Horizonte, caralho!

O massagista se desculpou com o “Galinho”, contou o que aconteceu e começou a chorar. Zico disse que estava tudo bem, que eu estava fazendo o meu trabalho e que falaria para mim, sob a condição de que eu não dissesse a ninguém onde ele estava e nem que tratamento estava fazendo.

Foram quase 10 minutos de entrevista, exclusiva. No domingo, o “Galinho” seria decisivo nos 3 a 2 sobre o Atlético, mesmo apanhando demais novamente. Depois que parou, contou em entrevistas que foi o único jogo da vida dele em que aceitou tomar infiltrações, já que aquele título seria importante demais para o Flamengo. Como realmente foi!

Esta foi a minha primeira experiência trabalhando com o Mauro Neto e graças a ele fiz este trabalho, importantíssimo para o meu crescimento profissional, em que eu comecei a ficar conhecido como um repórter “atrevido”.

Anos depois trabalhamos juntos na Rádio Capital em Belo Horizonte. Com o fim dela, ele foi para Itatiaia. Eu fui para a Rádio América e três meses depois para a Inconfidência.

Com alzheimer e outros problemas sérios de saúde, passou por maus momentos em seus últimos anos de vida. Porém, contando com o apoio da esposa, da filha Daniela e de companheiros de trabalho que surgiram como “anjos” na vida dele, como a Úrsula Nogueira, Emanuel Carneiro, Michel Ângelo, Bruno Azevedo, Carlos Sevidanis, João Vitor Xavier, Milton Naves, Álvaro Damião, Thiago Reis, Mário Henrique Caixa, Samuel Venâncio, Alberto Rodrigues, Ênio Lima, a Bia da Cantina, Fabrício Calazans, Suellen Versiane, Daniele Rodrigues, Cláudio Rezende.

O portal da Rádio Itatiaia falou mais sobre ele no dia 26 de julho:

Ex-setorista do América na Itatiaia, radialista Mauro Neto morre, aos 78 anos, em BH” 

O jornalismo esportivo de Minas Gerais perdeu um de seus expoentes. Morreu nesta quinta-feira (26), em Belo Horizonte, o radialista Mauro Neto, aos 78 anos de idade. Há algum tempo, Mauro vinha sofrendo com problemas de saúde.

http://www.itatiaia.com.br/noticia/ex-setorista-do-america-na-itatiaia-jornalist


A diferença que fazem os melhores jogadores e o Flamengo reclamando de arbitragem

Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro 

Este é o resumo da ópera no Maracanã nesta tarde. Enquanto atuou com o time quase todo suplente o Cruzeiro foi um time e tomou um gol. Já quase no fim, Mano Menezes resolveu esquentar o jogo e pôs em campo Robinho no lugar do Rafinha, Thiago Neves no de Mancuello e Arrascaeta no lugar de David. Quase empatou.

Mas interessante mesmo foi essa frase do presidente Eduardo Bandeira de Melo, do Flamengo: “Foram noventa minutos de arbitragem com erros sucessivos contra o Flamengo”.

Ah, é? O paraense Dewson Fernando Freitas da Silva não está entre os melhores apitadores do Brasil, mas neste jogo, não vi nada que desabonasse o trabalho dele. O Bandeira deve ter tomando umas a mais antes de ir pro estádio.


Ufa! Um grande jogo e dever de casa bem feito pelo Atlético

Antes do apito inicial, duas certezas: o Galo faria gol, mas, também tomaria. Não deu outra! Menos mal, que tomou um e fez três, e não foi fácil, como sempre, em nenhum jogo do Brasileiro, para nenhum time, seja contra quem for.

O mais importante é que depois do segundo gol, não tomou o empate ou a virada, como tem ocorrido. Deu pra notar, durante a partida, e depois, nas entrevistas, que o time estava envergonhado das presepadas dos últimos jogos e ficou ligado o tempo todo nesta manhã no Independência.

Elias e Ricardo Oliveira, além de destaques na vitória, falaram isso nas entrevistas. Reconheceram que estão em débito com a torcida, que sempre faz a parte dela, e não tem sido devidamente recompensada.

Outra situação que merece destaque é a condição física dos jogadores mais velhos em campo. Faltando 15 minutos para acabar, o Igor Assunção @Igortep da 98FM, postou esta foto e twittou:

“Sensação térmica e umidade sendo aferidas no gramado. Quase 42°C no campo e 23% de umidade do ar.”

 

Alguns minutos depois o Ricardo Oliveira, com os seus 37 anos, matou o jogo com o terceiro gol (o segundo dele) e Leonardo Silva, com os seus 39, estava firme lá trás, comando a defesa nessa vitória que era obrigatória.


América tem que fazer a parte dele e secar a turma da parte de baixo

Foto: Daniel Hott/América

Começando hoje neste Atlético x Santos, já que o Peixe, do técnico Cuca, tem 18 pontos e o Coelho, 21. A derrota para o Bahia,  ontem, não é motivo para nenhuma turbulência, apesar de o time do Enderson Moreira ter saído da lista dos quatro últimos com este resultado. Mas o jogo foi na casa do adversário e era esperada a pressão que foi feita pelos baianos na luta desesperada pelos três pontos. Como todo humano, por melhor que seja, o goleiro João Ricardo também erra e ontem soltou a bola que resultou no gol que deu a vitória ao Bahia. Ficou lá dando de braços, esbravejando contra o gol tomado. Claro, que devia estar se penitenciando, já que os zagueiros não tiveram culpa nenhuma, pois, estavam marcando os outros atacantes baianos. Aquela bola é que não poderia sobrar para rebote, já que não daria tempo de nenhum defensor chegar antes do Gilberto, aos 9 do segundo tempo e marcar o único gol  da partida. Mas todo goleiro deve pensar 10 vezes antes de ficar gesticulando após um gol tomado. Fica parecendo que ele está se eximindo de culpa, querendo transferir a um colega a responsabilidade em caso de alguma falha. Já vi muitos goleiros ganharem fama de “traíra” entre os companheiros de profissão por causa de gestos assim.

Domingo que vem tem o Fluminense no Independência, 19 horas.

CLASSIFICAÇÃO PG J V E D GP GC SG %
São Paulo 35 17 10 5 2 27 15 12 69
Flamengo 34 17 10 4 3 28 12 16 67
Internacional 32 17 9 5 3 23 12 11 63
Grêmio 30 17 8 6 3 18 8 10 59
Atlético-MG 27 17 8 3 6 30 25 5 53
Palmeiras 27 17 7 6 4 25 15 10 53
Corinthians 26 17 7 5 5 21 13 8 51
Cruzeiro 25 17 7 4 6 14 14 0 49
Fluminense 22 17 6 4 7 19 21 -2 43
10° América-MG 21 18 6 3 9 18 24 -6 39
11° Bahia 21 17 5 6 6 19 22 -3 41
12° Botafogo 21 17 5 6 6 17 21 -4 41
13° Sport 20 17 5 5 7 18 24 -6 39
14° Vasco 19 15 5 4 6 21 25 -4 42
15° Vitória 19 17 5 4 8 20 32 -12 37
16° Santos 18 17 4 6 7 17 20 -3 35
17° Chapecoense 18 17 3 9 5 17 23 -6 35
18° Ceará 16 18 3 7 8 11 20 -9 30
19° Atlético-PR 15 17 3 6 8 17 19 -2 29
20° Paraná Clube 13 17 3 4 10 8 23 -15 25

 


Mais uma carruagem que vira abóbora. Fim do Esporte Interativo faz lembrar Rádio Capital

Saudoso Estádio José Duarte de Paiva, do Democrata de Sete Lagoas, onde hoje é um supermercado, quase no centro da cidade.

Quando li a notícia voltei no tempo e lembrei-me do telefonema que recebi do Gil Costa, convidando-me para trocar a Rádio Cultura de Sete Lagoas pela Rádio Capital, que estava sendo montada em Belo Horizonte. Aos 18 anos de idade eu era o “faz tudo” na emissora do Geraldo Padrão na minha terra. Adorava a roça, que aliás, gosto até hoje, e nem pensava em sair de lá. Andava de bicicleta, subia nos postes para instalar as linhas telefônicas de transmissão, montava as gambiarras dos transmissores, microfones e etecetera e tal. Os estádios Duarte de Paiva (Democrata), Santa Luzia (Bela Vista), Emilio Vasconcelos (Ideal), Santo Antônio (Textil) e campo do América no “Papa Vento” eram o meu mundo, felicidade total. Como o número 1 da “aldeia”, nunca tinha passado pela minha cabeça me aventurar em “Roma”. Morar em Belo Horizonte, nem pensar!!! Aquela selva de pedra me dava medo. No máximo, eu gostava do Mineirão e da lagoa da Pampulha, onde íamos regularmente transmitir os principais jogos do Atlético e do Cruzeiro.

Por educação, aceitei o convite para, pelo menos, conversar e agradecer pessoalmente ao convite do Gil, um mito do rádio na época. O programa dele na Itatiaia tinha uma audiência fantástica e ele tinha sido convidado pelo grupo paulista que estava montando a Rede Capital Capital de Comunicações para criar e comandar a rádio em Minas. Na época falava-se que era um projeto político do então governador de São Paulo, Paulo Maluf, que pensava nas eleições presidenciais, que viriam mais cedo ou mais tarde, no embalo das “Diretas Já”, com o prenúncio do fim da ditadura militar. Por intermédio de testas de ferro o hoje presidiário Maluf estava criando uma potência radiofônica nas principais capitais do país.

Em Minas, a Capital entrou detonando a concorrência, tirando os melhores profissionais das emissoras que detinham a liderança: Itatiaia, Guarani e Inconfidência foram desfalcadas dos seus melhores e mais famosos profissionais. E investia em desconhecidos, principiantes, de bom potencial do interior do estado ou rádios comunitárias, serviços de auto-falantes de bairros de Belo Horizonte. Eu neste time, junto com Garcia Júnior (Barbacena), Kleyton Borges, de Belo Horizonte e vários outros.

No escritório que dividia com o Luiz Carlos Alves, na AGC Propaganda, o Gil recebeu-me numa terça-feira pela manhã, na Avenida Olegário Maciel, a um quarteirão da sede do Atlético. Eu nunca soube quem indicou meu nome para ele, mas muito provavelmente foi o Luiz, um dos maiores nomes da reportagem do Brasil naqueles tempos, com trabalhos de grande repercussão na TV Itacolomi, Rádios Itatiaia, Inconfidência e Guarani.  O Gil falou do projeto Rádio Capital que chegava para “arrebentar” e dominar a audiência em todo o Brasil, começando pelas principais capitais: São Paulo, Rio, Salvador, Curitiba, Porto Alegre e obviamente Beagá. Eloquente, o mato-grossense Gil, vindo do rádio da Bahia, impressionava pela força da fala e pela estatura física, com seus quase dois metros de altura, ex-lutador de boxe. Entregou-me uma “ficha” de emprego, onde eu deveria preencher meus dados pessoais e na ultima linha a “pretensão salarial”. Impressionado e assustado com tudo aquilo, na minha cabeça eu reforçava a ideia de que jamais deixaria a minha cidade e vi naquele item da pretensão salarial, a oportunidade de agradecer a proposta e dizer não. Ganhava quase dois salários na Rádio Cultura de Sete Lagoas (uns 160 cruzeiros) e resolvi chutar alto na “pretensão”, que certamente seria recusada. Escrevi lá: Cr$ 1.000,00. Para o meu espanto, o Gil leu tudo com atenção e na mesma hora disse que estava tudo certo e que eu me apresentasse no dia 15 de junho na Rua Dr. Camilo, 116, na Serra, onde funcionava a Rádio Del Rey FM e a Del Rey Ondas Médias, a atual 98,3FM, cujo dono continua o mesmo, o querido Marco Aurélio Jarjour Carneiro, sócio do grupo paulista naquela época.

Para mim foi como uma pancada na cabeça. Não imaginava que ele fosse aceitar a minha pedida e não estava preparado para mudar os rumos da minha vida. Dentro de um mês eu teria de me mudar para Belo Horizonte e deixar a minha felicidade no interior!

Mas era muita grana para a minha realidade e eu não resisti. Assinei a papelada, fui para a rodoviária, que continua ali no mesmo lugar, e iniciei o processo de mudança de vida, começando por uma demorada conversa com os meus pais e depois com o dono da Rádio Cultura.

Uma das minhas últimas transmissões pela Rádio Cultura, entrevistando Ronaldo Tenaz, artilheiro do Huracan, um dos melhores times de futsal do Brasil, em 1979.

Na Capital, parecia um sonho trabalhar com “ídolos” da minha infância: Vilibaldo Alves, Waldir Rodrigues, Aldair Pinto, Flávio Anselmo, Paulo Roberto Pinto, Afonso Alberto, Marco Antônio Bruck, Paulo Rodrigues e tanta gente mais.

Me puseram para cobrir o América. Ao invés da bicicleta, um fusca marrom, novinho, dirigido pelo Geraldo Tito Pereira (Tatú) me levava diariamente para o distante Vale Verde, em Contagem, onde o Coelho treinava. Um operador, instalava o equipamento, testava, me entregava o microfone e eu tinha apenas o trabalho de abri-lo e falar o noticiário, de três minutos. Nas transmissões dos jogos, a mesma coisa. Meu trabalho era só falar, bem diferente dos tempos de Rádio Cultura, onde era o “faz tudo”.

Antes do quinto dia útil do primeiro mês, recebi o “holerite” ou “contracheque”, e me assustei com o salário que estava escrito: 1.500 cruzeiros!

“Uai, tem um erro aí!”. Eu tinha acertado 1.000. Fui “reclamar” com o Gil Costa, dizendo que havia um engano ali. Ele se espantou com a minha abordagem e bem ao estilo grosseiro dele, respondeu:

__ Ô seu animal; tem engano nenhum não. O seu salário é esse mesmo!

Incrédulo, feliz demais conta, eu iniciava uma nova vida, agarrado à oportunidade, aprendendo com aqueles profissionais espetaculares e muito bem remunerado. Três meses depois fui escalado para cobrir o Galo, aumentando a minha felicidade. Eu estava no paraíso. Foram quatro anos de intensa alegria, até que as “Diretas Já” fossem barradas no Congresso. O projeto do Maluf esfriou em São Paulo, Gil Costa batia forte no recém eleito governador Tancredo Neves, que reagiu à moda dele, e o sonho começou a acabar. Os comentários do Gil eram demolidores contra o governador no “Jornal da Capital”, no editorial que ele mesmo redigia ou fazia de improviso. Atacava questões administrativas e entrava pelo campo pessoal, pesado realmente, com todo tipo de ofensa. De segunda a sexta-feira, às 8 da manhã, era chumbo grosso no lombo do “velho gagá e enrolador”, nas palavras do Gil.

Numa dessas manhãs, imediatamente ao fim do comentário do dia, o telefone tocou. O Gil estava sendo chamado a São Paulo, para conversar com a direção da rede. Em princípio pensamos que ele seria promovido a chefão geral da rede, já que a Capital Minas era a única da rede que se auto-sustentava, pois faturava muito e estava colada nos calcanhares da Itatiaia, a líder.

Gil atendeu à determinação de São Paulo de pegar o primeiro avião na Pampulha. O vôo partiu às 11 horas. Às 17 ele desembarcaria de volta, demitido.

A carruagem virava abóbora a partir dali. A audiência começou a despencar na mesma proporção do faturamento. Um interventor paulista que foi enviado para o lugar do Gil era até gente boa, mas completamente despreparado para a missão. Começou de cara cortando nos salários, que eram os mais altos da história do rádio mineiro. Cortou também o valor das diárias das viagens, pela metade. Quem não aceitava, saía ou era demitido. A debandada foi total, na base do o “último a sair que apague a luz”.

A Rádio Capital Minas, nos 570 Khz “na ponta do seu rádio” foi um sonho, nunca mais repetido na imprensa de Minas. Uma história muito interessante, assim como a do Gilberto Gil da Costa Ferreira, que infelizmente teve um triste fim, como profissional e pessoal.

No dia 5 de abril de 2014 escrevi sobre ele aqui no blog: http://blog.chicomaia.com.br/2014/04/05/gil-costa-o-que-nao-tinha-medo-de-ninguem-falava-o-que-queria-e-se-deu-mal/


É lamentável, mas é verdade: “Turner anuncia o fim do Esporte Interativo”

Do Uol:

* “Foram intensos os cuidados para não deixar vazar a informação antes da hora, mas na quarta-feira começaram a surgir os primeiros indícios que estava muito próximo o anúncio oficial da Turner, decretando o fim dos canais Esporte Interativo.

Uma ideia que não é nova. Já de algum tempo, verificando que não existiam meios de manter a operação em pé, a base da empresa nos Estados Unidos vinha recomendando o encerramento dessas atividades.

Gerard  Viller, presidente da Turner Internacional, alguém que manda em todas as Turners, menos Estados Unidos, desde que o EI foi adquirido, mais de uma vez disse para seus executivos mais próximos:

“nós não sabíamos o que estávamos comprando”.

Foram várias as tentativas para salvar o negócio e torná-lo rentável, mas nunca houve a possibilidade de se chegar perto disso.

A decisão que já estava tomada, antes do anúncio se tornar oficial, é que a Liga dos Campeões, em suas próximas edições, com direitos já adquiridos, será transmitida pelo TNT ou Space, canais do mesmo grupo.

O modelo americano já é assim, em se tratando dos grandes eventos esportivos.

Sobra a questão dos clubes que fecharam contrato com o Esporte Interativo para a transmissão do campeonato brasileiro, a partir do ano que vem.

Comunicado oficial:

A Turner, agora uma afiliada AT&T, anunciou hoje que migrará a sua principal programação de futebol para as marcas TNT e Space, criando os primeiros superstations para o Brasil. A Turner transmitirá a Série A do Campeonato Brasileiro, a partir de 2019 e pelos próximos seis anos; e continuará comprometida com a Liga dos Campeões da UEFA por mais três temporadas, a partir de agosto de 2018.

Os canais Esporte Interativo, bem como suas atividades de produção, serão desativados nos próximos 40 dias. A Turner se concentrará em reforçar ainda mais as marcas já estabelecidas TNT e Space. O superstation é um modelo de sucesso nos Estados Unidos e a Turner está confiante de que o mesmo acontecerá no Brasil.

“Ao integrar o melhor do Esporte Interativo com a TNT e o Space teremos os primeiros superstations para o público brasileiro, com o melhor de todos os gêneros, atendendo aos desejos dos nossos fãs, incluindo futebol ao vivo, séries originais, programas de variedades, blockbusters de Hollywood e eventos exclusivos ao vivo”, diz Antonio Barreto, gerente geral da Turner Brasil.

O foco nas plataformas digitais e o engajamento nas redes sociais do Esporte Interativo permanecem inalterados. “Pessoalmente, e em especial para os nossos fãs de esportes, é difícil ver o fim dos canais Esporte Interativo. Mas a decisão vai fortalecer nossas marcas e possibilitar uma melhor oferta de esportes em plataformas digitais e nossa relação direta com o consumidor de internet, impulsionado pelo engajamento do Esporte Interativo nesses meios. As audiências de esportes estão claramente migrando para essas plataformas e a Turner está comprometida em liderar esta transformação no nosso mercado, o mais importante para a empresa depois dos Estados Unidos”, reforça Barreto.

O Esporte Interativo, que será desativado em 40 dias incluindo na aberta, foi lançado em 5 de janeiro de 2014, com o nome de Esporte Interativo Nordeste. Em 2015, a operadora Turner se tornou proprietária do canal, que pertencia a Top Sports. Segundo informações do mercado, à época, a transação fora estimada em R$ 400 milhões, mas este valor envolvendo a compra da Liga dos Campeões. A empresa já havia feito um investimento de R$ 80 milhões no veículo.”

(mais…)


Cruzeiro desconcertou até o pessoal da transmissão pela TV

Thiago Neves estava devendo uma resposta em campo e ela veio nessa vitória sobre o Flamengo no Maracanã. Iniciou a jogada do primeiro gol e fez o segundo, quando o momento exigia uma ducha fria como essa no clube carioca que ainda contava com os gritos confiantes da sua torcida.

Mas todo o time jogou muito bem e é difícil apontar quem foi o melhor ou mais importante.

Interessante é que o gol do Arrascaesta, aos 9 minutos, bagunçou a cabeça dos jogadores do Flamengo e também do locutor, comentaristas e repórter da Globo que transmitiam a partida. Só perderam a esperança do empate após o segundo gol.

Uma vitória maiúscula, que põe o Cruzeiro com um pé na próxima fase da Libertadores.


E lá se foi o Waldir Rodrigues, “o mais internacional dos locutores”!

Meus prezados e prezadas do blog, com muita tristeza comunico a morte do locutor Waldir Rodrigues, um dos maiores do rádio esportivo de Minas e do Brasil, com quem tive o prazer e a honra de trabalhar nas rádios Capital e Inconfidência, de 1979 a 1986. Com quem aprendi demais da profissão e a quem sou eternamente grato. Agradeço ao Álisson Ribeiro, diretor da Rádio Extra FM de Rio Casca, que acaba de me passar a lamentável informação. Alias, o Álisson foi um anjo que surgiu na vida do Waldir nestes seus últimos anos de vida, já que o descobriu no asilo Padre Antônio Ribeiro Pinto, da cidade e o levou para trabalhar na emissora e apresentar um ótimo programa esportivo, de 11 às 12 horas, diariamente.

Importante frisar que o próprio Waldir optou por morar neste asilo, conceituadíssimo, nessa cidade de ótima gente que é Rio Casca.

Em dezembro de 2014 fui lá visitá-lo e escrevi um post especialmente sobre essa visita. Aqui está o link, do dia 21.

Eu, Waldir e o Álisson Ribeiro.

Vale a pena conhecer um pouco mais da história passada e recente do grande locutor, um dos maiores nomes do rádio brasileiro nos anos 1960/70/80.

Obrigado caro Waldir, e até um dia!

http://blog.chicomaia.com.br/2014/12/21/prazer-em-rever-o-locutor-waldir-rodrigues-na-acolhedora-rio-casca/


Hoje tem lançamento do livro sobre o craque de Governador Valadares que disse não a Atlético e Cruzeiro

Estou indo agora para o Redentor, na Savassi, para o lançamento do livro do amigo jornalista Marcelo Machado (à direita na foto abaixo), um dos bons textos do jornalismo brasileiro, com uma história muitíssimo interessante de um jogador que virou mito no Vale do Rio Doce. Não só por jogar demais, mas também por não ter aceito convites dos nossos maiores clubes para vir jogar na capital.

O jornal Hoje em Dia fez uma bela reportagem sobre o livro e sobre Chico Duro, que segundo quem viu jogar, era comparável a Pelé:

Jornalista lança livro sobre craque do interior que disse não a dupla Atlético e Cruzeiro”

Mamara no peito até os cinco anos. Seria este um dos segredos do assombroso talento? Era tão craque e goleador que tinha a alcunha de Pelé do Vale do Rio Doce. Integrou a Máquina Vermelha do Ilusão Esporte Clube, o mítico Clube Atlético Pastoril e o “Time do Olé” – do Democrata. Mas, disse não ao Cruzeiro, Atlético, Bahia e ao futebol italiano. Preferiu Yolanda.

Em cada canto do interior deste Brasil houve um craque “tipo Pelé” que não aconteceu por um acaso qualquer. Chico Duro foi um deles. O exagero, claro, faz parte da lenda – em que pese a fervorosa defesa de minguadas testemunhas.

Era melhor que Pelé”, exagera Vicente, um ex-parceiro de Ilusão e Democrata. “Jogava como o Ronaldo (Fenômeno)”, assegura Dorcelino, um humilde pintor de paredes que não perdia um jogo sequer do Time do Olé.

Chico Duro, o craque” traz a história de um homem comum do interior, nacionalmente anônimo, mas um personagem folclórico e popular em Governador Valadares (MG), cuja trajetória é marcada por personalidades como Getúlio Vargas, JK, Garrincha, Pelé, Dalva de Oliveira , Agnaldo Timóteo, Elis Regina, entre outras.

Centroavante talentoso, típico camisa 9. Magro, arisco e com um drible longo, era um exímio cabeceador e preciso na finalização. Impossível saber se era destro ou canhoto. O chute saía com potência e acuidade tanto com a direita quanto com a esquerda.

Chico Duro fez história nos clubes locais de Valadares, mas disse não ao futebol porque queria viver um grande amor.

Lançamento

O lançamento em Belo Horizonte será no dia 7 de agosto (terça-feira), no Redentor. As ações de pré-lançamento e lançamento foram em Governador Valadares, no dias 19, 20 e 22 de julho, e contaram com a presença do prefeito André Merlo e do cantor Agnaldo Timóteo. 

“É claro que se trata do universo mais lúdico e folclórico do futebol. Chico Duro foi um craque, sim, mas sobretudo um grande contador de histórias, uma espécie de Forrest Gump. Há muitos Chicos Duros pelo interior afora do Brasil”, conta Marcelo Machado.

Sobre o livro
Editora: Ramalhete, de Belo Horizonte
Páginas: 226
Preço: R$ 40

Sobre o autor
Natural de Governador Valadares e radicado em Belo Horizonte, Marcelo Machado é jornalista formado pela PUC de Campinas (SP), com especialização em Comunicação Empresarial pelo UNI-BH e Marketing Político pela UFMG. Trabalhou em veículos como LANCE!, Globoesporte.com, O Tempo, A TARDE (BA), DRD, Hoje em Dia, Alvorada FM e Rede Minas. É pai de Hannah, Arthur e Pedro.

http://hojeemdia.com.br/esportes/jornalista-lan%C3%A7a-livro-sobre-craque-do-interior-que-disse-n%C3%A3o-a-dupla-atl%C3%A9tico-e-cruzeiro-1.643812/chico-duro-1.643817


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