Blog do Chico Maia

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Quarta-feira de definições na luta pelas quatro vagas de cima e de mais um rebaixado

O lateral esquerdo João Paulo, em foto/divulgação do Tombense

Com todos os jogos programados para 21h30 a última rodada do Mineiro promete, já que Atlético e Cruzeiro lutam pela classificação, América e Tombense disputam quem será o primeiro colocado, que terá as vantagens do regulamento na fase decisiva. Com o Tupynambás já rebaixado, o Villa Nova recebe o Coimbra. Ambos tentam escapar da degola e o empate salva o Coimbra.

Teoricamente a situação menos difícil é a do Atlético, que recebe no Mineirão o Patrocinense. O Cruzeiro precisa vencer a Caldense, em Poços de Caldas, por diferença de três gols. O América vai a Patos de Minas enfrentar a URT, que se vencer, tem chances de se classificar. O Tombense recebe o Uberlândia, e vencendo, fica com o primeiro lugar.

O Alexandre Simões, do Hoje em Dia, apresentou um “mapa” das possibilidades de cada um na noite de hoje:

* “Tudo o que você precisa saber sobre as brigas da última rodada do Campeonato Mineiro”

A última rodada da fase classificatória do Módulo I do Campeonato Mineiro, que será disputada hoje, com todos os jogos às 21h30, terá disputa em todas as partes da tabela. Tombense e América brigam pela liderança, pois já estão classificados às semifinais, que é buscada por Caldense, Atlético e Cruzeiro. A Veterana já se garantiu na Série D 2021, mas ainda temos duas vagas em aberto. Falta definir dois times do Troféu Inconfidência, que pode garantir ao seu campeão presença na Copa do Brasil do ano que vem. Isso acontece caso América ou Cruzeiro vençam a Série B ou a Copa do Brasil, ou o Atlético garanta, via Série A, vaga na próxima Libertadores. O Tupynambás já caiu, mas ainda falta conhecer um rebaixado. Assim, a 11ª rodada da competição definirá o primeiro colocado geral, dois semifinalistas, os outros clubes que representarão o Estado na Série D do Brasileirão de 2021, os participantes do Troféu Inconfidência e um rebaixado.  (mais…)


Reflexões sobre a morte do Rodrigo Rodrigues e a imbecilidade de quem mistura política com situações como essa

Foto postada pelo Sérgio Xavier Filho na página dele no twitter: @sxavierfilho

Que tristeza essa morte do Rodrigo Rodrigues, aos 45 anos de idade. Grande jornalista, grande figura e que estava se cuidando corretamente, em recuperação da Covid-19. Prestes a retornar ao trabalho, foi internado numa UTI, domingo à noite. Via twitter, desejei força a ele e pronta recuperação. Jamais imaginaria que o quadro fosse se agravar ao ponto de levá-lo à morte.

Essa doença é realmente terrível e impressiona a quantidade de pessoas que insistem em achar que não é tão grave. Depende da pessoa. Cada organismo reage de uma forma a ela, independentemente da idade ou qualquer outro fator. Direto de Londres, o nosso conterrâneo, jornalista Sérgio Utsch, escreveu: @utsch “Só acreditam quando não conseguem mais respirar”, disse a médica de Campinas pra @katywatson, correspondente da BBC no Brasil. A matéria mostrou que muitos chegam ao hospital ainda em negação do perigo desse vírus. Caminhamos pra 100 mil mortes. É muito sério”.

Tão triste quanto, é ver alguém, por questões políticas, zombando da morte e fazendo piada sobre o assunto. Coisa de ser humano inferior, imbecil completo. Sobre estes, escreveu o Rodrigo Capelo: @rodrigocapelo “Diante dos cretinos que usam a morte de alguém para atacar outras pessoas, trate-os como vírus: não espalhe. Não dê retuíte, não tire print screen, não comente – mesmo que seja para criticar. Denuncie ao Twitter e silencie a conta. Precisamos isolar os imbecis do nosso convívio”.

Rodrigo Rodrigues tratava bem, com respeito, a todas as torcidas. Uma prova disso era o carinho com o qual era tratado por atleticanos e cruzeirenses, por exemplo. Por maior que seja a rivalidade, essas fotos no twitter mostram isso:

Cariogalo: @Cariogalo

* “O @RR_TV esteve em um evento de aniversário da CarioGalo em dezembro de 2014, quando a @GaloRockBand tocou aqui. Feliz, boa praça, assim referido por amigos próximos. Solidariedade aos amigos e familiares, estendido às demais vítimas desta terrível doença. Descanse em paz”.

Alexandre Elian Ribeiro, da Cruzeiro Metal: @alexandreelianr

* “Descanse em paz Rodrigo!”


No clássico, um tempo para cada um e nas mexidas do Lisca o América garantiu a invencibilidade

Foto: twitter/Atlético

No duelo dos treinadores, também empate, já que Lisca foi excessivamente precavido na primeira etapa e deixou o Galo à vontade em campo, que bem ao estilo Sampaoli, buscou o gol o tempo todo. No segundo tempo o técnico atleticano mexeu no que vinha dando certo e Lisca partiu com tudo em busca do empate.

O Atlético mandou no primeiro tempo, não tomando conhecimento do América, que por sua vez entrou muito fechado, na esperança de se aproveitar de algum contra ataque. Zé Ricardo insistia em bolas cruzadas pelo alto sem ao menos assustar Réver (1,93m) e o paraguaio Júnior Alonso (1,83m), que aliás fez muito boa estréia com a camisa alvinegra.

Além de dominar totalmente a partida o Galo se aproveitava das indecisões da dupla de zaga americana, Lucas e Eduardo Bauermann, e do goleiro Airton. A movimentação e troca de posições do Hyoran, Nathan, Marrony e Savarino os deixavam desorientados. Mas o gol só saiu aos 30, com Nathan cabeceando cruzamento do Marquinhos, depois de se infiltrar entre os zagueiros. Contou com a falta de reflexo do Airton, que se assustou com a bola. Ela passou entre os braços dele.

No segundo tempo o Coelho teve postura totalmente diferente, já que precisava buscar o gol. O técnico Lisca tirou Léo Passos e pôs João Paulo. No Atlético saiu Hyoran e entrou o equatoriano Franco. Aos 13, aos 15 e 16 minutos, o goleiro Rafael fez ótimas defesas, evitando que  Zé Ricardo e Felipe Augusto duas vezes, marcassem.

Aos 20 minutos, Sampaoli trocou Marquinhos por Leo Sena. A partir dos 25, Lisca partiu para o tudo ou nada e fez três mudanças no América, saindo Felipe Augusto para a entrada de Matheusinho, Sávio que deu lugar a Geovane e Ademir para a entrada de Vitão. E justamente Vitão empatou o jogo, aos 30 minutos, se aproveitando de um rebote involuntário do Junior Alonso. Fábio Augusto tentou mandar a bola para longe da área, mas ela bateu no ombro do paraguaio e caiu nos pés do jovem atacante americano que estufou as redes.

Coelho segue invicto no Campeonato Mineiro


Faltou um gol para o Cruzeiro, que continua fora da zona de classificação das finais do campeonato

Fotos Bruno Haddad/Cruzeiro
Como o previsto, foi um jogo de ataque contra defesa, mas não houve o massacre que muitos imaginavam neste Cruzeiro x URT no retorno do Campeonato Mineiro. O clube de Patos de Minas conseguiu juntar jogadores para por em campo e, pelas circunstâncias, não fez feio, apesar de não ter conseguido levar nenhum perigo ao goleiro Fábio. O placar de 3 a 0 ficou de bom tamanho para a URT mas ruim para o Cruzeiro, que precisava fazer quatro, para se igualar à Caldense no saldo de gols e ocupar a quarta vaga, já que tem uma vitória a mais. O time de Poços de Caldas joga às 16 horas, em casa, contra o Tupynambás, que luta contra o rebaixamento.

O Cruzeiro teve a estreia do técnico Enderson Moreira, que pode fazer suas observações, com ressalvas, já que o adversário não ofereceu grande resistência e nem risco, devido às condições precárias, de um time desmontado em março e refeito às pressas nos últimos dias.

Aliás, os treinadores dos clubes maiores não poderão justificar resultados ruins neste reinício, com as famosas e manjadas frases, “faltou tempo para treinar”, “os jogadores estão muitos cansados pelo desgaste de tantos jogos seguidos”, e etecetera e tal. Por isso, aumenta a curiosidade para o clássico Atlético x América de daqui a pouco. Vamos ver como se comportarão os times e os técnicos Jorge Sampaoli e Lisca.


Um time de peladeiros que chegou ao vice-campeonato mineiro e derrotado com ajuda do apito

Lulu (técnico), Eros, Lêco, Maroca, Márcio Caio, Aluísio, Ivan Gabriel, Dagoberto e Luiz Fernando Xô; Túlio, Bira, Bruno, Ricardinho, Celsinho Paiva e Fernando.

***

Está no jornal Sete Dias, de Sete Lagoas. História contada pelo ex-prefeito da cidade, Mário Márcio Campolina Paiva – Maroca -, que foi um dos melhores jogadores que o futebol de salão de Minas teve. Eu era criança, mas tive o privilégio de ver este time, descrito por ele, jogar:

* “Time de peladeiros faz história no Mineiro de 74”

Foi em 1974, que um time formado por peladeiros da então Praça de Esportes (Sete Lagoas Tênis Clube), fez história no Campeonato Mineiro de Futsal. Quem conta a história é o ex-prefeito Maroca, que fazia parte daquela equipe que, a convite do então presidente do Sete Lagoas Tênis Clube, Roberto Fonseca (o Roberto Quitute), representou a cidade no Mineiro daquele ano.

Sem tempo para treinar, os amigos que se reuniam todos os finais de semana para uma peladinha, não fizeram feio. “Jogávamos de forma avulsa na Praça de Esportes. O presidente Quitute pediu para disputarmos o Campeonato Mineiro. Fomos campeões de nossa chave ao bater o tradicional Olímpico por 2 a 1. Ganhamos a vaga e fomos decidir com o Atlético. Nesta foto, toda nossa alegria está estampada pelo feito inédito. Estávamos na final”, lembra Maroca, que junto com Ivan fizeram os gols da vitória.

Na final, após estar vencendo por 2 a 0, levaram a virada do Galo por 3 a 2 e ficaram com o vice-campeonato mineiro de 1974. “O jogo ficou paralisado por muito tempo, o juiz estava roubando demais e o Galo virou. O técnico Lulu brigava o tempo todo, estava revoltado, a polícia teve até que ser acionada… Esfriaram o jogo e o Atlético ganhou, muito mais pelo clima que criaram e no preparo físico. Nós nem treinávamos, mas jogávamos muito”, ressalta um saudoso Maroca.

Na foto, o time que despachou o Olímpico, no Ginásio do Sparta, em Belo Horizonte. Em pé, da esquerda para direita: Lulu (técnico), o saudoso Eros, (que morreu em acidente de carro, retornando de Cachoeira da Prata), Lêco, Maroca, Márcio Caio (que fez sucesso no Olympico posteriomente, um dos melhores da história também, que infelizmente se foi, em 2014, de câncer). Aluísio (hoje médico, conceituado cirurgião plástico), Ivan Gabriel, Dagoberto e Luiz Fernando Xô. Agachados: Túlio, Bira, Bruno, Ricardinho, Celsinho Paiva e Fernando. Wagner Leão também fazia parte da equipe, mas não está foto.

https://www.setedias.com.br/noticia/destaques/53/retrato-em-branco-&-preto-%7C-time-de-peladeiros-faz-historia-no-mineiro-de-74/22508

* Por Celso Martinelli


Lembrança dos três anos sem o Arthur Almeida

Foto publicada hoje pelo jornal Sete Dias, de Sete Lagoas, na seção “Nossa Gente, nossa história”:

* “Em 1997, o vice-prefeito da cidade Fábio Cabral (esq.), era uma das principais lideranças políticas da região, de futuro promissor, mas morreu em decorrência de uma cirurgia de aneurisma abdominal, em 2002. Nesta foto, ele era entrevistado pelo repórter Arthur Almeida, da TV Globo, na Lagoa Boa Vista, sobre o torneio de pesca que a prefeitura promovia naquele ano. Posteriormente o Arthur se tornou editor e apresentador do Bom Dia Minas e depois do MG1. Há exatos três anos, dia 24 de julho de 2017, ele teve uma parada cardíaca e morreu, em Lisboa, onde passava férias com a família, aos 57 anos de idade”.

***

Cabral era um advogado brilhante. Nascido em Jequitibá, a “Capital mineira do folclore”, também era um grande contador de casos, sempre muito engraçados. O Arthur era um dos jornalistas mais queridos pelos colegas em Belo Horizonte, grande companheiro, com quem tive o prazer de trabalhar na Rádio América.


Em tempos de pandemia, a oportunidade de clubes organizados, como o América, dar um passo à frente

Em foto do Pedro Amim/AméricaFC, Euler Araújo (esq.) e Márcio Vidal, presidente e vice do Conselho do Coelho

A crise é germinadora, para quem é criativo e sabe aproveitar as oportunidades. Ainda mais quando o mercado está cheio de concorrentes com a corda no pescoço, endividados, sem como rolar ou renegociar seus débitos, e até o calote, puro e simples, se tornou pena de morte, já que as punições são pesadíssimas e irrecorríveis. Pois é! Com o rigor implantado pela FIFA, por meio do “fair play” financeiro, o futebol, está deixando de ser a zona que era, o paraíso da impunidade. Dinheiro “sobrando”, também entrou na mira dos mecanismos de controle da entidade.

Quem poderia imaginar que algum dia um gigante como o Manchester City passaria o aperto que passou ao ser suspenso pela UEFA, de duas temporadas da Liga dos Campeões, por abuso financeiro? De fevereiro, quando a UEFA anunciou a punição, a junho, quando o Conselho Arbitral do Esporte – CAS -, julgou e cancelou a suspensão, dirigentes e torcedores do time do Guardiola não dormiram sossegados.

Até no Brasil, parece que o rigor da legislação vai funcionar. O Cruzeiro foi o primeiro exemplo de clube grande ser punido por calote, ao perder seis pontos no Brasileiro da Série B 2020. Vai estrear na competição com menos seis pontos.

Com isso, ganham os clubes organizados, que põem o chapéu onde a mão alcança e não saem gastando o que não podem. É o caso do América, que penou para consertar a sua vida administrativa, fiscal e financeira, mas hoje ostenta uma posição bem mais confortável que grande parte dos clubes do país. Se não está nadando em dinheiro, tem patrimônio e fontes de receita que lhe garantem sustentabilidade, além de permitir sonhar com voos mais altos, conforme mostra essa reportagem de hoje no Globoesporte.com, que aborda a próxima reunião do Conselho Deliberativo do clube, terça-feira:

“Contas de 2019 e projeto de clube-empresa: presidente do conselho detalha reunião no América – Márcio Vidal conta detalhes sobre o encontro marcado para a próxima terça-feira

* Por Diego Domingues

Nessa quarta-feira, o América divulgou em seu site oficial o convite a todos os conselheiros para uma reunião virtual que acontecerá na próxima terça-feira, dia 28. O encontro vai tratar de dois assuntos importantes para o clube: a votação das contas apresentadas no balanço financeiro de 2019 e o projeto para transformação do Coelho em clube-empresa. Em entrevista ao ge, o presidente do conselho deliberativo, Márcio Vidal, trouxe alguns pontos que serão debatidos no encontro.

Em relação ao modelo estrutural do clube, Márcio Vidal relatou que, na reunião de terça-feira, será repassada a todos os conselheiros a evolução do processo para a transformação do América em clube-empresa, o que será conduzido pela empresa Ernst & Young.

– Só vai ser julgado mesmo na terça-feira. Já garanto que vai ser mais ou menos o que o presidente Marcus Salum tem falado nas entrevistas. Temos um processo bem encaminhado. Já garanto que não teremos muitas novidades (na reunião). É mais para mostrar aos conselheiros tudo o que tem sido feito. O processo do clube para virar uma empresa está sendo feito pela Ernst & Young. Como o torcedor não tem acesso a isso, vamos tentar passar na reunião o esforço que tem sido feito pelos dirigentes do clube para tentar mudar o patamar do América. (mais…)


Domingo para matar saudade do futebol e conferir como estão os nossos times no retorno do Campeonato Mineiro

Jogos sem público nos estádios e alguns times sem condições nem razoáveis de competitividade, mas é o “melhor que estamos tendo” para o momento. Antes isso do que nada e certamente todo mundo que gosta de futebol estará de olho na TV e ouvindo as rádios para acompanhar a penúltima rodada da fase de classificação do campeonato.

Curiosidade enorme se o América vai manter o embalo e belo futebol que vinha jogando. Acredito que sim, porque o time voltou a treinar quase ao mesmo tempo que os principais concorrentes ao título.

O novo Cruzeiro, agora do Enderson Moreira, que hoje está fora das quatro vagas nas finais do campeonato, ao mesmo tempo em que monta time para a disputa da Série B.

O Atlético com Jorge Sampaoli em seu segundo jogo, e time bem diferente da estreia dele em Nova Lima, contra o Villa. O que terá evoluído? Como será com os jogadores que chegaram?

E tem a disputa pela quarta vaga, hoje pertencente à Caldense. Tem Villa e Tupynambás no desespero contra o rebaixamento.

Enfim, viva o futebol e o retorno paulatino. Faz uma falta danada, tanto que estou sentindo falta até do estadual.

Cruzeiro x URT, 11 horas, no Mineirão. América e Atlético, no Independência, às 16, com transmissão pela TV Globo.

Uberlândia x Villa Nova, às 10 horas, no Parque do Sabiá; Patrocinense x Boa, às 16 e Tupynambás x Caldense, que será em Poços de Caldas, também às 16 horas, com mando de campo invertido, porque Juiz de Fora não poderá receber este jogo. E Coimbra x Tombense, Independência, 21h30.


Patroa do Fred Melo Paiva fez a cirurgia e está bem; o grande jornalista manifesta a sua gratidão

Tive o prazer e honra de conhecer a Fabi em Caraíva, Sul da Bahia, dois anos atrás. E por mais incrível que pareça, foi também o meu primeiro contato pessoal com o Fred Melo Paiva, com quem sempre tive sintonia jornalística e amigos em comum. Além de fã do trabalho dele na TV, jornais, revistas e internet.

Numa dessas coincidências da vida, fui recebido por eles, na casa da família, nessa praia baiana, um dos lugares mais apreciados do mundo. E o filho deles se chama, Francisco, um quase pré-adolescente, de ótimo astral, como o pai e a mãe.

À esquerda, Fidel, o pastor protetor da casa deles.

Lamentavelmente, no fim de 2019, eles foram atropelados por uma dessas circunstâncias da vida, da qual todos nós estamos sujeitos. Iniciou-se uma drama, tornado público pelo próprio Fred na coluna dele no Estado de Minas, que boa parte do país vem acompanhando.

A Fabi passou por uma feliz cirurgia esta semana, e a história toda é contada pelo Fred, na coluna de sexta-feira, 17, e numa das primeiras de 2020, em janeiro, quando o problema começou:

* “Obrigado, Atleticano, mas muito obrigado mesmo – Para além do dinheiro, fomos abraçados por um tsunami de amor e solidariedade, das coisas mais bonitas que vivi na vida”

Em 2013, decidi reunir em livro as colunas originalmente publicadas neste espaço. O projeto começou ainda na fase de grupos da Libertadores, com o apoio imprescindível do então diretor do Atlético Rodolfo Gropen e, depois, de Alexandre Kalil. Não importava se seríamos ou não campeões, sairia de qualquer maneira, como celebração do “título impossível” ou como aquilo que de fato é — uma sociologia de botequim sobre o atleticano.

Em caso de derrota, chamaria apenas “Atleticano”, palavra comum a todos os textos que eu havia escrito nos dois anos anteriores, uma obsessiva brincadeira a que me dediquei secretamente sem jamais falhar. Para a eventualidade da conquista, chupinharia o nome do filme italiano A classe operária vai ao paraíso, adaptando-o ao nosso sentimento de subir às nuvens depois de 42 anos de injustiças e azares monumentais: “O atleticano vai ao paraíso”. (A frase continha, ainda, uma bem-vinda mistura de Galo com Deus, pecado que cometi reiteradas vezes em minhas escrituras, embora ateu, apenas devoto de São Víctor.)

O livro estava pronto quando o Galo avançava perigosamente rumo ao título. Pedi que a diretora de arte, Renata Zincone, providenciasse ambas as capas, a da derrota e a da vitória. Ela recorreu a preceitos budistas para negar-se a fazer a capa da derrota. Da minha parte, expliquei a ela que os deuses do futebol puniam com rigor os que cantavam a vitória antecipada, de modo que, a despeito de Buda, o negócio era produzir ambas. Ela jamais desenhou a capa da derrota. Escreveu “O atleticano vai ao paraíso” no formato de uma cruz, e eu, torcendo para que os deuses tivessem cuidando de assuntos mais importantes, botei o subtítulo: “Do quase rebaixamento ao título impossível”. O Galo ia perder, eu sabia, e a culpa era minha.

Bem, foi o que foi. O atleticano foi ao paraíso. Escrevi do celular, na arquibancada do Mineirão, a crônica derradeira, entre lágrimas e aquilo que me pareceu um descarrego de igreja evangélica. O livro foi para o prelo, a fila dobrou o quarteirão de Lourdes quando foi lançado, um cruzeirense comprou oito de uma vez (que vontade de gritar Galo!), um atleticano octagenário esperou a sua vez para levantar a manga da camisa e me mostrar os dois palmos de uma tatuagem da taça da Liberta em seu braço esquerdo. Aquilo não era uma fila, era o manicômio onde todos nós nos encontrávamos internados naquele inesquecível ano de 2013, tão doido que fomos acabá-lo em Marrakech.

Em 2017, retirei de circulação os últimos 300 exemplares de O atleticano vai ao paraíso. Imaginava usar o reparte final para pagar a conta de um processo movido contra mim pelo então senador Zezé Perrella. Condenado em primeira instância por relacionar a pessoa a certo helicóptero e certa substância, a capa da vitória poderia, senão me salvar da derrota, pelo menos livrar o meu cheque especial. O paraíso estaria para sempre perdido, mas pelo menos não haveria a manchete “O atleticano vai para a cadeia”.

Um livro, no entanto, tem vida própria. E “O atleticano…” se recusou a terminar seus dias na conta do Perrella. Os últimos 300 foram postos à venda numa campanha desencadeada por Afonso Borges, o idealizador do Projeto Sempre Um Papo, para que eu e minha família pudéssemos arcar com o aperto que advém do tratamento de saúde da minha companheira, Fabi, diagnosticada com um glioblastoma em 31 de dezembro do ano passado. Os livros se esgotaram em 24 horas. Não sei como agradecer o gesto do Afonso, daqueles que divulgaram sua iniciativa e de todos os que compraram.

Para além do dinheiro, fomos abraçados por um tsunami de amor e solidariedade, das coisas mais bonitas que vivi na vida. Amigos de infância, velhos colegas de redação da velha Playboy, gente que pensa igual e diferente de mim, cruzeirenses, americanos e até o presidente Sérgio Sette Câmara, a quem tantas vezes critiquei, tornaram verdade verdadeira o clássico “não é só futebol”. Atleticanos anônimos escreveram centenas de mensagens. Uma maioria delas recorreu ao mantra de 2013, quando tudo começou: “Eu acredito!”. O Galo é amor, né.

Fabi foi operada na quarta-feira e passa muito bem. Fiquei vestido de Atlético na ante-sala de cirurgia, como aqueles patetas que botam a camisa do time nas horas mais inadequadas. Eu tava sozinho por causa da COVID-19. Mas tinha milhões de pessoas comigo e com ela. Muito, mas muito obrigado mesmo. Eu acredito!

– – –

* “Feliz ano velho”

No sofá, ela escutou atenta o gol contra o Uberlândia enquanto eu aguardava do outro lado do fone de ouvido. ‘É bom ouvir um gol do Galo, né?’, comentei

Em 31 de dezembro, há 26 dias, ela foi diagnosticada com um câncer. Eu olhei a ressonância, havia um círculo, vertiginoso, no lóbulo frontal direito. Do tamanho de um limão. (mais…)


E o Jorge Jesus, hein!?

O português vazou na braquiária, cascou fora, escafedeu-se, depois de um mistério que virou novela na imprensa de Portugal e do Brasil.

Nada de anormal no mundo do futebol. Não foi o primeiro e nem será o último a fazer isso, muito pelo contrário. No mundo globalizado, cada dia mais capitalista, bola pra frente, a fila anda.

Toda situação semelhante só provoca “comoção” quando o treinador é vitorioso e mete o pé no traseiro do patrão. Quando o sujeito vai mal e é demitido, mesmo depois de poucos jogos, a voz geral, da imprensa e torcida, é: “já vai tarde”, e, “quem será o substituto”? Costuma nem virar manchete, já que o foco se volta para as especulações em torno do futuro dono do cargo.

Jorge Jesus foi extremamente útil ao Flamengo e ao futebol brasileiro, em todos os aspectos. Começando pelo profissionalismo que impôs na Gávea, só aceitando trabalhar com jogadores que se dedicassem 100% aos treinos e jogos. Antes dele, mesmo com contratações de grandes nomes o time não rendia. Taticamente, resgatou o futebol ofensivo, com liberdade para os talentosos criarem, que os treinadores brasileiros tinham deixado de lado, em nome do medo de tomar gols. Com seus métodos rígidos, a condição física do grupo ficou muito acima dos concorrentes nacionais e Sul-americanos, ingrediente do futebol europeu, que fez a diferença fundamental: enquanto o Flamengo voava em campo, os adversários penavam para terminar os jogos sem por a língua pra fora. As viradas e vitórias conquistadas na segunda metade do segundo tempo se tornaram comuns. A final da Libertadores, contra o River Plate, é um bom exemplo.

Dito isso, foi ótimo ter Jorge Jesus no futebol brasileiro. Grande profissional que é, vai dar sequência à carreira e ganhar o dinheiro que fez por merecer. O Flamengo, que assim como qualquer clube do país, é useiro e vezeiro em demitir treinadores sem cumprir o contrato, que tente acertar de novo na contratação de um sucessor, já que dinheiro para isso não lhe falta. Se optar por um brasileiro, que respeite-o, na chegada e na saída, como está respeitando o português. E não repita a covardia cometida recentemente por um de seus vice-presidentes com o Abel Braga: “Houve um momento, que a gente achava e discutia internamente, que ele devia estar de sacanagem; tem alguma coisa que não estamos entendendo. Ou ele bebeu, ou ele está drogado. Não é possível ele estar falando o que ele está falando”.

Na vida, quem não respeita, não merece ser respeitado!


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