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E lá se foi o Gersão, um dos maiores e melhores do basquete brasileiro

Jogava muito. Num tempo em que o basquete era o segundo esporte da maioria dos brasileiros. O país tinha craques demais e ele se destacava entre tantas feras. Conheci Gersão no início da minha carreira em Belo Horizonte, e da dele também. A Rádio Capital ficava na Avenida do Contorno, quase na Praça Milton Campos. O Ginástico, do outro lado da Avenida Afonso Pena. Um clube sensacional, uniforme belíssimo, preto e branco, pessoas ótimas, de quem fiquei amigo de tanta gente boa. O Atlético montou um super time de vôlei e mandava seus jogos no belo ginásio do Ginástico. Passei a frequentá-lo com mais frequência, e o Gersão sempre lá. O clube era a extensão da casa dele.

Pois hoje, depois de muito sofrimento, o Gersão se foi. E um dos amigos que fiz no Ginástico, o grande jornalista Ivan Drumond, o “Piranha”, do Estado de Minas, foi quem me deu a notícia, bem cedo. E ainda deu a nós, do blog, a honra de ter este texto dele, falando do enorme Gersão:

* “O adeus a um grande pivô: Gersão”

Morreu, na manhã desta quarta-feira, um dos maiores pivôs da história do basquete brasileiro, Gerson Vitalino, o Gersão, de 60 anos, campeão Pan-Americano em 1987, quando o Brasil derrotou, na final dos Jogos em Indianápolis, os Estados Unidos, por 120 a 115, na prorrogação. Ele faleceu vítima de uma parada cardíaca. Os últimos dias do ex-jogador foram de dor e sofrimento, pois sofria de ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) e vinha fazendo o tratamento com a ajuda do clube onde começou, o Ginástico, e amigos que jogaram com ele no clube.
A história de Gersão com o basquete começa quando um ex-treinador do Ginástico, Luis Carlos Dias Corrêa, o Lu, ficou sabendo, através de um funcionário do Colégio Santo Agostinho, onde dava aula de basquete, que um outro funcionário tinha um filho com mais de dois metros de altura e o procurou para levar o então menino, para o clube.
No primeiro treino de Gersão, outro treinador, Elmon Rabelo, assumiu a formação do jogador. A arquibancada da quadra do Ginástico estava lotada. Todos curiosos em ver o gigante. E no primeiro treino, um acidente; ao tentar uma bandeja, Gersão, muito grande, bateu com a cabeça na tabela. Cai segurando a cabeça e reclama: “Esse esporte é muito perigoso, pois nem comecei e já machuquei”.
Mas graças à insistência de Elmon, ele não desiste e ali, nascia o grande pivô do Brasil. Gersão segue jogando no Ginástico. É campeão mineiro em 1979, junto com Bruno, Marcelo Cenni, Ricardão, Luiz Gustavo, comandados por Elmon Rabelo, num jogo contra o Minas, decidido na prorrogação.
O pivô chama a atenção e é convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira. A apresentação é em São Paulo e ele é levado por um diretor do Ginástico, Geraldo Aloísio Dufles. Um por um, os jogadores são chamados, no grande salão, onde acontece a apresentação. E quando chamam o nome de Gersão, todos se fascinam, pois ele era muito grande, 2,10m.
Oscar, terminada a apresentação, se aproxima de Gersão e o vê segurando uma sacola. Pergunta o que é aquilo. Ele diz que era seu tênis. Pede para ver e quando Gersão mostra, se surpreende. Era um tênis de futebol de salão, da marca Equipe.
Oscar pergunta se era com “aquilo” que ele jogava. A resposta afirmativa, seguida de uma explicação. “Lá em Belo Horizonte não tem tênis de basquete para o tamanho do meu pé. Então, um amigo do Ginástico, que tem uma loja de esportes, o Campista, mandou fazer.”
Oscar leva Gersão até sua casa e lhe dá o primeiro par de tênis de basquete de sua vida, da marca Pony, tamanho 54.
Daí em diante, Gersão estará sempre nas listas da Seleção. É contratado pelo Corinthians. Do time paulista vai para a Espanha, defender o TDK. Na volta ao Brasil, joga pelo Corinthians e por Jales.
Na Seleção Brasileira, seus melhores momentos, um em especial, quando dos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis’1987. Gersão é um dos convocados do técnico Ari Vidal, ao lado de Oscar, Marcel, Guerrinha, Israel, Maury, Cadum, Paulinho Villas-Boas, Sílvio, Rolando, André e Pipoca.
Na apresentação, para o início dos treinos, Ari Vidal chama Gersão e lhe diz: “Você vai pra pegar rebote. É o que precisamos. Não tem de ficar fazendo cesta. Precisamos de rebote.”
O Brasil vai avançando, derrubando adversário por adversário e chega à final, contra os donos da casa, que tinham como destaque, ninguém menos que um dos maiores pivôs da história de seu basquete: David Robinson, que fez história no San Antonio Spurs e na Seleção dos EUA, ganhando um Mundial e dois ouros olímpicos.
Na final, Gersão foi o destaque. Foi o reboteiro do jogo. E ainda marcou 12 pontos. O Brasil fazia história, ganhava dos EUA, dentro de seus domínios, com Gersão.
Posteriormente, ao encerrar a carreira, Gersão voltou para Belo Horizonte e foi trabalhar como assistente-técnico, no Ginástico, seu clube de origem. E foi o Ginástico e seus companheiros, de quadra, nos tempos em que jogou e os aficionados pelo basquete, que o ajudaram ate o fim de sua vida.

Gersão, ao centro, em pé, no time que fez história ao conquistar o Pan-Americano de 1987 sobre os EUA em Indianápolis. Reportagem de 23 de agosto de 2017, da Gazeta Esportiva, comemorativa dos 30 anos do feito www.gazetaesportiva.com/especiais/basquete-brasileiro-celebra-30-anos-de-um-dos-maiores-feitos-de-sua-historia/

Gersão com o jornalista Ivan Drumond, incentivador de primeira hora.


Dedé no Atlético e Guilherme no América? Menos gente, menos!

Foto: www.itatiaia.com.br/Cruzeiro/Divulgação

Como disse o aniversariante de ontem, a quem parabenizo, o mestre do rádio, Emanuel Carneiro, na Turma do Bate-Bola: “… o futebol mineiro precisa andar prá frente, pensar no futuro… alguns jogadores já deram a sua cota por aqui e que sigam as suas vidas…”

Ele se referia à notícia da possibilidade do meia-atacante Guilherme, ex-Cruzeiro, Atlético, ano passado no Corinthians e há alguns meses sem clube, ser contratado pelo América. Mas aplico o comentário também para esta informação que li no portal da própria Itatiaia: “Dedé diz ter recebido proposta do Atlético e que salário dele foi reduzido em 78% neste ano”.

Foi um dos grandes zagueiros do futebol brasileiro, mas o tempo passa, e os problemas físicos chegam.

Guilherme também tem lugar de destaque na história do nosso futebol, pelo gol marcado aos 50 do segundo tempo, contra o Newell’s Old Boys, no Independência, que garantiu o Galo na final da Libertadores em 2013. Estava no banco e Cuca o colocou aos 46 minutos para que ele fizesse 2 a 0, o placar necessário para eliminar os argentinos.

Como diz o mestre do jornalismo impresso, Rogério Perez, “menos gente; menos”!


Os maiores roubos da história do futebol II

Em foto d`O Globo (Otávio Magalhães), José de Assis Aragão expulsa Reinaldo na final do Brasileiro de 1980 contra o Flamengo, depois de o Rei marcar dois gols. Este post foi inspirado no anterior, em que transcrevi (e sugiro a leitura) texto do Júlio Gomes no blog dele no Uol.

Todos que gostamos de futebol temos na memória as maiores “garfadas” que já vimos, principalmente contra o nosso time. O árbitro erra como qualquer ser humano em qualquer atividade, mas assim como tal, há erros de verdade e os premeditados. Muito difícil saber em que situação há desonestidade ou infelicidade na decisão do sujeito, ali na hora. E sempre me vem à memória a frase do Walter Clark, ex-todo poderoso da Globo, que, falando da sua experiência como vice-presidente do Flamengo nos anos 1980, disse no livro autobiográfico “O Campeão de Audiência”: “quem pensa que não se compram mais árbitros de futebol está redondamente enganado”.

Até aqueles jogos decisivos entre Atlético x Flamengo em 1980/1981, eu tinha na cabeça, desde criança, a final do Brasileiro de 1974, Vasco campeão, com a ajuda fundamental do Armando Marques, tido na época como o melhor árbitro do país. Foi uma vergonha o que ele fez com o Cruzeiro, ao anular o gol do Zé Carlos, de cabeça, aproveitando um cruzamento da linha de fundo. Armando Marques nunca deu explicações sobre o lance. Pouco antes de morrer (16 de julho de 2017, aos 84 anos), numa rara entrevista sobre o assunto, disse apenas que estava bem com a consciência dele e que nem se lembrava do lance: “Já apitei mais de mil partidas. Você acha que eu vou lembrar de um jogo em 1974?. Os críticos falam o que eles querem… Eu fico com a minha consciência. Eu não dou bola para eles…Eu não me arrependo de nada. Eu sou kardecista. Nós não temos ciúmes, nem ódio, nem nada disso no coração…”. Neste jogo ele anulou um do gol do Vasco também, motivo de reclamações dos vascaínos até hoje (https://www.supervasco.com/noticias/morre-arbitro-que-anulou-gol-legal-do-vasco-na-final-do-brasileiro-de-1974-205506.html), mas o que fez com o Cruzeiro, no fim da partida, foi um absurdo.

Depois, já repórter, e tendo a honra e o prazer de estar presente, vi de perto, José de Assis Aragão, José Roberto Wright, Romualdo Arpi Filho e Carlos Sérgio Rosa Martins, operarem o Atlético de forma escandalosa. O paulista Aragão e o carioca Wright, de forma acintosa, clara. Já o também paulista Romualdo e o gaúcho Rosa Martins, mais discretos, porém, provocadores de danos igualmente fatais e irreversíveis. Rosa Martins arrebentou com o Galo, como bandeirinha e passa despercebido da memória da imprensa e da torcida atleticana até hoje.

No primeiro jogo da final do Brasileiro de 1980, no Mineirão, diante de 90.028 pagantes, o Galo precisava fazer uma boa diferença no marcador para jogar por um empate no jogo da volta, no Rio. Mas Romualdo Arpi Filho, escalado estrategicamente pela CBF, não deixou a bolar rolar. Aliás, uma característica dele, de apitar tudo, mesmo que fosse uma falta aparente, parando o jogo a todo instante, beneficiando sempre quem precisava empatar ou perder de pouco. Era chamado pela imprensa de juiz “coluna do meio”, o “Rei dos empates”. O jogo ficou só no 1 a 0, e o Flamengo só se defendendo, No Maracanã, com 154.355 pagantes. José de Assis Aragão, dentre outros absurdos, expulsou Reinaldo, que havia marcado dois gols na partida e jogava machucado. Eram 23 minutos do segundo tempo, 2 a 2 no placar, o Galo no ataque, com chances de fazer o terceiro gol, e Rosa Martins marca de forma inacreditável um impedimento inexistente do Rei, prontamente apitado por Aragão. Aos 37, Nunes fez 3 a 2 para o Flamengo, que conquistava ali o seu primeiro título nacional.

Interessante é que consultando a ficha de jogos no Google, só aparece o nome do apitador, na maioria das partidas mais antigas. Só consegui lembrar que o co-autor dessa aprontação foi o Carlos Sérgio Rosa Martins, graças a um vídeo que me foi enviado pelo jornalista Eduardo Ávila, da transmissão da Band deste jogo, com narração do Fernando Solera.

Romualdo Arpi Filho (esq.) e Carlos Sérgio Rosa Martins em um Peru x Argentina, pelas eliminatórias da Copa de 1982. Rosa Martins entrou para a história como um dos maiores árbitros do Rio Grande do Sul, recordista no apito do Gre-Nal, 27 clássicos. Está com 81 anos de idade, mora em Porto Alegre, onde é corretor de imóveis.

Em janeiro de 2012, Carlos Sérgio Rosa Martins ao lado de Milton Neves, no Mercado Municipal de Porto Alegre, em foto do Marcos Júnior, publicada pelo Milton no portal Terceiro Tempo,

Em dezembro de 2012 postei aqui no blog esta foto, que valeu Prêmio Esso ao autor, José Santos (O Globo), do Armando Marques sendo chutado pelo então diretor de futebol do Botafogo, o ex-lateral Nilton Santos, depois de um jogo contra o Atlético no Maracanã.


Os maiores roubos da história do futebol I

Sempre sugiro o Júlio Gomes como ótima opção para quem quer ler, ver ou ouvir informações e opiniões sobre esportes, futebol em especial. Um dos melhores jornalistas do país, além de gente boa demais da conta. Hoje, por exemplo, ele toca num assunto que mexe com todo mundo que gosta de futebol: a revolta de cada um com as arbitragens e algumas que deixam marcas eternas. E ele lembra de uma carta que mandou para o Javier Castrilli, árbitro argentino, dos melhores do futebol mundial, a surpresa pela reposta que teve e o teor dessa resposta. Tudo para a reflexão de cada um de nós, sobre o futebol e sobre o caráter humano. Castrilli parou de apitar em 1998, aos 41 anos de idade, no auge da carreira.

No próximo post, falarei sobre o que penso sobre o tema e os árbitros que integram a minha lista negativa.

Confira este texto de hoje do Júlio Gomes, no blog dele no Uol, e acesse o link recomendado no fim, com a o retorno que teve do Castrilli:

* “Castrilli Day. Hoje é aniversário do maior roubo da história”

Hoje é 26 de abril. É o Castrilli Day! A cada ano, é importante lembrar do maior roubo da história do futebol. O dia em que um cidadão veio lá da Argentina para estuprar a Portuguesa na semifinal do Paulistão de 98, inventando um pênalti bizarro para o Corinthians aos 48min do segundo tempo. No “Sincerão”, eu chamei de “maior roubo da história” e, claro, isso virou polêmica. Os corintianos ficaram bravos, torcedores de tantos times lembraram outros assaltos. Gente, nunca haverá acordo em relação a isso e, nestas horas, a paixão vai ser falar muito, muito, muito mais alto do que a razão. Dois anos atrás, eu escrevi uma carta ao “señor” Javier Castrilli. E publiquei aqui no blog:  : “Lá se foram 20 anos. E eu te odeio, senhor Castrilli”. Recomendo a leitura. Expressei os sentimentos que estavam guardados comigo havia 20 anos, do dia que fiquei mais P… em minha vida. Aquele jogo, eu conto, foi quase que uma despedida minha, saindo do mundo em que eu era 1000% torcedor para o mundo profissional do jornalismo esportivo. Comigo, ter entrado neste mundo teve o efeito paulatino de distanciamento da paixão. Para minha surpresa, Javier Castrilli respondeu à minha carta. E eu também publiquei a respeitosa resposta aqui no blog: “Javier Castrilli me acordou hoje. E acho que acredito nele”. Sigo achando a mesma coisa: Castrilli era o típico árbitro que gostava de ser mais realista que o rei, que gostava de causar, de ser o maior protagonista em campo. Talvez não estivesse no Morumbi determinado a classificar o Corinthians. Mas estava em campo determinado a aparecer. Como sempre. E acabou operando a Portuguesa, no que se tornou, sim, a arbitragem que gerou maior comoção na história do futebol brasileiro. Porque foi contra um clube que tinha zero rejeição, muito pelo contrário, em benefício de outro que tem, por ser tão popular, uma enorme rejeição. As pessoas “neutras”, nem torcedores do Corinthians nem da Portuguesa, ficaram verdadeiramente indignadas. É claro que já teve muito roubo no futebol. Roubo no sentido metafórico e roubo de verdade mesmo. Mas todos tiveram uma segunda (ou terceira ou quarta ou quinta) chance. O Galo, que lembra daquele jogo contra o Flamengo, seria campeão da Libertadores mais tarde. Itália e Espanha, roubados contra a Coreia em 2002, seriam campeãs das duas Copas seguintes. O próprio Corinthians, prejudicado por Amarilla contra o Boca, vai longe na Libertadores novamente. O Inter, prejudicado em 2005, ganharia duas Libertadores depois daquilo. O Santos, roubado em 95, seria campeão brasileiro duas vezes depois. A Alemanha, prejudicada em 66, ganhou três Copas depois daquilo. Só usando um punhado de exemplos. Enfim, clubes grandes vão sempre continuar jogando por títulos. Vão perder roubado aqui, ganhar roubado ali. Vão chorar um dia, sorrir no outro. A Portuguesa, não. O roubo de Castrilli não foi o roubo de um jogo, de uma final. Foi o roubo para sempre. Um roubo sem chance de recuperação, pois era último o lance da partida. E sem chance de redenção do lesado. Foi um roubo definitivo, absoluto. Foi o roubo que selou o destino do clube. Ele tirou da Lusa e dos lusitanos uma chance que eles nunca mais teriam, nunca mais tiveram e nunca mais terão.

Nunca um árbitro prejudicou tanto um time. Na história.

Javier Castrilli me acordou hoje. E acho que acredito nele… – Veja mais em https://blogdojuliogomes.blogosfera.uol.com.br/2018/04/26/javier-castrilli-me-acordou-hoje-e-acho-que-acredito-nele/?cmpid=copiaecola


O calote no “pai de santo” e a queda para a Série B

Em foto do Vinnicius Silva/Cruzeiro, o jogo que selou o rebaixamento do Cruzeiro, na derrota de 2 a 0 para o Palmeiras no Mineirão.

Colegas mais velhos da imprensa, ex-jogadores e ex-dirigentes dos anos 1960/1970/1980 contam que o maior presidente do Cruzeiro, Felício Brandi, além de conhecedor de futebol, acreditava em bruxarias e não raramente contratava “pais de santo” para ajudar o time a vencer. Mas, com os jogadores que tinha (Raul, Piazza, Zé Carlos, Natal, Tostão, Dirceu Lopes, Nelinho, Joãozinho, Palhinha, para citar “apenas” alguns), até eu seria um exímio “pai de santo”.

Porém, quando se tem um grupo comum de jogadores, e se recorre ao sobrenatural, danou. Está na mídia nacional mais uma dessas que a maioria das pessoas imaginava que pertencesse só às histórias do folclore do futebol brasileiro: dirigente de clube recorrendo a “pai de santo” para conseguir resultado. Se fosse sobre uma possível armação com arbitragens, até daria para pensar na possibilidade, mas “pai de santo”!!!

Pois é! Um desses “babalorixás” pôs a boca no mundo reclamando que o Zezé Perrella lhe pagaria R$ 10 mil para segurar o Cruzeiro na Série A, mas que só pagou seis e que ficou faltando a parcela final. Só faltou dizer que não segurou o time porque o dinheiro restante não chegou a tempo.

Pior é que deve ter muito torcedor por aí, de todos os times, acreditando que se tivesse sido feito o pagamento integral a queda não ocorria.

Notícia do Uol:

* “Cruzeiro contratou pai de santo para evitar queda, mas não pagou R$ 4 mil “

O Cruzeiro contratou Reginaldo Muller Pádua, um babalorixá (conhecido popularmente como pai de santo), com endereços em Guarapari (ES) e Itabira (MG), para ajudar na luta contra o rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro em 2019. Pelos serviços, foram cobrados R$ 10 mil, mas o clube pagou apenas R$ 6 mil ao homem de 58 anos em três parcelas, entre 16 de outubro e 28 de novembro. O restante da quantia (R$ 4 mil) ainda não foi pago ao responsável pelo trabalho.

O UOL Esporte teve acesso aos documentos que comprovam o pagamento do montante a Pádua. A primeira transferência, no valor de R$ 2,5 mil, ocorreu às 15h36 (de Brasília) do dia 16 de outubro de 2019, por meio de contas da Caixa Econômica Federal. O processo foi repetido às 14h26 de 13 de novembro, mas a transferência bancária foi de R$ 3 mil. O clube ainda pagou outros R$ 500 em 28 de novembro, em operação realizada às 11h56.

Os pagamentos ao pai de santo foram autorizados por Benecy Queiroz, chefe do departamento técnico do clube. O documento obtido pelo UOL Esporte é datado em 16 de outubro de 2019, assinado pelo dirigente e endereçado a uma integrante do departamento financeiro.

“Conforme nossos entendimentos e considerando os serviços prestados pelo Sr. REGINALDO MULLER PÁDUA ao Cruzeiro Esporte Clube em Brasília, solicitamos a fineza, de que seja pago ao mesmo, a importância de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais).”

O dirigente confirma o fato ao UOL Esporte: “É um serviço religioso realmente que foi prestado na época do Zezé Perrella, entendeu? Foi o Zezé quem solicitou”. Benecy, no entanto, não sabe dizer se houve o pagamento integral da dívida com o babalorixá. “Foi mandado para pagar. Isso [se foi pago], eu não sei. Foi para o financeiro. Tem que ver com o financeiro, se pagou. Eu realmente não sei se pagou ou não”. Também procurado pela reportagem, Reginaldo Muller Pádua falou sobre o tema: “Ficou entre eu e ele [Zezé Perrella], como isso chegou até você, não sei. Realmente, eles não mandaram para mim os R$ 4 mil, mandaram só R$ 6 mil. Quem vai poder falar direitinho é o [Zezé] Perrella”.

“O senhor Wagner [Pires de Sá, então presidente da Raposa] não tem nada a ver com isso, ele nunca conversou comigo. Ele estava até afastado por causa de saúde parece, não sei o que era. Nunca consegui falar com ele, ele nunca falou comigo. As únicas pessoas que conversei foram Valdir Barbosa e o Zezé [Perrella]. Eu até tentei ligar para ele em dois números que tenho e não consegui”, concluiu.

Zezé Perrella, por sua vez, nega que tenha envolvimento com o assunto. Procurado, o ex-presidente do clube diz por meio de mensagem telefônica: “Desconheço”. Ele ainda pede para que seja procurado o então mandatário cruzeirense, Wagner Pires de Sá.

Imagem do www.hojeemdia.com.br

Abordado pela reportagem, Pires de Sá alega que o clube nem sequer pagou o valor durante a sua gestão: “Não sei se alguém foi lá e contratou. O Cruzeiro não, o clube não. Tem gente que aprova, o Perrella, inclusive, gosta muito. O Cruzeiro não contratou. Não tem nada contratado. É o que chamam de fake news”, comentou.

https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2020/04/23/cruzeiro-contratou-pai-de-santo-na-luta-contra-queda-mas-nao-pagou-r4-mil.htm


Parece simples, mas a exclusão de conselheiros pelo Cruzeiro é ato raro no Brasil

Dr. José Dalai Rocha, aplicou a lei, como em seus tempos como Juiz de Direito em várias comarcas de Minas Gerais. Foto do Vinnicius Silva/Cruzeiro.

A necessidade de reformas no Brasil é gigante e urgente: política, jurídica, fiscal, econômica, etecetera, etecetera e etecetera. Mas, como o futebol é o nosso assunto principal aqui, peguemos o atual momento vivido pelo Cruzeiro, como exemplo dessa urgência, já que a maioria dos clubes do país, pequenos e grandes, tem estatuto e estrutura de poder semelhante, com os conselhos deliberativos funcionando suas “casas legislativas” e eletivas. Os sócios elegem os conselheiros efetivos (reeleitos ou não a cada três anos), que se juntam aos “natos” (vitalícios), que por sua vez, elegem ou destituem o presidente executivo. Um Conselho Fiscal, composto por três ou cinco conselheiros, que teoricamente, analisa as contas de cada ano, aprova total ou parcialmente, com ou sem ressalvas e bola pra frente.

Na teoria, uma beleza, porém, na prática, prevalece o vale tudo para eleger conselheiros e diretoria executiva, prevalecendo o “toma-lá-dá-cá”, igual na maioria dos casos da política partidária municipal, estadual e federal. E como raramente ocorre, na semana passada a diretoria interina do Cruzeiro cumpriu o estatuto do clube e tirou dos quadros do Conselho, 30 conselheiros que recebiam salários do clube, contrariando as normas estatutárias. E como há muita gente influente na lista, só ontem os nomes foram liberados oficialmente, como mostra essa reportagem do Superesportes:

* “Cruzeiro exclui Serginho, filho de Perrella e outros conselheiros que recebiam do clube; veja lista com 30 nomes”

Clube publicou decisão em seu Portal da Transparência nesta quarta-feira

Por Rafael Arruda /Superesportes Tiago Mattar /Superesportes

Cruzeiro publicou nesta quarta-feira, em seu Portal da Transparência, a exclusão de 30 conselheiros natos e efetivos remunerados no período de 1º de fevereiro de 2018 a 31 de dezembro de 2019. Na lista com 30 membros constam os nomes de Sérgio Nonato dos Reis, o Serginho, e de Gustavo Henrique Perrella, filho do ex-presidente Zezé Perrella.

De acordo com o Cruzeiro, a decisão respeita os artigos 18 e 19 do Estatuto da instituição.

Art. 18: “O Associado Conselheiro Nato e Associado Conselheiro, contratado como empregado do Clube, perde o mandato e o suplente de Conselheiro será excluído do quadro de suplência”.

Art. 19: “É vedada a remuneração dos membros da Mesa Diretora do Conselho Deliberativo e de Conselheiro do Cruzeiro Esporte Clube”.

O clube também informou que todos os conselheiros foram notificados e tiveram direito a apresentar suas respectivas defesas. (mais…)


Dia 20 de abril é para entrar na história do futebol brasileiro. Casa própria do Atlético começa sair do papel

As máquinas começaram trabalhar lá hoje. Bairro Califórnia, na divisa de Belo Horizonte com Contagem, às margens da Via Expressa. Do outro lado fica a BR-040. Passei em frente esta manhã e fiz essas fotos.

Daqui a 30 meses espero ocupar uma das 46 mil cadeiras em um dos primeiros jogos do Galo em seu estádio.


Há seis anos morria Luciano do Valle, em Uberlândia, onde transmitiria Atlético x Corinthians

Tive o prazer e a honra de conviver com ele nos tempos de Band nos anos 1980/90. Esta foto foi em junho de 2009, durante a Copa das Federações da África do Sul, em um restaurante em Bloemfontein. O repórter Fernando Fernandes à esquerda, eu, ele e o Tiago Lacerda, então presidente do Comitê Executivo da Copa de 2014, órgão da prefeitura de Belo Horizonte, que iniciava os trabalhos visando a Copa do Mundo no Brasil.

No dia 19 de abril de 2014, um dos maiores comunicadores do país, grande figura humana, passou mal durante o voo de São Paulo a Uberlândia e não resistiu a um infarto, aos 66 anos de idade. O jornalista da TV Globo Marco Aurelio Souza, que viajava junto, prestou o seguinte depoimento ao Globoesporte.com no dia: “… “Ele não se sentiu bem durante o voo. Não teve nenhum rebuliço no avião. Ele só comunicou à comissária que não se sentia bem e pediu que, quando o avião descesse, chamassem um médico. Estava na primeira fileira. Todos os passageiros saíram, mas ele permaneceu. Quando eu saía, o comandante já tinha saído da cabine e conversava com ele indicando que tinha chamado um médico. A gente ficaria no mesmo hotel. Quem me relatava as coisas era o Fernando Fernandes, da Band. O Luciano já foi muito mal para o hospital. Meia hora depois, o Fernando me ligou para dizer que ele tinha morrido de um problema do coração”.

A FIFA fez uma homenagem, entregando a credencial dele que seria da cobertura da Copa 2014 em primeiro lugar, à Band. Mas, se esqueceu de acertar os detalhes e até mesmo informar à família, o que gerou protesto da viúva e constrangimentos, na época registrados aqui no blog:

http://blog.chicomaia.com.br/2014/05/29/homenagem-da-fifa-a-luciano-valle-incomodou-a-familia/


Uai! Flamengo precisando pegar dinheiro emprestado?

Do jornal Lance:

* “Flamengo recorre a empréstimo de R$ 40 milhões e busca renegociações”

Linha de crédito pré-aprovada será utilizada pela diretoria da Gávea diante dos impactos da pandemia do coronavírus nas finanças do clube

Os impactos da pandemia do coronavírus fizeram a diretoria do Flamengo recorrer a um empréstimo no valor de R$ 40 milhões junto ao Banco Santander. A linha de crédito, com juros baixos, já estava pré-aprovada e em “stand by”, de acordo com o demonstrativo financeiro do clube de 2019.

A informação foi inicialmente publicada pelo jornalista Gustavo Henrique.

O empréstimo acontece em momento que as finanças do clube foram impactadas com o rompimento do patrocínio da Azeite Royal e o não recebimento do valor acordado com a fornecedora de material esportivo Adidas. Juntos, nestes casos, o Flamengo deixou de arrecadar R$ 11,3 milhões.

Diante deste cenário, o Flamengo também não fez os repasses referentes às compras do zagueiro Léo Pereira, ao Athletico, e do atacante Thiago, ao Naútico. A direção da Gávea, contudo, está em contato com os representantes dos clubes buscando renegociar os termos por conta da pandemia da Covid-19.

https://www.lance.com.br/flamengo/faz-emprestimo-milhoes-busca-renegociacoes.html


Devagar, jogadores que quase levaram o Mário Caixa a um infarto estão sendo dispensados pelo Galo

Foto: www.atletico.com.br

Mineiramente os jogadores que não interessam ao técnico Jorge Sampaoli vão sendo dispensados. Os que têm mercado, já em outros clubes, como Patric, no Sport Recife, outros na fila de espera de mão dupla. Edinho, por exemplo, ainda não foi anunciado como descartável pelo Galo, mas o Fortaleza está contando as horas, para buscar de volta o jogador, cujos 10% dos direitos ainda lhe pertencem. O lateral-esquerdo uruguaio Lucas Hernández, o volante paraguaio Ramón Martínez, Zé Welison, mais Di Santo, Ricardo Oliveira e Clayton, aguardam pretendentes. Hernández, Martinez e Di Santo, chegaram ao Galo por intermédio do então diretor Rui Costa, que sucedeu outro incompetente, Alexandre Gallo. Deveria haver consequências para quem contrata tão mal e faz péssimos contratos para os clubes, mas a impunidade reina nessa área do futebol. Interessante é que o venezuelano Dudamel, contratado por Rui, não mandou dispensar estes que agora o argentino Sampaoli dispensa.

A grande lembrança que tenho do lateral Lucas Hernández é do jogo contra o Bahia, dia 24 de agosto do ano passado, um sábado de manhã, no Independência. Pela Itatiaia o Caixa quase infartava e dizia a toda hora: “meu Deus, que jogador é este?”. “Nossa Senhora, alguém apresente a bola a este rapaz!”. O Galo perdeu de 1 a 0, mesmo apoiado por 22.401 atleticanos no Horto.


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