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Terceira derrota seguida do Galo no Mineirão e explicações irritantes no vestiário

Foto: Bruno Cantini/Atlético

Jogo normal e dois a zero, idem, já que o Palmeiras tem mais time e mais banco. Poderia ter sido diferente caso a entrega alvinegra fosse maior dentro das quatro linhas e pressão das arquibancadas também fosse maior. Com 24.368 torcedores presentes, o Mineirão é campo neutro e facilita para quem é superior tecnicamente. Tanto que o Elias reconheceu isso, com toda razão: “O Independência hoje é a casa do Atlético, por mais que a gente entenda a história do Galo no Mineirão. Lá é pressão, o jogo vira, o jogo muda de uma hora para a outra”.

O que mais me incomodou nessa derrota foi a postura acomodada do técnico Rodrigo Santana, satisfeito com a atuação do time e até com o placar adverso de dois a zero. Pior foi o que disse sobre Alerrandro no banco e Ricardo Oliveira titular. “- Não tenho adjetivos para falar dele, de tão bom como jogador, como líder, um líder positivo. A gente precisava muito dele, ele sabe disso. E ele tem condições para dar. A minha opção de tirar foi no momento que ele levou uma pancada. A gente tem um jogo decisivo na quarta-feira, é um jogador que a gente tem que preservar. Independentemente de vaia ou não, ele é o Ricardo Oliveira, tem a história dele, a gente respeita. Tem muito valor, é um cara que eu admiro demais. Confio e acredito. Tirei ele mais para preservar.”

Na verdade, o técnico, três anos mais jovem que o atacante, estava apenas retribuindo a gentileza, já que na sexta-feira Ricardo Oliveira falou sobre o “chefe” na entrevista coletiva:

“É um cara estudioso, que entende, sabe montar time, sabe fazer com que a informação chegue ao atleta. O mais difícil para o treinador é fazer com que o atleta entenda a ideia do jogo. Hoje em dia, todo atleta tem que entender um pouco de tática de futebol. E o Rodrigo tem mostrado que, na prática, dá certo”.

É o jogo de compadres que prevalece no futebol brasileiro, principalmente em Minas. Amigos quebram o galho de amigos e parentes, garantido bons e bem remunerados empregos. A torcida e os resultados em campo que se danem.


Fora de casa América conquista o primeiro ponto na expectativa de dias melhores

Foto: Daniel Hott/América

O América conseguiu o seu primeiro ponto num jogo fraco de sábado às 11 horas contra o Criciúma. Com treinador novo chegando não dá pra falar muita coisa. Apenas ter esperança na competência dele e que consiga por o time na briga pelas quatro primeiras posições. Atualmente, três jogos, duas derrotas, um empate, um ponto em 12 disputados e 17º lugar.

1 Botafogo-SP 9 3 3 0 0 5 1 4 100,0
2 Bragantino 7 3 2 1 0 5 1 4 77,8
3 Londrina 7 3 2 1 0 3 1 2 77,8
4 Paraná 7 3 2 1 0 3 1 2 77,8
5 Cuiabá 6 3 2 0 1 3 2 1 66,7
6 Coritiba 5 3 1 2 0 3 1 2 55,6
7 Oeste 5 3 1 2 0 3 1 2 55,6
8 Operário 4 3 1 1 1 2 2 0 44,4
9 Atlético-GO 4 3 1 1 1 4 5 -1 44,4
10 CRB 3 3 1 0 2 3 3 0 33,3
11 Vitória 3 2 1 0 1 3 4 -1 50,0
12 Figueirense 3 3 0 3 0 2 2 0 33,3
13 Sport 3 3 0 3 0 2 2 0 33,3
14 Vila Nova 2 3 0 2 1 2 3 -1 22,2
15 Criciúma 2 3 0 2 1 1 2 -1 22,2
16 Ponte Preta 2 3 0 2 1 1 3 -2 22,2
17 América-MG 1 3 0 1 2 0 2 -2 11,1
18 Guarani 1 2 0 1 1 0 2 -2 16,7
19 São Bento 1 3 0 1 2 3 6 -3 11,1
20 Brasil de Pelotas 0 3 0 0 3 0 4 -4 0,0

 


Ainda sobre Guardiola, que mostrava jogos do Galo, Cruzeiro, seleção brasileira e Corinthians como exemplo de como não se jogar futebol

Num dos posts anteriores pegamos gancho do jornalista Alexandre Simões reclamando do “futebol de resultados” muitas vezes praticado pelo Cruzerio (http://blog.chicomaia.com.br/2019/05/05/cruzeiro-vence-a-segunda-consecutiva-em-casa-contra-candidatos-ao-rebaixamento/), implantado por Sebastião Lazaroni em fins dos anos 1980 no Vasco da Gama, levado à seleção que fracassou e foi eliminada pela Argentina na Copa da Itália em 1990. Que gerou também a “Era Dunga”. E quando a maioria achava que aquele estilo de jogo estava morto e enterrado no futebol brasileiro houve a ressurreição em 1994 com a conquista da seleção de Carlos Alberto Parreira da Copa dos Estados Unidos. Venceu a Itália nos pênaltis e chegou à final graças à genialidade de Romário, chutes pontentíssimos do lateral Branco, jogos inspirados do Bebeto e reflexos apurados do Taffarel para pegar pênaltis. Mesmo jogando feio e quase 100% defensivamente chegou à final e conquistou o “tetra”. No Brasil, quando se ganha, a cegueira toma conta e os defeitos são esquecidos por todo  mundo. Depois dessa conquista, mesmo incompetente para o cargo, Dunga virou até técnico da seleção brasileira, perdendo uma Copa (2010) e quase indo pra outra (2018), ressuscitado depois dos 7 a 1 da Alemanha em 2014.

Aquilo (a conquista de 1994) foi um tiro no futebol brasileiro que abandonou seu estilo ofensivo, de liberdade aos mais talentosos e passou a copiar o que há de pior do futebol europeu e suas famosas retrancas e “goleadas” de 1 a 0, 2 a 1, etecetera e tal. Enquanto isso os europeus se adaptavam à forma de jogar do Brasil e da Argentina. Como diria o gaúcho Lupicínio Rodrigues em “Esses moços”, deixam o  céu por ser escuro e vão ao inferno à procura de luz.

A mídia mundial está repercutindo a entrevista do Rafinha ao canal Fox Sports, sobre seus tempos de jogador do Pep Guardiola no  Bayern de Munique: “Rafinha: Guardiola exibia jogos brasileiros como exemplo do que não fazer”.

Como se sabe, Guardiola é discípulo do holandês Johan Cruijff, que por sua vez era fã e se inspirava em Telê Santana, como treinador, na forma de jogar.

E o mais triste, para nós, mineiros, Pep Guardiola mostrava nas preleções, jogos da seleção brasileira, Corinthians e também do Atlético e Cruzeiro, para dar exemplo de como não se deve jogar.

Veja essa reportagem do UOL:

“Rafinha contou uma história no mínimo curiosa a respeito de Pep Guardiola, na manhã de hoje (5), em entrevista ao “Fox Sports”. O lateral-direito do Bayern de Munique revelou que ex-treinador do clube bávaro passava vídeos de jogos brasileiros. Contudo, a intenção do técnico espanhol era apontar o que não deveria ser feito dentro de campo. De acordo com Rafinha, que assinou contrato recentemente com o Flamengo, Guardiola ensinava os jogadores a saírem do campo de defesa com toques rápidos e com muita velocidade, diferentemente do que o público costuma assistir no Brasil.

“[Guardiola]Cansou de mostrar em preleção vídeo de jogo do Brasil. Porque ele pegava uma jogada que a bola saía do lateral-direito para chegar no lateral-esquerdo. A bola começava na direita, ia para um zagueiro, depois para outro zagueiro e depois para o lateral. Essa transição passou por quatro jogadores e perdeu tempo”, disse Rafinha. O ala ainda relatou que o comandante do Bayern de 2013 a 2016 assistia aos jogos de Corinthians, Cruzeiro e Atlético-MG. “O Guardiola vê muito jogo do Brasil e mostrou muitas vezes. Mostrava de Corinthians, de Atlético-MG, na época que o Ronaldinho estava lá. Ele acompanhava bastante também o Cruzeiro. Não era uma crítica dele, mas o futebol é assim. É difícil ver um lateral virando uma bola, aqui na Europa é muito mais rápido”, arrematou”.


Cruzeiro achou que seria fácil e Emelec foi para o tudo ou nada

Rojas, autor do primeiro gol do Emelec, em foto do 

Com 18.083 pagantes no Mineirão o Cruzeiro tomou seus primeiros gols na Libertadores 2019 e também a primeira derrota. Fez um primeiro tempo da pior qualidade e melhorou no segundo, passando a impressão de que marcaria gols no momento que quisesse. Mas esbarrou num Emelec com total vontade de vencer.

O primeiro gol equatoriano nasceu de uma bola perdida pelo Rodriguinho, que recebeu um “tijolo” do Egídio, que acabara de dar um drible desconcertante num adversário arrancando efusivos aplausos da torcida. Pois é, driblou  bonito mas entregou mal em seguida. No chutaço de longe de Rojas a bola pegou Fábio de surpresa, pegou no travessão, bateu nas costas dele e entrou, aos 21 minutos de jogo. Sassá empatou aos 40. No segundo tempo a vitória equatoriana saiu aos 40 minutos em cobrança de pênalti do Ângulo, que ele mesmo sofreu do Edilson, um dos jogadores mais xingados pelos cruzeirenses essa noite.

Com o 1 a 0 do Palmeiras sobre o San Lorenzo o time paulista ficou com a melhor campanha da primeira fase e terá a vantagem de decidir casa a partir de agora.


A diferença do Atlético de Levir Culpi para o de Rodrigo Santana

Quem assistiu a  participação do Levir Culpi no programa Bem Amigos, do Sportv de segunda-feira, entendeu o porquê do Atlético ter se complicado tanto nestes primeiros meses do ano e ter sido eliminado na primeira fase da Libertadores.

O time que era uma bagunça com ele, fez dois bons jogos contra o Cruzeiro, apesar de ter perdido o Campeonato Mineiro. No Brasileiro é líder isolado, com três vitórias em três jogos. Não é nenhuma maravilha, mas minimamente organizado consegue ser competitivo.

Com o time completo passou um aperto danado contra o Zamora no Mineirão, jogando mal e virando um jogo a duras penas depois de estar perdendo por 2 a 0.  Esta noite na Venezuela, poupando os principais jogadores para o jogo contra o Palmeiras, se impôs e retorna ao Brasil com vitória e classificado para disputar a sequência da Copa Sul-americana.

Thiago Nogueira, do jornal O Tempo fez observações interessantes sobre o time do Galo @thiagonoggueira: “Zamora 1 x 2 Atlético. Alerrandro duas vezes. Alerrandro: 10 gols em 12 jogos em 2019. Fábio Santos: 1ª assistência em 22 jogos em 2019. Patric. 2ª assistência em 10 jogos em 2019.”


O show de Liverpool e Barcelona e a demonstração de profissionalismo impressionante do Messi

É até arriscado ficar assistindo demais a jogos da Champions League. Às vezes ficamos pensando que se trata de outro esporte e não a mesma modalidade de futebol que vemos no Brasil. Velocidade, tática, qualidade técnica de lances geniais. O time que mais gostei até agora foi o Ajax que pensava que fosse enfrentar o Liverpool na final. E que jogo o time inglês e o Barcelona fizeram hoje: sensacional.

Lionel Messi saiu eliminado de campo mas o seu profissionalismo e respeito à camisa do Barcelona foram muito bem definidos pelo jornalista Jorge Luiz Rodrigues, do Sportv‏ @jorgeluizrod: “Cena emblemática de um jogo extraordinário: um atônito Messi correndo atrás de Fabinho, para pará-lo com falta, aos 48 do segundo tempo, quando o Barcelona perdia de 4 a 0 do Liverpool. Vitória épica do clube inglês”.

Quando foi a última vez que vimos um jogador brasileiro com uma atitude dessas?


O primeiro grande desafio do Maurício Barbieri será melhorar o ambiente entre os jogadores do América

Novo técnico do América, em foto do jornal Lance!

O grupo rachado foi o principal motivo da queda do Givanildo Oliveira que perdeu o controle da situação. Sobre essa aposta da diretoria, recorri a amigos flamenguistas para me informar sobre o novo técnico, apresentado hoje. O mais ligado nas coisas do Urubu, por dentro de detalhes até dos treinos do time, Waldívio Marcos de Almeida, diz que o defeito do Barbieri no Flamengo foi não poupar os principais jogadores em determinados jogos, levando-os a desgaste excessivo. Na hora agá faltavam pernas ou o jogador estava entregue ao departamento médico. Com isso, jogos e decisões importantes foram perdidos, comprometendo a temporada do clube.

Outro flamenguista atento é o Walmisson Régis, que considera o Barbieri um técnico moderno, conhecedor de tática, mas que nos momentos decisivos se perdia quanto à escalação ideal para determinados jogos. Acha que o Flamengo era muito para ele, mas que pode se dar bem no América na busca do principal objetivo que é uma vaga na Série A de 2020.

Mauricio Nogueira Barbieri tem 38 anos de idade, nascido em São Paulo. Comandou o Osasco Audax-SP Sub-20 (2004 a 2011), Audax-RJ (2011-2014), Red Bull-SP (2014 a 2016), Guarani de Campinas (2017), Desportivo Brasil-SP (2017-2018), Flamengo (2018) e Goiás-GO (2019).

Sucesso a ele no Coelhão.


Cruzeiro vence a segunda consecutiva em casa contra adversários da prateleira do meio pra baixo

O jornalista Alexandre Simões foi muito cobrado pelos cruzeirenses ao escrever o que escreveu depois da vitória sobre o Ceará:‏ @oalexsimoes “Na última quarta-feira muita gente criticou minha opinião. São 30 minutos, o segundo tempo e o Cruzeiro pena para empatar com o Goiás por 1 a 1 no Mineirão. Está certo? É assim que vai brigar por títulos na temporada? Vai ganhar o jogo? Pode. Tem qualidade. Mas o futebol é pobre.”

“Cruzeiro gasta muito com o futebol para tomar sufoco do Ceará no Mineirão e depender do Fábio para vencer. Time de Mano devendo e muito no Brasileirão até agora.”

Realmente foi muito aperto e placar apertado para quem investe tanto. Depois de 0 a 0 no primero tempo, fez 1 a 0 aos três do segundo, com o zagueiro Dedé; tomou o empate aos 11 e venceu com gol do Rodriguinho aos 35 minutos. Mas os três pontos foram garantidos.

Alexandre Simões é da prateleira de cima do jornalismo brasileiro e concordo com ele nas cobranças que faz por mais futebol do Cruzeiro em função do elenco e investimentos que tem e faz.

Porém, é o Cruzeiro do Mano Menezes, cujas opções táticas podem não agradar aos que gostam do futebol refinado e mais romântico, mas que dá certo e gera conquistas ao longo da carreira do treinador gaúcho.

É o “futebol de resultados”, implantado por Sebastião Lazaroni em fins dos anos 1980 no Vasco da Gama, levado à seleção que fracassou e foi eliminada pela Argentina na Copa da Itália em 1990.

Falaremos mais a respeito nos próximos posts.


Terceira vitória consecutiva do Galo: “cavalo ganhou uma vez, sorte; ganhou duas vezes, olho nele; ganhou três vezes, aposte nele”

Nathan, autor do primeiro gol do Galo em foto do Pedro Souza/Atlético

Da bela e cativante São Gonçalo do Sapucaí, a 340 Km de Belo Horizonte, o gente boa André Puliti manifestou a alegria dele ao ver a enquete do Jogo Aberto ontem @andrepuliti: Fantástico ver o resultado dessa pesquisa no @bandjogoaberto”.

Penso que falar em “melhor futebol” é exagero, e pedi a opinião do Héwerton Guimarães:

Uai!!! É sério isso @hevertonfutebol?

No que ele respondeu: “E não teve influência minha pq nem trabalhei hoje.”

Aí o Galo emenda a terceira vitória consecutiva, contra o Ceará, em Fortaleza! Sensacional! Mas longe de ser o melhor futebol. Outra vez foi no tradicional estilo do Atlético, na garra, na vontade, que está escrito no hino do clube: “…com toda a nossa raça pra vancer…”.

Gol da virada aos 47 minutos do segundo tempo! Ótimo! Também é da tradição do Galo, assim como as soluções simples para graves problemas momentâneos, como a escolha de um treinador. Que vá deixando o Rodrigo Santana como “interino”. Quem sabe ele chega à última rodada desse jeito? Jogando simples, fazendo o feijão com arroz, “descobrindo” um Nathan aqui, um Jair ali, um Geuvânio lá na frente, motivando um Elias e um Chará, que finalmente estão jogando o que se espera deles e por aí vai. E acima de tudo, um treinador que uniu o grupo e conseguiu fazer com que todos corram muito, se entreguem enquanto têm forças. Nada de anormal, apenas uma volta às tradições do Atlético, de gana, de raça, de sangue nos olhos, de vontade de ganhar, de respeito à massa apaixonada!

A ficha do jogo no site do Galo:

* “Galo vence de virada em Fortaleza e é líder do Brasileiro”

Segue o líder! (mais…)


Com dinheiro em caixa e sem dependência da TV, Palmeiras peita a Globo e faz um estrago danado na programação. Rádios se beneficiam

CSA 1 x 1 Palmeiras, sem transmissão por nenhuma TV, já que a Lei Pelé exige que os adversários em campo tenham acordo quem quiser transmitir

Se mais clubes não fossem tão dependentes das antecipações de verbas dos direitos de transmissão, certamente todos negociariam em melhores condições. O Palmeiras está conseguindo se impor e a falta de transmissão de seus jogos pela TV está provocando muitas adaptações na cadeia dos negócios ligados de alguma forma ao futebol, como mostra essa reportagem de quarta-feira da Folha de S. Paulo:

* “Sem TV, jogo do Palmeiras impacta cadeia de negócios do futebol”

Rádios, rivais e VAR buscam se adaptar a situação inédita há pelo menos 22 anos

Luciano TrindadeLuiz Cosenzo

Em um fato inédito há pelo menos 22 anos, os torcedores de Palmeiras e CSA não poderão assistir a uma partida do seu time no Campeonato Brasileiro pela televisão. As equipes se enfrentam nesta quarta (1º), às 16h, no estádio Rei Pelé, pela segunda rodada do torneio.

A situação é resultado do impasse entre o clube alviverde e o Grupo Globo na negociação dos direitos de transmissão do Brasileiro para TV aberta e pay-per-view, mas atinge também toda uma cadeia de negócios que se formou ao redor das partidas do Brasileiro.

A própria CBF, clubes rivais, sites de estatísticas e rádios que costumam transmitir as partidas terão de se adaptar.

A Confederação Brasileira de Futebol, por exemplo, solicitou à Globo a geração de imagens para o VAR (árbitro assistente de vídeo). A emissora carioca fará a captação mesmo sem ter direito de transmissão e cederá as imagens à CBF. Procuradas pela Folha, nenhuma das partes informou quem arcará com custos extras da operação.

A Globo disse apenas que mesmo sem poder transmitir as partidas do Palmeiras vai continuar fazendo a cobertura jornalística do clube.

“O Palmeiras continuará tendo espaço constante no globoesporte.com e nos programas esportivos da TV Globo e do SporTV”, afirmou.

A TNT também fará a captação das imagens do jogo. Assim como a Globo, o canal do grupo Turnerpoderá veicular depois da partida os melhores momentos e os gols do duelo, desde que as imagens não excedam até 3% do total do tempo do evento, conforme determina a Lei Pelé.

A ausência dessa partida na TV causará, ainda, uma lacuna em sites que fornecem estatísticas para a mídia especializada e torcedores. O Footstats, por exemplo, um dos principais sites do segmento no futebol brasileiro, não vai divulgar dados do jogo.

“Esse jogo não existirá para nós. Fazer ao vivo é fora de cogitação. Estamos de mãos amarradas”, disse José Eduardo, fundador do site. “Sem a imagem, não conseguimos fazer nada. Nós temos um teclado especial para inserir os dados. Não resolveria só mandar o pessoal ao campo”, afirmou.

Já analistas de desempenho dos demais clubes que disputam a competição esperam contar com imagens cedidas pelo CSA, clube da casa.

“Na véspera de enfrentar um rival, temos um analista que assiste ao jogo in loco. Mas utilizamos os vídeos para montar as preleções, as conversas individuais com os jogadores. Para este jogo contra o Palmeiras não teremos isso”, disse Maurício Dulac, auxiliar técnico do Inter, próximo adversário do Palmeiras na competição nacional.

“Quando isso acontece [ausência de transmissão], os analistas entram em contato com os profissionais do outro clube, no caso o CSA, para ver se eles possuem o vídeo com a câmera aberta. Se o CSA não tiver, podemos ficar somente com as informações de imagem do penúltimo jogo do Palmeiras”, acrescenta.

A falta de transmissão de TV também causa problemas para as rádios de São Paulo que desejam transmitir a partida. Deslocar-se até Alagoas será a única alternativa para as emissoras. Até o início desta terça-feira (30), porém, nenhuma das principais rádios da capital pretendia ir até Maceió para transmitir o duelo.

Devido aos custos operacionais, é comum que emissoras de rádio façam transmissões esportivas acompanhando o jogo pela TV e contem apenas com um repórter no local.

Inicialmente, elas optaram pelo jogo entre Corinthians e Chapecoense, também às 16h, em Itaquera. Após a publicação de reportagem no site da Folha, sobre a ausência das rádios paulistanas, a Transamérica e a Bandeirantes decidiram enviar uma equipe para o local do confronto.

“Queria sentir a temperatura da primeira rodada para definir a escala. A princípio, não trabalhávamos com a possibilidade de transmitir esse jogo, mas após a vitória do Palmeiras e a derrota do Corinthians, resolvemos mudar. O torcedor palmeirense está empolgado”, disse Eder Luiz, responsável pelo departamento de esportes da Transamérica.

Até então, o jogo só poderia ser acompanhado ao vivo por rádios de Alagoas e pela descrição em portais na internet e pelas contas dos clubes em redes sociais. A Folha informará em seu site os principais lances e gols em tempo real. Além disso, disponibilizará o áudio da transmissão do jogo realizada pela rádio Pajuçara, de Maceió.

Para a sequência do campeonato, os executivos das rádios planejam investir mais na transmissão das partidas sem exibição na televisão para atrair a audiência.

“Vamos fazer uma adaptação ao orçamento. Eu acho legal até, vendo pelo lado do rádio, porque a torcida do Palmeiras terá de acompanhar assim”, disse Fábio Luiz França, coordenador de esportes da Band News FM.

Apesar de o Palmeiras ter contrato com o grupo Turner, do canal TNT, para transmissão de seus jogos em TV fechada, a partida contra o CSA não poderá ser exibida porque o clube rival tem acordo com o Grupo Globo. Pela Lei Pelé, para que um jogo seja exibido, a emissora precisa da anuência dos dois clubes em campo.

O Grupo Globo chegou a acordo com 19 dos 20 clubes da Série A para transmissão do Brasileiro em TV Aberta. Já para exibição em pay-per-view, a empresa ainda negocia com Athletico-PR e Palmeiras.
O impasse fará com que 74 dos 380 jogos do torneio deixem de ser exibidos no sistema pago. Desses, 26 jogos (todos do Palmeiras contra os 13 times que assinaram com o Grupo Globo para TV fechada) ficarão fora de todas as plataformas disponíveis de transmissão. O desta quarta será apenas o primeiro deles.

ONDE ACOMPANHAR AO VIVO CSA X PALMEIRAS

Em São Paulo, a Transamérica e a Bandeirantes transmitirão o jogo. A Rádio Globo/CBN terá um repórter no estádio Rei Pelé.

As três principais rádios de Alagoas vão transmitir em seus sites (Pajuçara/103,7 FM (www.tnh1.com.br/103), Maceió AM (maceioam1020.com.br) e Gazeta/98,3 FM (www.radiogazetaweb.com).

O Palmeiras terá narração do jogo em seus canais oficias no Youtube e no Facebook. A Folhainformará em seu site os principais lances e gols em tempo real. Também disponibilizará o áudio da rádio Pajuçara.

https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2019/05/sem-tv-jogo-do-palmeiras-impacta-cadeia-de-negocios-do-futebol.shtml


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