Blog do Chico Maia

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Tristes fatos que igualam o mundo

IDOSO

Cena comum nos Estados Unidos e rara para nós: idoso transita normalmente com seu andador, inclusive atravessando faixas para pedestres, sem ser incomodado e nem se sentir ameaçado pelos automóveis.

Domingo, pouco antes das seis da manhã em Los Angeles, quase 10 horas em Belo Horizonte, acordo para uma caminhada e antes confiro as mensagens no celular. De cara, leio esta, do Roberto Tibúrcio, agente FIFA, que mora em Contagem: “Galeras… ajudem a avisar quem mora aqui em Contagem-MG, quebradeira agora na João César de Oliveira, com dois “atleticanos” baleados na praça Paulo Pinheiro Chagas e um “cruzeirense” morto dentro de um supermercado. Evitem sair com camisas dos clubes, pra não serem confundidos e acabarem sofrendo algo destes marginais… evitem o Eldorado! Virou guerra!!!! Sou absolutamente contra torcidas organizadas!”

Ligo a TV e todos os canais mostram, ao vivo, cenas de Orlando, na Flórida, onde policiais e outras autoridades dão entrevistas sobre o atentado que matou mais de 50 pessoas numa boa lá, horas antes, por motivações que nada têm a ver com o futebol.

Abro a internet e leio que a UEFA ameaça punir Inglaterra e Rússia, caso seus torcedores não parem com as brigas, dentro e fora dos estádios. E imagens de muita violência e sangue entre eles.
Só resta questionar: que mundo é este em que estamos vivendo? No que se refere a nós, em Belo Horizonte e adjacências, sempre digo que a culpa é da impunidade, da falta da aplicação do rigor da legislação vigente. Além, óbvio, da falta de civilidade. Extinguir “organizadas” não resolveria o problema. Estes envolvidos não podem e não devem ser tratados como “torcedores”. São bandidos que usam as camisas dos dois maiores clubes do Estado como álibi para a prática de seus crimes.
No caso dos Estados Unidos a questão é religiosa e extrapola a razão e questões legais. Na França, certamente as autoridades policiais subavaliaram a ação dos “hoolighans” principalmente ingleses e russos, tidos como os mais violentos e perigosos do mundo.

Só festa
Felizmente, violência é o que não se viu ainda e possivelmente não veremos em razão do futebol e da Copa América. O público que comparece aos jogos ou participa das “fans-zone” está a fim é de se divertir, independentemente das partidas de futebol e até mesmo de quem está se enfrentando. A diversão é conjunta, de respeito recíproco, onde a disputa é para ver quem grita mais ou agita mais a própria bandeira. Por incrível que pareça o que menos se vê dentro e nos arredores dos estádios são policiais. Há muitos organizadores do trânsito e orientadores para encontrar o portão certo de entrada.

Respeito às leis
Este comportamento nos estádios aqui segue o cotidiano dos cidadãos cujos direitos individuais são respeitados e estão acima de qualquer coisa para eles. Para quem não está acostumado, como nós, impressiona e até emociona ver idosos poderem caminhar pelas ruas com os seus andadores, atravessando tranquilamente as faixas para pedestres, sem serem incomodados. Os motoristas param os carros e só se movem depois que o senhor ou a senhora completam a travessia. Porque a lei diz que tem que ser assim, e ai de quem não fizer diferente disso. Aí sim, a polícia aparece na hora, não se sabe de onde.


Não há como comparar

SANDIEGO (1)

Monumento em homenagem ao fim da Segunda Guerra, na marina de San Diego, em frente ao porta aviões que foi transformado em museu. Foi nesta cidade que, na madrugada de sexta-feira, ocorreu um terremoto de 5,2 graus (que não é pouca coisa) aqui na Califórnia. Só fiquei sabendo através de amigos do Brasil que enviaram mensagens perguntando. San Diego fica a 195 Km de Los Angeles, onde eu estava e onde não ouvi nenhum comentário a respeito.

Na próxima terça-feira acaba a primeira fase da Copa América e na quinta, dia 16 ocorre o primeiro jogo das quartas de final. Os jogos de amanhã pelo grupo C (México x Venezuela, Uruguai x Jamaica) são para cumprir tabela, porque mexicanos e venezuelanos já estão classificados. Na terça o Chile deve passar por cima do Panamá e se juntar à Argentina, classificada por antecipação. Hoje tem Brasil x Peru, Equador x Haiti, com quase certeza da classificação de brasileiros e equatorianos. A Eurocopa começou sexta-feira com a vitória da anfitriã França sobre a Romênia. Ontem teve Suiça 1 x 0 Albânia, País de Gales 2 x 1 Eslováquia, e Inglaterra e Rússia entrariam em campo depois do envio desta coluna. Mesmo com a Copa América sendo realizada aqui, os jornais dos Estados Unidos dão mais destaque à competição europeia do que para a das américas. Pelo menos duas redes de televisão estão transmitindo todos os jogos da Euro, ao vivo. Tamanha atenção para a Copa América só no canal latino Univision, que não transmite todas as partidas.

Tentar comparar é covardia. Só no item público pagante a Copa América é páreo para a Eurocopa, pois os latinos que moram aqui garantem 39.462 por partida. Os “nativos” só falam em Warriors e Cavaliers que brigam pelo título do basquete.
Estrelas de primeira grandeza em campo, eles têm aos montes, nós, apenas Messi, já que Luis Soares nem chegou a entrar em campo pelo Uruguai e Neymar está fora porque a CBF optou em tê-lo na Olimpíada, cuja medalha de ouro no futebol o Brasil ainda não tem.
Quando se fala em dinheiro a covardia aumenta: enquanto a UEFA reparte R$ 1,15 bilhão às 24 seleções participantes da Euro, Conmebol e CONCACAF repartem R$ 72,7 milhões às 16 dos três continentes e Caribe. A campeã europeia receberá R$ 103,4 milhões, e a americana R$ 72,7 milhões.

Só ele mesmo
Em 30 minutos contra o Panamá Lionel Messi acabou com o marasmo e sonolência reinantes na Copa América até agora entre os torcedores. Até então, apenas México 3 x 1 Uruguai tinha provocado discussões e comentários acalorados nas rodas de imprensa e aficionados do futebol por aqui. Segundo os colegas jornalistas argentinos Messi não é de dar a menor bola para qualquer crítica que lhe façam, positiva ou negativa, mas neste jogo ele teria entrado em campo incomodado com o falastrão Maradona, que o havia chamado de “frouxo” num papo com o Pelé mais cedo. Aliás, as falas do Maradona atraem cada vez menos atenção.

Quando o álcool sobe
Nada de violência em nenhum jogo ou cidade sede até agora em função da Copa América. Na Eurocopa a polícia francesa está tendo muito trabalho para apartar hoolighans ingleses e russos que estão se espancando em Marselha. Aqui nos Estados Unidos o coro come solto é depois dos jogos decisivos do basquete, mas não em função de rivalidade entre os finalistas. As estatísticas oficiais mostram que o problema é o consumo excessivo de álcool, o que provoca violência entre brigões que torcem pelos mesmos times. E normalmente fora dos estádios. Virou tradição. Os sopapos que o cantor Justin Biber tomou no saguão de um hotel em Cleveland foi numa dessas situações.


Um mito de verdade e uma mentira de legado

ALI1 (1)

Enquanto exibia os pronunciamentos dos familiares de Muhammad Ali, as redes de TV mostravam imagens das lutas e cenas da intimidade dele com os filhos.

Que me perdoem leitores interessados apenas em Copa América e seleção brasileira, mas hoje falarem de um assunto diferente e as senhoras e senhores hão de compreender. A sexta-feira dos Estados Unidos foi marcada pelo cortejo fúnebre e solenidades em homenagem a Muhammad Ali, em Lousiville, no Estado do Kentucky. Além da mídia impressa, todas as redes de TV transmitiram ao vivo, com direito a discurso do ex-presidente Bil Clinton. Não consegui sair de perto da televisão enquanto duraram as falas de tantas figuras, representantes das mais diversas raças e crenças religiosas, inclusive indígenas. Nunca vi momento fúnebre de personalidade pública tão marcante e emocionante. Toda homenagem que se fizer a Muhammad Ali mundo afora será justa. A partir do momento em que se uniu a Martin Luther King na luta contra a segregação racial e pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, a causa ganhou força em todo o planeta e ambos pagaram caro por isso. Luther King assassinado e Ali perseguido de todas as formas possíveis, inclusive perdendo a licença para lutar, no auge da carreira de maior boxeador que o mundo viu.

Essa luta pela cidadania, que começou no início dos anos 1960, resultou no fim do apartheid na África do Sul em 1994, depois de Nelson Mandela, líder da mesma causa na África, ter sido condenado à prisão perpétua e libertado depois de passar 28 anos na cadeia. O resultado prático disso nos Estados Unidos, hoje, é que os negros têm um poder e respeito onde não têm em nenhum outro lugar do mundo. No governo, no Congresso, nas forças armadas e nos meios de comunicação a presença de negros é fortíssima, quase que na mesma proporção de brancos, fato inimaginável quando Muhammad Ali (ainda Cassius Clay) abraçou a causa que tinha Martin Luther King como a liderança mais famosa.

Carne e osso
A única vez que o vi Muhammad Ali de perto foi na abertura da Olimpíada de Londres, em 2012, quando ele fez um grande esforço na luta contra o Parkinson para conseguir marcar presença. Havia informações de que o agravamento do problema o impediriam de ir. Mas ele chegou. Numa cadeira de rodas, pescoço pendente para o lado esquerdo, lá estava o mito, dando mais um exemplo para a humanidade. Gente, susceptível a problemas como qualquer pessoaa.
Nos jornais das redes TVs, apresentadores negros e brancos dividem as bancadas. Raramente em qualquer comercial de uma grande empresa os personagens são apenas brancos.

Legado perverso
O tal “legado” tão mentirosamente utilizado pelas autoridades que defendiam altos gastos e tantos estádios na Copa do Mundo em 2014 provocou saudade dos bons tempos do futebol brasileiro esta semana na Copa América. México 2 x 0 Jamaica teve público de 83.365 pagantes, o que não era raro no futebol mineiro e brasileiro antes de encolherem, encarecerem e burocratizarem os nossos estádios. Em nome de um “Padrão FIFA”, outra mentira, já que a entidade apenas recomendava, mas não obrigava mataram bastante o futebol brasileiro. A média público nesta competição tem sido de 39.462 pagantes, por partida.


Personalidade para reconhecer falhas

PAODEQUEIJO

O intercâmbio comercial entre Brasil e Estados Unidos é fraco. Raramente se vê algum produto brasileiro nas gôndolas dos supermercados daqui. Este “pão de queijo” só tem o nome parecido com o nosso, mas é produzido aqui mesmo e de sabor ruim demais da conta.

O Alisson está sendo questionado pelas duas falhas que originaram gols de adversários da seleção nesta Copa América. O frangaço na estreia contra o Equador, anulado erradamente pelo árbitro chileno Julio Bascuñán, e a rebatida de bola que resultou no gol de honra do Haiti. Considero este goleiro um dos acertos do Dunga no comando da seleção brasileira. É o melhor que temos. Além do mais é um jogador sem nenhum lobista para defender os interesses dele na mídia. Falhou feio contra o Equador, mas deu um punhado de explicações, nenhuma convincente e todas desnecessárias. Sem falar que o erro foi minimizado pela mancada do apitador chileno. Contra o Haiti, para mim, não houve falha: chute cruzado, à queima roupa, muito forte. Faltou um companheiro para limpar a área no rebote. Mas o maior erro dele é muito mais grave, com consequências na sequência da carreira de qualquer jogador de futebol: a falta de personalidade para assumir erros, que sempre aconteceram e sempre acontecerão com qualquer humano, em qualquer atividade, futebol principalmente. Nem falo de humildade, porque este é um traço fundamental de quem tem personalidade.

A pior cena do futebol é quando um goleiro toma gol e sai esbravejando contra algum companheiro, como se estivesse transferindo a culpa. Os grandes goleiros do Brasil e do mundo entraram para a história por reconhecer suas falhas, corrigi-las e saberem se recolher à própria insignificância de qualquer mortal.
Muitos jogadores, goleiros principalmente, ganham a fama de “traíra” por causa dessa gesticulação ridícula e entrevistas infelizes ao não assumirem culpa de nada, como se fossem infalíveis. Ou aqueles que põem a culpa em Jesus, que não os teria “abençoado” naquele dia. Como se Jesus não quisesse também o bem do adversário.

Menos, gente!
A imprensa que cobre a seleção se dividiu na aprovação do Fred no Atlético, mas a maioria entende que o Galo fez uma grande aquisição. Alguns, de São Paulo principalmente, morrem de raiva de ver um clube sem o dinheiro dos paulistas, contratar jogadores desse porte técnico e financeiro, como se fosse uma “afronta à corte”. Ainda mais quem já tem Robinho no elenco.
Fred é profissional desses que dão retorno a quem investe nele, e empenha a alma para atingir o objetivo. Concordo com quem aprovou a aquisição do Galo, mas discordo desse oba-oba todo demonstrado por alguns colegas mineiros. Prefiro aguardar os resultados em campo, para bater palmas depois, ou não.

Money
Apesar da aparente segurança nas ruas os norte-americanos se viram contra a malandragem que, até há alguns anos, só incomodava aos países do “terceiro mundo”. Muitos estabelecimentos comerciais simplesmente não aceitam cédulas de 100 dólares, por medo da avalanche de notas falsas que foi derramada em várias regiões dos Estados Unidos. Nos locais onde não há máquinas identificadoras quem tem só de a de 100 que se vire para trocar por notas de outros valores.
Outra novidade interessante é quando se paga com cartão de débito: a máquina lhe oferece dinheiro, livre de taxas, para que você não precise recorrer a um caixa eletrônico.


Com grana ou nada feito

ROSEBOWLHONDA

Palco da final da Copa de 1994, um dos principais estádios desta Copa América. Originalmente batizado como Estádio das Américas, o Rose Bowl, hoje, leva o nome da japonesa Honda, que paga caro para isso.

Apesar do desinteresse dos norte-americanos pela disputa, os moradores latinos dos Estados Unidos garantem o sucesso de público desta edição da Copa América. A média de pagantes por partida é de 40.603. Argentina e Chile levaram mais pessoas até agora. Foram 69.461 no estádio de Santa Clara. O menor público pertence a Panamá x Bolívia que teve 13.466 pagantes. Aliás, em termos de dinheiro a competição já começou com sucesso garantido. Como se sabe a intenção dessa Copa América “Centenário” foi uma ideia dos dirigentes das federações das Américas do Norte, Central e do Sul, que estão presos, para tentar lavar a grana da corrupção entre eles e patrocinadores, que estavam na mira do FBI. O plano só não deu certo porque a polícia e a justiça dos Estados Unidos agiram antes, quase um ano atrás. Com isso, iniciou-se um efeito cascata que derrubou não só a cúpula das bandas de cá como da UEFA e até da FIFA, com o fim da Era Joseph Blatter, que era cria do João Havelange. Estes conseguiram ficar livres da cadeia, pelo menos até agora.
Além do público presente nos estádios todas a cotas de patrocínio foram vendidas, assim como os direitos de transmissão para as rádios e TVs, a um custo altíssimo, o que afastou muitas emissoras tradicionais, presentes em todos os grandes eventos do futebol mundial. Ou a parcerias antes inimagináveis. A Globo Internacional, por exemplo, não está transmitindo. Muitos brasileiros que moram nos Estados Unidos se assustaram ao ver e ouvir o Galvão Bueno narrando Brasil x Equador, em português, pela Univisón, um canal em idioma espanhol. Parceria global para baratear custos e não ficar sem transmitir. Nem as emissoras de rádio, que sempre tiveram condições especiais nas negociações de direitos escaparam da fúria arrecadadora na turma do Tio Sam dessa vez.

Sem grana não entra
Além dos direitos de transmissão cada emissora tem que pagar U$ 1.500 por cabine de transmissão, em cada jogo. Segundo o presidente da Federação Boliviana de Futebol, Romero López, a Conmebol e a CONCACAF tentaram impedir essa cobrança até esgotar a última negociação, mas a exigência é dos estádios, todos com donos privados, nada de governo, sem paternalismo, como acontece no Brasil e na maioria dos países da América do Sul. Aqui, não pagou, nem entra no palco dos espetáculos. A Federação boliviana pagou para as quatro emissoras do país que estão cobrindo a horrorosa seleção deles.

Dinheiro à frente
Daqui acompanho as brigas do América, Minas Arena, governo do estado e Ministério Público por causa dos pagamentos devidos e não devidos na utilização do Independência e Mineirão. Nossa cartolagem e políticos deveriam dar uma chegada nos Estados Unidos e fazer um estágio com os donos e administradores de estádios aqui. Se não for rentável não tem como existir e tudo que envolve a praça esportiva tem que gerar receita. Do nome do estádio, passando pelo estacionamento, comidas, bebidas e até as informações de utilidade pública no serviço de som. O Rose Bowl é “Arena Honda”, em Santa Clara é Levi’s Stadium, em Orlando o Citrus Bowl virou Camping World e vida que segue.


Futebol em baixa, preços nas alturas

PRECOS

Preços salgados e limitações à quantidade de bebida alcoólica por pessoa em todos os estádios da Copa América. Com a nossa “caipirinha” presente, e cara.

Por mais incrível que pareça este jogo contra o Haiti, da prateleira de baixo do mundo da bola mundial, poderá vir a ser um divisor de águas em nosso futebol. Caso não vença por uma boa diferença de gols, a seleção brasileira correrá o risco de ficar fora da próxima fase da Copa América, na última rodada, numa disputa contra Equador e Peru por duas vagas. Esta edição da competição não tem a classificação de melhor terceiro colocado como é tradicionalmente na disputa Sul-americana. A não classificação significaria o fim da nova “Era Dunga” na seleção, que até agora não empolgou a ninguém. Nem no Brasil e nem aos brasileiros e estrangeiros que moram nos Estados Unidos. Em Los Angeles os treinos não atraíram ninguém, na Flórida, pouquíssimos torcedores.

Aliás, a própria Copa América Centenário é como se não existisse para o grande público norte-americano, que até segunda-feira estava ligado na final do hóquei deles, entre o Pinguins, de Pistsburgh e o Sharks, de San José, além dos play-offs de uma das maiores paixões deles que é o basquete, entre o Warrios (Oakland) e Cavaliers (Cleveland), que continuam rolando.

Os latinos, que são os grandes consumidores do “soccer” e enchem os estádios, estão reclamando dos preços dos ingressos e demais componentes para se assistir a qualquer jogo em algum estádio. O ingresso numa posição intermediária, correspondente a uma arquibancada, custa U$ 150. O estacionamento no entorno, inacreditáveis U$ 60. Um refrigente U$ 10, cerveja, 300 ml: U$ 13; água, U$ 6; “lemonade” a nossa caipirinha: U$ 14, um sanduiche: U$ 20 e por aí vai.
Futebol fraco, sem estrelas, por preços como estes, não tem como atrair multidões. Na imprensa em geral pouco ou nada se vê. A única rede de TV que tem dado uma boa cobertura é a Fox. Nos jornais, poucas linhas e poucas fotos. Na Califórnia e na Flórida, algumas rádios no idioma espanhol transmitem os jogos.

Demissões caras
As precoces quedas do Mano Menezes do Shandong Luneng e do Vanderlei Luxemburgo do Tianjin Songjian, repercutiram muito na seleção. Não só porque eles já a comandaram, mas também pelo fato do Shandong ser o time do zagueiro Gil, titular da equipe do Dunga, e também de grandes jogadores do nosso futebol, como Diego Tardelli, Montillo e Aloisio. No agora ex-time do Luxemburgo jogam Luiz Fabiano, Jadson e Geuvânio. Ambos os treinadores voltam com os bolsos cheios de dinheiro, mas, com arranhões profundos em suas imagens. Os chineses não estão dando mole e querem retorno dos investimentos.

Crime e castigo
Li no portal do O Tempo que o presidente do Senado Renan Calheiros considerou o pedido de prisão dele, do ex-presidente José Sarney e do senador Romero Jucá, pela Procuradoria Geral da República como “desproporcional e abusiva”. Aqui nos Estados Unidos o ex-governador de Illionois cumpre 14 anos de cadeia em regime fechado por corrupção. O último Sherife da Califórnia, eleito para quatro anos de mandato, perdeu o cargo por uma suposta agressão à esposa. Por essas e por outras que os marginais pensam 100 vezes antes de agir por aqui. A sensação de segurança é da melhor qualidade, nas ruas e em qualquer horário.


Consequências da falta de comando

celular

Quando chega o momento de entrar em qualquer estádio é hora de baixar aplicativos e mensagens no celular para a conferência da leitora de códigos. O papel cada mais uma espécie em extinção.

Os 53.158 pagantes saíram vaiando os dois times no Rose Bowl, com toda razão. Brasil e Equador ficaram devendo e o torcedor brasileiro incomodado com a falta de perspectivas desse grupo, sob o comando do Dunga, cuja principal justificativa é que está montando uma nova seleção. A maior preocupação não é nem a conquista dessa Copa América, mas o risco de ficar fora de um Mundial pela primeira vez na história. Os russos contam com a força midiática e comercial da “seleção canarinho” para vender devidamente o peixe deles para 2018. O Brasil já os desfalcou na Copa das Confederações de 2017 ao não conquistar a Copa América do Chile ano passado.

Contra o Equador o time ainda contou com a ajuda do árbitro chileno Julio Bascuña que invalidou gol legítimo do Bolaños, que chutou da linha de fundo e o Alisson tomou um maiores frangos da história da seleção.

Além da questionável competência do Dunga outro tema se impõe para discussão: temos jogadores de qualidade para formarmos uma grande equipe? Ou estamos na vala comum da maioria dos países famosos por terem um passado glorioso e presente como qualquer outro? Assim como os antecessores no cargo o atual treinador convoca praticamente todos que atuam no exterior, mas temos atletas melhores jogando no Brasil?

Os colegas da imprensa internacional nos fazem perguntas como essas e as respostas não são conclusivas e nem unânimes. Cada um pensa uma coisa e só há um consenso: a falta de comando da CBF atrapalha. Nos tempos do Ricardo Teixeira todos sabiam quem mandava, gostando ou não dele ou de seus subordinados. Aqui, o chefe da delegação seria o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Melo, que no dia do embarque agradeceu e ficou no Rio para debelar a crise que se instalava no clube dele.

Gangorra
Encastelado em São Paulo o presidente Marco Polo Del Nero manobra politicamente para se manter no cargo, não se enrolar na CPI da entidade que ele preside, instalada em Brasília, e não acompanha a seleção no exterior para não ser preso. Além da falta de credibilidade gerada por essa gangorra institucional, questões práticas são afetadas e prejudicam a seleção. Ano passado o empresário João Dória, indicado para chefiar a delegação no Chile, caiu fora antes da hora e o Brasil não teve um chefe de delegação presente em Santiago para recorrer contra a punição aplicada ao Neymar, desfalcando a seleção nas eliminatórias.

Tecnologia
Os norte-americanos usam os avanços da tecnologia para facilitar o dia a dia deles e na organização da Copa América não está sendo diferente. Pouquíssimas pessoas para resolver alguma coisa presencialmente, nos estádios ou centros de imprensa. Tudo na base do celular, do wifi e do e-mail. Ao questionamento “não recebi o meu ingresso” uma pessoa ou uma maquina pede o “código de acesso”. Diante da devida informação, chega outra: “dentro de no máximo dez minutos você o receberá em sua caixa de mensagens”. E assim é feito! Você baixa o código, apresenta a tela do telefone ao porteiro, que com uma leitora digital libera o acesso para a entrada ou não.


Taffarel manda lembranças

TAFAREL

A Califórnia, assim como o mundo amanheceu triste no sábado com a notícia da morte de Muhhamad Ali, com os canais de TV mostrando imagens dele dentro e fora dos ringues. A sexta-feira também tinha sido de nostalgia, porém, de boas lembranças, principalmente do ex-goleiro Cláudio André Taffarel, atualmente membro permanente da comissão técnica do Dunga na seleção. Simpático como sempre ele atendeu a imprensa e fãs ao se posicionar debaixo das traves onde 22 anos atrás ele defendeu pênaltis e o mundo viu Roberto Baggio chutar pra cima, na final da Copa de 1994. Era o Tetra! O estádio Rose Bowl é o mesmo, Taffarel continua a gentileza em pessoa, porém os raros fios de cabelo estão cada vez mais brancos.

Tive o prazer de bater um papo por alguns minutos com ele que ao me ver fez questão de chamar-me. Disse que estava ansioso para saber notícias de Minas, onde além de jogar, teve franquias de sua escola de futebol, e onde não vai há alguns anos. Estava trabalhando na Turquia, por isso os contatos com o Brasil nos últimos anos passaram a se resumir a Porto Alegre, a sua terra.

Taffarel perguntou por tudo e por todos de Belo Horizonte, que segundo ele, foi uma das melhores cidades onde já morou e deixou grandes amigos. Disse também que apesar de todas as dificuldades da época, foi muito feliz no Atlético e tem um carinho especial pelo clube e pela torcida que o acolheram tão bem. Mas não tem saudades da diretoria daqueles tempos, comandada pelo Paulo Curi. Não guarda mágoa de ninguém, mas foram tempos difíceis financeiramente, com salários atrasados, de jogadores e funcionários. Ele marcou sua passagem pelo futebol mineiro não só pelas grandes atuações com a camisa do Galo, mas pela solidariedade com funcionários mais humildes do clube, que mais sofriam com os atrasos salariais.

TAFAREL1

Passados 22 anos daquela final vitoriosa contra aa Itália, Taffarel posou com companheiros de comissão técnica e até jornalistas no mesmo gol onde o mundo o viu fazer grandes defesas e Baggio chutar pênalti pra cima

Diferença de comportamento
O estádio Rose Bowl recebeu um “banho de tinta” e ficou pronto para esta Copa América. Quase a mesma coisa de 22 anos atrás , quando foi palco da final de uma Copa do Mundo. Diferente das autoridades brasileiras, aqui optam pela praticidade e economia. Um estádio confortável, mas sem luxo e ostentações. Certamente ninguém se aproveita de comissões por fora, o que encarece obras públicas e inviabilizam bons projetos. Fico lembrando os suntuosos estádios brasileiros para Copa de 2014 e quanta gente se beneficiou indevidamente de tantas obras públicas. Ainda bem que a operação Lava-Jato está mostrando muita coisa.

Duas Pasadenas
O tráfego para se chegar e sair do Rose Bowl também é um bom exemplo a ser seguido. Construído às margens de um complexo viário, facilita a vida de motoristas e de quem se utiliza de transporte público em Los Angeles e Pasadena, uma bela cidade também, cujo estádio fica a 32 quilômetros do centro de Los Angeles. Mais ou menos Betim em relação a Belo Horizonte. Aliás, a Pasadena do Rose Bowl não é a mesma da polêmica Pasadena daquela aquisição mal explicada da Petrobras, que derrubou muitas reputações brasileiras. Essa fica no Texas, a mais de dois mil quilômetros de distância daqui.


O primeiro mundo apanha na organização da Copa América

CONTAINERPORFORA

Com a sua realização em um país de “primeiro mundo” era de se esperar uma Copa América perfeita ou quase, em termos de organização. Mas é isso que estamos vendo e sentindo na pele; muito pelo contrário. Faltam informações básicas para a imprensa e consequentemente para o público. Nem os informes e facilitações que os jornalistas têm em toda competição desse tipo estão à disposição. As retiradas da credencial oficial e do passe para estacionamento são feitas em um inacreditável e minúsculo container, que até tem ar condicionado, mas não cabe ninguém e as enormes filas formadas em seu redor pingam suor com o calor causticante da Califórnia. Dentro do container, duas gentilíssimas jovens e senhor, que fazem o que podem, mas não dão conta de atender rápido a centenas de jornalistas que chegam a cada minuto.

Este ano organização resolveu inovar na distribuição dos ingressos para a tribuna de imprensa e criou um novo canal do “Media Channel”. Ótima intenção, mas muitos companheiros não souberam acessar o sistema e dá-lhe problema. Onde resolver? Acredite: no tal container. Coitadas das moças, com mais serviço; coitados dos jornalistas, voluntários e funcionários que também têm de recorrer ao mesmo local para resolver as suas pendências. Para complicar os computadores com as suas câmeras e impressoras trabalham no ritmo de “lenha verde e molhada”. Volta e meia travam! Ufa! E estamos nos Estados Unidos da América! Mas, por incrível que pareça não está rolando stress. Os jornalistas andam pacientes. Até mesmo os mais esquentadinhos, que se acham estrelas estão diferentes aqui. Talvez por medo de perder o emprego, em função dessa crise que afeta também a mídia, talvez por saber que nos Estados Unidos, apelar é pior ou talvez até mesmo porque os funcionários e voluntários do comitê organizador são tão gentis que o sujeito fica constrangido de ser grosso.

DENTRODOCONTAINER

Dentro do container

Tudo verdade
Na realidade o mais certo é que todos esses “talvez” são verdadeiros. Não me lembro de uma disputa dessas envolvendo a seleção brasileira que tenha tão poucos jornalistas e veículos de comunicação cobrindo. De Minas, apenas eu, dos jornais O Tempo e Super Notícia, e mais um colega de outro veículo. Também faço boletins diários para a Rádio Alvorada FM. A Rádio Gaúcha enviou o repórter Sérgio Boaz e faz as transmissões dos estúdios mesmo, no famoso “off-tube”. A Rede Globo que manda em torno de, no mínimo, 100 profissionais para toda Copa América, nessa mandou 12. Os veículos do Nordeste, sempre bem representados, ninguém dessa vez.

POUCAGENTE

Poucos jornalistas cobrindo o jogo da seleção

Latinos e as meninas
Conforme o previsto a maioria absoluta do público pagante nos estádios é latina. Poucos norte-americanos, que continuam arraigados maciçamente nas modalidades que mais gostam: o futebol deles, beisebol e basquete. Por incrível que pareça o futebol feminino aqui tem mais força que o masculino já que envolve as escolas, as universidades e é tratado como fator de saúde pública. No Brasil nossas autoridades políticas e esportivas nem sonham o que é isso. Tratam o assunto como se fosse apenas uma atividade de lazer. É triste, mas não existe política de incentivo ao esporte em nosso país.


Futebol feio e necessidade de vencer o Haiti na quarta-feira

MONICA

O jogo foi ruim mas nenhum jornalista tem o que reclamar da ótima tribuna de imprensa do estádio Rose Bowl, onde a colega equatoriana Mônica Cruz se ajeita apara iniciar os trabalhos

Jogo fraco 0 a 0 entre o time do Dunga e o Equador. E os verde-amarelos ainda contaram com a ajuda do árbitro chile Julio Bascuña que invalidou um gol legítimo do Bolaños, que chutou da linha de fundo e o Alisson estava tomando um maiores frangos da história do futebol. A bola não saiu no ato do cruzamento.
Os 53.158 pagantes saíram vaiando os dois times na saída do Rose Bowl, com toda razão.


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