Em toda Olimpíada alguns fatos ficam marcados e entram para a história com destaque especial, positivos e negativos. A do Rio terá as vaias como um destes destaques. Há uma corrente, a maior delas, que entende que a vaia só é cabível no futebol; outra que na maioria das modalidades, menos em algumas. E outra, minoria absoluta, que não deveria haver vaia em nenhuma disputa olímpica. François Miterrand, o maior presidente da França pós-guerra, considerava normal e justa qualquer tipo de vaia. Eu fico no meio do caminho, na base do “depende”. Vi uma vaia que me assustou e que condeno até hoje. Nem tanto pelo alvo, mas por quem a iniciou e cuja atitude foi repudiada até por aquelas a quem ele apoiava: Oscar Schimdt, um dos maiores atletas da nossa história. Foi no Pan-Americano do Rio em 2007, justamente numa das competições que mais exigem concentração e que as rivais normalmente são solidárias entre elas, independentemente da nacionalidade: Barra de equilíbrio feminino. Bem ao estilo dele quando jogava, Oscar a todos pulmões, gritava palavrões e maior dos pecados berrava que a menina caísse da barra, no estilo “vai cai, vai cair…”.
Nada a ver
Nem os apelos apavorados das jovens concorrentes brasileiras para que ele parasse com aquilo o demoveram. Os berros e histeria continuaram e não surtiram o efeito que ele queria. Eu que sempre tive o Oscar como um modelo de ética e atleta, inverti o pensamento que tinha sobre ele. Comportamento inaceitável para gente minimamente educada. Decepção total.
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