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Os maiores roubos da história do futebol II

Em foto d`O Globo (Otávio Magalhães), José de Assis Aragão expulsa Reinaldo na final do Brasileiro de 1980 contra o Flamengo, depois de o Rei marcar dois gols. Este post foi inspirado no anterior, em que transcrevi (e sugiro a leitura) texto do Júlio Gomes no blog dele no Uol.

Todos que gostamos de futebol temos na memória as maiores “garfadas” que já vimos, principalmente contra o nosso time. O árbitro erra como qualquer ser humano em qualquer atividade, mas assim como tal, há erros de verdade e os premeditados. Muito difícil saber em que situação há desonestidade ou infelicidade na decisão do sujeito, ali na hora. E sempre me vem à memória a frase do Walter Clark, ex-todo poderoso da Globo, que, falando da sua experiência como vice-presidente do Flamengo nos anos 1980, disse no livro autobiográfico “O Campeão de Audiência”: “quem pensa que não se compram mais árbitros de futebol está redondamente enganado”.

Até aqueles jogos decisivos entre Atlético x Flamengo em 1980/1981, eu tinha na cabeça, desde criança, a final do Brasileiro de 1974, Vasco campeão, com a ajuda fundamental do Armando Marques, tido na época como o melhor árbitro do país. Foi uma vergonha o que ele fez com o Cruzeiro, ao anular o gol do Zé Carlos, de cabeça, aproveitando um cruzamento da linha de fundo. Armando Marques nunca deu explicações sobre o lance. Pouco antes de morrer (16 de julho de 2017, aos 84 anos), numa rara entrevista sobre o assunto, disse apenas que estava bem com a consciência dele e que nem se lembrava do lance: “Já apitei mais de mil partidas. Você acha que eu vou lembrar de um jogo em 1974?. Os críticos falam o que eles querem… Eu fico com a minha consciência. Eu não dou bola para eles…Eu não me arrependo de nada. Eu sou kardecista. Nós não temos ciúmes, nem ódio, nem nada disso no coração…”. Neste jogo ele anulou um do gol do Vasco também, motivo de reclamações dos vascaínos até hoje (https://www.supervasco.com/noticias/morre-arbitro-que-anulou-gol-legal-do-vasco-na-final-do-brasileiro-de-1974-205506.html), mas o que fez com o Cruzeiro, no fim da partida, foi um absurdo.

Depois, já repórter, e tendo a honra e o prazer de estar presente, vi de perto, José de Assis Aragão, José Roberto Wright, Romualdo Arpi Filho e Carlos Sérgio Rosa Martins, operarem o Atlético de forma escandalosa. O paulista Aragão e o carioca Wright, de forma acintosa, clara. Já o também paulista Romualdo e o gaúcho Rosa Martins, mais discretos, porém, provocadores de danos igualmente fatais e irreversíveis. Rosa Martins arrebentou com o Galo, como bandeirinha e passa despercebido da memória da imprensa e da torcida atleticana até hoje.

No primeiro jogo da final do Brasileiro de 1980, no Mineirão, diante de 90.028 pagantes, o Galo precisava fazer uma boa diferença no marcador para jogar por um empate no jogo da volta, no Rio. Mas Romualdo Arpi Filho, escalado estrategicamente pela CBF, não deixou a bolar rolar. Aliás, uma característica dele, de apitar tudo, mesmo que fosse uma falta aparente, parando o jogo a todo instante, beneficiando sempre quem precisava empatar ou perder de pouco. Era chamado pela imprensa de juiz “coluna do meio”, o “Rei dos empates”. O jogo ficou só no 1 a 0, e o Flamengo só se defendendo, No Maracanã, com 154.355 pagantes. José de Assis Aragão, dentre outros absurdos, expulsou Reinaldo, que havia marcado dois gols na partida e jogava machucado. Eram 23 minutos do segundo tempo, 2 a 2 no placar, o Galo no ataque, com chances de fazer o terceiro gol, e Rosa Martins marca de forma inacreditável um impedimento inexistente do Rei, prontamente apitado por Aragão. Aos 37, Nunes fez 3 a 2 para o Flamengo, que conquistava ali o seu primeiro título nacional.

Interessante é que consultando a ficha de jogos no Google, só aparece o nome do apitador, na maioria das partidas mais antigas. Só consegui lembrar que o co-autor dessa aprontação foi o Carlos Sérgio Rosa Martins, graças a um vídeo que me foi enviado pelo jornalista Eduardo Ávila, da transmissão da Band deste jogo, com narração do Fernando Solera.

Romualdo Arpi Filho (esq.) e Carlos Sérgio Rosa Martins em um Peru x Argentina, pelas eliminatórias da Copa de 1982. Rosa Martins entrou para a história como um dos maiores árbitros do Rio Grande do Sul, recordista no apito do Gre-Nal, 27 clássicos. Está com 81 anos de idade, mora em Porto Alegre, onde é corretor de imóveis.

Em janeiro de 2012, Carlos Sérgio Rosa Martins ao lado de Milton Neves, no Mercado Municipal de Porto Alegre, em foto do Marcos Júnior, publicada pelo Milton no portal Terceiro Tempo,

Em dezembro de 2012 postei aqui no blog esta foto, que valeu Prêmio Esso ao autor, José Santos (O Globo), do Armando Marques sendo chutado pelo então diretor de futebol do Botafogo, o ex-lateral Nilton Santos, depois de um jogo contra o Atlético no Maracanã.


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Comentários:
14
  • Paulo César disse:

    Realmente, fizeram o serviço em 80/81. Sem disfarce. Na cara dura. Mas acho realmente que o trauma foi maior que se merecia, e travou demais o clube em sua retomada aos títulos (além da incompetência administrativa) nos anos posteriores. Me lembro que o mesmo Flamengo (o time da grande mídia) “operou” (de forma mais discreta, é verdade), Grêmio em 82. Diferentemente do Galo, o Grêmio meio que ignorou esta história e teve uma década de 80 muito bacana.

    Entendo, e valido a rivalidade que nasceu ali. Mas acho que esta história foi remoída demais por aqui, nas Gerais.

    De forma alguma, defendo subserviência do Galo ao Flamengo, cbf e Rede Globo. Mas carregamos esta pesada “bola de ferro” por muito tempo, turbinada por parte sensacionalista da imprensa. Exagero? Era só resgatar o confronto de 1987. Virou o “jogo da vingança” (me lembro das chamadas da Itatiaia). Quem entrou nervoso em campo? E quem soube catimbar? Questão de inteligência. Autocontrole e foco. Que o diga o time de 2014, que cconduziu uma verdadeira epopéia naquele 4 x 1.

  • Flaviano disse:

    Eu lembro, foi um roubo mesmo, queriam dar o título para o Flamengo.
    Dito isso, gostaria de dizer que Palinha e Chicão também foram culpados pela perda do título.
    Explico
    Dois jogadores experientes, eles sabiam que arbitragem era tendenciosa, mas mesmo assim discutiram com o árbitro e foram expulsos.
    Superioridade numérica era tudo que o Flamengo precisava naquele jogo.
    O Atlético com três jogadores a menos acabou derrotado pelo Flamengo.
    Ponho a culpa pela perda do título na conta desses dois jogadores, Chicão e Palinha.

  • Bernardo Montalvão disse:

    Se fosse colocar neste espaço os erros de arbitragens contra o Galo, daria um texto enorme.

  • Marcelo de Andrade disse:

    Esse impedimento foi absurdo mesmo, até o Luciano do Vale, naquela época sem Var e câmera de impedimento, viu que o impedimento era imoral e narrou. Podem pegar sua narração no YouTube para comprovar. No retorno ao jogo, no lance após o impedimento, Reinaldo ficou em frente a bola para impedir a cobrança de lance inacreditável, foi expulso. Uma vergonha.

  • joao disse:

    E esse FDP do José Roberto Rato, jura até hoje de pé junto que não roubou do Galo. É mole ou quer mais?

  • Marcão de Varginha disse:

    Não falei? São extremamente coniventes.. sabem que seu diretor literalmente comprou arbitragens, e mesmo assim a empáfia e conivência impera nessas mentes sujas.. sujeitos asssim tem o caráter e moral duvidosos, e para esses tipos de “torcedores”, seguem umas falas do grande Nelson Rodrigues (sic):
    – “Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos…”.
    – “Em futebol, o pior cego é o que só vê a bola.”
    – “O povo é um débil mental. Digo isso sem nenhuma crueldade. Foi sempre assim e assim será, eternamente.”
    – #benecyeternomito

    • Eduardo Silva disse:

      Eu num tinha falido, (sic) o rapaiz apareceu com seu monotema, (sic) e portiguêis é a sua especialidade, (sic) apesar de que ele viu a raposa cantar e não sabe onde… (sic).

      PRONTO! Na aula de hoje vamos saber o significado e emprego correto do (SIC):

      O advérbio latino sic (por extenso: sic erat scriptum, traduzido como “assim estava escrito”) é inserido após um termo ou expressão para indicar que uma citação foi transcrita exatamente como encontrada no texto de origem, incluindo erros gramaticais ou ortográficos, bem como usos arcaicos de linguagem, raciocínio …

      Assinado: Auréliu, pai dos burrus, (sic) manda lembranssa…(sic)

      • Juca da floresta disse:

        Eduardo, não liga não amigo, com certeza o varginhense sempre foi intimidado pelo Cruzeiro, e confunde cruzeiro com o Benecy, coisa de Síndrome de Estocolmo, é o resultado psicológico particular em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo amor ou amizade pelo seu agressor. Por isso que ele vive repetindo o nome do Benecy, Pega leve com o varginhense.

      • Marcão de Varginha disse:

        “Honestidade é um presente caro; não espere isso de pessoas baratas”. (Warren Buffett).
        “Não se aproxime de uma cabra pela frente, de um cavalo por trás ou de um idiota por qualquer dos lados” (Provérbio judaico).
        e para finalizar:
        – #benecyeternomito

  • Eduardo Silva disse:

    Chico, boa tarde,

    Esse tema de erros de arbitragem é “deverasmente” polêmico e controverso. Se o erro foi contra seu time vc vai botar a boca no trombone, mas se foi a favor, vai amenizar e deixar de lado, não dando relevância e sendo condescendente e tome gozação com o adversário.

    TODOS os clubes de futebol tem seus casos de erros contra ou a favor e realmente fica a dúvida se foi um erro de marcação por falha mesmo, por incompetência, se foi por dolo do árbitro ou como se diz no popular: o juiz roubou!! Ai tome homenagem: ladrão, safado, filho da piii… Quem nunca foi a um estádio e xingou bastante? é uma verdadeira sessão de descarrego…. vc volta pra casa calminho,calminho… kk

    É óbvio que os trios de arbitragem não tinham tanto preparo e ajuda da tecnologia como tem hoje e mesmo assim, atualmente, os lances interpretativos CONTINUAM dando pano pra manga nas rodas de comentaristas esportivos da mídia especializada.

    Agora, tem o erro num lance capital do jogo, jogo valendo título, como um penalti, um impedimento que a bola entra, uma falta dentro da área, bola na mão/mão na bola, que fica gravado pra sempre, ainda mais se o jogo estava 0a0 ou estava empatado e tem também aquelas faltas duvidosas que o juiz vai dando, tipo minando o time e irritando os jogadores, até expulsar algum e ajudar o outro time.

    Sobre o Alt Mineiro esse rosário de erros que o clube coleciona, também não seria importante pensar que os jogadores quando vão pra uma partida tem que estar fortalecidos mentalmente pra ganhar do adversário, do juiz e de tudo extra campo que rodeia uma partida? O técnico prepara o time pra se preocupar só em jogar bola ou coloca mais pilha?

    Naquele famoso jogo no Serra Dourada contra o Flamengo, porque os jogadores ao invés de JOGAR BOLA, esquecessem o juiz e partissem pra cima pra fazer gols, ao contrário, foram lá discutir com o juiz, entraram numa pilha danada e tudo desandou e foram sendo expulsos até melar a partida toda. Os dois times eram muito bons, todos com bons jogadores, mas os atleticanos, na minha modesta opinião, foram infantis e caíram na pilha de um juiz nervoso, alterado e talvez mal intencionado, mas isso ainda não tem como provar e vai ficar no folclore do futebol…

    Lembro quando o Alt Mineiro ganhou a Libertadores, que o Kallil foi de jatinho da CBF fazer uma visita ao presidente da Conmebol pra levar uma camisa do clube de presente… é lógico que ele foi lá mostrar que seu clube é grande, que tem peso, que tem que colocar um árbitro neutro…Os bastidores também são importantes, porque numa disputa entre um clube grande e um pequeno sempre a corda arrebenta pro lado do mais fraco, isso é fato!

    TODOS OS TÍTULOS que o Cruzeiro ganhou foram dentro de campo, jogando contra TODOS os grandes clubes do futebol brasileiro e sulamericanos, seja em torneios mata-mata como a Copa do Brasil e Libertadores ou pontos corridos como Campeonatos Brasileiros.

    O pessoal até que “tenta” desqualificar essas conquistas, mas nós ainda poderíamos até ter mais títulos como o nebuloso caso de 74 como vc citou, mas os cruzeirenses não ficam nessa choradeira sem fim como uns e outros por ai por causa de erros de arbitragens.

    Minha conclusão é: Monte um time forte dentro e fora de campo e ganhe no seu estádio e fora dele contra o adversário, contra o juiz, gandula, polícia, dirigente, pai se santo ou quem aparecer pela reta e depois solte o grito: é campeãoooo…. é campeãoooo…

    eita que cruzeirense tá calejado disso…

    obs: espaço reservado para aquela cantilena que é repetida aqui TODOS OS DIAS:
    Ben_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

  • Marcão de Varginha disse:

    Esse é o “negócio” futebol: uns se acham intocáveis e até ousam afirmar em bom fim que compraram arbitragens, e outros são rotineiramente prejudicados de forma escancarada pela arbitragens.. uns debocham que o Galo “só” é campeão brasileiro, outros erguem campeonatos com fax da CBF.. mas o Galo possui torcedores, e o outro lado possui coniventes..
    – #benecyeternomito

  • Silvio T disse:

    A “elite” brasileira sempre agiu assim, em todos as áreas do país. Quem lê livros como Chatô e Minha Razão de Viver, por exemplo, fica estarrecido em ver como o destino de potências empresariais e milhões de pessoas eram decididos no submundo do poder. Um caso emblemático é da companhia aérea Panair. Era um modelo de empresa mundial, como a Embraer. Foi simplesmente limada do mapa e tudo que era dela foi entregue de mão beijada para a Varig. O caso do galo é parecido. Como Reinaldo era figura non grata à ditadura, foi fácil repassar os títulos brasileiro, Libertadores e Mundial para o mengão.

  • ROBERTO ROSA ALADIAS disse:

    quando descobriram o brasil madaram os ladroes todos pra ca atletico era o time pra ter mais titulos mais infeslimente esses lixos vermes nao deixaram