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Flávio Carvalho, o lendário comandante do Minas Esporte, da Band, é candidato em Liberdade

Flávio Carvalho (centro) comandou um dos mais longevos programas de esporte da história da TV mineira, e de maior audiência: o Minas Esporte, da Band. Num programa de 2001, a Esmeralda de Jesus Freitas, minha amiga e colega de Ginásio Industrial em Sete Lagoas, foi convidada para falar sobre a brilhante carreira dela, velocista dos 200 metros rasos e recordista no salto à distância. Na época já era professora em São Paulo. À direita na bancada, o americano Luiz Chaves Chaves, outra grande figura da nossa imprensa, um ser humano acima da média. Eu usava a camiseta que ganhei da Batcarvena, de Diamantina, que aliás, continuo ganhando, todos os anos.

***

Para as inúmeras pessoas que diariamente me perguntam por onde anda o Flávio Carvalho, comandante do nosso saudoso programa Minas Esporte, da Band, aqui está uma informação bem atual: ele é candidato a vice-prefeito de Liberdade, a cidade natal dele, na Zona da Mata, a 120 Km de Juiz de Fora. Numa dobradinha PP/MDB, ele compõe a chapa com o ex-prefeito Arinel da Farmácia (PP), um político muito querido na região.

Um dos irmãos do Flávio, Paulo César Nogueira de Carvalho, tradicional conselheiro do Cruzeiro, também já foi prefeito lá.

E o Cruzeiro, hein!?

Tão logo recebi este “santinho” de campanha dele, é claro que liguei para o Flávio, para saber como anda a campanha e, óbvio, o que ele está achando dessa situação do Cruzeiro. Durante mais de 20 anos no Minas Esporte, travamos grandes embates, envolvendo Atlético e Cruzeiro, numa época em que o Galo andava muito mal das pernas e a Raposa predominava. Do fim dos anos 1980 até 2004, eu arrumava argumentos quase que do nada para não deixar o Galo ficar por baixo nessa disputa, com direito a muitos bate-boca no ar.

Nudez e arrogância sob castigo

Num dos programas Minas Esporte, sem ter como contestar uma vitória acachapante do Cruzeiro, saí com essa:

__ Cuidado Flávio; disse Nelson Rodrigues que “toda nudez será castigada”; e digo eu a você, e a todos os cruzeirenses do seu tipo: toda arrogância será castigada”.

E emendei com a história de que o futebol é cíclico e que já já aquele ciclo passaria. Pois é! Demorou, mas aquele ciclo passou e hoje é até difícil acreditar no que o Cruzeiro está vivendo. Flávio não está em nenhuma TV ou rádio, mas conversa sobre futebol diariamente em vários grupos de whatsapp, especialmente de cruzeirenses, e constantemente participa, como convidado, de alguma programação na mídia.

Sobre o atual Cruzeiro, andou criticando pesado o excesso de aparições do presidente Sérgio Santos Rodrigues, a quem chama de “Serginho”, nas redes sociais. Entende que ele tem feito contratações muito ruins, em quantidade, quando deveria contratar poucos, de qualidade, para utilizar melhor os escassos recursos que tem para isso.

Conselheiro que é, o Flávio foi chamado pelo Sérgio Rodrigues para um café na sede do Barro Preto. Aceitou, reiterou pessoalmente o que falava nas redes sociais e voltou às críticas nos grupos. Porém, com mais paciência, atendendo ao apelo do presidente, que jurou que boas novidades estavam por vir. Dias depois dessa conversa saiu a contratação do Felipão. Flávio está um pouco mais calmo, mas puto da vida com o atoleiro no qual jogaram o Cruzeiro.

Combinei com ele que depois da eleição vou visitá-lo em Liberdade, cidade que ainda não tive o prazer de conhecer. Espero poder comemorar a vitória dele e do Arinel


América se impôs no Itaquerão, com qualidade técnica, física e inteligência do técnico Lisca no banco

Uma vitória espetacular do América, com méritos absolutos da comissão técnica, comandada pelo Lisca e dos jogadores, que obedecem as determinações táticas do treinador e demonstram estar em excelente condição física.

De cara, entrou em campo com a bela e tradicional camisa listrada em verde abacate e preto. Não se intimidou com o fato de estar na casa do adversário, partiu para cima e foi superior durante a maior parte do jogo, principalmente no segundo tempo.

Temia-se que a arbitragem fosse dar uma mão ao Corinthians mas isso não ocorreu. Aos oito do segundo tempo, em disputa de bola do Ademir com o Marillon, o atacante americano caiu dentro da área e muita gente queria a marcação de pênalti, não apitado pelo Rodrigo Dalonso Ferreira, de Santa Catarina. Também achei o lance normal. Mas isso mexeu com os brios dos jogadores e o América cresceu a partir daí. Aos 41, o técnico Lisca mostrou porque tem sido tão elogiado por todo mundo que gosta de futebol em Belo Horizonte: fez as duas mudanças que trariam a vitória, com Marcelo Toscano no lugar do Ademir e em seguida, Neto Berola no de Felipe Azevedo. Pois, aos 43, o goleiro Cássio saiu jogando errado, Berola foi esperto, tomou, cruzou bem na área, encontrando o Toscano em ótimas condições para fazer o 1 a 0. No jogo da volta, até um empate dará a classificação ao Coelho.

Vitória sensacional!


Por mais rigor na escolha dos presidentes dos clubes de futebol

Imagem: https://www.sintrajud.org.br/

Muito interessante o tema abordado pelo cineasta paulista Ugo Giorgetti, na coluna dele no “Estadão”. Defende que a cobertura da imprensa seja mais investigativa, vasculhando mesmo o passado, o presente e o que pensam realmente os candidatos, assim como nas eleições para prefeito, governador e presidente da república. Assim, seria mais difícil surgirem “paraquedistas”, que aprontam, arruínam os clubes e vão embora sem serem importunados ou pagarem pelo que fizeram.

Confira:

* *Os demitidos*

Ugo Giorgetti – O Estado de S.Paulo

Não vou dar conselhos a ninguém, meus fracassos não permitem isso. Mas, se fosse obrigado a dar, diria aos jovens jornalistas esportivos que procurassem investigar, além dos méritos dos treinadores, também, e em primeiro lugar, os presidentes dos clubes. Mas investigar mesmo, pesquisa séria, de biógrafo profissional. Traçar o perfil completo, para ser divulgado preferencialmente no dia que chegam à presidência.

Não seria uma investigação meramente policialesca, mas informativa da personalidade, do que pensa, do que supomos que possa pensar e do que provavelmente fará na presidência do clube. Seus anos escolares, suas influências de juventude, como ganham a vida e como surgiram no clube e ascenderam à posição de mando.

Só isso já demandaria duas páginas de jornal. Em suma, para dizer a verdade, não recomendo mesmo uma simples reportagem, mas uma alentada biografia. Biografia não autorizada, claro. É imprescindível que os presidentes dos clubes sejam tão conhecidos, tão íntimos dos torcedores e do público, como os jogadores que supostamente contratam e comandam. Talvez mais.

É preciso que sejam conhecidos simplesmente para serem responsabilizados. É preciso atravessar uma rede de proteção bastante grande para chegar a qualquer presidente. As criticas, quando chegam a ele, já enfraquecidas pelo longo trajeto que tiveram que percorrer, chegam atenuadas pelo treinador, que leva a primeira bordoada, pelo resto da comissão técnica, pelos conselheiros e diretores de plantão.

Só quando a crise assume proporções alarmantes esse senhor é incomodado, assim mesmo à distância. Depois da guarda pretoriana ultrapassada e vencida.

Toda essa corte precisa ser também esmiuçada e trazida para a luz, com nomes e sobrenomes. Todos. A minha ideia seria vê-los através da pesquisa como realmente são e visa a que se chegue mais rápido a eles.

Não é possível continuar olimpicamente instalados numa bela sala fechada de reunião, enquanto outros vão levando pancadas em seu lugar. Não é possível que só apareçam nas fotos ao lado do craque que acabaram de contratar e sobre o qual enfiam a camisa do clube, sorridentes. Esse momento alegre é sempre do presidente. Mas se o craque não der certo, se não for o que se esperava dele, jamais se verá o presidente explicando a contratação que deu errado.

Com treinadores, então, é pior ainda, já que são os primeiros a desabar. Gostaria muito de saber o que os presidentes falam para os treinadores segundos antes da fotografia comemorativa. Duvido que hoje em dia alguém tenha coragem de prometer muita coisa, sobretudo clubes cuja reputação e vida recente não oferecem credibilidade alguma quando se trata de segurança do cargo para os treinadores.

Os mais escolados treinadores deveriam dispensar a foto, ou melhor, dispensar a presença do presidente ao seu lado. Esse endosso festivo não significa absolutamente nada. À primeira pressão, que venha de onde vier – muitas vezes ninguém sabe de onde vem –, pode fazer ruir todo o apoio, a solidariedade e a confiança que o sorridente presidente depositou no contratado.

É uma cerimônia macabra essa foto, uma verdadeira cerimônia de adeus. O adeus ronda esse ritual, os dois sabem que ele está presente e sabem ambos que têm pouco tempo de paz. Um sorri porque sabe que nunca será chamado a explicar essa contratação; o outro sorri pensando na multa contratual.

O presidente nunca mais será visto se as coisas correrem mal. O que ele vai fazer é desaparecer e deixar a cargo de seus apoiadores a tarefa de inventar outro nome de treinador que o clube pretende contratar. Esse nome é distribuído à imprensa. Quanto mais incrível e inverossímil ele for, melhor. Ganha-se tempo para crise diminuir. Quando for o caso de uma nova foto com o novo treinador, ai sim, contem com ele e seu melhor sorriso.


O Cruzeiro de Scolari é outro; mostra mais garra, disciplina tática e agride com mais confiança ao adversário. Só não rende mais porque o elenco é sofrível, assim como a maioria dos adversários

Um grande jogo, autêntico de segunda divisão, com todo mundo correndo atrás da bola, vontade dos dois lados, velocidade, pouca técnica e muitas caneladas. O Cruzeiro de Scolari é outro; mostra mais garra, disciplina tática e agride com mais confiança ao adversário. Só não rende mais porque o elenco é sofrível, assim como a maioria dos adversários. E aí está a dificuldade maior do comandante cruzeirense. Ele luta para sair da zona do rebaixamento e caso consiga alguns reforços pedidos, almejará o que atualmente é considerado improvável, que é uma das quatro vagas do acesso.

Os jogadores mais velhos estão demonstrando nitidamente que estão com o prazo de validade vencido. Fábio voltou a tomar um gol, que tempos atrás jamais tomaria, por um motivo óbvio: quase 40 anos de idade. Reflexos, velocidade e agilidade não são os mesmos. Marquinhos Gabriel, Marcelo Moreno e Sassá, mal. Como diz o diamantinense Waldívio Marcos de Almeida, “o tempo é praga, e arregaça com o sujeito!”. A salvação dele é que o Airton, 21 anos, foi colocado no lugar do Caíke, e acertou cabeçada certeira no gol do Náutico, livrando o time de uma derrota. Que não seria merecida, já que foi bem melhor que o Náutico durante quase todo o jogo.

As reclamações azuis quanto ao gramado e arbitragem fazem parte, mas não se justificam, já que os dois times sofreram com o problema. O paulista Leandro Bizzio Marinho está fora de forma física e acompanha os lances de longe. Mas se na Série A os árbitros estão deixando a desejar, imagine na B.

O Cruzeiro continua na zona da degola, 18º lugar, mas já pode comemorar crescimento com o novo/velho treinador, que conquistou quatro pontos em seis disputados, fora de casa. Nada mal, para quem acabou de chegar.

Classsificação: P J V E D GP GC SG
1 Chapecoense 36 17 10 6 1 19 5 14
2 América-MG 35 18 10 5 3 20 11 9
3 Cuiabá 33 18 9 6 3 23 17 6
4 Juventude 30 18 8 6 4 26 18 8
5 Ponte Preta 27 18 8 3 7 23 26 -3
6 CRB 26 18 7 5 6 22 20 2
7 Confiança-SE 25 18 6 7 5 21 20 1
8 Paraná 25 17 6 7 4 18 17 1
9 Sampaio Corrêa 24 16 7 3 6 22 15 7
10 CSA 24 17 7 3 7 23 20 3
11 Avaí 23 18 7 2 9 19 24 -5
12 Operário 22 18 5 7 6 17 18 -1
13 Guarani 21 18 5 6 7 17 20 -3
14 Vitória 20 17 4 8 5 20 19 1
15 Brasil de Pelotas 20 17 4 8 5 14 16 -2
16 Náutico 19 17 4 7 6 15 19 -4
17 Figueirense 18 18 4 6 8 11 17 -6
18 Cruzeiro 17 18 6 5 7 17 17 0
19 Botafogo-SP 14 17 4 2 11 10 18 -8
20 Oeste 7 17 1 4 12 10 30 -20

 


Futebol do América a cada jogo mais convincente. O mesmo não se pode dizer da nova camisa

Gostei não. Essa preocupação em mudar o design do uniforme é exagerada e equivocada. Os clubes são muito passivos ao aceitar tudo o que os seus marqueteiros sugerem. Mudanças de tempos em tempos são normais, mas nem tanto como alguns clubes fazem, ao descaracterizam completamente as tradições, que precisam ser respeitadas. Esta usada pelo América faz lembrar a horrorosa do Paraná, com mudança apenas nas cores. 

Dentro de campo, foi uma vitória suadíssima contra o Confiança, que estava em crescimento na tabela e tem um bom time, na briga direta por uma das quatro vagas na Série A 2021.

Anderson, aos 30 do primeiro tempo, Ademir, aos 10 do segundo e aos 35, Renan fez para o Confiança.

A próxima parada do Coelho é pela Copa do Brasil, quarta-feira, contra o Corinthians, no Itaquerão. Sintomática e armadamente, o time paulista folga neste fim de semana pelo Brasileiro, para receber em casa Lisca e comandados. Pela Série B, o próximo jogo será contra o Avaí, sábado, 19h, na Ressacada.

A classificação:

P J V E D GP GC SG
1 Chapecoense 36 17 10 6 1 19 5 14
2 América-MG 35 18 10 5 3 20 11 9
3 Cuiabá 33 18 9 6 3 23 17 6
4 Ponte Preta 27 18 8 3 7 23 26 -3
5 Juventude 27 17 7 6 4 25 18 7
6 CRB 26 18 7 5 6 22 20 2
7 Confiança-SE 25 18 6 7 5 21 20 1
8 Paraná 25 17 6 7 4 18 17 1
9 Sampaio Corrêa 24 16 7 3 6 22 15 7
10 CSA 24 17 7 3 7 23 20 3
11 Avaí 23 17 7 2 8 19 23 -4
12 Operário 22 18 5 7 6 17 18 -1
13 Vitória 20 17 4 8 5 20 19 1
14 Brasil de Pelotas 20 17 4 8 5 14 16 -2
15 Guarani 18 17 4 6 7 16 20 -4
16 Náutico 18 16 4 6 6 14 18 -4
17 Figueirense 18 17 4 6 7 11 16 -5
18 Cruzeiro 16 17 6 4 7 16 16 0
19 Botafogo-SP 14 17 4 2 11 10 18 -8
20 Oeste 7 17 1 4 12 10 30 -20

 


Com este empate em casa o Atlético dá mostras que vai brigar por vaga na Libertadores

Foto: twitter.com/sportrecife

Nos últimos jogos o time vem descendo ladeira, os jogadores não conseguem mais desempenhar a mesma intensidade para pressionar os adversários no campo defensivo. Aliado a isso os treinadores do outro lado manjaram as fórmulas do Jorge Sampaoli, que são as mesmas do ano passado. Sem um jogador diferenciado para desequilibrar, dá nisso que deu neste 0 a 0 contra um dos piores do campeonato, o Sport, que luta contra o rebaixamento.

Individualmente, o Galo jogou com oito esta noite, pois não dá para contar com Guga e Sasha. Ainda no primeiro, quando não dava para por culpa no cansaço, o Globo Esporte registrou um inacreditável passe errado do lateral direito atleticano, que resume tudo:

Ge @geglobo: “Essa virada de jogo do Guga pegou todo mundo desprevenido. Siga Atlético-MG x Sport http://glo.bo/3jlSwEc

Enquanto desce ladeira a cada rodada os principais concorrentes sobem. Que o time volte a jogar proporcionalmente ao investimento que foi feito na comissão técnica e continua sendo feito nas indicações do treinador, para garantir, pelo menos, uma vaga direta na Libertadores da América 2021.


Pelé, 80 anos! O reconhecimento e ótimas histórias, por um grande jornalista argentino

Parabéns a ele e muita saúde.

Li ontem à noite e repasso às senhoras e senhores a crônica de um dos mais reconhecidos jornalistas argentinos, Jorge Barraza, cuja coluna circula em vários países do continente. Aqui, no El Universo, de Quito/Equador, ele conta histórias muito interessantes sobre Pelé, dentro e fora de campo, que eu não conhecia. Vale a pena ter a visão do maior craque da história pelo ângulo de um argentino. Ao fim do texto, só disse ao Jorge, via: twitter.com/JorgeBarrazaOK: “faço minhas as suas palavras”.

Pelé foi e é  fora de série!

Se você tiver alguma dificuldade com o espanhol, sugiro o ótimo tradutor virtual: www.tradukka.com/translate

* “Jorge Barraza: Todos fuimos súbditos de Pelé”

barrazajorge.11@gmail.com

Con licencia del lector utilizaré la primera persona del singular. Era apenas un jovencito y llevaba un mes como cronista. No podía asumirme periodista, apenas presumir de entusiasmo. Fue el 5 de diciembre de 1973. Por la noche jugaban Huracán y el Santos. Practicando un fútbol exquisito de la mano de César Luis Menotti, el Globo había sido campeón argentino. Dio auténticas exhibiciones y la idea fue hacerle un partido homenaje jugando contra el Santos de Pelé, que simbolizaba lo más excelso del jogo bonito. Llegué esa tarde temprano al diario (Crónica, mi primer amor) y el jefe de Deportes me extendió un carnet de Huracán: “Andá a cubrir el partido”. ¡A mí…!Santos no rifaba su prestigio y no se apiadó de Huracán, pese a que estaba de festejo: le ganó 4 a 0. Pero nadie se ofuscó, el hincha aún venía dulce por el título. El cuarto gol fue obra de Pelé, una delicatessen: lanzaron un córner, hubo un rechazo y O Rei, que estaba al borde del área, la tocó con clase por encima de toda la marea humana y la mandó a un ángulo. Luego quiso el destino que, entre muchos otros torneos, asistiera a diez Mundiales; haber visto a Pelé en cancha es mi Mundial número once. Al final fui al vestuario a tomar notas. ¡Era todo tan simple…! Las puertas estaban abiertas y El Atleta del Siglo dando declaraciones semidesnudo, goteando aún por la ducha, cubierto sólo por un toallón, prestándose obediente a la requisitoria periodística. No había guardias ni jefes de prensa intentando impedir que nos aproximáramos a él y le preguntáramos. Y Edson no estaba apurado ni fastidioso, siempre con su sonrisa sana y su cortesía con todos. Ya hablaba claramente en español. Era la maravilla del fútbol de antes: reinaban la sencillez y el romanticismo. Los futbolistas eran corpóreos, verificables, los de hoy parecen hologramas, intocables, etéreos, millonarios, inalcanzables. Pelé fue un genio, pero nunca un divo.

Con once años yo había visto por TV los partidos del Mundial de Inglaterra. Allí no brilló Pelé, en cambio quedé deslumbrado por Bobby Charlton, un zurdo que se deslizaba como en patines por el campo y hacía todo bien, todo útil. También por Beckenbauer, zaguero imperial, si el fútbol tuviera rangos él sería mariscal. Y por Eusebio, la primera pantera africana que asombró al público internacional. Pero en 1970 tuvimos revancha doble: el Mundial llegó en directo gracias a la innovación del satélite y Pelé jugó los seis partidos porque resultó campeón. Haberlo visto en tiempo real es un billete premiado.

Hasta mediados de los ’60, Alfredo Di Stéfano era el futbolista que admiraba Europa, por su calidad, sus goles, su polivalencia y su carácter temible y ganador. No obstante, Pelé fue el primer deportista global, su luz se irradió a escala planetaria. El fútbol no había sido universalizado aún (eso fue obra de João Havelange, que lo introdujo hasta en los últimos confines del África, el Asia y Oceanía), pero incluso los países más exóticos y no futbolizados reclamaban su presencia. Y O Rei llevó su magia y su sonrisa. Reivindicó a su raza, reyes rubios se rindieron ante él. Lo contó en “Mi legado”, su libro autobiográfico: “Durante el Mundial de 1958, los niños suecos solían tocarme la cara para comprobar si no estaba pintado, nunca habían visto a nadie de raza negra; no me molestó en absoluto, eso es parte de la inocencia y la pureza de los chicos”. Se transformó en un adjetivo; cuando alguien era muy bueno en algo se decía “Es Pelé”. O en contrario: “¿Quién se cree que es, Pelé…?”

El 10 en su espalda conllevó una equivocación generalizada: que ocupaba la función de volante ofensivo; error, aunque no era un 9 de área como Romario o Gerd Müller, jugaba de delantero puro. Seguramente fue el futbolista más completo de la historia por técnica, clase, temperamento y objetividad. Jamás hizo un firulete de más, todo era para ganar. Tenía el pecho de gomaespuma, lo hundía para docilizar el balón y lo dormía. En el toque corto, triangulando, fue sensacional, sorteaba la espesura del área con precisión quirúrgica. Sus paredes con Coutinho fueron antológicas. De respetable remate, mejor direccionado que potente, su cabezazo era excepcional. El gol a Italia en la final de México ’70 es un prodigio: maravillosa elevación, arqueo del torso hacia atrás para dar fuerza al golpeo e impacto perfecto, artístico, con potencia y dirección. Transformaba su cabeza en un martillo. Sin la misma habilidad o dominio de Maradona o Messi, deslumbraba igual.

Era manso si los marcadores mostraban lealtad, si elegían pegar despertaban el carácter indomable de Edson Arantes. A malo, malo y medio. Quizás lo endureció la grave lesión de Dondinho, su padre, el día que debutó en la Primera del Atlético Mineiro y lo fracturaron, tronchando su sueño de futbolista profesional. Pelé se juramentó que no le pasaría lo que a su progenitor. Guapo hasta decir basta, si algo le faltaba como jugador era temor. Entrevistamos a su compadre, Pepe (446 goles en Primera División). Nos dijo: “Todo el mundo quería ablandar al Santos. Los únicos que respondían eran Pelé y Coutinho. Ellos eran bravos. Pelé devolvía todo lo que le daban. Y Coutinho te dejaba dar una, dos, tres patadas… A la tercera te metía un planchazo con todo”.

En ese tiempo se marcaba mucho menos que hoy, pero se pegaba el triple. Y muchos buscaban pararlo a toda costa. Antonio Rattin, capitán de Boca y la Selección Argentina, mantenía un duelo con él, siempre lo marcaba. Una vez estaban esperando un córner y Pelé le propuso un pacto: “Sin pelota, no”. Porque solía recibir golpes de puño mientras llegaba el centro. De frente y con pelota aguantaba lo que viniera. Rattin era hombre de códigos y cumplió: “Nunca le pegué a traición”.

Si Brasil o el Santos iban perdiendo, O Rei comenzaba a golpearse el pecho, reclamaba la bola, se sentía capaz de torcer cualquier resultado. En aquellas durísimas tenidas con Peñarol por Copa Libertadores, el vestuario aurinegro tenía una consigna inteligente cuando enfrentaban al Santos de Pelé: “Al Negro no lo toquen; si se enoja estamos listos”.

Hasta su aparición, el brasileño era un fútbol considerable, aunque un escalón por debajo del argentino o el uruguayo en el mapa continental, a partir de Pelé se convirtió en el más ganador del mundo. Mejor que eso, en el más admirado.

Fue mi ídolo en la adolescencia. Más tarde tuve el honor de compartir varias veces con él. Humildísimo, agradable, siempre destilando grandeza. Ya retirado, se lo intentó estigmatizar como amigo del poder para rebajarlo, una miseria humana. Su imagen es impecable. Nunca se podrá agradecer debidamente su contribución a la popularidad del fútbol. Este jueves cumple 80 años, el deporte mundial debe levantar las copas y brindar por él, el rey eterno. (D)

https://www.eluniverso.com/deportes/2020/10/21/nota/8022088/jorge-barraza-todos-fuimos-subditos-pele?&utm_source=twitter&utm_medium=social-media&utm_campaign=addtoany


Parabéns Luizinho, um dos melhores zagueiros da história, 62 anos, hoje!

Em fevereiro de 2012, a convite do Sebrae-MG, fui o moderador de um dos seminários dos preparativos para a Copa de 2014, no Teatro Municipal de Nova Lima, que teve Luizinho e o técnico Carlos Alberto Parreira como principais convidados. Foto: Wellington Oliveira.

Tive o privilégio de iniciar minha carreira de repórter em Belo Horizonte (Rádio Capital), cobrindo o América, e seis meses depois, o Atlético, que tinha um time espetacular. Luizinho era, disparado, o melhor zagueiro do Brasil, um dos melhores do mundo. Até hoje, nunca vi nenhum jogador desarmar o adversário com a precisão e categoria dele. Aliado a uma classe impressionante, incomparável. Parecia que ele tinha um imã nos olhos e nos pés. Tomava a bola e saía jogando, cabeça erguida, passes certeiros, fantástico.

Além de jogador acima da média, uma grande figura humana. O principal defeito era a timidez, que muitos da imprensa confundiam com “marra” ou arrogância. Respondia as perguntas com poucas palavras, costumava deixar o repórter em apuros, pois não dava tempo para que a gente emendasse logo outra. Ser muito calado custou caro a ele, que tinha como eterno reserva na seleção brasileira, o Edinho, então no Fluminense (até recentemente comentarista), que era o oposto. Falava muito, nos microfones e fora deles. Usava a condição de “chegado” de jornalistas do Rio e São Paulo para tentar ganhar a posição na conversa. Na preparação para a Copa da Espanha 1982, o centroavante Serginho Chulapa chegou a chutar o balde em defesa do Luizinho e do bom ambiente daquela seleção do Telê Santana. Chamou o Edinho e o “alertou” que ele e a esposa estavam dando entrevistas demais sobre o time e que isso não era bom para o grupo. À moda Serginho Chulapa, que foi atendido em seu “pedido”.

Mas, a seleção perdeu e foi eliminada da Copa, naquele jogo para a Itália, no dia iluminado do Paolo Rossi. De forma sacana, grande parte da imprensa e até alguns jogadores da seleção escolheram alguns bodes expiatórios e Luizinho, que não era de muita conversa, pagou, injustamente, pelas falhas coletivas e individuais do time.

No Estádio Sarriá, Barcelona, 1982: Waldir Perez, Leandro, Oscar, Falcão, Luizinho e Júnior; Nocaute Jack, Sócrates, Cerezo, Serginho Chulapa, Zico e Éder, em foto da CBF.

Em 1978, o Villa Nova, com Luizinho como titular, por pouco tempo, já que nestemesmo ano fora contratado pelo Atlético. Da esquerda para a direita: Toninho, Ronaldo, Luizinho, Nini, Alan e Bosco; Guta, Pirulito, Ronaldo II, Faísca e Sabino. Foto do livro “Villa Nova! 100 anos de glória em vermelho e branco”, do grande jornalista, vilanovense, Wagner Augusto Álvares de Freitas.

No Galo de 1982: João Leite, Nelinho, Osmar Guarnelli, Luizinho, Cerezo e Valença; Catatau, Heleno, Reinaldo, Renato Dramático e Éder. Defendeu o Galo de 1978 a 1989.

De 1989 a 1992, no Sporting Lisboa, que também tinha o centro-avante Careca, ex-Cruzeiro: João Luiz, Miguel, Luizinho, Leal, Carlos Xavier e Ivkovic; Filipe, Litos, Balakov, Careca e Oceano. Foto do site Terceiro Tempo, do Milton Neves.


No Cruzeiro de 1992 a 1994: Paulo César Borges, Paulo Roberto Costa, Célio Lúcio, Luizinho, Ademir e Edson; Betinho, Renato Gaúcho, Paulão, Douglas e Roberto Gaúcho. Depois jogou mais dois anos no Villa, onde encerrou a carreira.


Fora de casa, Cruzeiro faz 1 a 0 com sabor de goleada, na estreia de Felipão

Pensei que na estreia do Luiz Felipe Scolari estes jogadores do Cruzeiro se superariam, para dar boas-vindas ao novo treinador com uma atuação que  deixasse animado e na dúvida quanto a quem é quem no elenco. Que nada! Que jogo fraco, com direito a duas ironias de dois jornalistas conceituados. Victor Martins, do Yahoo e Cláudio Arreguy, ex-Estadão e JB.  Victor escreveu: “Já tem mais de uma hora que Cruzeiro e Operário estão jogando futebol. E o melhor lance até o momento foi o Felipão virando o microfone”.

O Arreguy foi em linha semelhante: @c_arreguy “Na estreia do Felipão, dá pra ver uma diferença no Cruzeiro contra o Operário-PR: ao contrário dos antecessores, o treinador fica de máscara na beira do campo”.

No apagar das luzes saiu o gol da vitória que gera uma expectativa positiva para o trabalho do treinador e o Luciano Dias, da Band, twittou: “@jornlucianodias: “1 a 0 com sabor de goleada para o Cruzeiro. Pode, quem sabe, resgatar a confiança dos jogadores. Mas não tem como apagar a atuação ruim do sistema ofensivo. Marquinhos Gabriel omisso e Marcelo Moreno não conseguindo dominar uma bola. Arthur Caíke foi “salvo” pelo gol da vitória.”

A classificação:

P J V E D GP GC SG
1 CHAPECOENSE 33 16 9 6 1 18 5 13
2 CUIABÁ 32 16 9 5 2 20 11 9
3 AMÉRICA-MG 32 17 9 5 3 18 10 8
4 PONTE PRETA 27 17 8 3 6 23 25 -2
5 JUVENTUDE 27 17 7 6 4 25 18 7
6 PARANÁ 24 16 6 6 4 15 14 1
7 CSA 23 16 7 2 7 22 19 3
8 AVAÍ 23 17 7 2 8 19 23 -4
9 CRB 23 16 6 5 5 21 18 3
10 OPERÁRIO 22 17 5 7 5 17 17 0
11 CONFIANÇA-SE 22 16 5 7 4 17 17 0
12 SAMPAIO CORRÊA 21 14 6 3 5 18 12 6
13 VITÓRIA 19 16 4 7 5 19 18 1
14 BRASIL DE PELOTAS 19 16 4 7 5 13 15 -2
15 NÁUTICO 18 16 4 6 6 14 18 -4
16 GUARANI 17 16 4 5 7 15 19 -4
17 CRUZEIRO 16 17 6 4 7 16 16 0
18 FIGUEIRENSE 15 16 3 6 7 9 16 -7
19 BOTAFOGO-SP 14 17 4 2 11 10 18 -8
20 OESTE 7 17 1 4 12 10 30 -20

 


América mostrou futebol de quem não quer mais sair do G4

Léo Passos comemora o empate, em cobrança de pênalti

O time tentou se impor desde o início do jogo mas encontrou um adversário bem montado e que não veio para segurar um empate. Tanto que fez 1 a 0 aos 28 minutos e poucos minutos depois chutou bola na trave. Prevaleceram a boa troca de passes e a garra de todos os jogadores. O empate saiu aos 37, por meio do Léo Passos, cobrando pênalti, muito reclamado pelo Brasil, com razão. A virada ocorreu aos 46, com o Ademir, gigante em campo. Ele voltou a marcar, na raça, tomando bola do zagueiro, aos 49 do segundo tempo.

A vitória valeu a vice liderança, numa bela sequência de oito jogos invicto e uma sequência de quatro vitórias consecutivas. Próximo jogo, sábado, novamente no Independência, contra o Confiança.


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