Blog do Chico Maia

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“Mamães argentinas: “menino, menino, se você não comer tudo, kylian mbappé vai te pegar”

O Marcos Caldeira diz que não bebe cerveja assistindo futebol. Fica no suco de laranja campista e iogurte. Já que é assim, “bebamos” por ele. As fotos que ilustram a coluna foram feitas no bar (sensacional, diga-se) onde assisti Uruguai 2 x 1 Portugal, em Moscou. Homenagem ao Marcos Caldeira e agradecimento pelos ótimos textos, como este: 

* “A copa vista do meu sofá – Lionel Messi e Cristiano Ronaldo: vidas secas

A partir de hoje, dirão mamães argentinas: “Menino, menino, se você não comer tudinho, se não raspar o prato, Kylian Mbappé vai vir pegar você”. Esse nome acaba de virar correlato de bicho-papão, ganhará verbete em todos os livros de folclore no país de Maradona. Como Cafas Leão, monstro que comia um boi no almoço e uma boiada no jantar, o adolescente francês, 19 anos, engoliu o time de Messi. Fez dois gols, sofreu o pênalti convertido por Griezmann e provocou dois cartões amarelos na seleção bicampeã mundial. No lance que resultou na falta máxima, ele tomou posse da bola no campo de defesa, deu um disparo boltiano, foi deixando adversário para trás e só parou ao ser derrubado na área de Armani. Verdade seja escrita, suspeito de desonestidade aí. Acredito que o francês tenha camuflado duas miniaturas de Ferrari sob as chuteiras e sugiro investigação ao Comitê de Ética Campal da Fifa. A França saiu na frente, tomou a virada e revirou, jogo com belos gols de fora da área. A dois minutos do fim, a Argentina diminuiu para 4 a 3 e nos últimos segundos teve chance de empatar e prorrogar seu infortúnio, mas a bola voou para fora, o que também fará do solo russo a equipe sul-americana. Com justiça, passam os franceses, que têm Paris, Notre Dame, Louvre, Versalhes, Chambord, d’Orsay, Auguste Rodin, Michel de Montaigne e Honoré de Balzac, mas não minha torcida. Quem pensam que são? Alguma coisa eles não podem ter neste mundo.

CRISTIANO RONALDO E LIONEL MESSI: VIDAS SECAS

Melhor do jogo, Cavani fez dois bonitos gols e colocou sua pátria na próxima fase. O tento de Portugal foi marcado pelo naturalizado Pepe, conterrâneo de Graciliano Ramos, alagoano que tomou uma senhora bola nas costas ao escrever em 1921: “O futebol não pega [no Brasil], tenham a certeza”. Indo além, cogitou: “Não seria, porventura, melhor exercitar-se a mocidade em jogos nacionais, sem mescla de estrangeirismo, o murro, o cacete, a faca de ponta, por exemplo?” Outro grande escritor, Lima Barreto também chutou o futebol para fora do estádio, mas estão perdoados pelas grandes obras deixadas. Num dia só, a copa demitiu Cristiano Ronaldo e Messi. Vida seca e triste fim…

 

POR FALAR EM ESCRITORES…

Sempre que o narrador mencionava o nome de um jogador argentino, substituído hoje no segundo tempo, eu me lembrava de alguns escritores brasileiros vivos. Não sei o motivo, estou tentando descobrir a correlação. O atleta atua no Boca Juniors, é atacante, nasceu em 1996. Chama-se Pavón.

MATA-MATA DEVIA TER SÓ UM JOGO POR DIA

Protesto. A fase mata-mata de uma Copa do Mundo devia ter apenas um jogo por dia, não, como é, dois. Teríamos mais tempo para dissecar a partida e saborear o fracasso das seleções que detestamos. Alô, Gianni Infantino…

 

O PRAZER DE VER NA TV

Que alegria assistir na TV ao voo da bola no gol do francês Benjamin Pavard, belíssimo chute de fora da área. Tão bom quanto, é ver na Telefunken aquelas cenas de ladrões de dinheiro público algemados, empurrados para a gaiolinha dos camburões por policiais federais armados com metralhadoras. É lindo ver um político sacanalhorda encostando o nariz no assoalho de uma viatura – seja ele de qualquer P, do PT, do PSDB, do PDT, da PQP. Isso é que é Tela Quente, isso é que é Vídeo Show, isso é que Vale a Pena Ver de Novo, isso é que é Fantástico…

Por Marcos Caldeira, d’O TREM ITABIRANO

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Ótimos jogos na arrancada das oitavas, com russos e estrangeiros diante das TVs

Estes jogos eliminatórios da Copa criam um clima diferente também em Moscou, mesmo quando a partida não é na capital russa. As pessoas param nos bares, lojas e restaurantes em que há uma TV ligada e cada uma torce por uma seleção ou por jogadores específicos.

Numa mistura de russos com estrangeiros das mais diversas nacionalidades, a maioria torcia pela França no Mercado de Izmaylovskiy, contra a Argentina, mas Messi tinha muitos torcedores. Quando pegava na bola o entusiasmo dos telespectadores era grande.

Foi um jogaço, mas a Argentina ainda insiste em querer ganhar na porrada, no grito, fórmula que já não funciona no futebol, como há algum tempo. Os franceses jogando um belo e aguerrido futebol, contra a pancadaria do Mascherano, Otamendi e cia. Aliás, a defesa foi o maior problema argentino desde a preparação para o Mundial e de forma escancarada agora. Como disse o publicitário belorizontino Rômulo Righi “é uma sina cruel para um time que tem muito talento na frente, mas é fraco atrás…”.


Bolada na cara do belga fez lembrar garrafada de champanhe no queixo do presidente da Vale do Rio Doce

Coluna do Marcos Caldeira d’OTREM iTABIRANO:

* “(Copa com poluição sonora)”

VIZINHO ATRAPALHOU MEU INGLATERRA X BÉLGICA

COM MÚSICAS DO JOTA QUEST, E NA MAIOR ALTURA

(Bolada na cara do belga e a maior escavadeira do mundo)

BOLADA NA CARA DO BELGA E A INAUGURAÇÃO DA ESCAVADEIRA

Após o gol contra a Inglaterra, o belga Michy Batshuayi pegou a bola e comemorou com estupendo chutão para o fundo da rede. Era para ser uma catarse, desengasgo de quem vestia a camisa de um país que não vencia o adversário havia 82 anos. Só que a bola se recusou a obedecê-lo, chocou-se violentamente contra a trave e explodiu em seu rosto – Buster Keaton estava ali. A cena me lembrou um casinho. Era 1992 e a Companhia Vale do Rio Doce, passando por seus últimos anos como estatal, reuniu jornalistas e autoridades para inaugurar em Itabira a maior escavadeira do mundo, com a presença do então superintendente das Minas, Ricardo Dequech, o todo-poderoso local da empresa, sujeito com pinta de presidente de uma Nicarágua dessas. Para concluir a inauguração com impacto, o cerimonial inventou ótimo embondo: garrafa de champanhe, atada ao monstro de ferro por fita, deveria ser estilhaçada contra o corpo do bicho, impulsionada com toda força por Ricardo Dequech. Tudo indo muito bem, “agora passemos à champanhe”, anunciou com frescura o apresentador daquela patetice. Ricardo Dequech ajeitou a garrafa na mão direita, envergou-se para pegar impulso e a arremessou, violentamente. Os puxa-sacos – jornalistas inclusos – se preparam para aplaudi-lo após a explosão e a chuva de fragmentos, mas, em vez de palmas, veio um silêncio gelado. A garrafa resistiu ao choque e, teimosa como bumerangue, retornou ao ponto de partida. Plaffffftttttt, estatelou-se no queixo de Ricardo Dequech, prontamente acudido – um jornalista até o abanou com bloquinho de anotações, soltando palavras de pesar. Quando o caso desceu aos peões da mineradora, a garrafa ganhou apelido: Éder Jofre.

***

Colômbia, classificada, 1; Senegal, fora, 0. Sempre torço para a torcida das seleções africanas, mas não podia trair a América do Sul. Mina fez o gol do jogo e ouviu dos companheiros: “Seu cabelo é da hora”. Quando estava 0 a 0, o árbitro marcou equivocadamente um pênalti para o Senegal, conferiu na TV e passou borracha no erro. Grande jogada do VAR; só quem tem paixão pelo equívoco pode ser contra o árbitro de vídeo. Como a Polônia vencia o Japão, resultado que se manteve até o final, Senegal precisava empatar para se classificar. Tambores africanos e máscaras tribais sopraram fluidos da arquibancada para o campo, mas a percussão e o susto místico não foram suficientes – um tal Hiroshi Akira Masaharu foi visto fazendo cerimônia seicho-no-ie por lá, com uns papos de amarração. Se o arranjo oriental deu resultado não posso asseverar, mas certo é que os senegaleses não fizeram gol e deixaram a vaga aos asiáticos, com quem empataram em todos os critérios, à exceção do disciplinar – tomaram dois cartões amarelos a mais. Sim, o Senegal foi eliminado por ter visto perto de seu nariz, mais que o Japão, a cor dos girassóis.

DA PRÓXIMA VEZ, VIZINHO, TOQUE AGEPÊ

Vi Inglaterra x Bélgica incomodado com um vizinho que colocou som na maior altura, e para tocar CDs da banda mineira Jota Quest. (mais…)


Tem gente achando que a eliminação da Alemanha apaga os 7 a 1 de 2014

Joachim Löw, técnico da Alemanha, na entrevista coletiva após a eliminação contra a Córeia do Sul.

É lamentável, mas é verdade! Ouvir torcedor na porta do estádio aqui em Moscou falando bobagens como essa, vá lá. Empolgação, cerveja na cabeça e viva o futebol. Porém, comentarista profissional de TV entrar nessa, é o fim da picada. É o que conta o Marcos Caldeira, na coluna dele no Trem Itabirano, além de outras:

* “MUNDO TODO COMEMORA O FRACASSO DA ALEMANHA,

ESPERANÇOSO DE QUE JOACHIM LÖW SEJA DEMITIDO”

(Ninguém aguenta mais ver na TV esse treinador catarrento)

De verde, jogando futebol do Guarani de Campinas, a Alemanha, que correu risco de ser eliminada já no segundo jogo, concretizou seu fracasso no terceiro, hoje, ao perder para a Coreia do Sul (2 a 0). Aos 18 minutos do primeiro tempo o alemão Neuer foi encaixar uma bola descomplicada, após cobrança de falta, mas ela recusou seu abraço e quase sobrou limpinha, debaixo do gol, para o adversário. Um dos maiores goleiros do mundo falhando de forma bisonha? Quem disse “mau sinal” acertou. Na outra partida do grupo, o México só precisava de empate contra a Suécia, mas decidiu viver a vida perigosamente e foi tomando gols: 1, 2, 3. Vitória simples dos germânicos eliminaria a pátria de Cantinflas, mas os hominhos de vermelho – como minha sobrinha de seis anos se referiu à Coreia ao passar na sala – tombaram a gigante Alemanha, que ficou em último lugar no grupo, e terão o eterno agradecimento de Nossa Senhora de Guadalupe. O fracasso alemão significa, no mínimo, duas coisas. Nenhuma seleção poderá, nessa copa, empatar com o Brasil em número de conquistas. O mundo aguarda, esperançoso, a demissão de Joachim Löw – ninguém suporta mais ver esse treinador catarrento cutucando nariz. Como lá nos longes da década de 1940, alemães deixarão cabisbaixos o solo russo.

INVESTIGAÇÃO EXISTENCIAL

Os comerciais da TV Globo, sobre a copa, estão insuportáveis, chatos além da cota permitida, ou eu é que estou ficando implicante, mal-humorado? Após o mundial, farei minuciosa autoanálise. Tenho muito receio de envelhecer mal, ranzinza, com tudo irritadiço.

CERVEJA DÁ AZAR, VOU É COM LARANJA-SERRA-D’ÁGUA

Assim que acabou o pós-jogo de Alemanha x Coreia do Sul, fui comprar iogurte e outros víveres para a hora da partida do Brasil – sou caretaço, vejo futebol tomando iogurte, comendo pipoca doce, daquelas de saquinho rosa, saboreando laranja-serra-d’água. Cerveja? Jamais, dá azar. Além do quê, nunca vi anúncio idiota de laranja e pipoca na TV. Moça da Nestlé me viu equilibrando cinco potinhos no supermercado e perguntou se eu não queria levar dos que estavam atados em dupla por plástico. Perguntei o motivo e ouvi: “Você leva dois, só paga um”. Eu não sabia, é sério, que um produto unido a outro significa promoção. Faz-se isso, geralmente, quando a validade do produto está próxima de vencer – o consumidor precisa se atentar quanto ao prazo. Levei dez iogurtes e paguei cinco – goleada. Economizar com inteligência não é avareza, é valorizar o dinheiro que conquistamos com nosso trabalho.

BRASIL, 2; SÉRVIA, 0

Só isto mesmo: Brasil, 2; Sérvia, 0.

“ESTÁ VINGADO O 7 A 1.” NÃO, NADA DISSO

Consumada a eliminação da Alemanha, um comentarista de TV disse que está vingado o 7 a 1, no Mineirão. Olhei bem para ele e fiquei pensando na gravidade disso que é uma pessoa existir.

CAMISA PRETA E VERMELHA X CAMISA VERDE

2014: Alemanha, de preto e vermelho, campeã do mundo. 2018: Alemanha, de verde, eliminada na primeira fase. Se eu não tivesse uma birra danada contra o clube carioca, diria: quem mandou tirar tirar a camisa do Flamengo e colocar a do Guarani?

DEU NO JORNAL “O GLOBO”

Alegre como quem faz gol, estou com a repercussão Brasil afora destes textos sobre a copa. Tem sido excelente, e tudo absolutamente espontâneo. Quer um exemplo? Dentro da filosofia-miojo, digo: é pra já. O compositor e escritor carioca Aldir Blanc escreveu em sua coluna no jornal “O Globo”, do Rio de Janeiro (edição de domingo, 24 de junho), que O TREM Itabirano tem feito a melhor cobertura de humor da Copa do Mundo. Discorda? Vai lá e peita o homem. Acha cabotinismo eu dizer isso aqui? Concordo, em parte, e me defendo: o homem não deve aparecer; seu trabalho, sim. Muita gente boa tem republicado os textos e enviado opiniões. Vou falando com tranquilidade, sem pressa, aos pouquinhos, para não intoxicar ninguém. Ah, exige a prova do que disse Aldir Blanc? Segue o recorte de “O Globo”.

Por Marcos Caldeira – O TREM ITABIRANO


O carioca Aldir Blanc diz que sai das montanhas de Minas a melhor coluna de humor sobre a Copa

Aí, que beleza!

Semanas atrás indiquei aqui e passei a republicar as colunas do Marcos Caldeira, do jornal O Trem Itabirano, sobre a Copa da Rússia. Pois não é que o Aldir Blanc (parceiro do pontenovense João Bosco em algumas das melhores músicas da MPB), foi além? Vejam o que ele escreveu no O Globo.

Tudo bem que as montanhas pelas bandas de Itabira estão bem detonadas pela Vale, igual a Anglo está fazendo com as nossas de Conceição do Mato Dentro, mas, felizmente, o minério se vai mas as inteligências itabiranas ficam, desde os tempos de Drumond. (mais…)


Festa da torcida brasileira ao saber do fracasso da Alemanha

Na chegada ao estádio do Spartak, brasileiros e sérvios ficavam sabendo que a Alemanha tinha sido eliminada na primeira fase da Copa e comemoravam. Os brasileiros gritavam “chupa Alemanha”.

Eu lamento a saída precoce deles, mas, como disse o próprio técnico Joachim Low, não fizeram por merecer. Uma surpreendente péssima Copa, o que não é novidade para uma campeã do mundo que tenta defender seu título da edição anterior. Em 2002 a França fez pior. Chegou com a pompa de todo campeão do mundo, derrotando o Brasil por 3 a 0 na final e foi eliminada na primeira fase, sem marcar um gol sequer, depois de perder para Senegal (1 a 0) e Dinamarca (2 a 0) e empatar com o Uruguai (0 a 0). Outra quwe chegou cotada como favorita e deu vexame foi a Argentina, que venceu a Nigéria (1 a 0)mas perdeu para a Inglaterra (1 a 0), empatou com a Suécia (1 a 1 ) e voltou para casa.


Inspirado no exemplo da Alemanha, Brasil correu muito, fez bom jogo e não deu espaço para ser supreendido

Foto do Eugênio Sávio, que registrou o exato momento do toque do Paulinho para fazer Brasil 1 a 0 na Sérvia.

Assim como todo mundo os jogadores da seleção brasileira foram surpreendidos pela notícia da eliminação da Alemanha, minutos antes de o jogo começar no estádio do Spartak, em Moscou. Certamente isso mexeu com a cabeça da rapaziada que deve ter pensado: não se ganha só com o nome. E todos correram muito para não serem surpreendidos pela Sérvia.

Foi a melhor partida da seleção até aqui, contra um adversário cheio de bons jogadores e muito bom taticamente. Venceu o jogo coletivo em que até Neymar foi bem nisso, sem individualismo exacerbado, jogando para o time, como tem que ser. Parece que a enxurrada de críticas contra este grave defeito dele surtiram efeito positivo. E nem se lembrou de cair à toa. O único tombo foi pra valer, depois de uma porrada forte pela esquerda.

Agora é o México, segunda-feira, 11 horas, do Brasil, em Samara. O adversário venceu a Alemanha na estreia de ambas as seleções na Copa. Time dirigido pelo colombiano Carlos Osório, bom treinador, que trocou o São Paulo pela seleção mexicana.


A comida boa e barata dos “PFs” dos estádios

Ontem, em São Petesburgo, enquanto via aquela marmelada de França x Dinamarca, mandava para o papo uma salada e esta massa no centro de imprensa do estádio, pouco antes de Argentina x Nigéria, por 503 rublos (mais ou menos R$ 29,00), incluindo a Coca-Cola. Como se fosse um “PF” (prato feito) do dia a dia.

Normalmente os preços nestes restaurantes para a imprensa em Copa do Mundo ou Olimpíada são caros, mas aqui na Rússia, não.

Certamente os mais baratos destes eventos que já cobri.

Essa é uma das atrações a mais antes dos jogos nos centros de imprensa dos estádios. Pelo menos três opções de pratos diferentes no restaurante a cada jogo. O melhor que experimentei até agora foi o strogonoff, invenção deles, lá de São Petesburgo. Comi na primeira rodada, em Moscou, onde estou agora, indo para o estádio do Spartak, para Brasil x Sérvia.


Segundo o narrador da TV o braço não faz parte do corpo…

* Por Marcos Caldeira, do Trem itabirano:

“ARGENTINA CHOROU SANGUE EM SÃO PETERSBURGO,

MAS ESTÁ CLASSIFICADA E ENFRENTARÁ A FRANÇA”

(Messi, com sua barba de Vang Gogh, continua na copa)

A Argentina começou o jogo contra a Nigéria em último lugar no grupo, liderado pela classificada e tranquila Croácia, que, ao mesmo tempo, enfrentava a Islândia, esta a fim de abocanhar a vaga até então de posse dos africanos. Messi fez 1 a 0 e recolheu a classificação para seu país. A seguir chutou bola na trave, em cobrança de falta, e foi só. A Argentina consumiu o resto do primeiro tempo no lesco-lesco e desceu aos vestiários feliz. Segundo tempo. Se a Nigéria empatar, toma a vaga dos hermanos. A Islândia deseja enfiar gol na Croácia para que seja ela a sorrir no final. Logo aos cinco minutos, o experiente Mascherano segurou tolamente um africano, em cobrança de escanteio, e bola na cal. Pênalti e gol, a Nigéria enfiou a mão no bolso da blusa do irrequieto Maradona e pegou de volta a classificação. Pouco depois, a Croácia fez 1 a 0 e, mais adiante, a Islândia empatou, mas a situação está muito preta para Nigéria e Argentina, não dá para prestar atenção na outra partida. A seleção da pátria de Evita Perón se perdeu nos nervos, até Messi errava passe. Está saindo na primeira fase – é tragédia com pitadas de vexame. O tempo passa, 25 minutos e nada de bola na rede. Para piorar, a Nigéria ataca perigosamente. Trinta e dois minutos: os argentinos pressionam, mas não conseguem criar boa chance. Trinta e dois minutos do segundo tempo é o momento em que todo torcedor do mundo diz: “Puta que pariu, o jogo vai acabar daqui a pouquinho”. A situação vai piorando. Os imperadores do lugar-comum falam em tango. Messi telefonou para seu velho companheiro Iniesta, disse que sentia falta do espanhol e tentou convencê-lo a se naturalizar e vir correndo ajudá-lo. Ouviu que não dá tempo para os trâmites burocráticos. Trinta e quatro, Higuaín é boludo, 37, 38, gol não sai, 1 a 1, Argentina dando adeus, todos os ponteiros dos relógios de Buenos Aires se transformaram em ventiladores de teto, 39, 40 e alguns segundos. Mercado (agora, sim, a direita argentina o endeusará com força) cruzou na área e o zagueiro Faustino Marcos Alberto Rojo emendou: gol, gritado pelos narradores portenhos com 1345 ós. Messi, com sua barba de Vincent Van Gogh, subiu nas costas do salvador e o abraçou como se quem o carregava fosse maior jogador do mundo – e era, naquele momento era. O estádio enlouqueceu, os nigerianos desabaram, Mascherano chorou sangue. Fortalecida, a Argentina enfrentará a França na próxima fase.

DOIS RELÓGIOS NO BRAÇO DE MARADONA: EXPLICAÇÃO

Homenagem ao argentino Ernesto Guevara de la Serna, que fez em Cuba aquilo tudo que você sabe e que, nos matos, usava dois marcadores de tempo. Chê e Messi nasceram na mesma Rosário.

HERESIA NA CAMISA DA FRANÇA: GALOS AZUIS

França, 0; Dinamarca, 0. Ambas classificadas e jogo de pouca emoção. A televisão mostrou na grade do estádio Lujniki três bandeiras com escudo do Atlético. Alegria no sofá em Itabira. A televisão cortou para o campo e exibiu em close uma heresia: camisa da França com galo azul. Galo azul é visão alighierina (para variar de dantesca). Diante daquele famoso portão, os dois poetas se puseram a ler: “Abandonai toda a esperança, ó vós que entrais. Por mim se vai à cidade das dores, povoada por galos azuis”. Essa informação após a segunda vírgula não se encontra em nenhuma edição de “A Divina Comédia”, está num documento perdido em Florença, carecendo de ser encontrado.

JOGUEI COM ELE NO TIME TAL

O ex-jogador Roger Flores, comentarista da TV Globo, adora dizer que foi companheiro de atletas em campo. Repetiu hoje sobre o argentino Mascherano: “Joguei com ele no Corinthians”. Jeito camuflado de dizer: “Não sou tão velho”.

BRAÇO NÃO É CORPO?

No jogo de hoje, franceses pediram um pênalti no primeiro tempo. O narrador da TV disse que não foi e explicou: “A bola bateu no corpo do dinamarquês e depois rolou pelo seu braço”. E eu pensava que braço também era corpo…

DEIXAR A FESTA ANTES DA MEIA-NOITE

Jogadores eliminados voltam para casa. Nas mãos, mochilas e tchauzinho ao entrarem para os ônibus que os levarão ao aeroporto. O melhor da festa está por vir, será depois da meia-noite, mas alguns convidados tiveram de deixá-la antes das 22h30.

REFLEXÃO COLATERAL A PARTIR DO CASO NEYMAR

É verdade, muitos pobres morrem de inveja de ricos e danam a caluniá-los, injuriá-los e difamá-los. Mas também é verdade que muito rico canalha, quando criticado corretamente, com argumentos sólidos, às vezes irretorquíveis, foge de dar explicações, agarrando-se no simplismo de que quem o criticou o fez por inveja.

O TREM ITABIRANO

* Por Marcos Caldeira – O TREM ITABIRANO

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Torcida, Messi e Rojo fizeram a diferença para a Argentina, que agora pega a França

Em foto do Eugênio Sávio, Messi comemora o primeiro gol da Argentina, que passou no sufoco e agora encara a França, sábado.

Vi de perto o sofrimento argentino para essa classificação suadíssima contra a boa e perigosa Nigéria. Estádio de São Petesburgo lotado e a apaixonada torcida empurrando este time pouco confiável do Sampaoli, mas que tem Messi. A FIFA o elegeu o melhor do jogo, mas colegas da imprensa argentina discordam e escolheram Marcos Rojo “pelo gol”.  A defesa deles continua comprometendo e vamos ver como vai se comportar contra a França, nas oitavas de final.


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