Blog do Chico Maia

Acompanhe o Chico

Para reflexão: o futebol mudou de mãos, dentro e fora de campo – Parte 1

Imagem: instagram @cidafalabella

Postei no twitter e instagram. Uma chuva de comentários tomou conta, com todo tipo de opinião. Compartilho com vocês, para quem quiser opinar ou apenas ficar por dentro.

@chicomaiablog

Independentemente de qualquer facção política, gente demais ganhou com a Copa no Brasil em 2014. Mas, quem gosta de futebol, os torcedores e o bolso de quem paga imposto só perderam. Na verdade, fomos roubados


Retrancão do América funcionou até o tempo regulamentar. Maringá classificado

América optou pela retranca e tomou dois gols nos acréscimos em Maringá (Foto: twitter.com/CopaDoBrasilCBF

Minha coluna no BHAZ:

O América não jogou como América e pagou por mais um erro estratégico

As primeiras impressões sobre o trabalho do técnico Cauan de Almeida têm sido as melhores possíveis no comando do Coelho. Crença nos jovens jogadores da casa, futebol ofensivo, vibrante e placares expressivos como nas duas primeiras rodadas do Mineiro: 6 x 0 no Pouso Alegre, no Horto, 6 x 1 no Ipatinga, no Ipatingão. Ficou no 0 x 0 com O Itabirito, também no Horto, emendou duas de 2 a 0, no Uberlândia (Horto) e Cruzeiro, no Mineirão.

Veio o clássico contra o Villa, também no Horto, a grande chance de se consolidar como primeiro colocado geral da primeira fase e ficar mais próximo do título. Aí, foi detectado o primeiro grave erro do jovem treinador, de 34 anos de idade: já não poderia contar com dois titulares importantes, suspensos, e deixou outros três de fora na escalação inicial, para poupá-los. Calculou mal o risco, achou que o Villa Nova não seria páreo duro e se deu mal. Empate de zero a zero, em casa.

Na rodada seguinte, voltou a jogar muito, acuou o Atlético, fez 1 a 0, desperdiçou muitas oportunidades e, numa falha infantil do goleiro Dalberson, cedeu o empate, Mas, o empate com o Villa Nova é que pode ter lhe tirado o primeiro lugar geral.

Na Copa do Brasil, precisava do empate contra o Maringá, lá, e exagerou ao jogar com o regulamento “debaixo do braço”. Optou por uma gigantesca retranca, do princípio ao fim e pagou caro nos acréscimos, tomando 2 a 0, aos 55 e 56 minutos do segundo tempo. Eliminado!


O jornalista Otávio di Toledo, americano insuspeito, também não gostou do viu e se manifestou no twitter:
“Triste desclassificação do América ainda na primeira fase da Copa do Brasil. Jogou mal, não criou nada, foi pressionado o tempo todo e mereceu a derrota. Seria injusto o Maringá, que atacou e tentou o gol o tempo todo, sair da competição. O time foi medroso e pagou por isso.”


“Angu de um dia não engorda cachorro”, mas vale a tentativa. Democrata-GV muda treinador na hora decisiva

Minha coluna no BHAZ:

No desespero pra não cair, Democrata Pantera muda de treinador: Wladimir Araújo assume na última rodada

Minha querida mãe, D. Terezinha, sempre diz que “angu de um dia não engorda cachorro”. Mas o Democrata de Valadares vai tentar fugir da máxima. Demitiu hoje o técnico Gian Rodrigues e anunciou a contratação do goiano Wladimir Araújo.


Com apenas quatro pontos, já está no triangular da morte que define os dois rebaixados para 2025. Hoje, junto com Pouso Alegre (6) e Ipatinga (7), mas última rodada, sábado, poderá ter parceiros de desespero, já que este dois têm chances de escapar.


Força à Pantera, Valadares não pode ficar fora da prateleira de cima do nosso futebol. Este triangular é terrível. Ano passado o nosso Democrata Jacaré passou por isso, também mudou de treinador na reta final, mas infelizmente, dançou. Acredito que retornará. O Mineiro do Modulo II começa dia quatro de maio e o Jacaré vai estrear em Itabira contra o Valério.


O Diário do Rio Doce, onde já tive o prazer de publicar minhas colunas, deu mais detalhes:

“GOVERNADOR VALADARES – Sem muito tempo para perder, o Democrata anunciou o nome do novo técnico na tarde desta segunda-feira (26). Wladimir Araújo, de 54 anos, comandará a equipe na sequência do Campeonato Mineiro. A informação foi divulgada pela assessoria de imprensa da Pantera.
O currículo do técnico inclui passagens por times conhecidos nacionalmente, como o Goiás, o Vila Nova (GO), Atlético Goianiense, entre outros. A sua última equipe foi o Jataiense, sediado na cidade de Jataí, em Goiás.


Da mesma forma, entre os trabalhos notórios de Wladimir está a sua passagem pelo Marília, time paulista, em 2005. Na ocasião, o grupo conquistou o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro.
Goiano, o treinador é aguardado em Valadares para iniciar os trabalhos.
Vale ressaltar que o próximo compromisso do Democrata é contra o Villa Nova, no próximo sábado (2), às 16h30, no Mamudão. A Pantera busca a reabilitação na competição para chegar ao triangular do rebaixamento com confiança.”  

https://drd.com.br/wladimir-araujo-assume-democrata-para-a-sequencia-do-mineiro/


Cruzeiro vence Pouso Alegre, passa o América e esquenta a briga pelo 1o lugar geral, com o Tombense na disputa

Foto: Staff Images/Cruzeiro

Minha coluna no BHAZ:

Cruzeiro vence Pouso Alegre e briga com América e Tombense pelas vantagens de ser o primeiro lugar geral na decisão

O time do técnico Larcamón tornou fácil o jogo contra um dos candidatos ao rebaixamento. O Pouso Alegre vai tentar ficar fora do “torneio da morte”, o triangular que define os dois rebaixados. Hoje, seriam ele (6 pontos), Ipatinga (7) e Democrata-GV (4). Na última rodada vai pegar o Patrocinense em Patrocínio. Se vencer, tem chances de sair fora.


William, que foi o melhor em campo, abriu o placar aos 29 e Dinenno fez 2 a 0 aos 40, do primeiro tempo. Jogo no Parque do Sabiá, público de 4.968 que proporcionou renda de R$ 433.532,80.

O Pouso Alegre recebeu R$ 400 mil pela venda do mando de campo, mais passagens e hospedagens dos dois times, da arbitragem e pessoal da Federação Mineira de Futebol. Com uma renda dessas, o mistério continua nessa prática tão comum no futebol brasileiro: o que leva um empresário ou uma empresa de eventos a tomar prejuízos para levar um espetáculo para praça diferente da original?


Que não venham dizer que foi um “risco” calculado, porque essa turma dos eventos é cada dia mais escolada e não entra em nenhuma parada para perder.


Interessante como grande parte da imprensa tenta minimizar o vexame da eliminação pelo Sousa/PB. Manchete que li num portal depois destes 2 a 0 de hoje: “Cruzeiro supera eliminação na Copa do Brasil e vence Pouso Alegre”.
Superou o quê mesmo?
Essa vitória dá chances de o time continuar na Copa do Brasil 2024?


Outros falam da importância de, com essa vitória, ter superado o América na primeira colocação geral do campeonato. Até parece que o América ainda é um time da Série A nacional.
E, claro, também tem aqueles que falam, com razão, que “está melhor que o Atlético, que tem uma das folhas salariais mais altas do futebol brasileiro.”. Aí sim, “verdade verdadeira”!


O Galo chega à ultima rodada sem chances de brigar por essa condição, que costuma fazer diferença na finalíssima. O primeiro lugar geral joga em casa a semifinal e final, além de ter a vantagem de jogar por empates ou vitória e derrota pela mesma diferença de gols.
O Cruzeiro está com 16 pontos, América e Tombense 15. A última rodada será sábado, 2 de março, com todos os jogos no mesmo horário, 16h30.


O Cruzeiro recebe o Uberlândia no Mineirão, o América vai a Tombos encarar seu concorrente direto. O Atlético, com seus 11 pontos, recebe o Ipatinga que luta contra o rebaixamento e tem sete.
O América liderou o campeonato até agora, mas cometeu o erro estratégico infantil, absurdo, de poupar três jogadores fundamentais contra o Villa: Mateus Henrique, Alê e Moisés, que só entraram no segundo tempo quando a situação estava complicada. Já estava desfalcado de dois titular por suspensões de cartão amarelo: o lateral-esquerdo Marlon e o centroavante Renato Marques.
Ficou no zero a zero com o Leão do Bonfim, no Independência e poderá pagar caro por isso.
Depois reclamará das arbitragens, da Federação, do Papa, do Bispo, da imprensa, da torcida e etecetera e tal.

Dinenno (esq.) balançou as redes novamente; William marcou um gol e deu assistência em outro (Foto: Staff Images/Cruzeiro)


América ficou no quase, mas jogou muito. Felipão diz que o Atlético está evoluindo

Minha coluna no BHAZ:

Futebol do Atlético faz lembrar trechos da música Retrato em Branco e Preto

América desperdiçou mais chances que o Atlético e cedeu o empate aos 50 do segundo tempo (Imagem: twitter.com/AmericaFC1912)

Já estamos na penúltima rodada da fase de classificação e o futebol continua sofrível. Se está passando aperto no campeonato estadual, como será no Brasileiro? Essa é a questão.

O time de Luiz Felipe Scolari continua dependendo de lampejos individuais. Para empatar com o América esta tarde no Independência, foi preciso um chute fortíssimo do Hulk, batida de roupa do goleiro nos pés do Rubens, aos 50 minutos do segundo tempo.  E olhem que o Felipão demorou colocar o Rubens em campo, só aos 38 do segundo tempo, no lugar do Gustavo Scarpa, que fez mais uma partida fraca. Melhorou um pouco no início do segundo tempo, mas muito abaixo do que se espera dele.

Alisson fez uma grande partida no primeiro tempo, o melhor em campo. Começou jogando, numa surpresa do técnico do Galo, que, entretanto, na coletiva após o jogo teve a ousadia de dizer que o jovem jogador “não está pronto”. E dá-lhe Vargas no lugar dele.

E justiça seja feita, o chileno até entrou bem!

Brasileirão e Libertadores vêm aí!

Em 1968, Chico Buarque de Holanda escreveu uma das mais belas músicas do cancioneiro brasileiro, “Retrato em Branco e Preto”, que tem dois trechos que fazem lembrar este time do Felipão:

“… Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cór
Já conheço as pedras do caminho…
 
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado
E você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração…

Aliás, vale a pena ouvir:


Torcida única para Ipatinga x Democrata-GV: quer dizer que o 14º BPM, em Ipatinga, não dá conta dos marginais dessas duas torcidas?

Minha coluna no BHAZ:

Acredite: torcida única para Ipatinga x Democrata-GV, no Ipatingão

As polícias de Pernambuco não prenderam, até agora, nenhum dos bandidos que atacaram o ônibus do Fortaleza e quase mataram jogadores do time cearensse. O presidente da Federação Pernambucana sugeriu à CBF que determine torcida única em todo o país, inclusive no Campeonato Brasileiro.
Há quase um mês, Atlético e Cruzeiro “celebraram” acordo para só haja uma torcida nos clássicos entre eles.


Ontem, pasmem, a Federação Mineira de Futebol determinou torcida única para Ipatinga x Democrata de Governador Valadares em Ipatinga. Santa incompetência, omissão e medo para lidar com bandidos.
Quer dizer que o 14º Batalhão da Polícia Militar, em Ipatinga, não dá conta de agir preventiva e repressivamente contra os marginais das duas torcidas? Quantos são? Enchem um ônibus?
Um ofício enviado à federação, pelo 14º BPM que primeiro sugeriu a medida à FMF. No embalo, o Ministério Público gostou da brecha e recomendou a mesma coisa. Mãos devidamente lavadas, sugestão e recomendação acatadas, cumpra-se!


Os bandidos agradecem e preparam novas emboscadas e atentados, além de continuar combinando as datas e locais das brigas entre eles.
Que preguiça!


Sobre isso, o Fernando Rocha escreveu na coluna dele no Diário do Aço, de Ipatinga:

“A 10ª Promotoria de Justiça da comarca de Ipatinga recomendou e a Federação Mineira de Futebol, como sempre faz, lavou as mãos e determinou torcida única, a do mandante, no clássico regional disputado ontem entre Ipatinga x Democrata/Gv, no Ipatingão. A justificativa do MP é que que existe um histórico de conflitos e grande rivalidade entre torcidas organizadas dos dois clubes, inclusive com a marcação de brigas já sendo feitas pela internet.
No início deste mês, o clássico entre Atlético x Cruzeiro na Arena MRV também foi disputado com torcida única, o que em nada adiantou pois, as brigas acontecem em grande maioria fora dos estádios, como ocorreu esta semana contra a delegação do Fortaleza, por marginais que se dizem torcedores do Sport Recife. Lamentável que aqui nos nossos grotões, onde a violência e os problemas de segurança dos grandes centros ainda não são sentidos, nossas autoridades tenham arregado para marginais pés de chinelos, se omitindo ao invés de usar toda a força disponível para identifica-los, prendê-los ao rigor da lei, dando um exemplo para o resto do país.
Onde o estado não se faz presente, não cumpre o seu papel, a bandidagem toma conta. É só ver o que acontece no Rio de Janeiro, onde o tráfico e a milícia dominam mais de 70 por cento do território. O MP, por incompetência, preguiça, seja lá o que for, prestou um desserviço à nossa sociedade, em prejuízo ao cidadão-torcedor do bem, que só deseja ir ao estádio torcer pelo seu clube do coração. Fugir da raia não foi nada inteligente, pois o mais correto seria implementar uma ação coordenada com as polícias, sobretudo a Militar, para desarticular essas quadrilhas de marginais que se dizem torcedores de futebol.
Esta iniciativa do MP, referendada pela FMF, me lembra aquele sujeito que estava sendo traído pela mulher no sofá. Para resolver o problema resolveu vender o sofá. O grande dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues, escreveu que “os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos”(Fecha o pano!)


Menos de 10 minutos para acabar, e o técnico Larcamón mandando o time atacar

Foto; twitter.com/CopaDoBrasilCBF

Minha coluna no BHAZ:

Erro na estratégia eliminou o Cruzeiro da Copa do Brasil
Faltavam menos de 10 minutos para acabar o jogo e o técnico Larcamón mandando o time atacar. Campo encharcado, bola não rolava, condições propícias para se fechar e não tomar gol. O empate dava a classificação ao Cruzeiro.


Em dois contra-ataques o Sousa/PB eliminou o maior vencedor da Copa do Brasil. Aos 43, Danilo Bala fez 1 a 0 e aos 49 matou a partida com o segundo gol.
Jogador muito conhecido no Nordeste, uma pena que Danilo já esteja com 30 anos de idade, pois é muito veloz e certeiro nos arremates.


E dedicou a conquista dessa noite à família: “Minha esposa mora longe, dediquei meu gol pra ela e pros meus filhos. Ela deu a luz recentemente e eu ainda não segurei meu filho nos braços. Hoje foi um dia incrível na minha vida”.”
Sergipano de Propriá, ele passou por 17 times, dois mineiros inclusive, até chegar ao Sousa: Lagarto, Dorense, Confiança, Montana, Juazeirense, Boa Esporte (2017), Moto Club, Uberlândia (2018), Campinense/PB, Vardar/Macedônia, São Bento/SP, Rio Claro, CRB, Remo, Treze/PB, Altos/PI e Flamengo-PE.


Por integrar a Série D o Sousa recebe R$ 787,5 mil, por ter passado de fase. O Cruzeiro, da Série A, deixou de faturar R$ 1,47 milhão.
Agora o time paraibano aguarda o ganhador entre Petrolina/PE e Cascavel/PR. O Cruzeiro mergulha de cabeça no campeonato estadual.

A propósito, outro mineiro foi eliminado da Copa do Brasil esta noite: o Tombense, que perdeu de 1 a 0 para o Anápolis-GO, em Anápolis.
twitter.com/CopaDoBrasilCBF


O mau humor crônico do Felipão tem explicação

Essa charge do Duke no portal da Itatiaia define muito bem Luiz Felipe Scolari -www.itatiaia.com.br/charges

Minha coluna no BHAZ

Quando as coisas não vão bem a grosseria crônica do Felipão se manifesta

Felipão é todo sorrisos quando as coisas vão bem dentro de campo. Sempre foi assim em todos os times que comandou e na seleção brasileira.
Quando a bola começa não entrar a contento nas redes adversárias a máscara cai e o lado raivoso dele entra em cena.


Com o passar do tempo a pouca ou nenhuma paciência toma conta da maioria das pessoas. E ele nunca foi de ter paciência. Aos 75 anos de idade, rico e realizado profissionalmente, pior ainda. Demonstra isso com a imprensa nas entrevistas coletivas e com torcedores.
Sábado foi exageradamente grosso com o repórter Breno Galante, um profissional correto, educado, que quis lhe fazer mais uma pergunta: “você de novo?”.


Na chegada da delegação em Confins, torcedores exaltavam o Alisson, e ao verem o treinador entrando no ônibus, gritaram “ô Felipão o Alisson tem que ser titular…”.
__ Vão tomar no …
Foi a resposta, pelo que se vê em leitura labial do vídeo que está rodando por aí.
Pra quê isso?
Se está de saco cheio do dia a dia do futebol como treinador, não deveria ter se desaposentado e largado o Athletico/PR para vir para Belo Horizonte.


O Antônio Silva, comentarista tradicional aqui do blog escreveu: “ … Felipão está doido pra picar a mula, caçando confusão com a diretoria e vai perder o Mineiro pra ser demitido.’
O amigo cruzeirense Geraldo Celso Abreu, no auge da experiência de vida que tem (pouca coisa mais que Felipão), define gente grossa como: “Cavalgadura”, cujo significado, de acordo com o dicionário eletrônico é: “substantivo feminino, besta de sela, cavalar, muar ou asinina”.
E vida que segue!

Foto: Pedro Souza/Atlético


Coisa rara: presidente de clube de futebol que revela quanto ganha, defende duas torcidas, bebidas e bandeirões nos estádios

Foto: SPFC

É Julio Casares, presidente que está conseguindo tirar o São Paulo do atoleiro e voltou com o clube para as grandes decisões do nosso futebol.
Ótima entrevista dele à Mônica Bérgamo, na Folha de S. Paulo de domingo, 18.
Diferente da maioria dos dirigentes do São Paulo, ele é origem simples, da zona leste da capital paulista. Advogado, publicitário, radialista, ex-SBT e Record, tenta se manter como torcedor raiz, sem deixar a cegueira da paixão tomar conta das decisões importantes que precisa tomar no dia a dia. Assumiu a presidência em 2020, foi reeleito ano passado.
Um resumo do que ele falou à Mônica Bergamo:

Origem são paulina
Morava em uma rua de terra no [bairro] Parada XV de Novembro, na zona leste, pra lá de Itaquera. Meu pai [Olean] punha a criançada nos carros antigos que ele tinha, Ford, Chevrolet, minha mãe [Maria] fazia sanduíche de mortadela, e a gente partia carregando as bandeiras. Era um programa maravilhoso.
Com 14 anos, eu trabalhava como office-boy no centro da cidade, no grupo Pedro Ometto, hoje Cosan.
Eu fazia o serviço a pé para economizar os passes [de transporte coletivo] e pegar ônibus no fim de semana para ir no jogo.

Morumbi ainda tem geral
O São Paulo é hoje o clube mais popular do Brasil, o que tem a melhor média de público no estado. O setor popular, com 14 mil lugares, é o ingresso mais barato do Brasil.
Um líder da torcida me disse: ‘Pô, te acusavam de golpe. Agora a torcida quer dar um golpe para que você continue’

O “Morumbis”
Pensamos em Morumbic [da caneta BIC], Morumbig [do supermercado Big], tudo para negociar o nome sem perder a nossa essência. E fizemos a proposta para a Mondelez [que fabrica o chocolate BIS]. Nossa negociação do naming rights, por três anos, foi a maior já realizada, proporcionalmente [a imprensa fala em R$ 25 milhões por ano].
E a resposta foi tão grande que eu até vou sentar com os empresários daqui a um ano e dizer: “Vamos prorrogar esse contrato, em outras bases?” Até o metrô anuncia a estação [na região do estádio] como “Morumbis”.

Torcedor raiz
Eu sou do tempo em que a entrada dos jogadores em campo era um acontecimento. Entrava o primeiro time, a torcida dele fazia uma festa, papel picado, fogos. Entrava o outro, a torcida adversária comemorava. E ali a gente já media [quem estava mais forte]. Entrava o juiz, e todo mundo vaiava.
Hoje os dois times entram com o hino oficial da federação, da CBF, como na Europa. Mas o Brasil tem particularidades.
Eu espero que o futebol de São Paulo volte a conviver com torcidas contrárias, como ocorre em outros estados.

Civilidade
Um dia a Leila [Pereira, presidente do Palmeiras] me ligou perguntando se eles poderiam jogar no Morumbi, porque haveria show no Allianz Parque [estádio do Verdão]. Eu falei: “Claro que sim”. Eles já jogaram aqui duas vezes, e nós, uma vez lá [no Allianz]. Muita gente dizia que era um perigo [as torcidas depredarem o estádio adversário]. Confesso que dormi preocupado, “pode acontecer uma desgraça”. Mas acreditamos. E deu certo.

Hipocrisia das proibições
Em São Paulo não pode bandeirão nos estádios, não pode cerveja, não pode torcedor [de outro time]. Por mais que tenha aspectos de segurança, cabe uma maior discussão.
O cara bebe fora do estádio—cerveja, destilado, bebida às vezes sem procedência— e entra pouco antes de o jogo começar, já turbinado. É um contrassenso, uma hipocrisia.

Dívidas
Nosso endividamento está próximo dos R$ 600 milhões, algo parecido com um ano de faturamento do clube. É administrável. A dívida de curtíssimo prazo é de R$ 250 milhões…
… E há várias situações. Todo mês, por exemplo, eu pago R$ 450 mil para o Daniel Alves. Na saída dele, fizemos uma confissão de dívida e um acordo que baixou a dívida para R$ 25 milhões. Estamos pagando.

Equilíbrio nas contas
… Se você decidir zerar a dívida, ou reduzi-la bastante, vai tomar decisões que vão diminuir a tua competitividade.
O futebol é muito caro. Se não tem receita, você não monta um time competitivo. Vai correr risco de rebaixamento —e de perda de uma receita de TV que é de mais de R$ 100 milhões por ano.
Além disso, a felicidade do torcedor é ser campeão.
Você tem que ter um bom time sem fazer loucura. …Você tem o desafio de ser um gestor racional, e de ser também o torcedor-raiz.

Recuperação em campo
Fomos campeões paulistas em 2021, chegamos a duas finais em 2022, no ano passado veio a grande conquista [Copa do Brasil]. E começamos 2024 com outra grande conquista [Supercopa].
A Copa do Brasil nos trouxe ainda um prêmio [pago pela CBF] de R$ 80 milhões. A bilheteria aumenta, o torcedor chega ao estádio cinco horas antes do jogo, consome, compra camisa. É uma coisa de louco.
Valoriza os jogadores. E quando vendemos o Beraldo, por um valor extraordinário [R$ 107 milhões estimados], equalizamos as contas naquele momento.
É um círculo virtuoso.

Custos nas alturas
Jogador da base ganha R$ 15 mil por mês. Quando sobe para o profissional, já vai para R$ 40 mil, R$ 50 mil. Se performar bem, salta para R$ 80 mil. Quando é campeão, vai para R$ 280 mil ao renovar contrato.
Então, quando somos campeões, a despesa aumenta. Mas as receitas sobem.

Dorival Jr. na seleção
… era o sonho do Dorival. E ele foi.
Então veio o nome do [Thiago] Carpini [para assumir a vaga de Dorival], um cara estudioso, comprometido. E aí entra a coragem de você apostar em um técnico novo, né? Temos que apoiar, pois virão fases difíceis.

Futebol na veia
Eu gosto de assistir o jogo ao lado do pessoal do futebol, com o Muricy. Eu adoro receber autoridade [nos camarotes em dia de jogo], mas eu sou da bola.
No dia de jogo, eu não vivo como um cara normal. Eu entro num transe.
Começo a pensar exclusivamente no jogo. Será que alguém vai se machucar? Como é que está o público? E o jogo? E o técnico?
Quando acaba a partida, o dirigente não comemora. Ele fica aliviado. “Passou a quarta”. Só que aí vem o domingo.

Gramado sintético, não!
Minha grama vai ser sempre natural. O Morumbi é um solo sacrossanto que recebe muito sol

Salário do presidente
Eu ganho um salário, um pró-labore, que não chega à metade do que os meninos da base ganham quando são promovidos. Recebo em torno de R$ 26 mil, líquidos.
Mas não reclamo. Eu me preparei para isso. Eu ganhei muito dinheiro na televisão, eu vivo dos aluguéis dos imóveis que comprei. Eu me viro.

Quase morreu de Covid
Eu viajava com o elenco, a gente fazia teste para detectar a Covid todos os dias, eu fiz mais de 120 testes.
Na volta de uma viagem à Argentina, senti meu corpo doendo. Fui para o Hospital Albert Einstein, precisei de oxigênio e já fiquei internado.
Dias depois, entraram uns quatro médicos [no quarto], todos paramentados, parecendo astronautas, e um deles me disse: “Vamos ter que te intubar”.
Meu mundo caiu. “Sério, doutor?”.
Eu só pensei em ligar para o meu filho e dizer: “O papai vai intubar, mas vai ficar tudo bem. Fica firme aí”. Foram duas semanas na UTI.
Quando você volta [da sedação], está sem força, não consegue escrever, não consegue falar. O enfermeiro te limpa, literalmente, te faz a barba, você não é nada.
Quando sai, revê alguns valores. Entende que precisa levar a vida com mais leveza.
E aquilo também me aguçou a fazer mais para o São Paulo.

Shows e receitas no Morumbi raiz
Um estádio não vive só do futebol. Nós trouxemos vida ao Morumbi. São 6.500 pessoas que vêm aqui diariamente, em restaurantes, academia de ginástica, bufê infantil.
No esquema de shows, quem faz são Live Nation, Time for Fun. O São Paulo tinha deixado de conversar com eles. E o Allianz Parque pegou todo esse mercado.
Decidimos voltar ao roteiro.
E o que eu posso oferecer? Preço. Porque o Allianz tem que pagar o investimento que fez [em obras]. Eu não preciso mais. Se eles cobram R$ 1,5 milhão, eu posso cobrar R$ 1,2 milhão.
Agora, vamos fazer shows aqui em datas que não comprometam o futebol. A minha grama vai ser sempre natural. O Morumbi é um solo sacrossanto que recebe muito sol.

Reforma sem mudar as características
Eu já falei aos arquitetos que eu não quero que mude o conceito do estádio. Quero que ele continue raiz.
Eu só quero que, no térreo, o torcedor fique mais próximo do campo. Você vai ter mais camarotes, mais áreas de restaurantes, sem mudar a essência do estádio.
Eu quero manter o estádio com sol, então a cobertura parcial na qual estamos pensando para um anfiteatro não pode comprometer o todo. E ela tem que me possibilitar fazer uma luta de UFC, um jogo de tênis ou um espetáculo musical para 20 mil pessoas. E, num grande show, o estádio vai abrigar de 90 mil a 100 mil pessoas.

A entrevista completa está no:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2024/02/julio-casares-diz-que-entra-em-transe-em-dia-de-jogo-revela-dividas-do-sao-paulo-e-afirma-que-morumbi-nao-perdera-essencia.shtml


Na reconstrução do Cruzeiro, time do Larcamón segue característica dos técnicos anteriores

Minha coluna no BHAZ:

Vitória incontestável do Cruzeiro em Valadares. Ganhar do Democrata lá nunca é tarefa simples

Nessa reconstrução pela qual passa o Cruzeiro, alguns jogadores mantém a regularidade e a credibilidade cresce junto à comissão técnica, torcida e imprensa. O lateral William é o maior destaque nessa trajetória, e foi muito importante em mais uma vitória, nos 3 a 1 contra o Democrata em Valadares. Outro que se destacou foi o Ian Luccas, que, entretanto, alterna grandes e razoáveis atuações. Papagaio e Dinenno estão subindo de produção. O argentino tem presença de área, a raça portenha e já marcou três gols.

Outros já têm prestigio consolidado e não estão “sob observação”, como diria o grande jornalista José Luiz Gontijo, como Lucas Silva, Matheus Pereira, Lucas Romero e Zé Ivaldo.

O time mostra uma característica fundamental: sangue nos olhos, com determinação. Uma característica do técnico Larcamón, que assim como os seus antecessores, tem que compensar as “eventuais” faltas de qualidade técnica do grupo com raça e superação física, que garantem resultados surpreendentes em muitas partidas.

(Fotos: twitter.com/Cruzeiro /@marcoferraz85