Blog do Chico Maia

Acompanhe o Chico

Essas jogadoras da seleção merecem todos os aplausos da torcida brasileira

O futebol feminino no Brasil é embrionário, começando querer se tornar profissional agora. A prática é pouco desenvolvida no país, raros incentivos e ainda enfrenta desconfianças e preconceitos. A dura realidade é que quase não há entusiasmo do torcedor brasileiro com o futebol das mulheres. Pode ser, que talvez, daqui há muitos anos o quadro mude.

Países como os Estados Unidos, Alemanha, Suécia e Noruega, que têm tradição nesta modalidade, começaram a incentivar a prática nos anos 1970, levando o futebol feminino inclusive para as escolas e universidades.

A seleção que disputou a Copa da França fez muito mais bonito do que o esperado, em função das condições físicas precárias das principais jogadoras e das dificuldades do período de preparação. E não será fácil a reposição de peças para vagas que serão deixadas por Marta e demais colegas mais veteranas, que carregaram o time nessa Copa. Vadão e qualquer treinador da seleção tem e continuará tendo as maiores dificuldades possíveis, a começar pela “conta do chá” de jogadoras de qualidade. Se no masculino não estamos vendo o surgimento de craques como em outros tempos, imagine no feminino.


Apesar de fazer a sua melhor partida na Copa, seleção brasileira ficou no “quase” e está fora das quartas de final

Há tempos a seleção feminina brasileira não fazia uma partida tão brilhante bonita de se ver jogar. Melhor atuação nessa Copa da França, sem dúvida, mas infelizmente não o suficiente para passar pelas anfitriãs e chegar às quartas a final.

Além do ótimo time francês, jogadoras fundamentais ao time do Vadão, como Formiga e Cristiane não aguentaram jogar o tempo todo e saíram nos momentos finais e tempo extra. Também contou com a infelicidade da Debinha, de perder um gol, cara a cara com a goleira da França, quase no fim da prorrogação. O surrado “quem não faz leva” prevaleceu e no início do segundo tempo da prorrogação, Henry, marcou o gol que garantiu as francesas na próxima fase. Única falha da defesa brasileira nessa partida, que não viu a atacante francesa entrando no meio da zaga para esperar o cruzamento. Gol que fez lembrar o do, também Henry, da França que eliminou o Brasil na Copa da Alemanha em 2006.


No carro, ouvindo Acyr Antão na Itatiaia, chegando em Grenoble, com gol da Cristiane

De vez em quando algum leitor reclama das comparações que faço de países por onde viajo com o Brasil. Claro que compreendo. Muita gente não tem ideia do quanto é prazeroso ter retorno do que se paga por tantos e tão caros impostos. No Brasil pagamos igual ou mais que os cidadãos na maioria dos países da Europa, sem retorno, nem parecido.

Na telefonia móvel e internet por exemplo. As muitas opções na França, com preços e qualidade de assustar a quem se utiliza desses serviços no Brasil. Cobertura em todos os locais, sem delay, nenhuma interrupção, queda de ligação ou perda de qualidade. Usando whatsapp e viva voz, fui dirigindo e ouvindo as nossas rádios de Belo Horizonte durante os quase 600 km de Paris a Grenoble.

No domingo da estreia do Brasil contra a Jamaica, saí mais tarde do que deveria de Paris e chegaria atrasado ao estádio dos Alpes. Nas imediações da cidade, acionei o aplicativo da Itatiaia para saber detalhes e o placar do jogo. Estava no ar o Acyr Antão, que no exato momento em que sintonizei, acionava a plantonista Daniele Rodrigues, que informou: “Bom Dia Acyr, o Brasil acaba de marcar o primeiro gol da partida de estreia contra a Jamaica: Cristiane, aos 15 minutos de jogo…”.

No Brasil temos dificuldade de falar ou acionar a internet até de dentro das maiores cidades, quanto mais nas estradas.

Por 39,99 euros (R$183), adquiri numa loja Relay, do Aeroporto Charles de Gaulle, um chip da operadora Bouygues Télécom que me proporcionava duas horas de chamadas internacionais, 10GB de internet, dois meses de validade dos créditos e um punhado de outras que nem tomei conhecimento porque não precisaria mais do que isso. A concorrência é grande, várias empresas no setor.

A maior operadora francesa é a Orange S.A., que oferece pacote idêntico. Optei pela Bouygues porque um brasileiro que mora em Paris me disse que ela “é mais fácil de mexer”. E valeu a pena.


Ecos do passado: Califórnia, Copa dos Estados Unidos’1994, com a repórter que informou em primeira mão que Ronaldo não era mais do Cruzeiro

O mestre Rogério Perez entre Orlando Augusto (esquerda), eu e a Fabíola Colares, em Pasadena, dois dias antes da final da Copa, em que o Brasil sagrou-se tetra-campeão, vencendo a Itália nos pênaltis.

Viajando, mexendo em velhos arquivos de antigos “pen-drive” encontrei essa foto. Que prazer e que aprendizado, de jornalismo e da vida, eu tive com esses aí. Felizmente, todos bem de saúde, curtindo a vida da melhor forma. Com a mudança de direção da Rede Minas, Orlando passou  comando do Meio de Campo (programa dos domingos à noite) e, grande baterista que é, continua com as suas bandas de MPB e Rock, fazendo shows em Belo Horizonte e interior.

Fabíola foi a jornalista que informou em primeiríssima mão, durante a Copa dos Estados Unidos, que Ronaldo estava vendido pelo Cruzeiro ao PSV da Holanda, revelando inclusive os valores. O então presidente César Masci a chamou de mentirosa, “ondeira” e a proibiu de entrar na Toca da Raposa. Terminada a Copa, Ronaldo se apresentou ao time holandês. Não retornou a Belo Horizonte nem para buscar as roupas. Ela mudou-se para Fortaleza, onde continua jornalista e atuando também no comércio.

Rogério Perez quer saber só de viver a vida da melhor forma, visitando os amigos, comendo e bebendo o que gosta nos bares que sempre frequentou e dando aulas informais sobre futebol e obviamente jornalismo, nas rodas de conversa.


Pela TV, sucesso a Vadão, Marta e cia., em Le Havres contra as donas da casa

Nos sites de apostas está dando França com 71%, empate 19% e Brasil 10% com a rola rolando, domingo, a partir das 16 horas, horário brasileiro, no Stade Océane em Le Havre, que tem capacidade para 25 mil pessoas e é utilizado pelo time do mesmo nome da cidade, que disputa a segunda divisão da Franca. Assistirei pela TV, já que estou retornando a Belo Horizonte. A nossa troca de ideias sobre a Copa feminina passa a ser de Minas, com fotos, informações e comentários sobre o dia a dia vivido em Paris, Lyon, Grenoble e outras cidades por onde passei nas duas últimas semanas. Ótimas experiências.

Como nessas estradas de Paris a Grenoble: 570 Km, dois pedágios salgados, totalizando 43 euros (R$ 198)…

… mas altamente compensatórios, por excelentes pistas de rolamento, sinalização, segurança…

… comunicações…

… ótimos postos de abastecimento e lojas de conveniência.

E visual de castelos (como este, de Chateauneuf, na rodovia A6, a 188 Km d Lyon) e outros atrativos pelo caminho.


Considerada “azarã”, seleção feminina do Brasil vai pegar a França; EUA e Alemanha são as maiores favoritas ao título

Falar de Copa do Mundo de futebol feminino me proporciona mais um ganho cultural. Alguém sabe me dizer o feminino de azarão? Pois é! Sem tempo para consultar meus mestres em nosso tão maltratado idioma (Marcos Barbosa, Waldemar Carabina, Dona Celina e Dona Valeriana), chutei no título do post “azarã”, com quase 100% de chances de ter errado, mas… texto que segue!

De acordo com todas as previsões, uma conquista da seleção brasileira seria “zebra”, porém, possível. Pela ordem, Estados Unidos, Alemanha, Noruega e França são as maiores favoritas.

Chegar às oitavas já foi uma conquista brasileira na Copa feminina. Vai pegar a França, anfitriã e embalada pela torcida e pelo bom time que tem. Passar às quartas de final seria uma glória e teria a favorita seleção dos Estados Unidos ou a Espanha (também correndo por fora), pela frente.

Depois do fim da terceira rodada da primeira fase, os próximos confrontos serão, em horário do Brasil:

sábado, Alemanha x Nigéria em Grenoble, 12h30.
Em Nice, 16 horas, Noruega x Austrália.

No domingo, 12h30, Inglaterra x Camarões em Valenciennes.

Às 16, Brasil x França, em Le Havre.

Segunda-feira, 13 horas, Espanha x EUA em Reims; às 16, Suécia x Canadá em Paris.

Na terça-feira, Itália x China, 13 horas em Montpellier; às 16, Holanda x Japão em Rennes.


Quando países como Brasil e Argentina estão com seleções ruins e inconfiáveis o problema está no comando do time

“Así juega la Selección Argentina, Messi llevando la pelota, ocho futbolistas paraguayos cerca y escalonados para impedirle accionar. Un argentino 25 metros a la derecha y otro a unos 15 arreglándose las medias.” 

A frase é do Jorge Barraza‏, grande jornalista e escritor argentino, também aflito com a situação de Messi, que tem que carregar sozinho o piano dos “hermanos”, que assim como o Brasil está com um time irreconhecível, inconfiável, apesar de grandes jogadores à disposição dos respectivos treinadores. É inacreditável e inaceitável ver uma seleção dessas na quarta posição em seu grupo, correndo risco de não passar da primeira fase de uma Copa América de baixíssimo nível técnico. Quando países de tradição de qualidade no futebol não têm seleções competitivas, seguramente que o problema é o comando ruim, incompetente para a função. Na Argentina este aspirante Lionel Scaloni não está sabendo aproveitar a oportunidade de ouro que está tendo. No Brasil, Tite parece ter sido atraído pelo “canto da sereia”, saiu do feijão com arroz e personalidade firme que o consagraram, para inventar taticamente e fazer convocações difíceis de explicar. Uns “velhos” que não terão condiçõeS físicas de jogar a próxima Copa e uns desconhecidos de futebol duvidoso para estar numa seleção brasileira. Voltando a Jorge Barraza, sabe tudo do futebol sul-americano e vale a pena segui-lo. O endereço do twitter é este: @JorgeBarraza


Na Copa América as dificuldades de sempre no acesso aos estádios, na Copa feminina na França, tranquilidade absoluta

O Boulevard Périphérique (anel rodoviário de Paris), passa debaixo do Parque dos Príncipes e tem 35 Km de extensão.

Lendo sobre os problemas de sempre do acesso dos torcedores aos estádios onde está sendo jogada a Copa América, bate de novo aquela frustração de ter consciência que no Brasil sempre foi assim, até para jogos com pouco público. Trânsito péssimo, filas demoradas e confusão para se entrar no estádio. Exatamente o contrário do que ocorre na Copa feminina na França.

Quando você desce do trem do metrô já bate o olho na ótima sinalização que te guiará até os portões de entrada.

Como o complexo de quadras de Roland Garros é vizinho do Parque dos Príncipes, a sinalização é mais detalhada ainda. Dentro e principalmente fora das três estações de metrô que atendem a estes destinos.

Do outro lado da rua e arredores, bares funcionam normalmente,

Lado a lado a imponência e o belo visual do estádio de futebol e o ginásio poliesportivo, como se fosse o Mineirão e o Mineirinho, porém mais próximos, separados apenas por uma rua.

Único defeito que observei é que os dois telões internos são bem pequenos para o tamanho do estádio

… quase imperceptíveis.


Raça feminina argentina entrou em campo contra a Escócia e saiu de um 3 x 0 para 3 x 3 em 20 minutos

Fotos FIFA

Que belo jogo entre Argentina e Escócia pelo Grupo D da Copa feminina da França, no Parque dos Príncipes. Bem dentro das características de raça e determinação portenhas as argentinas perdiam de 3 a 0 e as escocesas achando que a fatura já estava liquidada, com festa e ironia da torcida nas arquibancadas. Isso até os 28 minutos do segundo tempo, quando saiu o primeiro gol argentino. Aos 33 o segundo e aos 46 a árbitra acionada pelo VAR deu um pênalti para a Argentina, que desperdiçou, mas o VAR alertou que a goleira escocesa se adiantou para fazer a defesa. Nova cobrança e o terceiro gol argentino, para a euforia geral do país e a remota esperança de se classificar como terceiro no grupo, com apenas dois pontos. Remota, mas possível.

As escocesas se acomodaram  com os 3 a 0 e não conseguiram segurar a reação argentina


Copa feminina da França tem sido boa “matéria prima” para o jornal Charlie Hebdo

On va en bouffer pendant on móis: “Nós vamos comer durante um mês”

O jornal Charlie Hebdo não afinou e não mudou a linha editorial depois do terrível atentado que sofreu em janeiro de 2015, que resultou na morte de 12 pessoas. Continua crítico e gozador a tudo que lhe dá vontade e se mantém em alta na venda de bancas de Paris e nas maiores cidades da França.

Claro que não perderia a oportunidade de tirar sarro da Copa do Mundo feminina, como nessa capa (da foto que ilustra este post), e no debate sobre os protestos de jogadoras que defendem a igualdade salarial com os homens.

E nessa charge, onde ironiza a norueguesa Ada Hegerberg, que boicotou a Copa, em protesto, exigindo paridade salarial. O jornal até concorda que o salarial seja igual a de um Ribery, mas quer que o futebol dela seja o mesmo do Franck Ribéry.

Aliás, sobre estes protestos reivindicatórios, duas opiniões manifestadas, no blog e no facebook/chicomaiablog:

João Bosco , de Governador Valadares, no facebook:

* “Gente sem preconceitos, mais futebol não é coisa pra mulher,é um esporte muito complicado ,e também acho que esses jogadores masculinos não vai arrumar nada em qualquer competição .”

***

Tonico Dias, no blog:

* “Não concordo com este tipo de protesto. O foco não tem que ser o quanto o outro ganha, mas o quanto eu produzo. Vamos cruzar os braços aqui no Brasil e exigir um salário médio nas empresas de 3.700,00 dólares mensais (algo em torno de R$ 14.277,93), com jornada semanal de 30 horas, como acontece na Noruega. Ou então de 4.600,00 dólares (algo em torno de R$ 17.800,00), pagando 23% de imposto médio, como acontece nos Estados Unidos. Nossa realidade é a mesma deles? Não é por aí… Esta “vitimização”, este “auto-sexismo”, não engrandecem na minha opinião. Pratiquem um futebol (jogo, técnica, física, transmissão) voltado para o universo feminino, vendam produtos no mundo inteiro gerando mais receita que o futebol masculino e terão, certamente, vencimentos maiores que os homens. Mas façam isto por Lei de Mercado e não por imposição.”


Página 21 de 1.119« Primeira...10...1920212223...304050...Última »